quarta-feira, 5 de abril de 2023

Finlândia oficialmente se torna 31º membro da Aliança Atlântica

O ministro das Relações Exteriores da Finlândia, Pekka Haavisto, assinou o documento de adesão do país à Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). Moscou considera a expansão da OTAN como "um ataque aos interesses nacionais" e aponta que sua entrada obriga a Rússia a tomar medidas para garantir sua segurança.

A assinatura ocorreu no pequeno escritório finlandês da OTAN em Bruxelas, em frente à sede da OTAN. Sobre a mesa havia bandeiras da OTAN, da Finlândia e da União Europeia (UE), e um buquê de flores brancas.

"O ambiente certamente é esperado", disse Haavisto.

Mais tarde, o ministro finlandês entregou o documento assinado ao secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, para que a Finlândia se tornasse oficialmente o 31º membro da OTAN. Conforme o Tratado do Atlântico Norte, os documentos de adesão de novos membros são guardados nos Estados Unidos.

A Finlândia e a Suécia apresentaram seus pedidos de adesão à OTAN ao secretário-geral do bloco no dia 18 de maio de 2022. Os dois países nórdicos assinaram os protocolos de adesão à aliança militar intergovernamental no dia 5 de julho de 2022, que deveriam ser ratificados pelos 30 países-membros.

No início de abril, o secretário-geral do bloco militar, Jens Stoltenberg, anunciou que a Finlândia ingressaria na OTAN já nesta terça-feira (4) e sua bandeira seria hasteada na sede da aliança em Bruxelas.

Moscou apontou em várias ocasiões que a Aliança Atlântica visa o confronto e que a expansão do bloco militar obriga a Rússia a tomar medidas para garantir sua segurança, declarou o Kremlin.

 

       Por que entrada da Finlândia na Otan enfurece tanto a Rússia

 

A Finlândia se tornou o 31º país membro da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), uma aliança militar internacional de defesa coletiva dos países membros. A bandeira da Finlândia será hasteada em breve na sede da aliança, em Bruxelas, na Bélgica.

A adesão da Finlândia é um revés para o presidente da Rússia, Vladimir Putin, que repetidamente reclamou da expansão da Otan antes de invadir a Ucrânia.

Com a entrada da Finlândia, a extensão da fronteira da Rússia com os estados membros da Otan agora dobrou.

A Finlândia compartilha uma fronteira 1.340 km com a Rússia e solicitou formalmente a adesão à Otan com a Suécia em maio de 2021 por causa da guerra da Ucrânia.

O secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, disse que estava "tentado a dizer que esta é talvez a única coisa pela qual podemos agradecer a Putin". Afirmou que, ao atacar a Ucrânia, Putin precipitou algo que afirmava querer evitar.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que a Rússia está "observando de perto" o que acontece na Finlândia, descrevendo a ampliação da Otan como uma "violação de nossa segurança e de nossos interesses nacionais".

A Finlândia e a Suécia haviam adotado anteriormente uma política de não-alinhamento com as grandes potências mundiais. Após a invasão da Ucrânia, no entanto, escolheram a proteção do artigo 5 do tratado da Otan, que diz que um ataque a um país membro é um ataque a todos. Isso significa que, se a Finlândia fosse invadida ou atacada, todos os membros da Otan - incluindo os EUA - viriam em seu auxílio.

A invasão da Ucrânia pela Rússia provocou um aumento da aprovação em relação à entrada na Otan na opinião pública finlandesa, com 80% a favor.

"Isso tornará a Finlândia mais segura e a Otan mais forte", disse o secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, a repórteres nesta terça (4/4). "O presidente Putin tinha o objetivo declarado de obter menos fronteiras com países da Otan com a invasão da Ucrânia, e ele está obtendo exatamente o oposto."

•        Suécia

O pedido de entrada da Suécia, por enquanto, está parado. O presidente turco Recep Erdogan acusa Estocolmo de receber militantes curdos e permitir que eles se manifestem nas ruas. A Hungria também ainda não aprovou a adesão da Suécia.

Ao entregar o documento de adesão a Blinken, o ministro das Relações Exteriores da Finlândia, Pekka Haavisto, disse que tinha uma missão inicial muito importante e citou a "ratificação para a adesão sueca”.

O secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, disse anteriormente que a Otan iria trabalhar para que a Suécia se torne o próximo membro da organização.

A jornada da Finlândia para a adesão durou menos de um ano, e a cerimônia desta terça coincide com o 74º aniversário da fundação da Otan, em 1949.

"A Finlândia é um aliado fantástico, muito capaz, compartilha nossos valores e esperamos uma transição perfeita enquanto país ocupa seu lugar na mesa", disse à BBC a embaixadora dos EUA na Otan, Julianne Smith.

Ela disse esperar que a Suécia também participe da próxima cúpula da Otan na Lituânia, em julho.

O Kremlin disse que a Rússia estava sendo forçada a reagir e tomar medidas “para garantir sua própria segurança, tática e estrategicamente”. O país, no entanto, afirmou que nunca teve desentendimentos com Helsinque da maneira como teve com a Ucrânia, que se tornou "anti-Rússia".

Enquanto isso, o ministro da Defesa russo, Sergei Shoigu, disse que o sistema de mísseis balísticos de curto alcance Iskander-M da Rússia foi entregue à Belarus e é capaz de transportar armas nucleares e convencionais. Alguns caças bielorrussos também são capazes de transportar armas nucleares, disse ele.

Jens Stoltenberg disse que a Otan ainda não viu mudança alguma na postura nuclear da Rússia que exigisse qualquer mudança na aliança. Ele acrescentou que não haveria tropas da Otan estacionadas na Finlândia sem o consentimento do governo de Helsinque.

A Otan terá agora sete membros no Mar Báltico, isolando ainda mais São Petersburgo, por onde a Rússia tem acesso ao mar.

Peskov disse à BBC que a Rússia vai observar de perto como a Otan usará o território finlandês "em termos de basear sistemas de armas e infraestrutura lá, que estarão bem perto de nossas fronteiras, potencialmente nos ameaçando".

"Com base nisso, medidas serão tomadas", disse o porta-voz do Kremlin.

 

       Finlândia começa a construir muro na fronteira com a Rússia

 

A Finlândia começou a construir um muro de 200 km de extensão em um trecho de sua fronteira com a Rússia.

O objetivo é aumentar a segurança na região e impedir a entrada em massa de imigrantes russos, segundo autoridades finlandesas.

A Finlândia divide com a Rússia a maior fronteira de toda a União Europeia - no total, são 1.340 km. Atualmente, a fronteira é delimitada em grande parte por cercas de madeira destinadas a impedir a passagem de gado.

No entanto, dado o aumento do número de russos entrando na Finlândia para escapar do recrutamento militar (pelo qual seriam forçados a lutar na guerra na Ucrânia), a Finlândia decidiu construir uma barreira.

A Guarda da Fronteira da Finlândia explicou à BBC News que o muro, erguido na zona mais densa e arborizada da fronteira será de metal e terá três metros de altura, com arame farpado no topo.

Nos setores considerados mais delicados, também serão instaladas câmeras de visão noturna, fontes de luz e alto-falantes.

•        Barreira de metal

O trabalho de construção começou na terça-feira (28/2) perto de Imatra, uma cidade de 26 mil habitantes no sudeste do país.

Ali, a mata começou a ser derrubada para construir uma estrada e instalar a barreira de metal, informou a Guarda Fronteiriça em comunicado. Este projeto-piloto de 3 km está previsto para terminar em junho.

Nesta seção, as autoridades farão um experimento para avaliar se a cerca resiste às geadas do inverno, ao peso da neve ou ao fluxo de pessoas que podem vir do leste, informou o The Odessa Journal.

A construção de outros 70 km (também no sudeste) ocorrerá entre 2023 e 2025.

O custo total dos 200 km de muro é estimado em US$ 400 milhões (cerca de R$ 2 bilhões).

•        Mudanças

Embora a fronteira entre a Rússia e a Finlândia tenha "funcionado bem" no passado, o brigadeiro-general finlandês, Jari Tolppanen, disse à agência de notícias AFP que a guerra na Ucrânia mudou "fundamentalmente" a situação de segurança da região.

A Finlândia aprovou novas emendas à sua Lei de Guarda de Fronteira em julho de 2022 para permitir a construção de barreiras mais fortes.

Em setembro daquele mesmo ano, muitos russos começaram a chegar ao país depois que o presidente do país, Vladimir Putin, ordenou a mobilização de reservistas para lutar na Ucrânia.

Estônia, Letônia e Polônia, que também fazem fronteira com a Rússia, também aumentaram a segurança em suas fronteiras ou estão considerando fazê-lo.

•        Ingresso na Otan

Após a invasão da Ucrânia em 24 de fevereiro do ano passado, tanto a Finlândia quanto a Suécia decidiram ingressar na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) o mais rápido possível, depois de permanecerem neutros por anos.

Na quarta-feira (1/3), o Congresso finlandês aprovou por larga maioria a sua entrada na Otan, por 184 votos a favor a 7 contra.

O país enfrenta menos dificuldades diplomáticas do que a Suécia, e o governo quer continuar avançando mesmo antes das eleições gerais, em abril.

Enquanto isso, Finlândia e Suécia já contam com o apoio de quase todos os países membros da Otan, exceto dois.

Turquia e Hungria ainda não aprovaram sua entrada na aliança militar.

 

Fonte: Sputnik Brasil/BBC News Mundo

 

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