sábado, 29 de agosto de 2026


   Febre do Nilo Ocidental é rara no Brasil, apesar da disseminação global

O Ministério da Saúde confirmou dois casos de Febre do Nilo Ocidental em Santa Catarina, outros dois em São Paulo e agora investiga a possibilidade de mais um caso no Piauí. O infectologista André Bon, coordenador da Infectologia do Hospital Brasília, explica que, apesar do vírus ser uma das arboviroses mais disseminadas em todo o mundo, no Brasil a transmissão é rara.

Ele ressalta que a Febre do Nilo Ocidental não é uma doença que foi introduzida no Brasil de forma persistente na transmissão em humanos.

“A doença do Nilo Ocidental, conhecida com o nome em inglês de West Nile, é uma das arboviroses mais disseminadas em todo o mundo. Felizmente, no Brasil, a gente tem casos eventuais apenas, ela não é uma doença que foi introduzida no Brasil de forma persistente na transmissão em humanos. As epizootias, que são as epidemias em animais, elas podem acontecer e, na verdade, a Febre do Nilo Ocidental, o West Nile, é uma doença cujo ciclo se mantém na vida silvestre entre pássaros e insetos”, explicou o especialista. 

Da mesma forma que a Dengue ou até mesmo a Chikungunya, a forma de transmissão é através de um mosquito, neste caso o Culex. 

Na verdade, o principal mosquito de transmissão é o Culex, que é o famoso pernilongo. A transmissão para seres humanos, na verdade, é uma zoonose, uma transmissão de uma doença que é clássica de animais para seres humanos aqui na realidade do Brasil e é extremamente rara. É transmitida, então, a partir de pernilongos infectados, que se infectaram eventualmente em algum pássaro, para seres humanos”, ressalta André Bon. 

O médico infectologista ainda explica que no Brasil os casos tendem a ser mais leves, com pouco histórico de graves complicações. No entanto, a Febre do Nilo Ocidental pode causar encefalites, meningite e até formas de paralisia.

“Mas os casos no Brasil são extremamente raros, com poucos relatos, e a transmissão sustentada no Brasil ainda não existe de maneira significativa. É uma doença que a imensa maioria dos pacientes que desenvolvem tem sintomas leves, mas existem algumas formas graves com encefalites, meningite e até formas de paralisia flácida que podem se assemelhar a poliomielite, por exemplo. Então existe, sim, o risco de óbito e esse risco de óbito e formas graves é mais importante em pacientes idosos, imunossuprimidos, pacientes oncológicos ou transplantados de órgão sólido, por exemplo”, explicou André Bon.

“Infelizmente não tem tratamento específico, o tratamento é apenas de suporte, como outras arboviroses também conhecidas, como a Dengue, por exemplo. Os sintomas iniciais e os sintomas mais frequentes nos pacientes que desenvolvem algum sintoma de West Nile são sintomas muito parecidos com a dengue, como febre, dor no corpo, mas isso ainda é infrequente no Brasil", diz infectologista André Bon. 

O infectologista do Hospital Samaritano Paulista Cristiano Gamba ainda completa a informação de alguns tratamentos que podem ser colocados em prática. 

“Quando esse paciente tem um quadro leve a moderado, a gente usa sintomáticos, hidratação, remédios para baixar a febre, para diminuir a dor no corpo e uma assistência de perto do que está acontecendo. Nos quadros mais graves, nos quadros de encefalite, meningite ou até as paralisias, a gente precisa que esse paciente seja tratado numa unidade de terapia intensiva, mas outra vez não temos nenhum remédio”, explica o especialista. 

Já em relação as sequelas da doença, Cristiano aponta que elas podem ser diversas, e que o sistema nervoso pode ser o principal afetado.

“Não existe um tratamento específico, assim a gente não tem efeitos colaterais do tratamento. Quanto as sequelas, vai depender muito do grau de acometimento. Normalmente uma doença benígna não deixa nenhuma sequela, mas quando a gente tem quadro sistema nervoso central aí novamente a gente pode ter um espectro bastante amplo das possíveis sequelas do acometimento do cérebro e do sistema nervoso”, finaliza o infectologista. 

<><> Casos de Febre do Nilo Ocidental 

O Ministério da Saúde investiga possível caso da Febre do Nilo Ocidental no Piauí. Até o momento, em 2026, foram confirmados dois casos em Santa Catarina, dois em São Paulo. Em Santa Catarina, um dos casos evoluiu para morte, ainda sob investigação.

A pasta informa que, em conjunto com estados e municípios, mantém a vigilância epidemiológica e laboratorial para identificar casos e possíveis áreas de transmissão da Febre do Nilo Ocidental.

A nota enviada à CNN Brasil também indica que acompanha as investigações, presta apoio técnico aos estados e prepara nota técnica com orientações atualizadas para reforçar a vigilância da doença no país.

Além disso, ainda aponta que o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece atendimento, diagnóstico e tratamento aos casos suspeitos ou confirmados. O diagnóstico é feito por exames laboratoriais e o tratamento depende da gravidade. Os principais sintomas são: febre de início abrupto, dor de cabeça, dores musculares, náuseas e vômitos. Pessoas com sintomas devem procurar um serviço de saúde.

        Febre do Nilo Ocidental não tem vacina e nem remédio, diz especialista

Quatro casos da Febre do Nilo Ocidental foram confirmados recentemente no Brasil: dois em São Paulo e dois em Santa Catarina, sendo que um evoluiu para o óbito de uma mulher de 77 anos. Um quinto caso no Piauí é investigado pelo Ministério da Saúde, mas ainda não foi confirmado.

A doença é assintomática na maioria dos casos, mas pode evoluir para inflamação no sistema nervoso e, em situações raras, para a morte.

O médico infectologista José Antonio Pozza, membro do comitê de arboviroses da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia), alerta que a doença não tem vacina, remédio ou forma ampla de prevenção.

<><> Sem vacina nem comprimido

Não existem fármacos específicos para tratar o vírus. O tratamento é sempre relacionado aos sintomas mais evidentes. “Em várias doenças virais que são assintomáticas ou têm uma letalidade baixa, a gente não tem muita pesquisa em relação a essas doenças. O que a gente tem de tratamento é algo de suporte e básico, com hidratação, repouso, medicamento sintomático para dor ou enjoo”, explica o médico.

Cinquenta a 80% dos casos são assintomáticos. Nos demais, a infecção causa sintomas considerados leves, como febre, náusea, vômito e dor muscular. Porém, 1 em cada 150 indivíduos pode desenvolver doenças neurológicas severas, como meningite, encefalite ou paralisia flácida aguda, segundo o Ministério da Saúde. Os indivíduos também podem apresentar fraqueza, sintomas gastrointestinais e alteração no “padrão mental”.

“Em casos em que você tem o agravamento com complicação neurológica, os pacientes podem precisar de vigilância maior, internação em UTI, entubação e ventilação mecânica. Infelizmente, em matéria de antiviral e vacina, não tem nada de prevenção nem tratamento”, completa o especialista.

Pozza avalia que não existe uma vacina para a doença porque a incidência é baixa em todo o mundo. “Talvez ela não desperte tanta preocupação quanto outras que circulam com frequência ou tenham alta letalidade. A gente tende a desenvolver tecnologia para aquilo que é mais grave”, diz o infectologista, ao explicar que a presença da doença no sangue tem duração curta.

<><> Prevenção possível

De acordo com o Ministério da Saúde, as principais áreas de risco para contaminação pela doença estão em espaços rurais e silvestres.

Esses locais são habitualmente frequentados por aves silvestres, responsáveis pela transmissão do vírus aos mosquitos, principalmente os pernilongos que, por consequência, transmitem a doença aos seres humanos. Uma recomendação viável é evitar essas áreas, além de usar roupas que cubram a maior parte do corpo e repelente.

Indivíduos idosos ou imunossuprimidos representam o maior grupo de risco para a doença e devem ficar atentos aos sintomas.

 

Fonte: CNN Brasil

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