Intimidação? Exercito
mandou Cid usar farda na CPI
O
Exército divulgou uma nota dizendo que orientou o tenente-coronel Mauro Cid,
ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL), a comparecer fardado à CPMI
(Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) que investiga a invasão às sedes dos
Três Poderes.
O
Exército informou ter orientado Cid a usar farda em seu depoimento por entender
que ele foi convocado “para tratar de temas referentes à função para a qual fora
designado pela Força”. A nota foi divulgada pouco depois do início do
depoimento dele. Militar da ativa, Cid foi nomeado pelo Exército para ser chefe
da ajudância de ordens no governo Bolsonaro.
Cid
vestiu o mesmo modelo de farda que usava quando trabalhava com o ex-presidente.
Preso desde 3 de maio por suspeita de fraude em cartões de vacina contra a
covid-19, ele chegou ao Congresso sob escolta da Polícia do Exército, já que
sua custódia está a cargo dos militares, e foi transportado em um carro descaracterizado.
O
militar se reservou ao direito de permanecer em silêncio no depoimento. Ele
falou por cerca de 8 minutos sobre sua trajetória nas Forças Armadas e sobre as
investigações no STF das quais é alvo. A ministra Cármen Lúcia garantiu a Cid o
direito de não produzir provas contra si mesmo e de ser assistido por um
advogado, mas ele é obrigado a dizer a verdade quanto aos demais
questionamentos durante a sessão da CPMI.
• Mauro Cid ir fardado à CPMI não
surpreendeu Exército
A
decisão do tenente-coronel Mauro Cid de ir fardado à CPMI do 8 de janeiro não
surpreendeu a cúpula do Exército. Ao contrário disso, no alto comando ninguém
acreditava que ele pudesse aparecer vestido como civil.
“Ele
responde funcionalmente. Diferente do Jean Lawand que respondeu por posições
pessoais”, afirmou uma fonte militar à Coluna.
O
coronel de artilharia do Exército Jean Lawand Júnior foi à CPMI, em junho, sem
farda. Mensagens coletadas pela PF mostram Lawand pedindo a Mauro Cid que
fizesse chegar a Bolsonaro seus apelos pela aplicação de um golpe de Estado
para evitar a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Mauro
Cid tinha cargo no Planalto era o ‘faz tudo’ do então presidente Jair Bolsonaro
e aparece envolvido em diversos episódios que são alvo de investigação. Além
dos casos inter-relacionados ao 8 de janeiro, é acusado de falsificação de
cartão de vacina, atuou para tentar liberar as joias enviadas da governo da
Arábia Saudita para Michelle.
O
Exército sabe que a imagem de Mauro Cid fardado contamina a imagem da
corporação. Porém, se por um lado pode passar uma mensagem de que teria o aval
da instituição para seus atos, por outro militares de alta patente chegam a
avaliar que se tirasse a farda seria um desrespeito.
Leituras
à parte, fato é que hoje é um dos dias mais tensos para o Exército em relação
aos trabalhos da CPMI. Como revelou a Coluna, a cúpula militar assiste aos
depoimentos reuniões da comissão e também tem assessores legislativos no
Congresso acompanhando o passo a passo da CPMI.
Ø
Farda
de Cid é ameaça do Exército. Por Eduardo Guimarães
Há
cerca de duas semanas (27/6), o Exército determinou que coronel de Artilharia
Jean Lawand não fosse fardado à CPI dos Atos Golpistas. O motivo, segundo
assessores do comandante Tomás Vieira Paiva, é que as ações do coronel “não
representam” o Exército.
Já
na manhã desta terça-feira (11/7), o Exército divulgou uma nota dizendo que
orientou o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro,
a comparecer fardado à CPMI que investiga a invasão às sedes dos Três Poderes.
Jean
Lawand e Mauro Cid estão juntos em um processo golpista. A Polícia Federal
encontrou no celular do o tenente-coronel Mauro Cid mensagens do coronel Lawand
defendendo um golpe militar para evitar a posse do presidente Lula.
Lawand
chegou a dizer que o ex-presidente não poderia “recuar agora” e afirmou que as
divisões mais baixas do Exército estavam ao lado de Bolsonaro, indicando um
apoio a uma intervenção militar.
Mauro
Cid fez tudo que Lawand fez. Na verdade, fez muito mais e é, inclusive, peça
central na tentativa de golpe de 8 de janeiro. Por isso está sentado lá na CPI
do Golpe recitando o mantra de que, “com todo respeito”, não vai responder a
nada do que lhe for perguntado.
Mas
isso não é o pior. O uso da farda por Cid é cheio de simbolismo.
Se
o Exércio não permitiu que Lawand usasse a farda por suas atitudes não
representarem o pensamento da instituição, ao permitir a um o que negou ao
outro essa mesma instituição está assinando embaixo de tudo o que ele fez.
E
o que ele fez? Está envolvido no contrabando de joias por Bolsonaro, está
envolvido na falsificação de carteiras de vacinação, está envolvido no caso que
tornou Bolsonaro inelegível”, entre muito mais.
O
pior, porém, é que não denunciou tentativa de golpe a qual ficou sabendo que
ocorreria.
Mauro
Cid tem muito mais culpa no cartório do que Lawand, pois está certamente
envolvido em tudo o que Bolsonaro fez. E se o Exército autoriza que ele use a
farda, tendo negado esse uso a Lawand por não representá-lo, então está dizendo
que ações de Cid representam o Exército brasileiro.
Em
consequência: se Cid adotou ações golpistas e o Exército está dizendo que ele
representa a Força Militar terrestre do País, o mesmo Exército está
simplesmente fazendo uma ameaça clara à sociedade brasileira e aos Poderes
constituídos.
Certo?
Ø
Oposição
usa galhofa para compensar inferioridade numérica
O
depoimento do ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL), Mauro Cid, gerou
repercussão entre apoiadores e críticos da prisão do tenente-coronel, que
escolheu permanecer em silêncio durante a oitiva à CPMI do 8 de Janeiro.
“Esperamos
que haja isenção na condução [da CPMI]”: O senador Rogério Marinho (PL-RN)
defendeu o direito de Mauro Cid não responder às perguntas que poderiam
incriminá-lo e criticou uma suposta falta de equilíbrio entre os convocados
pela comissão.
Já
Fabio Wajngarten, ex-chefe da Secretaria de Comunicação de Bolsonaro, afirmou
que “não há o que temer” no telefone de Mauro Cid e defendeu sua soltura. Os
senadores e deputados aprovaram, antes de receberem o tenente-coronel,
requerimentos para a quebra de sigilo telemático e bancário de algumas figuras,
incluindo Cid.
O
tenente-coronel era a porta de entrada de quem queria falar com o presidente
[Jair Bolsonaro]. Como o presidente bem disse, o telefone de Mauro Cid sempre
esteve à disposição. [Ele] não apagou nada, nunca trocou de telefone, não há o
que temer no telefone dele. O telefone dele era o muro das lamentações de todas
as demandas para o presidente da República. - Fabio Wajngarten
Wajngarten
teria visitado Mauro Cid na prisão, segundo declarou a senadora Eliziane Gama
(PSD-MA), relatora da CPMI. A parlamentar buscava entender o porquê das visitas
a Cid por pessoas próximas a Bolsonaro, mas não pelo ex-presidente. Mauro Cid não
respondeu.
“Na
minha concepção, [o silêncio] é um atestado de culpa”, diz Soraya Thronicke
(Podemos-MS). A senadora avaliou que Mauro Cid ficou calado porque “tem alguma
[pergunta] a ver” com sua possível responsabilização em atos associados ao 8 de
janeiro. “Eu entendo que uma sentença não pode colocar o silêncio dele como
fundamento para uma condenação, porém, para nós da CPI, revela muito.”
A
ministra Cármen Lúcia determinou que ele comparecesse à comissão, mas sem ser
obrigado a produzir provas contra si mesmo e pode ser assistido pelo advogado
durante todo o tempo do depoimento.
O
tenente-coronel foi fardado à CPI e chegou escoltado pela Polícia do Exército,
já que a custódia está a cargo dos militares. A vestimenta era opcional e o
modelo que Cid vestia era o mesmo que usava quando trabalhava com o então
presidente na ajudância de ordens.
Antes
de silenciar, Cid falou por cerca de oito minutos sobre sua trajetória nas
Forças Armadas, função no governo Bolsonaro e investigações da qual é alvo no
STF. Cid classificou os atos de 8 de janeiro de “tristes” e disse que sua
nomeação para a chefia da ajuda de ordens não teve “ingerência política”.
Às
questões feitas pelos parlamentares, ele apenas respondeu: “Compreendo e
respeito o posicionamento de vossas excelências, mas reitero minhas
considerações iniciais e intimamente entendo que, em razão do escopo do que sou
investigado, seguindo as orientações da minha defesa técnica, permanecerei em
silêncio”
Bolsonarista bate continência para
faz-tudo de Bolsonaro
A
deputada federal Silvia Waiãpi (PL-AP) prestou continência ao tenente-coronel
Mauro Cid após o ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL) fazer sua
declaração inicial na CPMI do 8 de Janeiro.
Waiãpi,
que é da base bolsonarista da Câmara, se posicionou rapidamente frente ao
tenente-coronel e prestou continência. O momento foi flagrado pela transmissão
da CPMI. O depoente acenou com a cabeça em resposta.
Em
nota, a deputada informou que fez a ação se deu por “respeito à autoridade”.
“Eu como 1° Tenente e oficial da reserva, prestei minha reverência e respeito
ao Tenente-Coronel ali presente, tendo em vista que iria me retirar para
participar de outra CPI. Continência é a saudação militar. Ela é o sinal de
respeito dado pelo militar individualmente a seus superiores, iguais ou
subordinados, – ás autoridades, á bandeira ou ao Hino Nacional.”
Na
fala inicial, Mauro Cid disse que usaria de seu direito a permanecer em
silêncio, direito concedido a Mauro Cid pelo STF. A ministra Cármen Lúcia
também permitiu que o ex-ajudante de ordens de Bolsonaro seja assistido pelo
advogado durante todo o tempo do depoimento.
Cid
pode ficar em silêncio em relação a perguntas que possam incriminá-lo, mas é
obrigado a dizer a verdade quanto aos demais questionamentos.
O
tenente-coronel foi convocado na condição de testemunha, mas sua defesa
argumentou intenção da CPMI de investigá-lo. “O conteúdo das justificativas de
convocação não deixa nenhuma dúvida sobre sua condição de investigado”,
escreveram os advogados de Mauro Cid.
Por
todo o exposto e sem qualquer intenção de desrespeitar vossas excelências e os
trabalhos conduzidos por essa CPMI, considerando a minha inequívoca condição de
investigado, por orientação da minha defesa e com base na ordem no habeas
corpus 229323, concedido em meu favor pelo STF, farei uso ao meu direito
constitucional ao silêncio.
Fonte:
UOL/Blog da Cidadania

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