quarta-feira, 5 de abril de 2023

Pastor que vai penhorar dízimo deve R$ 2,8 milhões em IPTU de mansão

O pastor Valdomiro Santiago, líder da Igreja Mundial do Poder de Deus , fez um acordo judicial com a Prefeitura de Ilhabela para parcelar uma dívida de R$ 2,8 milhões em IPTU atrasado de uma mansão luxuosa no arquipélago.

Segundo a administração municipal afirmou à Justiça que, apesar de o imóvel estar em nome da igreja, a mansão é de uso recreativo (veraneio) e pessoal do Pastor Valdemiro Santiago. Ainda segundo a prefeitura, o patrimônio de Santiago se confunde com o da própria instituição religiosa.

Localizada na avenida José Pacheco do Nascimento, na Praia do Veloso, a mansão tem uma área de mais de 3 mil metros quadrados que conta com três piscinas, ginásio, heliponto e 22 quartos com banheira e televisão.

•        Dívida de IPTU desde 2015

Desde 2015, a prefeitura de Ilhabela tenta receber os valores. No entanto, apesar do acordo, o pagamento da dívida só começou a ser efetuado este ano, após a Justiça determinar a penhora e leilão da área.

Depois da renegociação, a administração municipal solicitou que houvesse a suspensão do processo por um prazo de seis meses a partir de fevereiro. A Justiça acatou o pedido.

De acordo com o documento do processo,  negociação foi feita no dia 14 de fevereiro de 2023 e o primeiro pagamento foi feito no dia 22 do mesmo mês. O acordo prevê que a Igreja Mundial do Poder de Deus pague 60 parcelas de R$ 48.075,95, totalizando R$ 2.884.557,55 à prefeitura da cidade.

•        Penhora do dízimo dos fiéis

O dizímo pago por fiéis da Igreja Mundial da Graça de Deus , em Ubatuba , será penhorado para o pagamento de dívidas da instituição que é liderada pelo pastor Valdemiro Santiago , determinou a Justiça.

Segundo a decisão, cerca de 10% do valor arrecadado pela igreja durante os cultos será 'pehorado' para o pagamento de uma dívida de aproximadamente R$ 70 mil em honorários devidos a um advogado que atuou em um processo de despejo contra o templo.

No processo, a Igreja Mundial do Poder de Deus foi condenada a pagar mais de R$ 880 mil em aluguéis atrasados para uma professora que locou um prédio onde funcionava o templo na cidade.

A instituição foi condenada em, pleo menos, duas instâncias e, agora, a igreja não pode mais recorrer. No entanto, o processo segue em fase de execução, já que não houve o pagamento da dívida.

O valor imposto pela decisão judicial chegou a ser contestado pela igreja, mas o juiz que assumiu o caso rejeitou o pedido. Sem o pagamento, houve, ainda, a determinação para o bloqueio das contas da Igreja, no entanto, não foram encontrados saldos.

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Além dos aluguéis, a igreja, em Ubatuba, foi condenada a pagar os honorários do advogado Cesar Augusto Leite e Prates, que representou a professora no processo.

RELEMBRE O CASO:

<<<< Justiça determina penhora de dízimo para pagar dívidas de igreja

O dizímo pago por fiéis da Igreja Mundial da Graça de Deus , em Ubatuba , será penhorado para o pagamento de dívidas da instituição que é liderada pelo pastor Valdemiro Santiago , determinou a Justiça.

De acordo com a decisão, cerca de 10% do valor arrecadado pela igreja durante os cultos será 'pehorado' para o pagamento de uma dívida de aproximadamente R$ 70 mil em honorários devidos a um advogado que atuou em um processo de despejo contra o templo.

No processo, a Igreja Mundial do Poder de Deus foi condenada a pagar mais de R$ 880 mil em aluguéis atrasados para uma professora que locou um prédio onde funcionava o templo na cidade.

A instituição foi condenada em, pleo menos, duas instâncias e, agora, a igreja não pode mais recorrer. No entanto, o processo segue em fase de execução, já que não houve o pagamento da dívida.

O valor imposto pela decisão judicial chegou a ser contestado pela igreja, mas o juiz que assumiu o caso rejeitou o pedido. Sem o pagamento, houve, ainda, a determinação para o bloqueio das contas da Igreja, no entanto, não foram encontrados saldos.

Além dos aluguéis, a igreja, em Ubatuba, foi condenada a pagar os honorários do advogado Cesar Augusto Leite e Prates, que representou a professora no processo.

 

       John Wycliffe: a história do homem que foi 'torturado depois de morto' por ter traduzido a Bíblia

 

A condenação de John Wycliffe à morte, no início do século 15, ocorreu quando o réu estava morto há 30 anos.

No entanto, mais de dez anos após a condenação, seu corpo seria retirado do túmulo, os restos mortais acabariam queimados e as cinzas jogadas no rio Swift, no centro da Inglaterra.

Foi isso o que aconteceu com esse filósofo e teólogo medieval inglês, a quem se atribui a proposta da primeira tradução completa da Bíblia do latim para a língua inglesa — algo que era completamente proibido pela Igreja.

Essa tradução, hoje conhecida como a Bíblia de Wycliffe, foi apenas uma das muitas questões que o filósofo formulou contra o modus operandi da Igreja Católica. As ideias dele inspiraram um movimento de dissidência considerado herético e lançaram as bases para uma reforma (ou revolução), que ocorreu mais de um século após sua morte.

O argumento de Wycliffe era que "a Igreja que existia no final do século 14 não era um reflexo preciso da Igreja que poderia ser rastreada na Bíblia, nos Evangelhos, nas Epístolas e nos Atos", explicou Anne Hudson, professora emérita de inglês medieval na Universidade de Oxford, no Reino Unido, em um programa da BBC sobre Wycliffe.

Segundo Hudson, o filósofo medieval não era um fundamentalista de forma alguma. Pelo contrário, ele elaborou seu pensamento a partir da discrepância que via entre a riqueza material da Igreja em relação à realidade social da época.

•        O mundo ao redor

No mesmo programa, o filósofo Anthony Kenny, do Balliol College da Universidade de Oxford, lembrou que as primeiras obras e ensinamentos filosóficos de Wycliffe não refletem nada de heterodoxo ou herético — embora já houvesse nessa linha de raciocínio uma tendência que estava começando a definir esse caminho futuro.

"Ele era extraordinariamente realista", descreveu Kenny. "E ele tirou conclusões políticas desse realismo."

Segundo o especialista, o universal era mais importante do que o individual, e os aspectos comuns eram mais valiosos do que as características particulares de uma pessoa.

"Ele caiu então em um comunismo teórico baseado no realismo", diz Kenny.

Wycliffe começou a refletir mais sobre essas ideias e a escrever sobre elas numa época em que não apenas a Igreja passou a ser questionada, mas também a sociedade como um todo era debatida.

"Há um pano de fundo para tudo isso", contextualiza Rob Luton, professor de História Medieval da Universidade de Nottingham, no Reino Unido.

"Há o Papado de Avignon, quando a residência do Papa foi transferida para a França, que levantou muitas questões sobre a autoridade dentro da própria Igreja."

"Assim como a rápida mudança social que ocorreu após a peste negra, que desafiou os modos tradicionais da sociedade e questionou como alguém poderia agir como cristão diante dessas mudanças", acrescenta.

Outro fato marcante deste período foi a Guerra dos 100 anos, que opôs a Inglaterra à França e a presença da autoridade eclesiástica em solo gaulês.

Não fazia sentido para Wycliffe que o reino e a nobreza da Inglaterra tivessem que responder e sustentar financeiramente uma autoridade localizada em território inimigo.

•        Mais radical

Wycliffe chegou até a questionar a doutrina da transubstanciação — a capacidade de transformar o pão e o vinho no corpo e no sangue de Cristo —, que era (e continua a ser) parte fundamental do catolicismo.

O filósofo não negou a presença de Cristo, mas questionou a necessidade do sacramento.

“Isso foi muito importante para o clero, porque esse é um dos maiores poderes que os padres têm. Ao negar a Eucaristia, esse poder seria retirado deles”, enfatiza o professor Kenny.

Um aspecto importante das teorias de Wycliffe é que ele as escrevia em inglês, para que fossem acessíveis e mais pessoas pudessem debatê-las.

Essa, aliás, é a mesma razão pela qual ele insistiu em traduzir a Bíblia: a ideia era reforçar a importância do texto sagrado como autoridade máxima para os cristãos.

•        Legado

E, embora essa versão traduzida da Bíblia tenha sido atribuída a ele, seu nome não aparece no texto

"Devo enfatizar que esse deve ter sido um trabalho colaborativo", aponta Hudson.

Foi, portanto, um processo longo e demorado, considerando que na época a imprensa ainda não havia sido inventada — e hoje se conhecem cerca de 300 exemplares da Bíblia de Wycliffe.

Muitas cópias foram produzidas e distribuídas muito depois da morte de Wycliffe, em 1384, por um exército de seguidores das doutrinas dele, que formaram um movimento conhecido como "Lollars".

Essas ideias conseguiram ganhar força graças à passividade de uma Igreja distraída por problemas internos, num período que chegou a ter até três papas ao mesmo tempo.

De fato, tal foi a influência de Wycliffe sobre outros grandes teólogos — como o tcheco Jan Hus e futuros reformadores — que o filósofo é considerado a "Estrela da Manhã", como um dos precursores da Reforma Protestante.

Porém, a Igreja procurou resolver os problemas em 1414 por meio do Concílio de Constança, algo como uma cúpula de emergência formada para tentar unificar o papado.

E uma das primeiras resoluções do concílio foi atacar aqueles que questionavam a autoridade das lideranças católicas.

Hus foi condenado à morte e imediatamente executado, enquanto Wycliffe foi considerado culpado de heresia. Os "Lollars" começaram a ser perseguidos.

Embora tenha demorado até 1428 para que a sentença contra Wycliffe fosse executada, os restos mortais dele foram exumados, queimados e jogados num rio.

 

Fonte: iG/BBC News Mundo

 

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