quarta-feira, 5 de abril de 2023

A trégua entre gangues de Nova York que deu origem a um esporte olímpico

O breaking, ou break dance, foi incluído como modalidade de disputa nos Jogos Olímpicos de Paris, em 2024.

Muitas pessoas podem ter se surpreendido com a decisão. Mas, para o escritor, produtor, artista, empresário e autodenominado pioneiro do hip hop Michael Holman, foi a realização de uma visão que ele teve 40 anos atrás.

O site dos Jogos Olímpicos descreve o breaking como estilo de dança hip hop caracterizado por "movimentos acrobáticos e passos estilizados".

Mas é um formato muito diferente da patinação no gelo e da ginástica. Os atletas não aguardam sua vez de se apresentar individualmente e impressionar os jurados.

Os dançarinos do breaking irão para as pistas de Paris em pares, disputando ombro a ombro e superando os movimentos uns dos outros para levar uma medalha para casa.

No início dos anos 1980, Michael Holman promovia uma revista semanal de hip hop em um clube de Nova York combinando rap e grafite com a nova forma de dança de rua.

No início, o objetivo era apresentar-se. Os artistas dançavam, o público aplaudia, a noite prosseguia e vinha o ato seguinte.

Mas Holman insistiu em acrescentar mais um elemento à sua noite de sucesso.

"Nova York é competição, é tentar ser o melhor", ele conta. "E eu queria trazer outro grupo para a disputa. Eu queria que o público assistisse a um combate, não apenas passos de dança."

Era o que Holman havia presenciado meses antes nas ruas nova-iorquinas do Bronx. Ali, o breaking surgiu como forma de competição de dança, como válvula de escape para as tensões das gangues que importunavam a Nova York dos anos 1970.

"Havia os [grupos] Ghetto Brothers, Black Spades, Savage Nomads e Savage Skulls", relembra Holman. "E eles estavam se massacrando há anos, matando uns aos outros."

"Até que, em 1971, Yellow Benji — o líder dos Ghetto Brothers — forçou uma trégua que permitiu que os meninos e meninas das gangues rivais se reunissem para festejar."

Foi nessas festas que a dança substituiu a violência como saída para as rixas da vizinhança.

"Os dançarinos observavam outros dançarinos dizerem: 'uau, isso é fantástico'", prossegue Holman. "'A forma como você está trazendo os passos de kung fu da comunidade chinesa... Vou incorporar o seu kung fu e incluir minha dança africana, ou incorporar na estética de ginástica porto-riquenha.'"

"Tudo isso, dançando ao som dos discos antigos de James Brown mixados nos sistemas de som em estilo jamaicano. É a cultura da dança hip hop", segundo ele.

•        Giroscópios humanos

O primeiro grupo de dançarinos de breaking permanente nas noites de Holman foi agenciado informalmente por ele e chamava-se Rock Steady Crew.

Inicialmente, eles hesitaram em dividir o palco com um conjunto rival, mas acabaram cedendo aos pedidos de Holman.

"Eu trouxe um grupo chamado Floor Masters, que explodiu, foi um momento histórico", conta Holman.

"Os Floor Masters eram muito mais atléticos, rápidos e potentes. Quando eu vi a disputa deles, larguei o Rock Steady Crew como se fosse uma batata quente."

Holman ajudou a formar e gerenciar um novo grupo de breaking concentrado apenas nos passos de "potência" que ele observou nos Floor Masters.

Eles chamaram os melhores dançarinos dos melhores grupos dos cinco distritos da cidade. O novo grupo recebeu o nome de New York City Breakers e incluía alguns dos expoentes da nova forma de arte: Noel "Kid Nice" Manguel, Matthew "Glide Master" Caban e Tony "Powerful Pexster" Lopez.

Juntos, eles elevaram o breaking a um novo nível de técnica.

"Eu me livrei dos dançarinos fracos e investiguei três ou quatro grupos diferentes da cidade. Criei um supergrupo poderoso", afirma Holman.

"Os [New York City] Breakers eram como giroscópios", segundo ele. "Eles começavam a dar os passos, desciam até o chão e usavam algum tipo de propulsão interna, misturada com a fricção do solo, para impulsionar-se simultaneamente ou espalhar-se de uma certa forma. Eles criavam uma energia interna."

"Eles conseguiam girar e se exibir. Eles criaram uma nova forma de movimento, era pura poesia."

•        'Olhe para mim, veja o que eu posso fazer'

Holman chegou de São Francisco a Nova York pela primeira vez em 1978. Ele trabalhava em um banco em Wall Street, mas "vestia a camisa da [banda] Brookes Brothers todos os dias" e se apaixonou rapidamente pela cultura sombria da cidade que ele chamou de lar.

"Eu morava em um apartamento entre [as ruas] Hudson e Chambers", ele conta.

"Eu saía do elevador de manhã e encontrava Joey Ramone [vocalista dos Ramones] saindo de uma festa que havia durado a noite toda com uma garota em cada braço. Era maluco."

Holman logo passou a fazer parte daquele cenário, fazendo amizade com o artista pioneiro do grafite Fab Five Freddy e frequentando casas noturnas como Max’s Kansas City, Mudd Club e CBGBs — locais que permitiam que ele se misturasse com músicos, poetas e outros artistas promissores.

"Eu estava devorando Nova York como se fosse sorvete", afirma Holman, com saudade.

Ele se lembra de voltar sozinho de uma festa tarde da noite, quando viu os primeiros sinais de uma nova cultura de rua surgindo à sua volta.

"Eu estava esperando o metrô, quase dormindo", relembra ele. "Foi quando o trem chegou à estação, coberto de cima abaixo com marcas de grafite e burners [desenhos grandes e detalhados, feitos com tinta spray] por todas as janelas."

"Eu nunca havia visto nada como aquilo, era uma mensagem enlouquecida das ruas. Era vandalismo, mas era bonito, ao mesmo tempo."

"Eram jovens dizendo: 'Olhe para mim. Veja o que eu posso fazer. Não sou um zé-ninguém. OK, esta cidade é sede das Nações Unidas, é a capital da imprensa e das finanças, mas eu sou um menino do Bronx e também sou bom em alguma coisa!'"

Para Holman, aquele ethos também estava por trás do surgimento do hip hop e da compulsão dos dançarinos de breaking por expressar-se através da dança.

"A questão é, 'olhe para mim, eu sou alguém'", explica ele. "Posso pegar um microfone e escrever minha própria poesia, posso cortar e arranhar um toca-discos, posso arrasar na pista, posso girar a cabeça como você nunca imaginou.'"

"Os meninos estavam criando seu próprio universo, apenas com dois toca-discos, um microfone e um linóleo", ele conta.

•        Fenômeno mundial

Enquanto Holman fazia música, filmava e absorvia a energia de Nova York, ele imaginava se o pequeno cenário do breaking e do hip hop da cidade se tornaria uma tendência emergente, como o punk que havia florescido em Londres e em Nova York na década anterior.

"Um amigo meu havia estudado com Malcolm McLaren [o empresário da banda Sex Pistols] nos anos 1960", conta Holman.

"Quando McLaren visitou Nova York, eu o convidei para uma festa no Bronx com [os DJs] Afrika Bambaataa e Jazzy Jay. Eu o levei a um parque cheio de gente, onde os DJs tinham seus sistemas de som e os meninos e meninas dançavam."

"Malcolm ficou surpreso e me pediu para fazer uma análise. Bem, eu fiz", segundo Holman.

McLaren tinha um bom instinto para movimentos culturais revolucionários. A banda britânica Sex Pistols havia se tornado um ícone do punk depois do lançamento do single antimonarquista God Save the Queen, que coincidiu com o Jubileu de Prata da Rainha Elizabeth 2ª, em 1977.

Ele colocou Holman em contato com uma promotora inglesa que morava na cidade, chamada Ruza "Kool Lady" Blue. Ela promovia uma noite regular na casa noturna NeGril, cujo proprietário era jamaicano.

Em novembro de 1981, a casa noturna fez sucesso com os amigos DJs de Holman e os dançarinos de breaking do The Rock Steady Crew.

Quando se espalhou a notícia sobre as noites de hip hop, com o supergrupo recém-formado e suas fantásticas apresentações de breaking nas noites de Holman no NeGril, a imprensa de Nova York também começou a dar destaque.

"Bem, o que estávamos fazendo virou a notícia do mês nos órgãos de imprensa internacionais", afirma ele. "Recebemos equipes de produção de documentários de todo o mundo em Nova York: a BBC, Canal Plus [França], NHK [Japão], Rai TV [Itália] e a ZDF [Alemanha]."

"Eles vinham filmar os Breakers, editavam e mandavam para os seus países de origem. E saía no noticiário naquela noite", ele conta. "Então, você tinha os meninos em Londres, Tóquio e Paris recebendo a cultura do hip hop antes dos meninos de Pittsburgh [nos Estados Unidos]."

Holman decidiu então produzir conteúdo próprio. Ele criou e apresentou o programa musical de TV Graffiti Rock em 1984, dedicado ao hip hop, seguindo a linha do programa de sucesso Soul Train e apresentando as bandas Run-DMC, Kool Moe Dee e Special K, além dos New York City Breakers.

"Foi o primeiro programa de TV sobre o hip hop do mundo", afirma Holman.

Os New York City Breakers também invadiram a grande imprensa do centro dos Estados Unidos. Eles compareceram aos programas Merv Griffin Show (um talk show popular nos EUA), CBS Evening News, Good Morning America e no próprio Soul Train.

O grupo também apareceu em um vídeo musical com seus passos de breaking, enquanto a lenda do soul Gladys Knight cantava "Save the Overtime (For Me)".

O último grande evento promovido por Holman para os New York City Breakers ocorreu na Escola de Dança Contemporânea de Londres, em 1987.

"Naquela época, os shows estavam diminuindo", ele conta. "[O breaking] era visto como uma moda que estava passando. A imprensa havia se afastado e os Breakers começavam a seguir seus próprios caminhos."

Mas, em outros lugares, a festa continuava.

"Como ocorreu com muitos movimentos culturais que começaram nos Estados Unidos, como o jazz, o rock e o blues; eles morrem aqui para encontrar nova vida e identidade no exterior", explica Holman. "O mesmo aconteceu com o breaking."

No final dos anos 1990, Holman recebeu convites para convenções de hip hop em todo o mundo. Havia interesse na Austrália, Ásia, Europa e na América do Sul.

Ele organizou painéis e palestras sobre o movimento, assistiu a filmes sobre o breaking e participou de oficinas de dança, com os dançarinos originais sendo convidados para comparecer.

Um jovem grupo de dança polonês chegou ao ponto de mostrar a ele que havia aprendido uma coreografia com o Graffiti Rock, passo a passo. Mas nem todos os dançarinos eram tão simpáticos.

"Eu costumava receber muitos olhares estranhos de alguns dos dançarinos quando aparecia", afirma Holman. "Eles diziam: 'oh, você é aquele que tentou transformar isto aqui em esporte, tentou matar a forma de arte.'"

"Mas eu sempre senti que o movimento tinha uma ideia e uma vida própria", ele conta. "A própria cultura é senciente. O hip hop, coletivamente, é agora uma indústria multibilionária que abalou o mundo."

"O skate e os esportes radicais enfrentaram as mesmas discussões", segundo Holman. "Houve protestos contra a ideia de uma forma de arte ser 'julgada', com pontos e notas. Estou certo de que a patinação artística sofreu o mesmo nos anos 1930."

"Mas pense no fato de que é um movimento criado na cidade de Nova York — a capital do comércio, o coração do capitalismo. Questionar seu caminho para a competição e a comercialização, no mínimo, é ingênuo."

Discussões à parte, a notável batalha do breaking, das calçadas do Bronx para a arena olímpica, é gratificante para Holman — uma das poucas pessoas que compreenderam o potencial dos passos potentes e da poesia do hip hop, mais de quatro décadas atrás.

 

       Paris-2024 pode ser a última chance para skatistas brasileiros em Olimpíadas?

 

Torcedores brasileiros se acostumaram a passar algumas madrugadas das últimas duas semanas acompanhando manobras com nomes complicados, como "caballerial tail de back", e vendo atletas ganharem medalhas no skate, esporte que fez a sua estreia olímpica em Tóquio 2021.

O desempenho do Brasil no skate ajudou a dar popularidade à modalidade: foram três pratas nos quatro torneios disputados — até agora o esporte em que o Brasil mais ganhou medalhas em Tóquio 2021, ao lado do boxe (onde uma foi conquistada e duas já garantidas). Quase 20% das medalhas brasileiras recebidas em Tóquio 2021 até agora foram conquistadas pelo skate.

No entanto, o futuro do skate como modalidade olímpica é incerto. O skate está garantido nos Jogos Olímpicos de Paris 2024 — mas depois disso ainda não há definição sobre se permanecerá no calendário olímpico.

Em dezembro do ano passado, o Comitê Olímpico Internacional (COI) aceitou o pedido feito pelos organizadores de Paris de incluir quatro esportes na programação: escalada, surfe, skate (os três fizeram sua estreia como esportes olímpicos em Tóquio 2021) e break dance.

Em comum, os quatro esportes têm grande apelo entre pessoas mais jovens — tanto como praticantes quanto como espectadores.

"O COI está empenhado em estabelecer um novo padrão para jogos inclusivos, com equilíbrio de gênero e centrados na juventude. Paris-2024 apresentou sua proposta ao COI para integrar quatro novos esportes intimamente associados à juventude e recompensar a criatividade e o desempenho atlético", diz a nota dos organizadores dos Jogos de Paris 2024.

"Todos os quatro são fáceis de entender e os participantes formam comunidades muito ativas nas redes sociais. Nos próximos cinco anos, a inclusão desses eventos nos Jogos Olímpicos ajudará a inspirar milhões de crianças a praticar esportes."

O skate se aproveitou de uma desburocratização no processo de adoção de novos esportes nas Olimpíadas, no entanto essa via mais rápida faz com que o esporte precise ser revisado a cada edição.

Quando um esporte se torna permanente, o anúncio costuma ser feito sete anos antes de Jogos em que isso vira norma.

•        Como um esporte se torna olímpico

Antigamente, o caminho tradicional para um esporte ser considerado olímpico era longo e cheio de burocracias. O primeiro passo era uma atividade ser reconhecida como esporte pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) e depois pelas Federações Esportivas Internacionais. Nessa etapa, exigia-se que o esporte adira à Carta Olímpica (uma espécie de Constituição dos Jogos) e siga o código de antidoping.

A Carta Olímpica diz que, para virar atividade olímpica, um esporte precisa ser praticado por homens em pelo menos 75 países em quatro continentes e por mulheres em pelo menos 40 países em três continentes. A Carta também exclui competições que são essencialmente cerebrais ou que dependem de propulsão mecânica — por isso atividades que já são consideradas esportes, como xadrez e automobilismo, não podem virar modalidades olímpicas.

Mas desde a última década, o COI vem modernizando a legislação esportiva que guia os Jogos, com um projeto chamado Agenda Olímpica 2020 — os Jogos de Tóquio 2021 foram os primeiros a se beneficiarem destas mudanças.

Uma das principais mudanças foi na desburocratização para inclusão de novos esportes. Em vez daqueles caminhos tradicionais apontados na Carta Olímpica, agora os próprios países-sede podem propor novos esportes a serem incluídos apenas nos Jogos que vão sediar.

A mudança dá maior agilidade à inclusão de novos esportes — no entanto algumas dessas modalidades como o skate acabam se tornando apenas temporárias, dependendo da vontade do comitê organizador dos Jogos em cada sede.

A Agenda Olímpica 2020 também passou a usar outra competição do COI — os Jogos Olímpicos da Juventude — como laboratórios para testar a popularidade de novas modalidades esportivas, antes de incluí-las na programação oficial. Foi o caso do skate e escalada, que tiveram sua estreia como "esportes de demonstração" nos Jogos da Juventude de 2014, em Nanjing, na China. Outros esportes testados em Nanjing foram abandonados, como a arte marcial chinesa wushu e patinação de velocidade com patins em linha.

O sucesso de skate e escalada junto ao público fez com que as modalidades fossem adotadas nos Jogos de Tóquio 2021. O mesmo teste foi feito com dança break, que foi testada — e aprovada — nos Jogos Olímpicos da Juventude de 2018 em Buenos Aires, e agora virarão modalidade em Paris 2024. Em todos os casos, também houve outro critério que agradou ao COI: o alto número de participantes mulheres, já que uma das metas da Agenda Olímpica 2020 é ter mais equilíbrio de gênero no esporte.

Skate é uma atividade popular em Los Angeles, que sediará as Olimpíadas de 2028. A Califórnia e Los Angeles são considerados berços do esporte, onde vivem atletas de ponta, como Tony Hawk, Lance Mountain e Stacy Peralta. Mas a manutenção do esporte nos Jogos depende das prioridades do comitê organizador local americano e do próprio COI até lá.

Em entrevista para a ABC News, o CEO da equipe olímpica de skate dos EUA, Josh Friedberg, disse que espera que o skate seja mantido em 2028 nos Jogos de Los Angeles, já que a cidade e seu entorno possuem equipamentos populares, como nas praias de Santa Monica e Venice.

•        Revisões

Mas mesmo os esportes considerados "permanentes" podem eventualmente serem retirados das Olimpíadas.

O COI está constantemente revisando e retirando atividades das Olimpíadas. É o que aconteceu ao longo dos 125 anos de Jogos Olímpicos com cabo-de-guerra, críquete, lacrosse, esqui aquático, entre outros.

Dois esportes introduzidos em Tóquio 2021 — caratê e baseball/softball — não serão disputados em Paris-2024. Golfe e rúgbi, que foram introduzidos no Rio de Janeiro, em 2016, serão revisados após Tóquio-2021.

Também existe a preocupação com o interesse da audiência e com o custo de se construir estruturas para o esporte.

A Agenda Olímpica 2020 prioriza o uso de arenas já existentes nas cidades-sede e tenta minimizar a necessidade de construção de novos aparelhos. Em Paris-2024, a meta é que 95% das arenas olímpicas usadas nos Jogos sejam já existentes ou temporárias. Para Los Angeles-2028, não se planeja a construção de nenhum equipamento esportivo permanente.

Essas metas afetam a inclusão ou exclusão de esportes olímpicos nos Jogos.

O baseball e softball, por exemplo, foram excluídos após os Jogos de Pequim 2008, mas foram retomados em Tóquio 2021 a pedido do comitê organizador japonês — pois o esporte é muito popular no Japão e o país já possuía estruturas adequadas para a sua prática. Ambos os esportes não estarão nos Jogos de Paris de 2024, mas cogita-se que eles voltem em Los Angeles 2028, já que também são populares nos EUA.

Outros esportes amplamente praticados pelo mundo nunca foram incluídos por não gerarem um interesse comercial grande, como sinuca e squash. No caso do squash, houve um lobby forte da federação para a inclusão do esporte no Rio de Janeiro em 2016, mas ele acabou derrotado pelo golfe.

•        Negócio do skate

A transmissão do skateboarding olímpico na televisão deu ao esporte uma visibilidade inédita. Por anos, o esporte foi ignorado por emissoras de televisão, por ser estigmatizado e considerado parte de uma cultura urbana marginal.

Agora a postura do COI tem sido exatamente oposta a esse pensamento.

"Queremos levar esporte para os jovens. Com as muitas opções que os jovens têm, não podemos mais esperar que eles venham automaticamente até nós. Temos que ir até eles", disse o presidente do COI, Thomas Bach, quando foram os novos esportes para Tóquio.

Essa mudança já vinha acontecendo desde que se acrescentou as provas de ciclismo BMX em Pequim 2008 e de snowboarding, nos Jogos de Inverno de Nagano, no Japão, em 1998.

Muitas dessas modalidades que vem recebendo atenção do COI já vinham rendendo bilhões de dólares a setores privados que investiram neles quando havia pouco interesse do mainstream. O caso mais emblemático é o da emissora esportiva americana ESPN, que criou em 1995 o X Games, competição exclusiva para esportes radicais.

Muitos dos ídolos do skateboarding mundial — incluindo os medalhistas brasileiros — foram revelados nos X Games.

No Brasil, a cultura de skate existe há décadas. Brasil e Japão se beneficiaram que o esporte virou modalidade olímpica justamente em um momento bom da sua atual geração de competidores. Há alguns anos, o skate competitivo era dominado por atletas americanos, que foram pioneiros na popularização dos torneios.

Em Tóquio, foram 80 skatistas homens e mulheres de 25 países competindo em quatro torneios — nas modalidades park e street.

O caso do Brasil ilustra como um esporte pode ser impulsionado com as olimpíadas — com milhões de espectadores parando pela primeira vez na vida para acompanhar uma competição.

Empresas de equipamentos esportivos afirmam que a demanda por skates explodiu depois das medalhas de prata de Rayssa Leal, Pedro Barros e Kelvin Hoefler. Rayssa, conhecida como Fadinha, ganhou mais de quatro milhões de seguidores no Instagram ao longo dos Jogos.

 

Fonte: BBC Sport

 

Nenhum comentário: