A trégua entre
gangues de Nova York que deu origem a um esporte olímpico
O
breaking, ou break dance, foi incluído como modalidade de disputa nos Jogos
Olímpicos de Paris, em 2024.
Muitas
pessoas podem ter se surpreendido com a decisão. Mas, para o escritor,
produtor, artista, empresário e autodenominado pioneiro do hip hop Michael
Holman, foi a realização de uma visão que ele teve 40 anos atrás.
O
site dos Jogos Olímpicos descreve o breaking como estilo de dança hip hop
caracterizado por "movimentos acrobáticos e passos estilizados".
Mas
é um formato muito diferente da patinação no gelo e da ginástica. Os atletas
não aguardam sua vez de se apresentar individualmente e impressionar os
jurados.
Os
dançarinos do breaking irão para as pistas de Paris em pares, disputando ombro
a ombro e superando os movimentos uns dos outros para levar uma medalha para
casa.
No
início dos anos 1980, Michael Holman promovia uma revista semanal de hip hop em
um clube de Nova York combinando rap e grafite com a nova forma de dança de
rua.
No
início, o objetivo era apresentar-se. Os artistas dançavam, o público aplaudia,
a noite prosseguia e vinha o ato seguinte.
Mas
Holman insistiu em acrescentar mais um elemento à sua noite de sucesso.
"Nova
York é competição, é tentar ser o melhor", ele conta. "E eu queria
trazer outro grupo para a disputa. Eu queria que o público assistisse a um combate,
não apenas passos de dança."
Era
o que Holman havia presenciado meses antes nas ruas nova-iorquinas do Bronx.
Ali, o breaking surgiu como forma de competição de dança, como válvula de
escape para as tensões das gangues que importunavam a Nova York dos anos 1970.
"Havia
os [grupos] Ghetto Brothers, Black Spades, Savage Nomads e Savage Skulls",
relembra Holman. "E eles estavam se massacrando há anos, matando uns aos
outros."
"Até
que, em 1971, Yellow Benji — o líder dos Ghetto Brothers — forçou uma trégua
que permitiu que os meninos e meninas das gangues rivais se reunissem para
festejar."
Foi
nessas festas que a dança substituiu a violência como saída para as rixas da
vizinhança.
"Os
dançarinos observavam outros dançarinos dizerem: 'uau, isso é fantástico'",
prossegue Holman. "'A forma como você está trazendo os passos de kung fu
da comunidade chinesa... Vou incorporar o seu kung fu e incluir minha dança
africana, ou incorporar na estética de ginástica porto-riquenha.'"
"Tudo
isso, dançando ao som dos discos antigos de James Brown mixados nos sistemas de
som em estilo jamaicano. É a cultura da dança hip hop", segundo ele.
• Giroscópios humanos
O
primeiro grupo de dançarinos de breaking permanente nas noites de Holman foi
agenciado informalmente por ele e chamava-se Rock Steady Crew.
Inicialmente,
eles hesitaram em dividir o palco com um conjunto rival, mas acabaram cedendo
aos pedidos de Holman.
"Eu
trouxe um grupo chamado Floor Masters, que explodiu, foi um momento
histórico", conta Holman.
"Os
Floor Masters eram muito mais atléticos, rápidos e potentes. Quando eu vi a
disputa deles, larguei o Rock Steady Crew como se fosse uma batata
quente."
Holman
ajudou a formar e gerenciar um novo grupo de breaking concentrado apenas nos
passos de "potência" que ele observou nos Floor Masters.
Eles
chamaram os melhores dançarinos dos melhores grupos dos cinco distritos da
cidade. O novo grupo recebeu o nome de New York City Breakers e incluía alguns
dos expoentes da nova forma de arte: Noel "Kid Nice" Manguel, Matthew
"Glide Master" Caban e Tony "Powerful Pexster" Lopez.
Juntos,
eles elevaram o breaking a um novo nível de técnica.
"Eu
me livrei dos dançarinos fracos e investiguei três ou quatro grupos diferentes
da cidade. Criei um supergrupo poderoso", afirma Holman.
"Os
[New York City] Breakers eram como giroscópios", segundo ele. "Eles
começavam a dar os passos, desciam até o chão e usavam algum tipo de propulsão
interna, misturada com a fricção do solo, para impulsionar-se simultaneamente
ou espalhar-se de uma certa forma. Eles criavam uma energia interna."
"Eles
conseguiam girar e se exibir. Eles criaram uma nova forma de movimento, era
pura poesia."
• 'Olhe para mim, veja o que eu posso
fazer'
Holman
chegou de São Francisco a Nova York pela primeira vez em 1978. Ele trabalhava
em um banco em Wall Street, mas "vestia a camisa da [banda] Brookes
Brothers todos os dias" e se apaixonou rapidamente pela cultura sombria da
cidade que ele chamou de lar.
"Eu
morava em um apartamento entre [as ruas] Hudson e Chambers", ele conta.
"Eu
saía do elevador de manhã e encontrava Joey Ramone [vocalista dos Ramones]
saindo de uma festa que havia durado a noite toda com uma garota em cada braço.
Era maluco."
Holman
logo passou a fazer parte daquele cenário, fazendo amizade com o artista pioneiro
do grafite Fab Five Freddy e frequentando casas noturnas como Max’s Kansas
City, Mudd Club e CBGBs — locais que permitiam que ele se misturasse com
músicos, poetas e outros artistas promissores.
"Eu
estava devorando Nova York como se fosse sorvete", afirma Holman, com
saudade.
Ele
se lembra de voltar sozinho de uma festa tarde da noite, quando viu os
primeiros sinais de uma nova cultura de rua surgindo à sua volta.
"Eu
estava esperando o metrô, quase dormindo", relembra ele. "Foi quando
o trem chegou à estação, coberto de cima abaixo com marcas de grafite e burners
[desenhos grandes e detalhados, feitos com tinta spray] por todas as
janelas."
"Eu
nunca havia visto nada como aquilo, era uma mensagem enlouquecida das ruas. Era
vandalismo, mas era bonito, ao mesmo tempo."
"Eram
jovens dizendo: 'Olhe para mim. Veja o que eu posso fazer. Não sou um
zé-ninguém. OK, esta cidade é sede das Nações Unidas, é a capital da imprensa e
das finanças, mas eu sou um menino do Bronx e também sou bom em alguma
coisa!'"
Para
Holman, aquele ethos também estava por trás do surgimento do hip hop e da
compulsão dos dançarinos de breaking por expressar-se através da dança.
"A
questão é, 'olhe para mim, eu sou alguém'", explica ele. "Posso pegar
um microfone e escrever minha própria poesia, posso cortar e arranhar um
toca-discos, posso arrasar na pista, posso girar a cabeça como você nunca
imaginou.'"
"Os
meninos estavam criando seu próprio universo, apenas com dois toca-discos, um
microfone e um linóleo", ele conta.
• Fenômeno mundial
Enquanto
Holman fazia música, filmava e absorvia a energia de Nova York, ele imaginava
se o pequeno cenário do breaking e do hip hop da cidade se tornaria uma
tendência emergente, como o punk que havia florescido em Londres e em Nova York
na década anterior.
"Um
amigo meu havia estudado com Malcolm McLaren [o empresário da banda Sex
Pistols] nos anos 1960", conta Holman.
"Quando
McLaren visitou Nova York, eu o convidei para uma festa no Bronx com [os DJs]
Afrika Bambaataa e Jazzy Jay. Eu o levei a um parque cheio de gente, onde os
DJs tinham seus sistemas de som e os meninos e meninas dançavam."
"Malcolm
ficou surpreso e me pediu para fazer uma análise. Bem, eu fiz", segundo
Holman.
McLaren
tinha um bom instinto para movimentos culturais revolucionários. A banda
britânica Sex Pistols havia se tornado um ícone do punk depois do lançamento do
single antimonarquista God Save the Queen, que coincidiu com o Jubileu de Prata
da Rainha Elizabeth 2ª, em 1977.
Ele
colocou Holman em contato com uma promotora inglesa que morava na cidade,
chamada Ruza "Kool Lady" Blue. Ela promovia uma noite regular na casa
noturna NeGril, cujo proprietário era jamaicano.
Em
novembro de 1981, a casa noturna fez sucesso com os amigos DJs de Holman e os
dançarinos de breaking do The Rock Steady Crew.
Quando
se espalhou a notícia sobre as noites de hip hop, com o supergrupo
recém-formado e suas fantásticas apresentações de breaking nas noites de Holman
no NeGril, a imprensa de Nova York também começou a dar destaque.
"Bem,
o que estávamos fazendo virou a notícia do mês nos órgãos de imprensa
internacionais", afirma ele. "Recebemos equipes de produção de
documentários de todo o mundo em Nova York: a BBC, Canal Plus [França], NHK
[Japão], Rai TV [Itália] e a ZDF [Alemanha]."
"Eles
vinham filmar os Breakers, editavam e mandavam para os seus países de origem. E
saía no noticiário naquela noite", ele conta. "Então, você tinha os
meninos em Londres, Tóquio e Paris recebendo a cultura do hip hop antes dos
meninos de Pittsburgh [nos Estados Unidos]."
Holman
decidiu então produzir conteúdo próprio. Ele criou e apresentou o programa
musical de TV Graffiti Rock em 1984, dedicado ao hip hop, seguindo a linha do
programa de sucesso Soul Train e apresentando as bandas Run-DMC, Kool Moe Dee e
Special K, além dos New York City Breakers.
"Foi
o primeiro programa de TV sobre o hip hop do mundo", afirma Holman.
Os
New York City Breakers também invadiram a grande imprensa do centro dos Estados
Unidos. Eles compareceram aos programas Merv Griffin Show (um talk show popular
nos EUA), CBS Evening News, Good Morning America e no próprio Soul Train.
O
grupo também apareceu em um vídeo musical com seus passos de breaking, enquanto
a lenda do soul Gladys Knight cantava "Save the Overtime (For Me)".
O
último grande evento promovido por Holman para os New York City Breakers
ocorreu na Escola de Dança Contemporânea de Londres, em 1987.
"Naquela
época, os shows estavam diminuindo", ele conta. "[O breaking] era
visto como uma moda que estava passando. A imprensa havia se afastado e os
Breakers começavam a seguir seus próprios caminhos."
Mas,
em outros lugares, a festa continuava.
"Como
ocorreu com muitos movimentos culturais que começaram nos Estados Unidos, como
o jazz, o rock e o blues; eles morrem aqui para encontrar nova vida e
identidade no exterior", explica Holman. "O mesmo aconteceu com o
breaking."
No
final dos anos 1990, Holman recebeu convites para convenções de hip hop em todo
o mundo. Havia interesse na Austrália, Ásia, Europa e na América do Sul.
Ele
organizou painéis e palestras sobre o movimento, assistiu a filmes sobre o
breaking e participou de oficinas de dança, com os dançarinos originais sendo
convidados para comparecer.
Um
jovem grupo de dança polonês chegou ao ponto de mostrar a ele que havia aprendido
uma coreografia com o Graffiti Rock, passo a passo. Mas nem todos os dançarinos
eram tão simpáticos.
"Eu
costumava receber muitos olhares estranhos de alguns dos dançarinos quando
aparecia", afirma Holman. "Eles diziam: 'oh, você é aquele que tentou
transformar isto aqui em esporte, tentou matar a forma de arte.'"
"Mas
eu sempre senti que o movimento tinha uma ideia e uma vida própria", ele
conta. "A própria cultura é senciente. O hip hop, coletivamente, é agora
uma indústria multibilionária que abalou o mundo."
"O
skate e os esportes radicais enfrentaram as mesmas discussões", segundo
Holman. "Houve protestos contra a ideia de uma forma de arte ser
'julgada', com pontos e notas. Estou certo de que a patinação artística sofreu
o mesmo nos anos 1930."
"Mas
pense no fato de que é um movimento criado na cidade de Nova York — a capital
do comércio, o coração do capitalismo. Questionar seu caminho para a competição
e a comercialização, no mínimo, é ingênuo."
Discussões
à parte, a notável batalha do breaking, das calçadas do Bronx para a arena
olímpica, é gratificante para Holman — uma das poucas pessoas que compreenderam
o potencial dos passos potentes e da poesia do hip hop, mais de quatro décadas
atrás.
Paris-2024 pode ser a última chance para
skatistas brasileiros em Olimpíadas?
Torcedores
brasileiros se acostumaram a passar algumas madrugadas das últimas duas semanas
acompanhando manobras com nomes complicados, como "caballerial tail de
back", e vendo atletas ganharem medalhas no skate, esporte que fez a sua
estreia olímpica em Tóquio 2021.
O
desempenho do Brasil no skate ajudou a dar popularidade à modalidade: foram
três pratas nos quatro torneios disputados — até agora o esporte em que o
Brasil mais ganhou medalhas em Tóquio 2021, ao lado do boxe (onde uma foi
conquistada e duas já garantidas). Quase 20% das medalhas brasileiras recebidas
em Tóquio 2021 até agora foram conquistadas pelo skate.
No
entanto, o futuro do skate como modalidade olímpica é incerto. O skate está
garantido nos Jogos Olímpicos de Paris 2024 — mas depois disso ainda não há
definição sobre se permanecerá no calendário olímpico.
Em
dezembro do ano passado, o Comitê Olímpico Internacional (COI) aceitou o pedido
feito pelos organizadores de Paris de incluir quatro esportes na programação:
escalada, surfe, skate (os três fizeram sua estreia como esportes olímpicos em
Tóquio 2021) e break dance.
Em
comum, os quatro esportes têm grande apelo entre pessoas mais jovens — tanto
como praticantes quanto como espectadores.
"O
COI está empenhado em estabelecer um novo padrão para jogos inclusivos, com
equilíbrio de gênero e centrados na juventude. Paris-2024 apresentou sua
proposta ao COI para integrar quatro novos esportes intimamente associados à
juventude e recompensar a criatividade e o desempenho atlético", diz a
nota dos organizadores dos Jogos de Paris 2024.
"Todos
os quatro são fáceis de entender e os participantes formam comunidades muito
ativas nas redes sociais. Nos próximos cinco anos, a inclusão desses eventos
nos Jogos Olímpicos ajudará a inspirar milhões de crianças a praticar
esportes."
O
skate se aproveitou de uma desburocratização no processo de adoção de novos
esportes nas Olimpíadas, no entanto essa via mais rápida faz com que o esporte
precise ser revisado a cada edição.
Quando
um esporte se torna permanente, o anúncio costuma ser feito sete anos antes de
Jogos em que isso vira norma.
• Como um esporte se torna olímpico
Antigamente,
o caminho tradicional para um esporte ser considerado olímpico era longo e
cheio de burocracias. O primeiro passo era uma atividade ser reconhecida como
esporte pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) e depois pelas Federações
Esportivas Internacionais. Nessa etapa, exigia-se que o esporte adira à Carta
Olímpica (uma espécie de Constituição dos Jogos) e siga o código de antidoping.
A
Carta Olímpica diz que, para virar atividade olímpica, um esporte precisa ser
praticado por homens em pelo menos 75 países em quatro continentes e por
mulheres em pelo menos 40 países em três continentes. A Carta também exclui
competições que são essencialmente cerebrais ou que dependem de propulsão
mecânica — por isso atividades que já são consideradas esportes, como xadrez e
automobilismo, não podem virar modalidades olímpicas.
Mas
desde a última década, o COI vem modernizando a legislação esportiva que guia
os Jogos, com um projeto chamado Agenda Olímpica 2020 — os Jogos de Tóquio 2021
foram os primeiros a se beneficiarem destas mudanças.
Uma
das principais mudanças foi na desburocratização para inclusão de novos
esportes. Em vez daqueles caminhos tradicionais apontados na Carta Olímpica,
agora os próprios países-sede podem propor novos esportes a serem incluídos
apenas nos Jogos que vão sediar.
A
mudança dá maior agilidade à inclusão de novos esportes — no entanto algumas
dessas modalidades como o skate acabam se tornando apenas temporárias,
dependendo da vontade do comitê organizador dos Jogos em cada sede.
A
Agenda Olímpica 2020 também passou a usar outra competição do COI — os Jogos
Olímpicos da Juventude — como laboratórios para testar a popularidade de novas
modalidades esportivas, antes de incluí-las na programação oficial. Foi o caso
do skate e escalada, que tiveram sua estreia como "esportes de demonstração"
nos Jogos da Juventude de 2014, em Nanjing, na China. Outros esportes testados
em Nanjing foram abandonados, como a arte marcial chinesa wushu e patinação de
velocidade com patins em linha.
O
sucesso de skate e escalada junto ao público fez com que as modalidades fossem
adotadas nos Jogos de Tóquio 2021. O mesmo teste foi feito com dança break, que
foi testada — e aprovada — nos Jogos Olímpicos da Juventude de 2018 em Buenos
Aires, e agora virarão modalidade em Paris 2024. Em todos os casos, também
houve outro critério que agradou ao COI: o alto número de participantes
mulheres, já que uma das metas da Agenda Olímpica 2020 é ter mais equilíbrio de
gênero no esporte.
Skate
é uma atividade popular em Los Angeles, que sediará as Olimpíadas de 2028. A
Califórnia e Los Angeles são considerados berços do esporte, onde vivem atletas
de ponta, como Tony Hawk, Lance Mountain e Stacy Peralta. Mas a manutenção do
esporte nos Jogos depende das prioridades do comitê organizador local americano
e do próprio COI até lá.
Em
entrevista para a ABC News, o CEO da equipe olímpica de skate dos EUA, Josh
Friedberg, disse que espera que o skate seja mantido em 2028 nos Jogos de Los
Angeles, já que a cidade e seu entorno possuem equipamentos populares, como nas
praias de Santa Monica e Venice.
• Revisões
Mas
mesmo os esportes considerados "permanentes" podem eventualmente
serem retirados das Olimpíadas.
O
COI está constantemente revisando e retirando atividades das Olimpíadas. É o
que aconteceu ao longo dos 125 anos de Jogos Olímpicos com cabo-de-guerra,
críquete, lacrosse, esqui aquático, entre outros.
Dois
esportes introduzidos em Tóquio 2021 — caratê e baseball/softball — não serão
disputados em Paris-2024. Golfe e rúgbi, que foram introduzidos no Rio de
Janeiro, em 2016, serão revisados após Tóquio-2021.
Também
existe a preocupação com o interesse da audiência e com o custo de se construir
estruturas para o esporte.
A
Agenda Olímpica 2020 prioriza o uso de arenas já existentes nas cidades-sede e
tenta minimizar a necessidade de construção de novos aparelhos. Em Paris-2024,
a meta é que 95% das arenas olímpicas usadas nos Jogos sejam já existentes ou
temporárias. Para Los Angeles-2028, não se planeja a construção de nenhum
equipamento esportivo permanente.
Essas
metas afetam a inclusão ou exclusão de esportes olímpicos nos Jogos.
O
baseball e softball, por exemplo, foram excluídos após os Jogos de Pequim 2008,
mas foram retomados em Tóquio 2021 a pedido do comitê organizador japonês —
pois o esporte é muito popular no Japão e o país já possuía estruturas
adequadas para a sua prática. Ambos os esportes não estarão nos Jogos de Paris
de 2024, mas cogita-se que eles voltem em Los Angeles 2028, já que também são
populares nos EUA.
Outros
esportes amplamente praticados pelo mundo nunca foram incluídos por não gerarem
um interesse comercial grande, como sinuca e squash. No caso do squash, houve
um lobby forte da federação para a inclusão do esporte no Rio de Janeiro em
2016, mas ele acabou derrotado pelo golfe.
• Negócio do skate
A
transmissão do skateboarding olímpico na televisão deu ao esporte uma
visibilidade inédita. Por anos, o esporte foi ignorado por emissoras de
televisão, por ser estigmatizado e considerado parte de uma cultura urbana
marginal.
Agora
a postura do COI tem sido exatamente oposta a esse pensamento.
"Queremos
levar esporte para os jovens. Com as muitas opções que os jovens têm, não
podemos mais esperar que eles venham automaticamente até nós. Temos que ir até
eles", disse o presidente do COI, Thomas Bach, quando foram os novos
esportes para Tóquio.
Essa
mudança já vinha acontecendo desde que se acrescentou as provas de ciclismo BMX
em Pequim 2008 e de snowboarding, nos Jogos de Inverno de Nagano, no Japão, em
1998.
Muitas
dessas modalidades que vem recebendo atenção do COI já vinham rendendo bilhões
de dólares a setores privados que investiram neles quando havia pouco interesse
do mainstream. O caso mais emblemático é o da emissora esportiva americana
ESPN, que criou em 1995 o X Games, competição exclusiva para esportes radicais.
Muitos
dos ídolos do skateboarding mundial — incluindo os medalhistas brasileiros —
foram revelados nos X Games.
No
Brasil, a cultura de skate existe há décadas. Brasil e Japão se beneficiaram
que o esporte virou modalidade olímpica justamente em um momento bom da sua
atual geração de competidores. Há alguns anos, o skate competitivo era dominado
por atletas americanos, que foram pioneiros na popularização dos torneios.
Em
Tóquio, foram 80 skatistas homens e mulheres de 25 países competindo em quatro
torneios — nas modalidades park e street.
O
caso do Brasil ilustra como um esporte pode ser impulsionado com as olimpíadas
— com milhões de espectadores parando pela primeira vez na vida para acompanhar
uma competição.
Empresas
de equipamentos esportivos afirmam que a demanda por skates explodiu depois das
medalhas de prata de Rayssa Leal, Pedro Barros e Kelvin Hoefler. Rayssa,
conhecida como Fadinha, ganhou mais de quatro milhões de seguidores no
Instagram ao longo dos Jogos.
Fonte:
BBC Sport

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