Voltou
pior do que era! Relembre quem é Eduardo Cunha, investigado por suspeita de
desvio de emendas
O
ex-deputado federal Eduardo Cunha (Republicanos-MG) voltou ao centro de uma
investigação sobre emendas parlamentares após o ministro Flávio Dino, do
Supremo Tribunal Federal (STF), determinar o bloqueio de R$ 6,15 milhões em
bens do ex-deputado. A apuração identificou ao menos 21 emendas que teriam
usado documentos para ocultar o verdadeiro responsável pelas indicações. O
ex-parlamentar, que exerceu quatro mandatos pelo Rio de Janeiro entre 2003 e
2016, anunciou que pretende disputar uma vaga de deputado federal por Minas
Gerais em 2026.
A
decisão do STF ocorreu em 6 de julho e veio a público neste domingo (12). A
Polícia Federal investiga a atuação de Cunha na destinação de recursos mesmo
sem mandato parlamentar. A defesa afirma que ele não apresentou nem formalizou
qualquer emenda, nega irregularidades e diz que soube do bloqueio pela
imprensa.
O
ministro Flávio Dino registrou na decisão que Cunha teria mencionado uma “cota
informal de valores” voltada a Minas Gerais. A Constituição e as regras
orçamentárias reservam a deputados e senadores em exercício a indicação formal
de emendas parlamentares.
A
investigação aponta que o ex-presidente da Câmara teria usado a atuação da
servidora Mariângela Fialek, conhecida como Tuca, para influenciar o
direcionamento de recursos. A Polícia Federal sustenta que ela ajudava a
organizar e remanejar verbas de acordo com interesses atribuídos a Cunha.
A
apuração integra um desdobramento da Operação Transparência, deflagrada em
dezembro do ano passado. A ação colocou Mariângela Fialek entre os alvos e
buscou esclarecer como agentes políticos e servidores participavam da
distribuição de emendas.
Na
decisão, Dino afirmou que “das pesquisas realizadas, foram identificadas pelo
menos 21 emendas parlamentares, num total de R$ 6,15 milhões, que foram
empenhadas e pagas e que, nesse cenário, foram forjadamente documentadas para
escamotear o verdadeiro solicitante da indicação.”
O
ministro também destacou que Cunha não construiu sua trajetória política em
Minas Gerais. “Pelo contrário, em algumas passagens simboliza manter pouco
apreço pelo Estado e pelos prefeitos com quem mantinha interlocução”, escreveu
Dino.
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Ascensão à presidência da Câmara
Eduardo
Cunha ganhou projeção nacional durante sua passagem pela presidência da Câmara
dos Deputados, cargo que ocupou entre fevereiro de 2015 e julho de 2016. Nesse
período, comandou a pauta da Casa e se tornou um dos principais adversários
políticos do governo de Dilma Rousseff.
Em
dezembro de 2015, Cunha aceitou o pedido de impeachment contra a então
presidente. A decisão abriu o processo que terminou com o afastamento
definitivo de Dilma em agosto de 2016.
A
atuação de Cunha na Câmara marcou um período de forte tensão política. Ele
conduziu votações de grande impacto, ampliou sua influência sobre bancadas e
manteve interlocução com diferentes partidos.
O
ex-deputado construiu sua carreira eleitoral no Rio de Janeiro, estado onde
nasceu. Entre 2003 e 2016, exerceu quatro mandatos consecutivos na Câmara.
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Cassação, prisão e condenação anulada
A
Câmara cassou o mandato de Eduardo Cunha em 2016 por quebra de decoro
parlamentar. A acusação apontou que ele mentiu à CPI da Petrobras ao negar a
titularidade de contas no exterior.
No
mesmo ano, a Justiça decretou sua prisão no contexto da Operação Lava Jato. As
investigações apuraram esquemas de corrupção e lavagem de dinheiro ligados a
contratos e desvios na Petrobras.
Cunha
recebeu condenações por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Ele permaneceu
preso em Curitiba e no Rio de Janeiro.
Em
2023, o STF anulou uma das condenações contra o ex-deputado. A decisão afastou
os efeitos da sentença no processo analisado e alterou sua situação jurídica.
Após a
cassação, Cunha também enfrentou inelegibilidade. A Justiça suspendeu a
resolução que restringia seus direitos políticos após reconhecer vícios no
processo. O ex-deputado sustenta que autoridades obtiveram de forma ilegal os
dados usados para acusá-lo de manter contas ocultas no exterior.
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Tentativa de retorno à Câmara
Eduardo
Cunha disputou uma vaga de deputado federal por São Paulo nas eleições de 2022,
mas não conseguiu se eleger. Ele recebeu 5.044 votos.
A filha
do ex-deputado, Dani Cunha, obteve 75,8 mil votos e conquistou uma cadeira na
Câmara pelo Rio de Janeiro. Atualmente, ela integra o PL.
Em
2026, Cunha anunciou uma nova tentativa de retorno ao Congresso, desta vez por
Minas Gerais. O político afirma que escolheu o estado por considerá-lo uma
“síntese do Brasil”, em razão da diversidade regional e das fronteiras com
outras unidades da Federação.
Em
junho, Cunha se encontrou com o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à
Presidência da República pelo PL, em Belo Horizonte. Flávio concedeu entrevista
à rádio 89 Maravilha, ligada ao ex-presidente da Câmara, e tratou de temas como
carga tributária, empreendedorismo e programas sociais.
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Investigação também alcança Valdemar Costa Neto
A mesma
apuração levou ao bloqueio de R$ 119 milhões ligados a Valdemar Costa Neto,
presidente do PL e ex-deputado federal. A Polícia Federal também investiga a
influência dele na indicação irregular de emendas parlamentares.
No caso
de Cunha, os investigadores afirmam que o ex-deputado usou os serviços de
Mariângela Fialek para direcionar “recursos conforme seus interesses”.
A
defesa da servidora rejeitou essa interpretação e afirmou que ela exercia
atividade técnica na Câmara. Os advogados destacaram sua formação em Direito,
sua experiência em órgãos públicos e sua passagem por diferentes governos.
“MARIANGELA
FIALEK é advogada formada pela PUC/RS e é mestra em Direito do Estado pela
Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo”, afirmou a defesa.
Os
advogados relataram que ela trabalhou no Executivo por quase uma década e
exerceu funções nos governos de Luiz Inácio Lula da Silva, Michel Temer e Jair
Bolsonaro. Também atuou no Senado por dez anos e prestou assessoria jurídica às
lideranças dos governos Lula e Dilma.
Segundo
a nota, Mariângela trabalhava havia cerca de seis anos na Câmara e ocupava um
cargo em comissão no gabinete da Presidência.
“Nessa
condição, era responsável tecnicamente pela organização das emendas
parlamentares, nos exatos termos do que decidido pela Presidência da Casa e por
todos os líderes partidários indistintamente (Colégio de Líderes)”, declarou a
defesa.
Os
advogados também afirmaram: “Sua atuação era estritamente técnica, apartidária
e impessoal, nos exatos termos do que dispõe a LC 210/2024, editada em
cumprimento às decisões do Supremo Tribunal Federal.”
A
defesa acrescentou que os dados usados pela servidora eram públicos e seguiam
para a Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República e para
o Portal da Transparência.
“Finalmente,
importante mencionar que não se atribui à MARIANGELA FIALEK a prática de
nenhuma irregularidade funcional ou criminal. O OBJETIVO da Polícia Federal é
acessar informações relacionadas à função que exerceu na Câmara dos Deputados,
relativas às indicações, por Deputados, de verbas de emendas. Tais informações,
registre-se, hoje já são públicas”, afirmou a nota.
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Defesa de Cunha contesta bloqueio
Os
advogados de Eduardo Cunha disseram que ele não recebeu intimação antes da
decisão e não teve a oportunidade de prestar esclarecimentos.
“A
defesa de Eduardo Cunha tomou conhecimento, pela imprensa, da decisão divulgada
neste domingo e esclarece que, antes da decretação do bloqueio patrimonial, não
havia sido intimado, ouvido ou chamado a prestar qualquer esclarecimento no
âmbito dessa investigação.”
A
defesa ressaltou que Cunha não ocupa mandato parlamentar e, por isso, não
poderia apresentar ou formalizar emendas.
“Eduardo
Cunha não exerce mandato parlamentar e, portanto, não apresentou, subscreveu ou
formalizou nenhuma das emendas mencionadas nas reportagens. Ao contrário.
Conforme pode-se observar, elas foram oficialmente apresentadas e indicadas por
parlamentares, bancadas ou órgãos legitimados, únicos que possuem competência
sobre o processo orçamentário.”
Os
advogados também defenderam a trajetória pública do ex-deputado.
“Eduardo
Cunha sempre pautou sua vida publica pelo compromisso ético e probidade,
respeitando as normas legais, inclusive, enquanto exerceu seu mandato
parlamentar.”
A nota
rejeitou a tese de que contatos políticos equivaleriam a uma atuação
parlamentar clandestina.
“Deste
modo, a defesa rejeita a tentativa de equiparar automaticamente a legítima
interlocução política ao exercício clandestino de mandato parlamentar.”
Os
representantes de Cunha ainda afirmaram que o bloqueio corresponde ao valor
total das emendas sob apuração e não a uma quantia recebida pelo ex-deputado.
“É
igualmente necessário esclarecer que o montante de R$ 6,15 milhões corresponde
ao valor global das emendas questionadas, destinadas a municípios ou outros
beneficiários públicos, e nem mesmo a decisão imputa recebimento de qualquer
vantagem a Eduardo Cunha.”
A
defesa declarou que Cunha “desconhece qualquer irregularidade na tramitação das
emendas” e lembrou que a Procuradoria-Geral da República classificou como
prematuro o bloqueio de suas contas.
“A
defesa buscará acesso integral à investigação a fim de conhecer o contexto
completo dos fatos, exercer o contraditório e impugnar as medidas decretadas.”
As
emendas individuais são indicadas de forma autônoma pelos 513 deputados
federais e pelos 81 senadores. Em 2025, cada integrante do Senado pode destinar
até R$ 68,5 milhões, enquanto cada deputado tem um limite de R$ 37,2 milhões,
conforme dados divulgados pela Agência Senado em 1º de dezembro do ano passado.
Esse
tipo de emenda concentra 49% de todo o montante reservado às emendas
parlamentares. A lei estabelece que 50% desses recursos devem financiar ações e
serviços públicos de saúde.
Os
repasses podem beneficiar estados, o Distrito Federal e municípios. Uma das
modalidades prevê transferência com destinação específica, ligada a programas
ou iniciativas definidos pelo governo federal e formalizada por meio de
instrumento firmado com o ente que recebe os recursos.
Também
existe a transferência especial, chamada de “emenda Pix”. Nesse caso, o valor
entra diretamente em uma conta exclusiva do estado ou do município. Para que o
repasse ocorra, é necessário informar o objeto, o valor e o beneficiário, além
de obter a aprovação antecipada de um plano de trabalho preparado pelo governo
local.
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Emendas de bancada estadual
Deputados
e senadores de cada unidade da Federação definem em conjunto as emendas de
bancada. O Congresso possui 27 bancadas estaduais, formadas por grupos com
números que variam entre 11 e 73 parlamentares.
Essas
emendas, assim como as individuais, têm execução obrigatória. Em 2025, cada
bancada conta, em média, com cerca de R$ 530 milhões. Essa modalidade respondeu
por 28% do total destinado às emendas parlamentares.
Os
recursos geralmente atendem obras e projetos de maior dimensão, selecionados
coletivamente pelos representantes de cada estado.
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Emendas de comissão
As
comissões permanentes do Congresso também podem indicar recursos para programas
e ações públicas. Ao todo, 51 colegiados têm autorização para apresentar
emendas dessa natureza.
Entre
eles, 30 pertencem à Câmara dos Deputados, 16 ao Senado e cinco reúnem
integrantes das duas Casas. O grupo inclui comissões dedicadas a temas como
Constituição e Justiça, Educação, Saúde e Infraestrutura.
Em
2025, cada comissão conseguiu, em média, de R$ 225 milhões. Essa categoria
representou 23% do volume total das emendas e também precisa destinar metade
dos valores à saúde.
Ao
contrário das emendas individuais e das emendas de bancada, as emendas de
comissão têm caráter discricionário. Por isso, o Executivo não tem obrigação de
executá-las, mesmo após a aprovação pelo Congresso.
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Emendas de relator-geral
As
emendas do relator-geral do Orçamento continuam permitidas apenas para corrigir
aspectos técnicos, ajustar a redação e reparar falhas identificadas ao longo da
análise da proposta orçamentária.
Em
2022, o Supremo Tribunal Federal decidiu que esse mecanismo não poderia mais
servir à distribuição de despesas discricionárias. A decisão alcançou o modelo
conhecido como “orçamento secreto”, caracterizado pela dificuldade de
identificar os parlamentares responsáveis pelas indicações.
As
normas sobre emendas passaram por alterações voltadas a ampliar a identificação
dos autores, dos beneficiários e do objetivo dos repasses. As mudanças também
passaram a exigir planos de trabalho e instrumentos de fiscalização sobre o uso
dos recursos públicos.
Fonte:
Brasil 247

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