quarta-feira, 5 de abril de 2023

Bahia: A luta do povo Pataxó por liberdade e contra a violência

Nos últimos meses, o povo Pataxó vem enfrentando uma escalada de violência, que atinge não só suas lideranças, mas também sua juventude. “Não é mais só liderança. Hoje qualquer um que sair do território está suscetível a morrer”, afirma Suruí Pataxó, cacique da aldeia Barra Velha.

Em poucos meses, quatro jovens indígenas foram assassinados nas Terras Indígenas (TIs) Comexatibá e Barra Velha do Monte Pascoal: Gustavo Silva da Conceição, de 14 anos, assassinado em setembro de 2022; Carlone Gonçalves da Silva, de 26 anos, assassinado em outubro; e Samuel Cristiano do Amor Divino e Nauí Brito de Jesus, de 25 e 16 anos, assassinados em janeiro deste ano.

Com a demarcação das TIs Barra Velha do Monte Pascoal e Comexatibá paralisadas desde 2009 e 2014, respectivamente, e pressionados pelo agronegócio e pela especulação imobiliária, o povo Pataxó decidiu iniciar a autodemarcação do seu território no extremo sul da Bahia.

Enquanto avançam na luta pela terra e sofrem, inclusive, com uma campanha difamatória em grandes meios de comunicação, os Pataxó cobram do governo federal a proteção de suas comunidades e o avanço na demarcação de suas terras.

“Desde que perdemos nossas terras, estamos igual uma folha seca tocada pelo vento. A gente não tem sossego”, reflete Zé Fragoso, cacique Pataxó da aldeia Tibá.

“Sem terra, não tem saúde, não tem educação, não tem vida”, resume Ãgohó Pataxó, liderança da TI Comexatibá. “Queremos andar em nosso território livre”.

O vídeo, produzido pelo Conselho Indigenista Missionário – Cimi, apresenta depoimentos e imagens colhidas no território Pataxó em janeiro de 2023.

 

Ø  MPF-BA obtém decisão que determina ao Incra dar andamento na titulação do território da Comunidade Quilombola de Sambaíba

 

O Ministério Público Federal (MPF) obteve decisão favorável em ação civil pública, na Bahia, que trata da titulação do território da Comunidade Quilombola de Sambaíba, no município de Riacho de Santana (BA). Com a decisão, em caráter de urgência, da Justiça Federal baiana, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e a União devem apresentar cronograma para a realização de todas as etapas pendentes até titulação do território em até 30 dias. No mesmo prazo, os órgãos também precisam definir a previsão orçamentária e o aporte de recursos para o efetivo cumprimento no prazo estabelecido no planejamento, o que deve ocorrer em até 36 meses.

Segundo a ação, assinada pelo procurador da República Ramiro Rockenbach da Silva Matos, o processo administrativo para identificação, reconhecimento, delimitação, demarcação e titulação da propriedade definitiva das terras pelo Incra começou em 2005. No entanto, a autarquia “ainda não teria concluído sequer o processo de regularização fundiária daquela comunidade”, uma das primeiras etapas. A informação é de que o procedimento se encontra em fase de avaliação do imóvel rural inserido no território delimitado para fins de desapropriação.

No entender do MPF, a demora da “tramitação do processo administrativo de regularização fundiária no Incra ultrapassa em muito uma duração considerada razoável, acarretando sérios prejuízos do ponto de vista de manutenção de sua cultura e usos tradicionais”.

Ao julgar favorável a ação do MPF, a Justiça sentenciou que: “O pedido abrange a concretização de direitos sociais básicos, notadamente relacionados à moradia e à proteção da cultura de uma comunidade histórica do país, não cabendo sua negativa sob a alegação de que os recursos do poder público seriam de tal forma escassos que inviabilizariam o deferimento”.

A ação civil pública pode ser consultada na Justiça Federal da Bahia a partir do número de protocolo 1008264-98.2022.4.01.3315.

 

Fonte: Cimi/MPF-BA

 

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