sábado, 29 de agosto de 2026


                       Como reforma eleitoral beneficiou sigla ligada à Universal

Em 2015, o Brasil promoveu uma mudança significativa nas regras de financiamento eleitoral ao proibir doações empresariais e estabelecer limites para os gastos de campanha. A primeira medida foi determinada pelo Supremo Tribunal Federal (STF); a segunda, aprovada pelo Congresso. Em meio aos escândalos revelados pela Operação Lava Jato, as mudanças buscavam reduzir a influência do poder econômico sobre as eleições.

Agora, um estudo sugere que essa mudança produziu um efeito inesperado: esses limites mais rígidos de gastos deram vantagem ao Republicanos, partido historicamente ligado à Igreja Universal do Reino de Deus (IURD).

Segundo os pesquisadores, a vantagem está relacionada à estrutura da Universal e que reflete no Republicanos: presença territorial, capacidade de mobilização e uma organização altamente centralizada - em um momento em que os demais partidos têm menos acesso ao montante para realizar campanhas.

"A igreja é uma maneira de se mobilizar fora do seio dos partidos políticos. Ela é muito influente e, além de tudo, não precisa de financiamento eleitoral, dado que é um tipo de organização que não precisa se preocupar em atrair recursos para as eleições”, afirma Lucas Novaes, professor de Ciência Política do Insper e um dos autores da pesquisa Special Interest Trade-Offs: Campaign Finance Reforms and Religious Influence in Politics in Brazil ("Compromissos entre interesses especiais: reformas no financiamento de campanhas eleitorais e influência religiosa na política brasileira") ao lado de Melani Cammett, de Harvard, e Guadalupe Tuñón, de Princeton. 

<><> Lei é ponto de partida da pesquisa

A mudança começou a valer nas eleições municipais de 2016. Os gastos de campanha passaram a ter limites definidos por lei, calculados a partir do que havia sido desembolsado na eleição anterior.

Mas a regra estabeleceu um ponto de corte: municípios cujo maior gasto em 2012 ficou abaixo de determinado valor receberam um teto fixo em 2016, enquanto aqueles logo acima do corte tiveram um limite proporcionalmente maior. Isso fez com que cidades com gastos muito semelhantes em uma eleição fossem submetidos a tetos diferentes quatro anos depois, criando o que os pesquisadores classificam como um experimento natural.

Na prática, municípios situados imediatamente abaixo do corte ficaram sujeitos a um teto de R$ 108.039, enquanto, logo acima dele, o limite saltava para R$ 133.700, valores já corrigidos pela inflação entre 2012 e 2016. A diferença permitiu comparar cidades semelhantes, mas sujeitas a restrições distintas, e estimar o efeito de campanhas com menos dinheiro disponível.

Assim, candidatos de um grupo tiveram uma restrição maior de recursos, enquanto os do outro puderam gastar mais. Isso permitiu comparar os dois grupos e estimar o efeito provocado especificamente por uma campanha com menos dinheiro disponível, mostra o estudo.

"Nesses municípios [com maior restrição], os candidatos do Republicanos, por poderem contar com o auxílio das igrejas para a mobilização eleitoral, têm mais incentivos para concorrer. A competição se torna mais favorável porque candidatos de outros partidos não podem gastar tanto com mecanismos tradicionais de campanha, como a contratação de cabos eleitorais”, diz Lucas.

<><> Relação Igreja x Republicanos

A vantagem identificada pelos pesquisadores está ligada a uma relação entre igreja e partido que vai muito além do apoio a determinadas candidaturas. De acordo com Maria das Dores Campos Machado, professora aposentada da UFRJ e pesquisadora de religião e política, o Republicanos funciona como braço político da Igreja Universal, servindo tanto para lançar candidaturas aos poderes Legislativo e Executivo nos estados e municípios quanto para ampliar a influência da igreja junto ao governo federal.

"Em algumas regiões os escritórios de campanha dos candidatos da IURD ficam em edifícios pertencentes à Igreja ou em área anexa ao templo. As fronteiras entre a religião e a política são muito fluídas e porosas", afirma. "Os recursos são de várias naturezas: os cultos são momentos importantes para apresentar ou defender candidaturas; usa-se também as gráficas para a produção de material de divulgação; uso de pessoal, obreiros e obreiras para convencer o eleitor nas ruas; uso da mídia religiosa, etc."

proximidade entre igreja e partido também é percebida na forma de organização das duas instituições. Segundo Claudia Cerqueira, cientista política e pesquisadora da relação entre a Igreja Universal e o Republicanos, ambas são estruturadas de cima para baixo, em uma relação que ela classifica como quase corporativa.

Na avaliação da pesquisadora, a atuação dos candidatos do Republicanos é orientada mais por questões econômicas e de poder do que propriamente religiosas. As pautas de moral e costumes teriam uma presença mais reativa, enquanto temas econômicos aparecem de forma recorrente na atuação política de seus representantes.

"E isso tem muita relação com o tipo de candidaturas que a igreja tenta emplacar. Tem um termo de 'candidatura corporativa', ou seja, quem concorre pela IURD não é simplesmente um candidato pastor, ele é um cara que representa os interesses da igreja. Por isso acabaram incorporando todas essas atividades que são necessariamente já pautadas pelo partido e igreja", afirma.

Segundo a pesquisa, a maneira centralizada de gestão também fortalece o controle do Republicanos sobre seus quadros, facilitando sua permanência no partido e sua mobilização em outras campanhas e pautas partidárias. "Se a Igreja vira um ativo político e é centralizada, se esse político migrar de partido, ele não vai conseguir levar consigo a organização da Igreja e os benefícios que a Igreja traz para a sua carreira política", conta Lucas Novaes.

Essa centralização também diferencia o Republicanos de outros partidos historicamente ligados a igrejas evangélicas brasileiras. Um dos exemplos citados no estudo é o Partido Social Cristão (PSC), que manteve uma relação com a Assembleia de Deus e, em 2023 foi incorporado pelo Podemos.

"A Igreja Assembleia de Deus é fragmentada e não tem o mesmo modelo de governo e atuação que a IURD. Embora as duas igrejas trabalhem na formação de lideranças para a política partidária, a IURD é uma igreja bem vertical, com uma orientação centralizada e uma grande capacidade de controle sobre seus quadros políticos”, afirma Maria das Dores Campos Machado.

<><> Mais candidatos em cidades com limite de gastos

Na prática, a vantagem proporcionada pela estrutura da Universalse refletiu também na estratégia eleitoral do Republicanos. Segundo o estudo, o partido passou não só a vencer mais, como também a lançar mais candidatos nos municípios submetidos aos limites mais rígidos de gastos.

"A gente vê, através disso, que, de fato, aumentaram muito as candidaturas do Republicanos nesses municípios tratados e, além disso, aumentou a quantidade de candidatos eleitos do Republicanos nesses municípios, em comparação aos municípios de controle, que são aqueles onde se pode gastar mais", diz Lucas.

Os resultados também foram influenciados desde o início da nova regra. Nos municípios em que os locais de votação estavam mais próximos dos templos da Igreja Universal, os limites mais rígidos aumentaram a vantagem eleitoral do Republicanos; nos municípios em que essa distância era maior, esse efeito não foi identificado. "Nas seções eleitorais mais perto de igrejas, a gente vê também que o apoio cresce ainda mais para o Republicanos”, afirma o pesquisador.

O estudo encontrou ainda um movimento posterior à eleição de 2016: a Universal passou a abrir novas unidades de forma desproporcional nos municípios submetidos aos limites mais rígidos. Até a eleição seguinte, a diferença acumulada chegava perto de um templo adicional nesses locais.

<><> Efeitos para além dos municípios?

Apesar de o foco do estudo ser nas eleições municipais e seus desdobramentos, para Novaes, porém, a lógica identificada pelo estudo continua relevante para entender como uma base religiosa organizada nos municípios pode se projetar para outras esferas de poder.

"Dentro do que a gente mostra aqui, diminuir o poder econômico teve esse efeito e esse mecanismo é válido. A gente vê que a bancada evangélica continua forte e acho que esse reforço na base municipal provavelmente reflete também em um maior apoio para candidatos do Congresso, que eventualmente conseguem fazer leis ou influenciar o processo legislativo de acordo com as preferências dessa base local", afirma.

Ao mesmo tempo, o crescimento do Republicanos para além de candidaturas diretamente vinculadas à Universal abre frentes que podem ir além das pautas tradicionais do partido. Um exemplo é São Paulo, governado por Tarcísio de Freitas, que se filiou ao Republicanos em 2022 e não construiu sua trajetória política dentro da IURD.

Para a pesquisadora, quanto mais o Republicanos busca ocupar espaço no sistema político e incorporar lideranças de outras origens, maior pode ser a necessidade de acomodar interesses. "Talvez a IURD tenha que abrir mão de muita coisa para crescer e se tornar um player tão importante em um sistema tão fragmentado", conclui.

Procuradas, a IURD, o Republicanos, a Assembleia de Deus e o Podemos não responderam aos questionamentos da reportagem.

¨      'Normalização da religião' deixa fé menos explícita nas urnas, mas mantém influência política

Queda de candidaturas com títulos religiosos pode refletir pragmatismo eleitoral e desgaste da polarização, sem significar recuo da influência da fé ou a importância da dimensão política.

Em um levantamento feito pelo jornal O Globo, as eleições de 2026 registram uma mudança significativa no cenário político brasileiro, com uma queda de 42% no número de candidatos que utilizam termos religiosos em seus nomes de urna, em comparação ao pleito de 2022. Esse movimento interrompe uma trajetória de crescimento que vinha sendo consolidada desde 2010, devolvendo o patamar de registros aos níveis observados em 2018.

Segundo pesquisa da Universidade Federal Fluminense (UFF), o fenômeno pode refletir uma reacomodação nas estratégias de marketing eleitoral e uma maior cautela diante da fiscalização do Tribunal Superior Eleitoral sobre o uso de templos. Oito em cada dez brasileiros e brasileiras (81%) afirmam ser fundamental que seus (suas) candidatos (as) nas eleições acreditem em Deus.

Essa percepção é mais aguçada entre classes mais pobres (89% das pessoas cujos rendimentos não passam de um salário mínimo) do que entre os mais ricos (57%, entre aqueles que ganham de dez a 20 salários mínimos mensais).

Embora a identidade religiosa continue sendo um pilar fundamental na mobilização de bases conservadoras, para Péricles Andrade, essa redução indica que os partidos políticos têm reavaliado suas estratégias com o eleitorado. "O mais provável é que estejamos diante de uma mudança na forma de organizar as campanhas, distribuir recursos e apresentar os candidatos ao eleitor".

<><> 'Normalização' da religião na política

Como explica o professor titular do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal de Sergipe (UFS), a estratégia atual de concentrar recursos e apoio político nos candidatos considerados mais competitivos ou que já tenham um mandato pode ser o motivo pela redução de nomes. Além disso, a adoção por uma identificação religiosa ampla como cristão para evitar divisões pode explicar a ausência de títulos como "pastor" ou "missionário" no político.

"O apoio pode circular pelas redes comunitárias, pelos grupos de fiéis, pelos meios de comunicação religiosos e pela confiança construída no cotidiano. Com a política cada vez mais profissionalizada, essas redes ganharam ainda mais importância", afirma.

"A religião pode estar menos visível no nome do candidato, mas continuar presente nas relações, nos valores e nas estratégias que ajudam a organizar a disputa eleitoral."

Essa reavaliação também pode estar relacionada ao custo reputacional deixado pela forte politização das igrejas nos últimos anos, avalia Yuri Sanches, head de análise política da AtlasIntel. Segundo o analista, a redução da identificação religiosa explícita ocorre em um contexto de maior desgaste da polarização brasileira, que levou lideranças religiosas a se associarem diretamente às disputas políticas. "Pastores, lideranças religiosas tiveram também que pagar um determinado preço na sua reputação, na sua imagem, no seu relacionamento com os fiéis", afirma.

Para Sanches, depois de um período em que o debate político esteve intensamente presente dentro das igrejas, um movimento de recuo se torna mais natural.

"Você trazer o debate político para dentro da igreja não é trivial, embora tenha sido bastante ativo, especialmente em igrejas evangélicas nos últimos anos."

Na visão de Péricles, a redução mostra também que a religião migrou da mera identificação pessoal do candidato para se consolidar como uma linguagem moral de estruturação das propostas e de disputa pela moralidade pública. Vale lembrar, o candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) declarou recentemente que um dos seus primeiros atos seria decretar o Brasil como "um país cristão", desconsiderando que o Brasil é um país laico segundo a Constituição Federal de 1988.

"Essa consolidação permitiu que propostas focadas na ordem, na disciplina e na autonomia familiar fossem incorporadas ao debate secular e técnico, sem depender de justificações teológicas explícitas."

Nesses casos, a defesa de valores familiares, mérito e responsabilidade civil passa a ser apresentada como parte da autonomia individual, da liberdade de escolha e da limitação do papel do Estado, com pouca ou nenhuma centralidade confessional.

<><> Queda envolve simbiose e pragmatismo político

Essa dinâmica também ajuda a explicar como as organizações de fé e o sistema político mantêm uma "simbiose profunda", funcionando como importantes estruturas de engajamento eleitoral. Mesmo com o aumento da atenção sobre o uso político de espaços religiosos e as restrições impostas pela legislação eleitoral, a influência dessas instituições pode ocorrer por mecanismos menos explícitos e mais difíceis de identificar juridicamente.

Péricles explica que essa influência pode ocorrer de diferentes formas. Uma delas está na associação entre a rotina religiosa dos fiéis e a circulação sistemática de informações sobre pautas morais e supostas perseguições ideológicas, criando referências políticas compartilhadas dentro das comunidades. A autoridade das lideranças também pode ser convertida em influência eleitoral por meio das redes de confiança e da ideia de fidelidade entre membros da mesma comunidade, expressa em fórmulas como "irmão vota em irmão".

Outra estratégia está na utilização de discursos religiosos para recuperar a legitimidade de políticos aliados que enfrentam crises ou questionamentos éticos. Ao mesmo tempo, cartilhas, cursos de formação e palestras promovidos por organizações – como a Conferência Brahvus do pastor Silas Malafaia – que aproximam fé e política podem orientar as escolhas dos eleitores sem a necessidade de pedidos explícitos de voto dentro dos templos.

Complementando, Sanches pontua que o processo envolve justamente um cálculo entre o benefício eleitoral da associação com determinada comunidade religiosa e o desgaste que essa identificação pode provocar. O mesmo movimento, segundo ele, aparece na redução de candidaturas que utilizam patentes militares, outro marcador identitário que ganhou força durante o auge da polarização.

"Então, é um trade-off entre o dividendo eleitoral que isso gera e o impacto reputacional que isso vai gerar a nível institucional", resume, o que explica que mesmo com a redução de candidaturas explícitas não houve uma queda de influência de políticos religiosos.

<><> Maior representação de outras religiões na política

Embora o levantamento de O Globo indique uma queda nas candidaturas evangélicas, outro estudo, realizado pelo grupo Ginga da Universidade Federal Fluminense (UFF) sobre as eleições municipais de 2024, identificou um crescimento expressivo no número de candidaturas relacionadas às religiões de matriz africana. Foram 284 nomes em 2024, contra 63 em 2020.

Para Ana Paula Mendes de Miranda, antropóloga, professora da UFF e coordenadora do Ginga, o número ganha relevância quando observado dentro do universo de 8.731 candidaturas nas quais foi possível identificar algum pertencimento religioso.

A pesquisadora, no entanto, recomenda cautela com a expressão "voto afrorreligioso", por ela poder transmitir a ideia de que pessoas de terreiro formariam um eleitorado homogêneo e necessariamente orientado pela religião. Mais do que a existência de um "voto de terreiro" uniforme, o levantamento permite observar a presença afrorreligiosa na política eleitoral e como essa dimensão se articula com outros aspectos da vida social.

"A política de terreiros não nasce com a eleição. Ela é anterior à participação eleitoral e envolve uma luta histórica pela garantia de direitos, pelo reconhecimento e pelo enfrentamento ao racismo religioso."

O crescimento das candidaturas, portanto, pode ser compreendido também como uma forma de levar para a arena institucional pautas e reivindicações que já fazem parte da atuação dessas comunidades na sociedade. Diferente de outras fés, Mendes pontua que aquelas de matriz africana possuem a particularidade de estarem frequentemente atreladas à experiência racial, à ancestralidade, ao território e às situações de discriminação.

"Isso faz com que a defesa da liberdade religiosa não possa ser separada, em muitos casos, da luta contra o racismo [...] O que existe é uma experiência social compartilhada que pode produzir determinadas demandas políticas — sobretudo quando estão em jogo a liberdade religiosa, a proteção dos terreiros, o enfrentamento ao racismo religioso e o reconhecimento de direitos."

Sobretudo, o medo de sofrer intolerância, discriminação ou ataques pode levar pessoas de terreiro a não explicitar sua identidade religiosa durante uma campanha, fazendo com que os dados oficiais não consigam captar toda a presença afrorreligiosa na política. Como explica a coordenadora, declarar publicamente esse pertencimento, em um contexto de racismo religioso, pode aumentar a exposição à violência e à estigmatização.

Por isso, esse número levantado pelo estudo não deve ser interpretado como o total de pessoas de terreiro que disputaram as eleições. "Mais do que dizer que temos '284 candidatos afrorreligiosos', é preciso compreender que temos 284 candidaturas que conseguimos identificar como afrorreligiosas", ressalta.

A pesquisadora destaca que essa dificuldade de identificação também revela um limite na própria forma como a participação religiosa na política costuma ser analisada. Grande parte do debate sobre religião e política no Brasil toma a experiência evangélica como referência, considerando como indicadores de mobilização a existência de igrejas organizadas, lideranças, candidaturas oficiais ou estruturas de orientação eleitoral.

Esse modelo, porém, pode fazer com que outras formas de organização política sejam interpretadas como ausência de mobilização ou, mesmo, o início de uma. No caso dos povos de terreiro, a atuação política também ocorre por meio de redes comunitárias, territórios e lutas por direitos, sem necessariamente se transformar em uma estrutura partidária ou em uma candidatura explicitamente identificada pela religião.

"O que estamos observando mais recentemente é uma mudança na relação com a política partidária e eleitoral", explica. "A emergência de [ex-presidente, Jair] Bolsonaro e o aumento dos ataques e das violências contra os terreiros produziram, para uma parcela desse movimento, a necessidade de buscar uma maior inserção na política partidária, principalmente no campo da esquerda e do campo progressista".

 

Fonte: DW Brasil/Sputnik Brasil

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