EUA arrastam
Filipinas para confronto geopolítico entre OTAN e China, explicam especialistas
Em
abril, unidades militares norte-americanas poderão ser instaladas em novas
bases pertencentes às Filipinas. Especialistas explicaram à Sputnik o que isso
pode significar e a que consequências a expansão da presença norte-americana no
mar do Sul da China pode levar.
A
embaixada dos EUA em Manila anunciou na terça-feira (4) que o exercício militar
conjunto americano-filipino Balikatan-2023 será realizado por todas as
Filipinas de 11 a 28 de abril.
O
exercício será o maior de todos os tempos. Mais de 5.000 militares do Exército
filipino e mais de 12.000 soldados dos EUA vão participar neste ano, em
comparação com cerca de 9.000 militares envolvidos nos exercícios do ano
passado.
A
parte filipina disse anteriormente que uma característica especial do próximo
exercício é a realização de exercícios de tiro real. Os participantes também
vão conduzir operações anfíbias e aéreas, antiterroristas, de cibersegurança e
de ajuda humanitária.
O
anúncio foi feito um dia depois de o governo filipino ter revelado que vai
permitir aos EUA estacionar suas unidades militares continuamente em quatro
novas bases militares. Assim, o número de tais instalações aumenta para nove.
É
provável que os Estados Unidos já planejem treinar e depois deixar os primeiros
grupos de soldados e equipamentos militares nas novas bases durante o exercício
Balikatan-2023.
Provavelmente
os próprios vice-presidente dos EUA, Kamala Harris, e secretário de Defesa,
Lloyd Austin, incentivaram as Filipinas a lhes permitir usarem estes quatro
locais por cinco meses durante suas visitas às Filipinas.
A
intensa atividade dos EUA se explica, em particular, por as novas instalações
incluírem a base naval filipina em Santa Ana e o aeroporto internacional de
Lal-lo, ambos na província de Cagayan, que fica perto de Taiwan e do sul da
China continental. Mais duas bases ficam na província Isabela, também no norte,
e na ilha de Balabac, no sul do mar do Sul da China.
O
especialista do Instituto de Estudos do Mar do Sul da China Chen Xiangmiao
acredita que a presença dos norte-americanos nas novas instalações militares
filipinas aumentará o potencial de influência militar dos EUA no estreito de
Taiwan e no mar do Sul da China.
"A
possibilidade de destacar tropas americanas [...] expandiria a presença militar
americana perto do mar do Sul da China como parte de sua estratégia para o
Indo-Pacífico. A ilha de Balabac [...] é importante para aumentar as atividades
de inteligência dos EUA ou a pressão militar sobre a China e outros Estados da
bacia do mar do Sul da China [...] As outras três novas bases poderiam ser
usadas principalmente pelos militares dos EUA para responder à situação no
estreito de Taiwan a partir do sul. Do norte, os americanos têm apoio para seus
planos na área graças às ilhas próximas japonesas", explica ele à Sputnik.
Segundo
o analista militar e vice-presidente da Academia Russa de Mísseis e Ciências de
Artilharia, Konstantin Sivkov, os EUA tentam arrastar as Filipinas para um
confronto com a China.
"Para
os americanos, as Filipinas são uma importante cabeça de ponte para ações
contra a China no mar do Sul da China e no estreito de Taiwan. A China
certamente vai tomar medidas de forma militar, inclusive através do aumento de
suas forças no sul", afirma o analista.
O
chefe do Escritório da Comissão de Relações Exteriores do Comitê Central do
Partido Comunista da China (PCC), Wang Yi, disse que a China já remeteu uma
mensagem para as Filipinas de que é inaceitável permitir que uma terceira parte
prejudique as relações amigáveis entre os dois países.
O
funcionário chinês pediu às Filipinas que permanecessem comprometidas com a
resolução adequada das divergências através da comunicação e do diálogo.
O
especialista Dmitry Mosyakov, do Instituto de Estudos Orientais da Academia de
Ciências da Rússia, aponta que a China não ignorará uma possível mudança no
equilíbrio de poder na região em favor dos EUA.
"A
China está se esforçando seriamente para eliminar a ameaça à sua segurança. Ela
está reforçando as ilhas artificiais", disse Mosyakov.
Em
sua opinião, os EUA realizam preparações para a entrada da Organização do
Tratado do Atlântico Norte (OTAN) na região.
"Os
americanos estão agora tentando com todas as suas forças criar a analogia de um
bloco militar na Ásia [...] Somente a chegada da OTAN pode realmente fazer uma
grande diferença [...] Os americanos estão agora aparentemente preparando essa
infraestrutura nas Filipinas, talvez não tanto para os americanos quanto para
as forças da OTAN", acredita o especialista.
Segundo
a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Mao Ning, a intenção
dos EUA de obter bases militares nas Filipinas contradiz o consenso entre a
China e a Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN, na sigla em inglês)
sobre a manutenção da paz e estabilidade no mar do Sul da China.
Ela
disse que os países da região precisam "pensar profundamente" sobre o
que é a cooperação mutuamente benéfica para eles para tomarem uma decisão
correta que seja verdadeiramente do seu próprio interesse. Os Estados Unidos
têm aumentando constantemente sua presença militar no Sudeste Asiático com base
em seus próprios interesses. O resultado será inevitavelmente um aumento da
tensão, disse a diplomata chinesa.
• Especialista chinês diz que adesão da
Finlândia à OTAN porá em causa a segurança da Europa
A
adesão da Finlândia à Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN)
aumentará os riscos de segurança desse país e questionará a segurança de toda a
Europa, disseram analistas chineses ao Global Times.
"Para
os países entre grandes potências, seria uma escolha racional não tomar
partido", afirmou Cui Heng, pesquisador assistente do Centro de Estudos
Russos da Universidade Normal da China Oriental.
Segundo
ele, o completo abandono da neutralidade da Finlândia e o fato de se colocar na
linha de frente do confronto da OTAN contra a Rússia aumentarão, sem dúvida, os
riscos de segurança da própria Finlândia, em vez de os reduzirem.
Por
sua vez, Li Haidong, professor do Instituto de Relações Internacionais da
China, observou que a adesão da Finlândia à OTAN tornaria a segurança geral da
Europa mais precária.
"A
Finlândia perdeu a função de ser uma ponte entre Rússia e Europa e tomou
completamente partido, o que prova que os tomadores de decisão finlandeses,
assim como os suecos, não têm visão estratégica", disse Li.
Quanto
ao atraso da Rússia em relação a armas convencionais se comparada ao bloco da
OTAN, Cui Heng observou que não há necessidade russa de construí-lo.
"A
principal coisa que a Rússia precisa contra a OTAN são armas nucleares, por
exemplo, a modernização de seu potencial nuclear defensivo", afirmou Heng.
Por
sua vez, Li Haidong acredita que: "É extremamente perigoso e irresponsável
para a OTAN forçar a Rússia a demonstrar sua força nuclear."
Na
terça-feira (3), o ministro das Relações Exteriores da Finlândia, Pekka
Haavisto, assinou o documento de adesão do país à Organização do Tratado do
Atlântico Norte (OTAN).
Mais
tarde, o ministro finlandês entregou o documento assinado ao secretário de
Estado dos EUA, Antony Blinken, para que a Finlândia se tornasse oficialmente o
31º membro da OTAN.
A
Finlândia e a Suécia apresentaram seus pedidos de adesão à OTAN ao
secretário-geral do bloco no dia 18 de maio de 2022. Os dois países nórdicos
assinaram os protocolos de adesão à aliança militar intergovernamental no dia 5
de julho de 2022, que deveriam ser ratificados pelos 30 países-membros.
Moscou
apontou em várias ocasiões que a Aliança Atlântica visa o confronto e que a
expansão do bloco militar obriga a Rússia a tomar medidas para garantir sua
segurança, declarou o Kremlin.
Especialista japonês: com seu plano de
paz, a China quis mostrar alternativa à ordem americana
Ao
propor um plano de paz para um acordo na Ucrânia, a China quer demonstrar que
representa uma alternativa à ordem mundial liderada pelos EUA, disse Taisuke
Abiru, acadêmico japonês da respeitada Fundação Sasakawa para a Paz, à Sputnik.
"A
China revelou seu plano de paz de 12 pontos. Entretanto, não há praticamente
qualquer probabilidade de o governo de Zelensky ou a administração Putin
seguirem este plano e interromperem as hostilidades. Acho que a China está
ciente disso. A China tem dois objetivos para os quais propôs este plano",
disse o acadêmico.
De
acordo com ele, o primeiro objetivo é mostrar aos países do Sul Global - da
África, Ásia e América Latina - que a China está pronta para enfrentar o
aumento dos preços das commodities e dos alimentos.
Outro
alvo é a Europa. Para a Europa neste momento, a principal abordagem ao problema
da Ucrânia é a que é liderada pelos Estados Unidos.
Em
suas palavras, é importante que a China demonstre à Europa que o problema não
pode ser resolvido apenas com as regras do jogo americanas, que o problema só
pode ser solucionado por um país que mantém relações não só com a Ucrânia, mas
também com a Rússia.
"É
importante que a China se mostre como um possível mediador no conflito, mesmo
que não haja solução agora, é importante demonstrar isso à Europa",
ressaltou.
Ele
acredita que a Rússia estava começando a desempenhar o mesmo papel no mundo
antes da crise na Ucrânia, mas agora a China está fazendo isso mais ativamente.
"A
Rússia e China estão demonstrando sua posição, a de estabelecer uma ordem
mundial diferente da ordem liderada pelos EUA. Mas a China está fazendo isso de
forma mais ampla e global do que a Rússia [...] Antes das hostilidades na
Ucrânia, a Rússia tinha uma posição de sucesso no Oriente Médio, na Europa, na
Ásia, mas infelizmente agora ela tem que se concentrar no problema da
Ucrânia."
"Afinal
de contas, a Rússia ocupa uma posição tão especial que pode falar tanto com a
Arábia Saudita quanto com o Irã, mas agora não está à altura. Isto é, o que a
Rússia fazia e queria fazer, agora a China começou a fazer", afirmou
Taisuke Abiru.
Com
o arrastar do conflito na Ucrânia, diversos países avançaram propostas de paz.
Foi o caso da China e do Brasil, nações que propuseram diferentes sugestões
para pôr fim às hostilidades. Ambas as propostas foram bem recebidas pelo
governo russo, uma vez que esses países não aplicaram sanções contra Moscou e
se mostram neutros em relação à crise.
Diplomata russo: Rússia e EUA estão em
uma fase quente de conflito
A
Rússia e os EUA estão agora em uma fase quente de conflito, afirmou o
vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Ryabkov, à Sputnik na
quarta-feira (5).
"Agora
estamos na fase quente de conflito com os Estados Unidos. Estamos testemunhando
o envolvimento direto desse Estado em uma guerra híbrida com a Rússia das mais
diversas maneiras. Algumas formas desta guerra são simplesmente sem precedentes
– elas simplesmente não existiam e não poderiam existir durante a outra Guerra
Fria", disse o diplomata russo.
Ele
também lamentou que haja "muitas conversas sobre a ameaça de conflito
nuclear".
Segundo
Ryabkov, "nossos adversários americanos" se comportam de modo
"absolutamente imprudente" em muitos aspectos, enquanto a Rússia
constantemente enfatiza que não pode haver vencedores em uma guerra nuclear,
portanto, não pode ser desencadeada.
Ele
acrescentou que os "adversários americanos [...] cegos por sua crença
absolutamente absurda e infundada na capacidade de infligir uma derrota
estratégica à Rússia, levantam dúvidas sobre suas capacidades cognitivas, sua
adequação. É literalmente um jogo com o fogo".
O
diplomata russo acredita que será um erro fatal para os Estados Unidos subestimar
a determinação da Rússia de "tomar todas as medidas, usar todos os
meios" quando é "atacada a soberania, a integridade territorial e o
Estado da Rússia".
Antes,
o diplomata disse que as relações entre a Rússia e os EUA haviam sido
destruídas e tinham se aproximado do colapso. Moscou responsabiliza Washington
por isso.
Fonte:
Sputnik Brasil

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