Alvo da PF em
investigação, ex-funcionário do MEC encontrou aliado de Lira 14 vezes, diz
mídia
Lotado
no Ministério da Educação entre 2016 e 2023, Alexsander Moreira e o empresário
Edmundo Catunda, dono da empresa Megalic, responsável por kits de robótica
superfaturados em Alagoas, são investigados pela Polícia Federal.
De
acordo com a Folha de São Paulo, a Polícia Federal (PF) está investigando um
ex-funcionário do Ministério da Educação (MEC) por envolvimento em suposto
esquema criminoso de compra de kits de robótica superfaturados com dinheiro
público. O caso chama a atenção por envolver um empresário e aliado do
presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira.
Dados
preliminares da investigação revelaram que o funcionário do MEC, Alexsander
Moreira, recebeu 14 vezes — durante o governo Bolsonaro — o dono da empresa
Megalic, Edmundo Catunda, empresa que tinha contratos com vários municípios
para fornecer kits de robótica.
Segundo
apuração da Folha ainda em abril de 2022, o governo Bolsonaro destinou R$ 26
milhões para sete cidades alagoanas comprarem soluções robóticas, apesar de
sofrerem com graves deficiências de infraestrutura. O que se destacou, no
entanto, foi o valor que equivalia a 68% de tudo que fora pago em todo o país
na rubrica para compra de materiais desta natureza, evidenciando que as
transferências tinham algum grau de prioridade.
Mas
para além da velocidade na liberação de recursos, que foram transferidos pelas
chamadas emendas de relator, parte bilionária do orçamento da União controlada
por Lira foi descoberta pela apuração da mídia que a Megalic pagou R$ 2.700
pelos robôs e vendeu para prefeituras por R$ 14 mil.
A
PF encontrou com o mais próximo assessor do presidente da Câmara, Luciano
Cavalcante — quem levou Edmundo Catunda, dono da empresa e amigo de Lira, ao
Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) que abasteceram as compras
— documentos com citações a Lira e uma lista de pagamentos atrelados ao nome de
"Arthur". O documento apreendido relaciona R$ 834 mil em valores pagos
em 2022 e 2023 — desse total, ao menos R$ 650 mil relacionados ao nome
"Arthur".
As
investigações foram parar no Supremo Tribunal Federal (STF) após as citações
diretas a Lira terem sido encontradas pela PF. O deputado e seu auxiliar negam
irregularidades, mas as autoridades identificaram movimentações financeiras
suspeitas de R$ 737 mil, sendo parte do valor depositado em espécie, entre
outubro de 2021 e novembro de 2022, nas contas do funcionário do MEC
investigado.
Moreira
era coordenador-geral de Apoio às Redes e Infraestrutura Educacional do MEC na
gestão Bolsonaro e foi o responsável pelas respostas às indagações do Tribunal
de Contas da União (TCU). Um dos pontos questionados pelo tribunal foi o
preço-base de R$ 176 mil para cada solução de robótica (que inclui os robôs,
material didático e treinamentos). Moreira defendeu os valores, e apesar de não
ter apresentado qualquer memória de cálculo ou ata de preços que sustentasse
sua defesa, autorizou tecnicamente o prosseguimento do processo de compra.
Corrupção e homicídio: os bastidores do
barraco no grupo do zap do PL
Deputados
do PL protagonizaram discussões acaloradas e troca de acusações pessoais em um
grupo do WhatsApp ontem. A informação foi inicialmente divulgada pelo jornal O
Globo e posteriormente confirmada pelo UOL.
O
embate começou quando Gustavo Gayer (PL-GO) recebeu recomendações de Vinicius
Gurgel (PL-AP) para procurar o AA (Alcoólicos Anônimos), em referência a um
acidente supostamente causado por embriaguez que teria resultado em duas
mortes. Em resposta, Gayer chamou o colega de partido de corrupto, em alusão a
uma investigação sobre desvios no Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura
de Transportes).
A
discussão teve início por volta das 15h30 de ontem (9), quando o deputado
Vinicius Gurgel começou a explicar seu voto a favor da reforma tributária. Isso
desencadeou uma troca de farpas que rapidamente se transformou em uma briga
generalizada.
Deputados
alinhados ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que fazem parte do PL, questionaram
Gurgel sobre o motivo de ele estar se justificando e insinuaram que ele estaria
com peso na consciência. A discussão cresceu à medida que mais deputados
entraram na conversa, dividindo-se em forças antagônicas.
Os
parlamentares que estavam no PL antes da filiação de Bolsonaro começaram a
chamar os aliados do ex-presidente de extremistas e radicais, acusando-os de
fazer uma "oposição burra" ao votar contra projetos benéficos para o
Brasil.
As
trocas de farpas no grupo do WhatsApp do PL não passaram sem respostas. Os
deputados alinhados a Bolsonaro afirmaram que seus colegas eram do "grupo
extremo centrista e emendista", fazendo alusão ao centrão e às negociações
de votos por emendas.
Em
meio ao embate, as acusações pessoais se intensificaram, levando o nível da
discussão ainda mais para baixo. Gayer recebeu a sugestão de procurar o AA e
respondeu chamando Gurgel de corrupto.
Chama
atenção o fato de a direção do PL não ter intervindo na discussão por cerca de
duas horas. Somente às 17h36, a administração do grupo decidiu limitar as
postagens apenas aos administradores, ação atribuída à direção do partido.
O
grupo só foi reaberto na manhã desta segunda-feira pelo líder do PL na Câmara,
deputado Altineu Cortês (PL-RJ). Surpreendentemente, todos agiram como se nada
tivesse acontecido e passaram a parabenizar o deputado Eduardo Bolsonaro pelo
seu aniversário no fim de semana.
Um
dos deputados do PL definiu o silêncio e a suposta normalidade da manhã
seguinte como "apenas mais um dia normal no PL". O partido está enfrentando
uma espécie de guerra fria entre bolsonaristas e membros que já faziam parte da
sigla antes da filiação de Bolsonaro, e essa divisão ficou evidente na votação
da reforma tributária.
Outro
detalhe que chamou a atenção durante a briga no WhatsApp foram os erros de
português. Inclusive, o nome do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas
(Republicanos), foi escrito incorretamente, substituindo o "S" por um
"Z".
Kassab no governo Tarcísio irrita
bolsonarismo
A
crise escancarada na semana passada entre Tarcísio de Freitas (Republicanos) e
seus aliados bolsonaristas na reunião do PL em que o governador foi hostilizado
por apoiar a reforma tributária tem como pano de fundo a presença e a
influência de Gilberto Kassab no governo de São Paulo.
Além
de ser secretário de Governo, responsável pela articulação política e pela
liberação de emendas parlamentares, Kassab tem aliados em três secretarias que
concentram uma enorme fatia do orçamento do governo paulista: Eleuses de Paiva
(Saúde), Renato Feder (Educação) e Marcelo Branco (Habitação).
Para
os aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro na Assembleia Legislativa de São
Paulo (Alesp) e na bancada paulista da Câmara dos Deputados, Kassab não é
confiável porque o partido que preside, o PSD, integra o governo Luiz Inácio
Lula da Silva (PT), comandando três ministérios — Agricultura, Minas e Energia
e Pesca.
A
rejeição à presença de Kassab no primeiro escalão é tamanha entre os seguidores
de Bolsonaro que Tarcísio teve de acionar até o assessor especial Diego Torres
Dourado, que é irmão de Michelle Bolsonaro, para acalmar os ânimos dos
bolsonaristas na Alesp, onde a articulação deveria ser liderada por Kassab.
Os
próprios deputados estaduais têm recorrido, por conta própria, ao secretário da
Casa Civil, Arthur Lima, para fazer o meio-campo com o governador. Braço
direito de Tarcísio, Lima é bolsonarista e tem ganhado projeção política
recebendo parlamentares e prefeitos.
Tarcísio
tem o diagnóstico de que a presença de Kassab é um ponto intransponível na
relação com os bolsonaristas, mas já fez chegar ao grupo a mensagem de que não
abrirá mão do auxiliar que ajudou na articulação política durante a vitoriosa
campanha eleitoral.
Em
conversas reservadas, aliados próximos de Bolsonaro fazem questão de frisar que
Tarcísio deve sua eleição ao Palácio dos Bandeirantes em 2022 ao ex-presidente
e não ao presidente do PSD.
O
governador paulista e o clã Bolsonaro já fizeram as pazes, concordando que
houve exagero nos ataques feitos ao governador na semana passada. O ex-presidente
e seus filhos fizeram postagens elogiosas ao governador, que declarou
publicamente ser “leal” a Bolsonaro.
Agora,
a missão de Tarcísio é pacificar o próprio quintal. Nesta segunda-feira (10/7),
por exemplo, ao participar de um anúncio da área de educação no palácio,
Tarcísio chamou Kassab de “professor”, que sempre tem coisas a lhe ensinar, mas
também convidou ao palco e elogiou os deputados estaduais bolsonaristas Lucas
Bove e Valéria Bolsonaro, ambos do PL.
Nos
corredores do Palácio dos Bandeirantes, auxiliares do governador lembram que
Kassab havia sido indicado, na gestão passada, para exercer a mesma função, a
convite de João Doria (na época, no PSDB). Mas o ex-governador terminou por
escantear o aliado, investigado por suspeita de corrupção à época, e terminou
tão desarticulado politicamente que não conseguiu viabilizar sua própria
candidatura presidencial.
Kassab,
segundo aliados de Tarcísio, trabalha para tentar assegurar o posto de vice em
uma futura chapa de reeleição do governador, em 2026, e se cacifar para tentar
uma candidatura própria ao governo paulista em 2030, enquanto Tarcísio partiria
para uma candidatura presidencial.
Deputado bolsonarista calunia Flávio Dino
em evento pró-armas
O
deputado federal bolsonarista Gilvan da Federal (PL-ES) desafiou o ministro da
Justiça, Flávio Dino, durante um ato armamentista em Brasília: “Flávio Dino,
vem tomar a minha arma se você é homem”.
O
vídeo com a declaração foi publicado no perfil do parlamentar no Instagram. No
discurso postado, ele diz que “vivemos em tempos difíceis” porque na
presidência da república está um “ex-presidiário, ladrão e corrupto”.
O
deputado federal afirmou ser policial federal há quase 20 anos e declarou que o
ministro da justiça “não representa” a corporação ou o povo brasileiro. E
criticou que o ministro foi em uma comunidade dominada pelo Comando Vermelho
“sem trocar tiro”, o que, segundo ele, só seria possível com “autorização” da
organização criminosa.
O
evento pró-armas contou com a presença do deputado federal Eduardo Bolsonaro
(PL-SP), que chegou a comparar “professores doutrinadores” a traficantes de
drogas em discurso.
A
fala provocou reação e tornou o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) alvo
de ações na PRG (Procuradoria-Geral da República) e STF (Supremo Tribunal
Federal).
Dino
afirmou que determinou que a PF (Polícia Federal) apure os discursos no ato
armamentista. A reportagem tenta contato com o Ministério da Justiça. O espaço
segue aberto para manifestação.
Eu
digo como o [deputado federal] Sargento Fahur: Flávio Dino, vem tomar a minha
arma se você é homem. Vem tomar a minha arma. Somos poucos deputados federais,
pouco mais de 100, em oposição a este desgoverno, mas é muito melhor perder uma
batalha de forma honesta, de cabela erguida, do que ganhar por conta de emenda
parlamentar, de cargo comissionado, compraram um monte de deputado federal do
teu estado. Gilvan da Federal, deputado federal
Fonte:
Sputnik Brasil/UOL/Metrópoles

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