quarta-feira, 12 de julho de 2023

Abin prevê novos ataques terroristas do bolsonarismo

A tentativa fracassada de golpe em 8 de janeiro completou 6 meses, o governo Lula vai melhor do que previam seus críticos, mas lobos solitários e adormecidas células “com acesso a armas e explosivos” tiram o sono do aparelho de segurança do Estado.

Em relatórios de 17 e 19 de janeiro, a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), órgão vinculado ao Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, alertou o governo para o risco de novos atentados que poderiam custar vidas.

Os tais lobos solitários e as adormecidas células terroristas são difíceis de serem descobertos. Estão espalhados por todo o país, mas denunciaram a própria existência dada a quantidade de atos que falharam ou foram abortados pela ação da polícia.

Entre dezembro de 2022 e janeiro deste ano, foram derrubadas três torres de transmissão no Paraná e em Rondônia e houve nove tentativas de “sabotagem” no sistema elétrico de cinco estados. Um artefato explosivo foi posto debaixo de um viaduto, na Bahia.

Mais precisamente, no município de Feira de Santana. O objeto foi desmontado e recolhido pelo esquadrão antibombas da polícia. No local, havia um bilhete que dizia: “Se não resolver a desgraça do país, vamos quebrar tudo”. A polícia está atrás do responsável.

Em uma torre de transmissão situada no trecho entre as cidades de Balsas (MA) e Ribeiro Alves (PI), a ocorrência chamou a atenção: “A equipe da Eletronorte encontrou dois botijões no local preparados para serem explodidos”, informa um dos relatórios.

A Agência Brasileira de Inteligência anotou a tentativa do bloqueio de acesso a refinarias em cinco Estados nos dias 8 e 9 de janeiro. Os atos acabaram neutralizados por forças policiais. Um dos relatórios conclui:

“Apesar da parcial articulação do movimento em razão da repercussão dos atos de 8 de janeiro, com intervenção e reforço da segurança, prisões e determinação de desmobilização dos acampamentos, permanece o risco de mobilização para violência de indivíduos isolados ou pequenas células com acesso a armas de fogo e explosivos com objetivo de atingir infraestruturas críticas”.

 

       Militares pressionam Moraes a soltar Mauro Cid

 

A família de Mauro Cid aumentou suas investidas no Exército para que membros da Força intercedam junto ao Judiciário para tentar soltar o coronel. O foco principal é o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.

Quem está à frente dos contatos é o general Mauro Cesar Lourena Cid, pai do ex-ajudante de ordens do governo Bolsonaro que está preso desde maio. O general da reserva se mudou para Brasília e capitaliza as conversas com militares de alta patente e interlocutores do governo Lula com acesso ao ministro do Supremo.

O desejo de Mauro Cesar Lourena Cid é tentar a soltura do filho ainda no mês de julho. Nas conversas, o pai do ex-ajudante de ordens fala dos empréstimos feitos para arcar com custos da defesa do filho e da situação emocional da família. Além disso, argumenta que Cid não ofereceria risco às investigações e que, assim como o ex-ministro Anderson Torres, poderia ser solto com medidas cautelares, como uso de tornozeleira eletrônica.

Membros da cúpula das Forças e da reserva enviaram recados a Moraes de que uma eventual soltura de Cid ajudaria a distensionar o clima entre militares com o governo e o Judiciário. A investida também vem sendo feita junto a magistrados do STF próximos a Moraes. É ele o responsável pelo inquérito que levou Cid para atrás das grades.

 

       Prestes a cair fora, PGR quer salvar deputado golpista

 

A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu, nesta segunda-feira (10/7), o arquivamento do inquérito contra o deputado federal André Fernandes (PL-CE) por causa de publicações feitas pelo parlamentar em 8 de janeiro, dia em que manifestantes antidemocráticos depredaram as sedes dos Três Poderes, em Brasília.

Bolsonarista, André Fernandes é o autor do requerimento que criou a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos atos golpistas e é vice-líder do PL na Câmara dos Deputados.

CPI do 8/1 adia depoimento de Mauro Cid por causa de agenda no Congresso

O inquérito foi aberto pela própria PGR ainda em janeiro. O órgão também solicitou investigação das deputadas Silvia Waiãpi (PL-AP) e Clarissa Tércio (PP-PE) para apurar participação deles na incitação dos atos golpistas.

A solicitação da PGR foi enviada ao Supremo Tribunal Federal (STF) dias após a defesa do deputado federal apresentar um pedido para arquivar o inquérito. O subprocurador Carlos Frederico Santos destaca que não há elementos suficientes que demonstrem a participação efetiva do parlamentar nos atos.

“É evidente que uma publicação em rede social pode sim levar a uma influência causadora de um resultado delitivo, mas, neste caso, replicar um conteúdo já conhecido por milhares torna impossível conhecer o nível de influência da postura do investigado”, destacou o jurista em um trecho do documento.

 

       Wagner rejeita lista para PGR e elogia Aras: "Prestou importante serviço ao Brasil"

 

O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), elogiou nesta segunda-feira, 10, o atual procurador-geral da República, Augusto Aras, e afirmou que a escolha do sucessor dele não precisa obedecer às indicações da lista tríplice. O petista disse que Aras prestou um "serviço importante para o Brasil" e que "não tem lista para a PGR, a decisão é do presidente Lula".

A declaração foi dada em entrevista à GloboNews, quando Wagner foi questionado sobre a possibilidade de apoiar a recondução de Aras ao cargo. Ele disse que o atual procurador-geral reduziu "excessos" que haviam anteriormente, em uma citação indireta a Operação Lava Jato e outras investigações.

Aras já foi alvo de críticas duras de petistas por causa de gestos que foram interpretados como apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que o escolheu para o cargo em 2019 e o reconduziu em 2021.

Ainda na entrevista desta segunda, Wagner disse que "não está almejando ministério" e que está "feliz" com a liderança do governo.

•        Aras diz que 'desestruturou as bases do lavajatismo'

Na noite do domingo, 9, véspera das declarações de Wagner, Aras disse nas redes sociais que agiu para "desestruturar as bases do lavajatismo" ao compartilhar uma notícia sobre a sua sucessão. "Resta saber se todos eles (membros da lista tríplice) terão a disposição que o procurador-geral demonstrou nesses 4 anos, para enfrentar e desestruturar as bases do lavajatismo enquanto recebia ao revés uma chuva de projéteis traçantes iluminados por um jornalismo alimentado pelo denuncismo atroz e acrítico", disse o PGR no Twitter.

Em março deste ano, no julgamento de uma ação declaratória de inconstitucionalidade sobre a Lei das Estatais, Aras sinalizou aproximação com os interesses do governo. Ele mudou de posição sobre o tema, alinhando-se ao entendimento da Advocacia-Geral da União (AGU) de que os trechos da lei questionados no Supremo são um "óbice à participação de cidadãos na vida político-partidária" e, por isso, devem ser declarados inconstitucionais, permitindo a membros de partido assumir cargos de direção em empresas públicas.

O mandato de Aras se encerra em setembro deste ano. A Constituição estabelece como critérios para o cargo a idade mínima de 35 anos e o ingresso na carreira do Ministério Público. O nome escolhido pelo presidente passa depois pelo crivo do Senado. A lista tríplice, com três indicações feitas pela Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) é uma tradição, mas não há uma obrigação legal para que o futuro procurador-geral esteja nela.

Como mostrou a Coluna do Estadão, o subprocurador da República Carlos Frederico Santos é um dos candidatos para a cadeira de Aras. Ele não disputou a lista tríplice, mas tem se articulado nos bastidores de Brasília.

Em março deste ano, Lula deu uma entrevista na qual indicou que não seguirá a lista tríplice para a escolha do sucessor de Aras, o que foi reforçado nesta segunda por Wagner. Até o segundo mandato de Dilma Rousseff (PT), a lista tríplice era respeitada.

Michel Temer (MDB), quando assumiu o poder pós-impeachment, fragilizou a tradição ao escolher a segunda colocada da lista, Raquel Dodge, que foi procuradora-geral da República até meados de 2019. Jair Bolsonaro foi o primeiro presidente a romper com decisão via lista tríplice ao optar por Augusto Aras para o cargo - gesto que deverá ser repetido por Lula em setembro deste ano.

 

       Érika Kokay dá invertida em Eduardo Bolsonaro e cobra sua cassação

 

A deputada federal Erika Kokay (PT-DF) respondeu as falas de Eduardo Bolsonaro (PL-SP), feitas no último domingo (9) em Brasília, onde comparou professores a traficantes para um público de CACs (caçadores, atiradores e colecionadores de armas). Para a deputada, “mais uma vez Eduardo se revelou” e precisa ter o mandato cassado.

“Ele e o pai realmente preferem o crime organizado aos professores e professoras. Eles sabem que a educação é a maior inimiga do projeto autoritário e preconceituoso que defendem. Querem menos livros e mais armas”, pontuou.

A fala de Eduardo Bolsonaro foi feita no âmbito de uma manifestação patrocinada pelo grupo Próarmas, que pedia a liberação para compra e posse de armas de fogo por civis no país. O público que ouviu a comparação está, consequentemente, armado. E paralelamente a isso o Brasil registrou uma série de ataques a escolas neste ano, por armas de fogo ou armas brancas, que vitimaram, entre outras pessoas, uma professora de 71 anos em São Paulo.

Erika, que é uma das seis deputadas ameaçadas de cassação por protestarem contra a aprovação do Marco Temporal, que retira direitos históricos dos povos indígenas, cobrou a perda de mandato de Eduardo. "Traficantes tiram a vida dos nossos jovens, enquanto os professores e professoras são os que possibilitam a vida plena. Quem prefere traficantes aos professores não pode ter um mandato”, defende a deputada.

Para piorar, a manifestação armamentista que contou com a declaração de Eduardo Bolsonaro se deu no mesmo dia da Parada LGBTQIAP+ de Brasília e nas proximidades da concentração do evento, em claro movimento intimidatório. Erika foi uma das lideranças políticas que discursou na Parada de Brasília.

"O bolsonarismo sempre perseguiu a educação, seja cortando recursos, atacando o conhecimento científico oi incentivando o constrangimento, a mordaça e a violência contra quem educa. Eduardo precisa responder pela fala criminosa e prestar contas com a Justiça", concluiu.

 

Fonte: Metrópoles/O Globo/Agencia Estado

 

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