quarta-feira, 5 de abril de 2023

Os incríveis aquedutos que podem ajudar a explicar as famosas Linhas de Nazca, no Peru

As Linhas de Nazca, no sul do Peru, são um enigma histórico que há décadas desperta a imaginação e a curiosidade de viajantes, historiadores e arqueólogos.

Hoje, sabe-se que as gigantescas linhas e geoglifos foram obra dos habitantes da cultura nazca, que habitaram a região da cidade de Ica entre os séculos 1 e 7, no deserto costeiro no centro-sul do Peru.

Mas ainda existem muitas incógnitas, que deram origem às mais diversas interpretações. Algumas atribuem a formação das linhas à ação de extraterrestres.

Sabe-se também que nem a cultura nazca nem as linhas fabulosas teriam sido possíveis sem o extraordinário sistema de poços e canais subterrâneos de Nazca.

Esses aquedutos permitiram que os campos de Nazca fossem irrigados e produzissem os alimentos necessários para o florescimento de uma cultura próspera em uma das áreas mais áridas e inóspitas do continente americano.

Eles foram batizados de “olhos de água", devido aos pontos de captação de água dos aquedutos e aos respiradouros em forma de espiral com cerca de sete metros de profundidade que permitem o acesso à água em alguns pontos da rede.

Ana María Cogorno, presidente da Associação María Reiche, diz que "sem água não há vida, então, toda essa cultura única não teria sido possível sem os aquedutos".

Cogorno faz parte de um projeto de conservação dos aquedutos, em colaboração com o Ministério da Cultura do Peru, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e a multinacional peruana de refrigerantes AJE Group. Muitos ainda são usados hoje ​​para fornecer água aos habitantes da região.

·         Os aquedutos de Nazca

Os aquedutos de Nazca são um sistema hídrico surpreendentemente avançado para a época.

Segundo o Ministério da Cultura do Peru, a maioria foi construída entre os anos 300 e 500, entre os períodos conhecidos como Nazca Primitiva e Nazca Média.

Estima-se que eles datem de uma época próxima à da construção das linhas e geoglifos.

É um sistema de galerias filtrantes, com poços, reservatórios e canais (alguns subterrâneos e outros a céu aberto) escavados pelos nazca.

Dessa maneira, foi possível extrair a água do lençol freático sob os terrenos desérticos.

O sistema capta a água por filtração e a conduz por trechos subterrâneos e descobertos até ser armazenada em um reservatório de onde é posteriormente distribuída para lavouras.

Os canais têm uma extensão de mais de 9,5 km e conseguem irrigar mais de 3 mil hectares de terra (o equivalente a cerca de 4,2 mil campos de futebol).

Alberto Martorell, chefe da Diretoria Descentralizada de Cultura de Ica, destaca que eles "foram feitos com a água de infiltração e neve dos Andes, que passava pelo subsolo e, dali, era captada pelos aquedutos de uma área onde não há água na superfície durante a maior parte do ano.

Quem estuda a cultura de Nazca também a admira por seu conhecimento de astronomia e matemática. Os canais são mais um exemplo da sabedoria deste mundo antigo e misterioso.

Martorell indica, no entanto, que, embora a rede tivesse basicamente a finalidade de irrigação, "a proximidade de algumas nascentes com outras sugere que elas também tinham um uso cerimonial".

·         Porque são importantes?

A cultura nazca é uma das ricas civilizações pré-hispânicas, cujo legado enche de orgulho muitos peruanos.

Os historiadores concordam que seu desenvolvimento desempenhou um papel fundamental na evolução humana no território do Peru.

A maioria dos especialistas considera os aquedutos de Nazca uma das criações mais originais desta cultura e uma das mais decisivas para seu desenvolvimento.

O arqueólogo Abdul Yalli destaca que “é um sistema hidráulico único no mundo andino”.

Por isso, é protegido pelo Estado peruano como Bem Cultural da Nação desde 2006, e a Unesco colabora com os esforços de conservação.

A continuidade de seu uso o converteu em uma questão vital para os habitantes da região, além de seu valor histórico e cultural.

Os aquedutos melhor preservados ainda estão em operação, mas outros não foram conservados da mesma maneira.

Yalli explica que “alguns aquedutos estão abandonados e alguns até desapareceram devido à expansão urbana de Ica”.

Yalli foi um dos responsáveis ​​pelo projeto de reabilitação dos aquedutos de Ocongalla e Cantalloc. Em Ocongalla, foram removidos 500 metros de matagal e erguidos 120 metros de muros.

O objetivo é continuar a médio prazo os trabalhos com outros aquedutos e criar um centro de interpretação arqueológica em Ocongalla que ajude a aprofundar o aprendizado do uso racional da água.

Para Cogorno, que se dedica à recuperação do legado da cultura nazca, "as linhas e aquedutos formam uma obra espetacular e, por isso, é um local sagrado, onde se sente o valor de milhares de anos de história e que vale a pena preservar”.

 

Ø  Corredor oculto na Grande Pirâmide de Gizé é visto pela primeira vez

 

Autoridades de antiguidades egípcias dizem ter confirmado a existência de um corredor interno oculto acima da entrada principal da Grande Pirâmide de Gizé.

Imagens de vídeo mostraram o interior do corredor, que tem 9 metros de comprimento e 2,1 metros de largura.

Autoridades dizem que a passagem poderia ter sido criada para redistribuir o peso da pirâmide em torno da entrada ou outra câmara ainda não descoberta.

O corredor foi detectado pela primeira vez em 2016 por meio de uma técnica de imagem chamada muografia.

Uma equipe de cientistas do Projeto ScanPyramids conseguiu identificar as mudanças de densidade dentro da pirâmide ao analisar como ela foi penetrada por múons, que são subprodutos dos raios cósmicos, absorvidos apenas parcialmente pela pedra.

A técnica não invasiva detetou um espaço vazio atrás da face norte da Grande Pirâmide, cerca de sete metros acima da entrada principal, em uma zona onde existe uma estrutura em pedra em chevron.

Outros testes foram realizados com radar e ultrassom antes que um endoscópio de seis milímetros de largura fosse passado por uma pequena junção entre as pedras que compõem os chevrons.

A filmagem foi revelada em uma coletiva de imprensa ao lado da pirâmide na quinta-feira (2/3). As imagens mostram um corredor vazio com paredes feitas de blocos de pedra grosseiramente talhados e um teto de pedra abobadado.

"Vamos continuar nossa varredura para ver o que podemos achar abaixo dele ou no final deste corredor", disse Mostafa Waziri, chefe do Conselho Supremo de Antiguidades do Egito.

A Grande Pirâmide, com 146 metros de altura, foi construída no Planalto de Gizé durante a quarta dinastia pelo faraó Khufu, ou Quéops, que reinou por volta de 2609 a.C. a 2584 a.C..

Apesar de ser um dos maiores e mais antigos monumentos da Terra, não há um consenso sobre como ele foi construído.

O arqueólogo egípcio Zahi Hawass disse que o corredor representava uma "grande descoberta" que "entraria em casas e lares de pessoas de todo o mundo pela primeira vez".

Ele também afirmou que poderia ajudar a revelar se a câmara mortuária do rei Khufu ainda existia dentro da pirâmide.

Ele especulou que poderia haver "algo importante" no espaço abaixo do corredor e acrescentou: "Tenho certeza de que daqui a alguns meses poderemos ver se o que estou dizendo está correto ou não".

Um segundo espaço vazio maior dentro da pirâmide foi detectado usando muografia em 2017.

Estima-se que tenha 30 metros de comprimento, vários metros de altura e esteja localizado diretamente acima da Grande Galeria.

 

Fonte: BBC News Mundo

 

Nenhum comentário: