quarta-feira, 12 de julho de 2023

Especialistas: confissão de ataque à Ponte da Crimeia mostra que Zelensky e EUA não 'fingem mais'

O ataque de 8 de outubro de 2022 à Ponte da Crimeia foi um momento limite na crise ucraniana, liberando as mãos de Moscou para suspender as restrições autoimpostas aos ataques de mísseis de precisão contra a infraestrutura ucraniana. Por que Kiev decidiu admitir a responsabilidade agora? Os observadores consultados pela Sputnik têm algumas ideias.

A vice-ministra da Defesa ucraniana, Anna Malyar, admitiu no sábado (8) que a Ucrânia foi responsável pelo ataque do ano passado à Ponte da Crimeia.

"Há 273 dias, realizamos nosso primeiro ataque contra a Ponte da Crimeia para interromper a logística dos russos", escreveu Malyar em um post no Telegram dedicado às "conquistas" de Kiev ao longo do conflito, quando este atingiu a marca de 500 dias.

Sua declaração contradiz meses de negações de autoridades em Kiev de que a Ucrânia tenha algo a ver com o incidente terrorista.

"Definitivamente, não ordenamos isso, até onde eu sei", disse o presidente Vladimir Zelensky em entrevista à mídia ocidental em outubro, depois que a Rússia iniciou uma série de ataques com mísseis contra a infraestrutura de energia ucraniana.

Kiev e seus aliados no Ocidente alternaram entre culpar atores internos russos rivais e alegar que Moscou bombardeou sua própria ponte em um ataque de bandeira falsa, mas a confissão de Malyar serve para confirmar o que a Rússia vem dizendo o tempo todo: que o incidente terrorista foi ordenado, inventado e realizado pelos serviços de segurança da Ucrânia.

A representante oficial da chancelaria russa, Maria Zakharova, respondeu à admissão de culpa no sábado (8) com duas palavras, chamando o governo ucraniano de "regime terrorista".

·         Timing perfeito

"O momento da admissão [de culpa] da vice-ministra da Defesa provavelmente não é um acidente", disse à Sputnik o dr. Joe Siracusa, especialista em política dos EUA e reitor de Futuros Globais da Universidade Curtin na Austrália, apontando que a confissão ocorre poucos dias antes da cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) na próxima semana em Vilnius.

"Em vez disso, foi concebido para exercer pressão máxima sobre os membros da OTAN na preparação para a cúpula de Vilnius. Ficando sem munição, a Ucrânia é compelida a alavancar tudo o que puder sobre membros simpáticos da OTAN antes da cúpula", disse Siracusa. "Qual é o próximo? Eu não ficaria surpreso se Kiev [assumisse] o crédito por explodir os gasodutos Nord Stream [Corrente do Norte]."

·         A confissão é uma boa estratégia?

Adriel Kasonta, analista de relações exteriores, jornalista e comentarista baseado em Londres, disse que no espaço de 48 horas, Kiev e Washington demonstraram, por meio da confissão de Malyar e do anúncio dos EUA de que enviariam munições cluster letais para a Ucrânia, que eles simplesmente não se importam mais em fingir manter o "território moral elevado" na guerra por procuração contra a Rússia.

"Todo mundo que acompanha o que está acontecendo na Ucrânia desde 2014 sabia desde o início que era o lado ucraniano que estava por trás do bombardeio da Ponte da Crimeia. Talvez o lado ucraniano, por causa das enormes baixas [na contraofensiva em andamento] e da garantia do lado americano [...] que os soldados ucranianos serão equipados com munições cluster, decidiu deixar de jogar esse jogo estúpido de fingir que outro alguém está por trás dos ataques terroristas conduzidos ao longo deste conflito", disse Kasonta à Sputnik.

Sugerindo que os benfeitores ocidentais de Kiev já alcançaram o objetivo de transformar a Ucrânia em um banqueiro estrangeiro e vassalo controlado por corporações, cujo único propósito é "enfraquecer a Rússia", Kasonta argumentou que os funcionários do governo do presidente Zelensky simplesmente "não se importam mais em fingir que eles são os mocinhos".

"Então a máscara caiu e todos ao redor do mundo [podem] ver esse conflito pelo que ele é", disse ele.

A mais recente admissão de uma série de outras

A declaração de sábado (8) de Maliar é importante, mas certamente não é a primeira vez que as autoridades ucranianas admitem seu papel na escalada do conflito.

Em janeiro, o ministro da Defesa ucraniano, Aleksei Reznikov, reconheceu que a crise ucraniana é realmente uma guerra por procuração Rússia-OTAN e que "hoje" Kiev está "cumprindo a missão da OTAN", eliminando a vida de seus soldados e servindo como um "escudo [...] [para] todo o mundo civilizado, todo o Ocidente", da Rússia.

No final de 2022 e início de 2023, Zelensky, o ex-presidente ucraniano, Petro Poroshenko, a ex-chanceler alemã, Angela Merkel, e o ex-presidente francês, François Hollande, admitiram separadamente que Kiev nunca pretendeu aderir aos termos do acordo de paz de Minsk de 2015 com a Rússia e que o acordo foi assinado apenas para ganhar tempo e se preparar para um conflito com Moscou.

 

Ø  Moscou: EUA instruíram imprensa americana a difundir ideias de luta armada contra governo russo

 

O Departamento de Estado enviou instruções às corporações de mídia dos EUA sobre a cobertura dos eventos em torno da Rússia, cujo objetivo é difundir a ideia da necessidade de uma luta armada contra as autoridades, comunicou o Serviço de Inteligência Externa da Rússia (SVR) citando o diretor da entidade Sergei Naryshkin.

"De acordo com o diretor da SVR, Naryshkin, o Departamento de Estado dos EUA definitivamente se transformou no 'ministério da verdade' previsto por George Orwell, que dita aos meios de comunicação americanos o que eles devem escrever e dizer. Segundo os dados na posse de SVR, em junho o Departamento de Estado enviou às maiores corporações de telecomunicações, tais como AT&T, Comcast Corporation, Graham Media Group, Nash Holdings, Newsweek Publishing и The New York Times Company, instruções para efetuarem uma apresentação deturpada dos acontecimentos dentro e em torno da Rússia", lê-se no comunicado.

Segundo avaliações da inteligência russa, as autoridades dos EUA exigiram em essência organizar seu trabalho na Rússia "no espírito de ações subversivas".

"A tarefa é colocada concretamente: introduzir na consciência dos cidadãos russos a ideia da necessidade de uma luta contra as autoridades e até de rebelião armada. A fim de envolver a população nos protestos propõe-se disseminar ativamente histórias sobre a fraqueza do Estado russo, sua incapacidade de defender seus territórios e a inevitabilidade da derrota no confronto com o Ocidente. Uma atenção especial é dada à radicalização dos jovens e adolescentes, que devem ser convencidos de que apenas a derrubada do atual 'regime' pode garantir ao país um 'futuro brilhante'", afirmou.

"Não é de surpreender que a administração dos EUA subordine completamente a mídia americana, transformando-a em um instrumento dócil de luta política externa. O abuso da liberdade de expressão no Ocidente não é mais notícia", concluiu ele.

 

Ø  Negociações entre Putin e Erdogan são última esperança para o acordo de grãos continuar, diz fonte

 

Uma fonte revelou à Sputnik que, na difícil situação do atual acordo de grãos do mar Negro, somente uma conversa entre os presidentes da Rússia e da Turquia salvará a situação.

A situação atual em torno do acordo de grãos não inspira otimismo quanto à sua extensão para além da próxima segunda-feira (17), disse à Sputnik uma fonte sobre as negociações em torno da Iniciativa de Grãos do Mar Negro.

"Hoje, não há otimismo", apontou a fonte em resposta a uma pergunta sobre tal eventualidade.

Questionado sobre a possibilidade de negociações entre os presidentes da Turquia e da Rússia sobre esse assunto, a fonte respondeu que "até o momento, essa continua sendo a única esperança".

"Nossa prática mostra que são as negociações entre os dois líderes que podem mudar a situação, e o atual período difícil não é exceção. O sr. presidente [turco Recep Tayyip Erdogan] declarou essa intenção [de manter conversações com seu homólogo russo Vladimir Putin], esperamos um resultado positivo", sublinhou.

Erdogan disse anteriormente que espera conversar com Putin sobre o acordo, tanto por telefone quanto pessoalmente. O líder turco também disse que Ancara espera que o acordo seja renovado pelo menos a cada três meses, e por dois anos no total.

Dmitry Peskov, porta-voz presidencial da Rússia, informou à Sputnik no sábado (8) que ainda não há certeza sobre uma reunião entre Putin e Erdogan, e que os planos do presidente russo no momento não incluem uma conversa telefônica com o líder turco.

Na quarta-feira (5) Peskov afirmou que a Rússia anunciaria sua decisão sobre o acordo de grãos no momento oportuno. Ao mesmo tempo, ele sublinhou que a parte dos acordos referente às exportações russas ainda não foi cumprida e que, por isso, não há motivos para estender o acordo.

·         Bancos centrais voltam a acumular ouro após congelamento de ativos russos, diz mídia

Com medo de futuras retaliações após onda de sanções ocidentais que congelaram ativos russos no exterior por causa da operação militar especial russa na Ucrânia, investidores soberanos estão preferindo acumular ouro físico a derivativos ou índice de ações (ETFs).

De acordo com o Financial Times (FT), um número crescente de países tem procurado trazer suas reservas físicas de ouro de volta para casa para evitar sanções "ao estilo russo" sobre seus ativos estrangeiros, ao passo que também buscam aumentar a compra do metal para auxiliar no combate à inflação.

Somente em 2022, os bancos centrais ao redor do mundo fizeram compras recordes de ouro, tendência que se repetiu no primeiro trimestre deste ano, segundo pesquisa da gestora de ativos Invesco. A China e a Turquia juntas responderam por quase um quinto dessas compras.

O alerta lançado pelos EUA e outros países ocidentais, que decidiram congelar os ativos russos e ainda buscam por meios legais de justificar seu uso sem que caracterize roubo, fizeram com que as entidades financeiras optassem por comprar ouro físico em vez de derivativos ou fundos negociados em bolsa que acompanham o preço do metal.

A pesquisa da Invesco descobriu que 68% dos bancos centrais detinham parte de suas reservas de ouro no mercado interno, acima dos 50% em 2020. Em cinco anos, esse número deve subir para 74%, mostrou a pesquisa.

Logo após o início da operação militar especial de Moscou, a União Europeia (UE), os EUA e outros países do G7 (grupo composto por Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido) anunciaram que iriam impor sanções ao Banco Central da Rússia e impedi-lo de acessar cerca de US$ 300 bilhões (aproximadamente R$ 1,4 trilhão) em reservas mantidas no exterior.

Diante deste cenário, a demanda global por ouro atingiu uma alta de 11 anos de 4.741 toneladas em 2022, acima das 3.678 toneladas em 2020, impulsionada por compras do banco central e maior interesse do investidor de varejo, de acordo com pesquisa do World Gold Council. Mas enquanto o ouro físico apresentou forte demanda, os ETFs de ouro sofreram saídas combinadas de quase 300 toneladas em 2021 e 2022.

 

Ø  General dos EUA: Ucrânia não receberá as garantias esperadas na cúpula da OTAN

 

A Ucrânia não receberá as garantias de segurança necessárias na cúpula da OTAN na Lituânia, ou seja, a adesão à Aliança Atlântica, disse o general Ben Hodges, ex-comandante do Exército dos EUA na Europa em entrevista ao portal Interia.

Segundo ele, Kiev precisa de um "caminho concreto e claro" para a adesão à OTAN. "O governo dos EUA tomará medidas para evitar isso", disse Hodges.

"Não sei por quê, mas eles não parecem querer tomar nenhuma ação para definir esse caminho, para a Ucrânia se juntar à OTAN", disse o general.

"Os EUA e vários outros países tentarão mitigar a decepção da Ucrânia oferecendo-lhe um pacote de armas que inclui uma série de coisas, mas acima de tudo munições de fragmentação de propósito duplo. Também ofertas de assistência, treino, exercícios militares. Por fim, fala-se de 'garantias de segurança', mas não há outras garantias de segurança para a Ucrânia além da adesão à OTAN", disse ele.

A cúpula da OTAN será realizada de 11 a 12 de julho, onde participarão líderes de todos os países da OTAN, incluindo o presidente dos EUA, Joe Biden. Em 19 de junho, o secretário-geral da OTAN, Jens Stoltenberg, afirmou que na preparação da cúpula em Vilnius os aliados não discutem um convite formal à Ucrânia, mas realizam consultas sobre quais decisões farão com que Kiev fique mais perto de se juntar à Aliança.

 

Ø  Potências da OTAN tentam 'freneticamente' finalizar acordo de segurança com Ucrânia, diz mídia

 

Os EUA, Reino Unido, França e Alemanha estão supostamente tentando finalizar as garantias de segurança para Kiev antes da cúpula do bloco, em Vilnius.

Caso as garantias sejam finalizadas, então o acordo poderá ser apresentado a todos os membros do bloco durante a cúpula, segundo o Politico.

De acordo com fontes citadas pela mídia, as potências da OTAN estão realizando negociações de "última hora" para finalizar as garantias de segurança para Kiev, que criaria um "guarda-chuva" para todos os países dispostos a fornecer ajuda militar contínua à Ucrânia.

Os EUA, Reino Unido, França e Alemanha estão discutindo estas questões com a Ucrânia por semanas, bem como com seus aliados do bloco, União Europeia e G7.

O acordo deve ser revelado na cúpula, e os líderes esperam que outros membros do bloco se juntem às garantias de segurança.

O presidente ucraniano, Vladimir Zelensky, segue pressionando a OTAN para acelerar o ingresso do país ao bloco, contudo, diversos membros afirmaram que Kiev não pode ser admitido, pelo menos, até o fim do conflito com a Rússia.

A capital da Lituânia, Vilnius, vai sediar a cúpula da OTAN de 11 a 12 de julho. O secretário-geral da OTAN, Jens Stoltenberg, deve presidir a reunião. As discussões sobre as perspectivas da Ucrânia para a OTAN, o fortalecimento do flanco oriental da aliança e os gastos com defesa devem estar no topo da agenda da cúpula.

 

Ø  Erdogan diz que apoiará adesão da Suécia na OTAN se UE abrir as portas para Turquia

 

Nesta segunda-feira (10), o presidente turco Recep Tayyip Erdogan instou a União Europeia (UE) a abrir as portas para o ingresso da Turquia no bloco, para que Ancara apoiasse a adesão da Suécia na OTAN.

"Queremos que todas as promessas feitas a nós sejam cumpridas [...]. A Turquia foi obrigada a esperar por 50 anos na porta da UE. Digo a estes países que nos fazem esperar, e direi isso em Vilnius: primeiro abram as portas para a Turquia na UE, então abriremos caminho para a Suécia [na OTAN], como fizemos anteriormente com a Finlândia", afirmou Erdogan.

A Turquia é candidata à adesão na UE desde 1999, sendo que a Croácia foi a última a ser aderida, em 2013, após um processo de dez anos.

Desde 2016, as negociações sobre um regime de isenção de vistos entre a Turquia e a UE foram suspensas.

A cúpula da OTAN será realizada de 11 a 12 de julho, onde participarão líderes de todos os países da OTAN, onde o secretário-geral do bloco, Jens Stoltenberg, e sua trupe tentarão retirar os obstáculos do caminho da Suécia, abrindo as portas para seu ingresso na organização.

A Finlândia e a Suécia solicitaram o ingresso ao bloco em maio de 2022. A Finlândia conseguiu sua adesão em 4 de abril de 2023, enquanto os suecos aguardam a aprovação da Hungria e da Turquia.

 

Fonte: Sputnik Brasil

 

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