quarta-feira, 15 de julho de 2026

Beber leite no café da manhã altera a glicose de quem tem diabetes? Nutricionista explica

Para muitas pessoas que convivem com diabetes, o café da manhã costuma começar com uma dúvida: o leite pode fazer a glicose subir? A resposta não é um simples “sim” ou “não”. Ela depende do tipo de leite, da quantidade consumida, da combinação com outros alimentos e, principalmente, das características de cada pessoa.

O tema foi discutido no DiabetesCast pela nutricionista Tarcila Campos, integrante do Departamento de Nutrição da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), que explicou como o leite se comporta no organismo e por que algumas crenças populares não encontram respaldo na ciência.

<><> O leite aumenta a glicose?

Segundo Tarcila, a bebida contém lactose, que é um carboidrato natural e, portanto, pode elevar a glicemia. No entanto, ele também oferece proteínas e, dependendo da versão escolhida, gordura, fatores que modificam a velocidade dessa absorção.

“O leite não é apenas carboidrato. Ele também contém proteína e isso influencia a resposta glicêmica”, explica a nutricionista durante o episódio.

Na prática, isso significa que o impacto na glicose costuma ser diferente daquele observado com alimentos compostos apenas por açúcar ou carboidratos refinados.

<><> Integral, semidesnatado ou desnatado: faz diferença?

Uma das maiores dúvidas é se existe um tipo alimento mais indicado para quem tem diabetes.

De acordo com a especialista, a principal diferença entre o liquido integral, semidesnatado e desnatado está na quantidade de gordura. A quantidade de proteínas e de carboidratos permanece praticamente a mesma.

Isso significa que retirar a gordura não elimina a lactose nem altera de forma importante a quantidade de carboidratos presentes na bebida.

Por outro lado, a gordura pode modificar o comportamento da glicemia.

Segundo Tarcila, refeições com maior teor de gordura costumam retardar o esvaziamento do estômago e podem favorecer uma elevação mais prolongada da glicose horas depois da refeição, especialmente em pessoas que utilizam insulina.

<><> O problema nem sempre está no leite

Outro ponto destacado pela nutricionista é que, muitas vezes, o liquido não é consumido sozinho.

Achocolatados, açúcar, cereais açucarados, mingau de maisena e biscoitos costumam acompanhar a bebida e podem ter um impacto muito maior na glicemia do que o próprio leite.

Por isso, analisar apenas o leite pode levar a conclusões equivocadas sobre o controle da glicose.

<><> Leite sem lactose é melhor para quem tem diabetes?

Essa também é uma dúvida frequente.

Segundo Tarcila Campos, muitas pessoas acreditam que retirar a lactose significa eliminar o açúcar do leite. Mas isso não acontece.

Nos produtos sem lactose, a indústria adiciona a enzima lactase para quebrar a lactose e facilitar sua digestão por pessoas com intolerância. A quantidade de carboidratos permanece praticamente a mesma.

Ou seja, o leite sem lactose não foi desenvolvido para melhorar o controle da glicemia.

<><> Afinal, qual leite é o melhor?

A resposta, segundo a especialista, depende do perfil de cada pessoa.

Quem apresenta excesso de peso, colesterol elevado ou síndrome metabólica pode se beneficiar de versões com menor teor de gordura, como o leite semidesnatado ou desnatado. Já outras pessoas podem consumir o leite integral sem necessidade de restrição, desde que ele faça parte de um planejamento alimentar equilibrado.

“O consumo deve ser individualizado. Não existe um único leite ideal para todas as pessoas com diabetes”, resume Tarcila.

<><> A bebida com lactose provoca diabetes ou causa inflamação?

Nos últimos anos, essa afirmação ganhou força nas redes sociais, mas a nutricionista afirma que as evidências científicas não sustentam essa recomendação.

Segundo ela, atualmente não existem estudos com nível de evidência suficiente para recomendar que pessoas com diabetes retirem o leite da alimentação apenas por acreditar que ele seja inflamatório ou que piore a doença.

Ao contrário, pesquisas apontam benefícios do consumo de leite e derivados, especialmente os fermentados, dentro de uma alimentação equilibrada. Esses alimentos fornecem cálcio, proteínas e podem contribuir para a saúde da microbiota intestinal.

<><> O café da manhã continua sendo importante

Para quem vive com diabetes, especialistas reforçam que o mais importante não é excluir alimentos isoladamente, mas observar o conjunto da refeição.

Combinar leite com alimentos ricos em fibras, proteínas e gorduras saudáveis pode ajudar a tornar a resposta glicêmica mais estável. Além disso, pessoas que utilizam sensores de glicose conseguem identificar como seu próprio organismo responde a diferentes combinações alimentares.

<><> O que dizem as diretrizes

As Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes e os Padrões de Cuidados da American Diabetes Association (ADA) recomendam que a alimentação seja individualizada, considerando preferências, objetivos metabólicos, perfil clínico e risco cardiovascular. Nenhuma das entidades orienta retirar o leite da alimentação de rotina apenas pelo diagnóstico de diabetes.

A recomendação é priorizar alimentos in natura ou minimamente processados, controlar o consumo de gorduras saturadas quando indicado e manter uma alimentação equilibrada.

•        Pré-diabetes: fruta ou suco? Nutricionista explica qual opção ajuda mais no controle da glicose

Diabetes ou pré-diabetes exigem cuidados com a alimentação, mas isso não significa retirar as frutas do cardápio. Uma das dúvidas mais frequentes entre quem recebeu o diagnóstico é se a fruta inteira realmente é melhor do que o suco. Segundo a nutricionista e educadora em diabetes Tarcila Campos, a resposta depende principalmente da forma de consumo, da quantidade e da combinação dos alimentos.

Muitas pessoas passam a consumir mais frutas por acreditarem que, por serem naturais, elas não interferem na glicose. Outras fazem o caminho contrário e deixam de comer frutas por medo do açúcar presente nesses alimentos. Para a especialista, nenhum desses extremos representa a melhor estratégia para quem busca controlar a glicemia.

<><> Frutas não são proibidas para quem tem pré-diabetes

Segundo Tarcila Campos, todas as frutas contêm frutose, que é o açúcar natural presente nesses alimentos. Depois da digestão, essa frutose também contribui para o aumento da glicose no sangue. No entanto, isso não significa que exista fruta proibida para pessoas com diabetes ou pré-diabetes.

A nutricionista explica que o fator mais importante é a quantidade consumida. Por isso, classificar uma fruta como “boa” e outra como “ruim” pode levar a escolhas equivocadas.

Ela lembra que manga, banana, uva, melancia, laranja e outras frutas possuem frutose. O impacto na glicemia depende principalmente da porção ingerida e não apenas do tipo da fruta.

<><> Fruta inteira costuma ser melhor do que o suco

De acordo com Tarcila Campos, a fruta inteira normalmente representa uma escolha mais favorável para quem tem pré-diabetes ou diabetes porque mantém as fibras naturais do alimento.

As fibras ajudam a tornar a absorção dos carboidratos mais lenta. Além disso, mastigar a fruta também participa desse processo digestivo.

Quando a fruta é transformada em suco, parte dessa estrutura se perde. Como resultado, a absorção dos carboidratos acontece de forma mais rápida e pode favorecer um aumento maior da glicose após a ingestão.

<><> Mesmo o suco integral merece atenção

Uma dúvida comum envolve os sucos integrais, que não recebem açúcar adicionado.

Segundo a nutricionista, eles continuam sendo opções melhores do que bebidas açucaradas. No entanto, isso não significa que possam ser consumidos sem atenção à quantidade.

Ela explica que um copo de 200 ml de suco integral de uva pode conter cerca de 30 gramas de carboidratos naturais da fruta. Embora esses carboidratos tenham origem diferente do açúcar presente em refrigerantes, a quantidade continua sendo suficiente para elevar a glicose, principalmente em pessoas com resistência à insulina, pré-diabetes ou diabetes.

Por esse motivo, Tarcila orienta priorizar a fruta inteira sempre que possível. Quando o consumo do suco fizer parte da alimentação, uma alternativa é diluí-lo para reduzir a concentração de carboidratos por porção.

<><> A quantidade faz mais diferença do que a fruta escolhida

Outro ponto destacado durante a entrevista é que o excesso costuma ser o principal problema.

Segundo a nutricionista, muitas pessoas reduzem outros alimentos ricos em carboidratos e passam a consumir frutas em grandes quantidades durante o dia. Essa mudança pode aumentar a ingestão total de carboidratos sem que a pessoa perceba.

Como referência prática, Tarcila afirma que uma porção equivalente aproximadamente ao tamanho da palma da mão pode servir como orientação para a maioria das pessoas. Ainda assim, ela reforça que cada caso deve ser avaliado de forma individualizada.

 

Fonte: Um Diabético

 

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