Finlândia oficialmente
se torna 31º membro da Aliança Atlântica
O
ministro das Relações Exteriores da Finlândia, Pekka Haavisto, assinou o
documento de adesão do país à Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).
Moscou considera a expansão da OTAN como "um ataque aos interesses
nacionais" e aponta que sua entrada obriga a Rússia a tomar medidas para
garantir sua segurança.
A
assinatura ocorreu no pequeno escritório finlandês da OTAN em Bruxelas, em
frente à sede da OTAN. Sobre a mesa havia bandeiras da OTAN, da Finlândia e da
União Europeia (UE), e um buquê de flores brancas.
"O
ambiente certamente é esperado", disse Haavisto.
Mais
tarde, o ministro finlandês entregou o documento assinado ao secretário de
Estado dos EUA, Antony Blinken, para que a Finlândia se tornasse oficialmente o
31º membro da OTAN. Conforme o Tratado do Atlântico Norte, os documentos de
adesão de novos membros são guardados nos Estados Unidos.
A
Finlândia e a Suécia apresentaram seus pedidos de adesão à OTAN ao
secretário-geral do bloco no dia 18 de maio de 2022. Os dois países nórdicos
assinaram os protocolos de adesão à aliança militar intergovernamental no dia 5
de julho de 2022, que deveriam ser ratificados pelos 30 países-membros.
No
início de abril, o secretário-geral do bloco militar, Jens Stoltenberg,
anunciou que a Finlândia ingressaria na OTAN já nesta terça-feira (4) e sua
bandeira seria hasteada na sede da aliança em Bruxelas.
Moscou
apontou em várias ocasiões que a Aliança Atlântica visa o confronto e que a
expansão do bloco militar obriga a Rússia a tomar medidas para garantir sua
segurança, declarou o Kremlin.
Por que entrada da Finlândia na Otan
enfurece tanto a Rússia
A
Finlândia se tornou o 31º país membro da Otan (Organização do Tratado do
Atlântico Norte), uma aliança militar internacional de defesa coletiva dos
países membros. A bandeira da Finlândia será hasteada em breve na sede da
aliança, em Bruxelas, na Bélgica.
A
adesão da Finlândia é um revés para o presidente da Rússia, Vladimir Putin, que
repetidamente reclamou da expansão da Otan antes de invadir a Ucrânia.
Com
a entrada da Finlândia, a extensão da fronteira da Rússia com os estados
membros da Otan agora dobrou.
A
Finlândia compartilha uma fronteira 1.340 km com a Rússia e solicitou
formalmente a adesão à Otan com a Suécia em maio de 2021 por causa da guerra da
Ucrânia.
O
secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, disse que estava "tentado a
dizer que esta é talvez a única coisa pela qual podemos agradecer a
Putin". Afirmou que, ao atacar a Ucrânia, Putin precipitou algo que
afirmava querer evitar.
O
porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que a Rússia está "observando
de perto" o que acontece na Finlândia, descrevendo a ampliação da Otan
como uma "violação de nossa segurança e de nossos interesses
nacionais".
A
Finlândia e a Suécia haviam adotado anteriormente uma política de não-alinhamento
com as grandes potências mundiais. Após a invasão da Ucrânia, no entanto,
escolheram a proteção do artigo 5 do tratado da Otan, que diz que um ataque a
um país membro é um ataque a todos. Isso significa que, se a Finlândia fosse
invadida ou atacada, todos os membros da Otan - incluindo os EUA - viriam em
seu auxílio.
A
invasão da Ucrânia pela Rússia provocou um aumento da aprovação em relação à
entrada na Otan na opinião pública finlandesa, com 80% a favor.
"Isso
tornará a Finlândia mais segura e a Otan mais forte", disse o
secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, a repórteres nesta terça (4/4).
"O presidente Putin tinha o objetivo declarado de obter menos fronteiras
com países da Otan com a invasão da Ucrânia, e ele está obtendo exatamente o
oposto."
• Suécia
O
pedido de entrada da Suécia, por enquanto, está parado. O presidente turco
Recep Erdogan acusa Estocolmo de receber militantes curdos e permitir que eles
se manifestem nas ruas. A Hungria também ainda não aprovou a adesão da Suécia.
Ao
entregar o documento de adesão a Blinken, o ministro das Relações Exteriores da
Finlândia, Pekka Haavisto, disse que tinha uma missão inicial muito importante
e citou a "ratificação para a adesão sueca”.
O
secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, disse anteriormente que a Otan iria
trabalhar para que a Suécia se torne o próximo membro da organização.
A
jornada da Finlândia para a adesão durou menos de um ano, e a cerimônia desta
terça coincide com o 74º aniversário da fundação da Otan, em 1949.
"A
Finlândia é um aliado fantástico, muito capaz, compartilha nossos valores e
esperamos uma transição perfeita enquanto país ocupa seu lugar na mesa",
disse à BBC a embaixadora dos EUA na Otan, Julianne Smith.
Ela
disse esperar que a Suécia também participe da próxima cúpula da Otan na
Lituânia, em julho.
O
Kremlin disse que a Rússia estava sendo forçada a reagir e tomar medidas “para
garantir sua própria segurança, tática e estrategicamente”. O país, no entanto,
afirmou que nunca teve desentendimentos com Helsinque da maneira como teve com
a Ucrânia, que se tornou "anti-Rússia".
Enquanto
isso, o ministro da Defesa russo, Sergei Shoigu, disse que o sistema de mísseis
balísticos de curto alcance Iskander-M da Rússia foi entregue à Belarus e é
capaz de transportar armas nucleares e convencionais. Alguns caças bielorrussos
também são capazes de transportar armas nucleares, disse ele.
Jens
Stoltenberg disse que a Otan ainda não viu mudança alguma na postura nuclear da
Rússia que exigisse qualquer mudança na aliança. Ele acrescentou que não
haveria tropas da Otan estacionadas na Finlândia sem o consentimento do governo
de Helsinque.
A
Otan terá agora sete membros no Mar Báltico, isolando ainda mais São
Petersburgo, por onde a Rússia tem acesso ao mar.
Peskov
disse à BBC que a Rússia vai observar de perto como a Otan usará o território
finlandês "em termos de basear sistemas de armas e infraestrutura lá, que
estarão bem perto de nossas fronteiras, potencialmente nos ameaçando".
"Com
base nisso, medidas serão tomadas", disse o porta-voz do Kremlin.
Finlândia começa a construir muro na
fronteira com a Rússia
A
Finlândia começou a construir um muro de 200 km de extensão em um trecho de sua
fronteira com a Rússia.
O
objetivo é aumentar a segurança na região e impedir a entrada em massa de
imigrantes russos, segundo autoridades finlandesas.
A
Finlândia divide com a Rússia a maior fronteira de toda a União Europeia - no
total, são 1.340 km. Atualmente, a fronteira é delimitada em grande parte por
cercas de madeira destinadas a impedir a passagem de gado.
No
entanto, dado o aumento do número de russos entrando na Finlândia para escapar
do recrutamento militar (pelo qual seriam forçados a lutar na guerra na
Ucrânia), a Finlândia decidiu construir uma barreira.
A
Guarda da Fronteira da Finlândia explicou à BBC News que o muro, erguido na
zona mais densa e arborizada da fronteira será de metal e terá três metros de
altura, com arame farpado no topo.
Nos
setores considerados mais delicados, também serão instaladas câmeras de visão
noturna, fontes de luz e alto-falantes.
• Barreira de metal
O
trabalho de construção começou na terça-feira (28/2) perto de Imatra, uma
cidade de 26 mil habitantes no sudeste do país.
Ali,
a mata começou a ser derrubada para construir uma estrada e instalar a barreira
de metal, informou a Guarda Fronteiriça em comunicado. Este projeto-piloto de 3
km está previsto para terminar em junho.
Nesta
seção, as autoridades farão um experimento para avaliar se a cerca resiste às
geadas do inverno, ao peso da neve ou ao fluxo de pessoas que podem vir do
leste, informou o The Odessa Journal.
A
construção de outros 70 km (também no sudeste) ocorrerá entre 2023 e 2025.
O
custo total dos 200 km de muro é estimado em US$ 400 milhões (cerca de R$ 2
bilhões).
• Mudanças
Embora
a fronteira entre a Rússia e a Finlândia tenha "funcionado bem" no
passado, o brigadeiro-general finlandês, Jari Tolppanen, disse à agência de
notícias AFP que a guerra na Ucrânia mudou "fundamentalmente" a
situação de segurança da região.
A
Finlândia aprovou novas emendas à sua Lei de Guarda de Fronteira em julho de
2022 para permitir a construção de barreiras mais fortes.
Em
setembro daquele mesmo ano, muitos russos começaram a chegar ao país depois que
o presidente do país, Vladimir Putin, ordenou a mobilização de reservistas para
lutar na Ucrânia.
Estônia,
Letônia e Polônia, que também fazem fronteira com a Rússia, também aumentaram a
segurança em suas fronteiras ou estão considerando fazê-lo.
• Ingresso na Otan
Após
a invasão da Ucrânia em 24 de fevereiro do ano passado, tanto a Finlândia
quanto a Suécia decidiram ingressar na Organização do Tratado do Atlântico
Norte (Otan) o mais rápido possível, depois de permanecerem neutros por anos.
Na
quarta-feira (1/3), o Congresso finlandês aprovou por larga maioria a sua
entrada na Otan, por 184 votos a favor a 7 contra.
O
país enfrenta menos dificuldades diplomáticas do que a Suécia, e o governo quer
continuar avançando mesmo antes das eleições gerais, em abril.
Enquanto
isso, Finlândia e Suécia já contam com o apoio de quase todos os países membros
da Otan, exceto dois.
Turquia
e Hungria ainda não aprovaram sua entrada na aliança militar.
Fonte:
Sputnik Brasil/BBC News Mundo

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