Beber
leite no café da manhã altera a glicose de quem tem diabetes? Nutricionista
explica
Para
muitas pessoas que convivem com diabetes, o café da manhã costuma começar com
uma dúvida: o leite pode fazer a glicose subir? A resposta não é um simples
“sim” ou “não”. Ela depende do tipo de leite, da quantidade consumida, da
combinação com outros alimentos e, principalmente, das características de cada
pessoa.
O tema
foi discutido no DiabetesCast pela nutricionista Tarcila Campos, integrante do
Departamento de Nutrição da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), que
explicou como o leite se comporta no organismo e por que algumas crenças
populares não encontram respaldo na ciência.
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O leite aumenta a glicose?
Segundo
Tarcila, a bebida contém lactose, que é um carboidrato natural e, portanto,
pode elevar a glicemia. No entanto, ele também oferece proteínas e, dependendo
da versão escolhida, gordura, fatores que modificam a velocidade dessa
absorção.
“O
leite não é apenas carboidrato. Ele também contém proteína e isso influencia a
resposta glicêmica”, explica a nutricionista durante o episódio.
Na
prática, isso significa que o impacto na glicose costuma ser diferente daquele
observado com alimentos compostos apenas por açúcar ou carboidratos refinados.
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Integral, semidesnatado ou desnatado: faz diferença?
Uma das
maiores dúvidas é se existe um tipo alimento mais indicado para quem tem
diabetes.
De
acordo com a especialista, a principal diferença entre o liquido integral,
semidesnatado e desnatado está na quantidade de gordura. A quantidade de
proteínas e de carboidratos permanece praticamente a mesma.
Isso
significa que retirar a gordura não elimina a lactose nem altera de forma
importante a quantidade de carboidratos presentes na bebida.
Por
outro lado, a gordura pode modificar o comportamento da glicemia.
Segundo
Tarcila, refeições com maior teor de gordura costumam retardar o esvaziamento
do estômago e podem favorecer uma elevação mais prolongada da glicose horas
depois da refeição, especialmente em pessoas que utilizam insulina.
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O problema nem sempre está no leite
Outro
ponto destacado pela nutricionista é que, muitas vezes, o liquido não é
consumido sozinho.
Achocolatados,
açúcar, cereais açucarados, mingau de maisena e biscoitos costumam acompanhar a
bebida e podem ter um impacto muito maior na glicemia do que o próprio leite.
Por
isso, analisar apenas o leite pode levar a conclusões equivocadas sobre o
controle da glicose.
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Leite sem lactose é melhor para quem tem diabetes?
Essa
também é uma dúvida frequente.
Segundo
Tarcila Campos, muitas pessoas acreditam que retirar a lactose significa
eliminar o açúcar do leite. Mas isso não acontece.
Nos
produtos sem lactose, a indústria adiciona a enzima lactase para quebrar a
lactose e facilitar sua digestão por pessoas com intolerância. A quantidade de
carboidratos permanece praticamente a mesma.
Ou
seja, o leite sem lactose não foi desenvolvido para melhorar o controle da
glicemia.
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Afinal, qual leite é o melhor?
A
resposta, segundo a especialista, depende do perfil de cada pessoa.
Quem
apresenta excesso de peso, colesterol elevado ou síndrome metabólica pode se
beneficiar de versões com menor teor de gordura, como o leite semidesnatado ou
desnatado. Já outras pessoas podem consumir o leite integral sem necessidade de
restrição, desde que ele faça parte de um planejamento alimentar equilibrado.
“O
consumo deve ser individualizado. Não existe um único leite ideal para todas as
pessoas com diabetes”, resume Tarcila.
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A bebida com lactose provoca diabetes ou causa inflamação?
Nos
últimos anos, essa afirmação ganhou força nas redes sociais, mas a
nutricionista afirma que as evidências científicas não sustentam essa
recomendação.
Segundo
ela, atualmente não existem estudos com nível de evidência suficiente para
recomendar que pessoas com diabetes retirem o leite da alimentação apenas por
acreditar que ele seja inflamatório ou que piore a doença.
Ao
contrário, pesquisas apontam benefícios do consumo de leite e derivados,
especialmente os fermentados, dentro de uma alimentação equilibrada. Esses
alimentos fornecem cálcio, proteínas e podem contribuir para a saúde da
microbiota intestinal.
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O café da manhã continua sendo importante
Para
quem vive com diabetes, especialistas reforçam que o mais importante não é
excluir alimentos isoladamente, mas observar o conjunto da refeição.
Combinar
leite com alimentos ricos em fibras, proteínas e gorduras saudáveis pode ajudar
a tornar a resposta glicêmica mais estável. Além disso, pessoas que utilizam
sensores de glicose conseguem identificar como seu próprio organismo responde a
diferentes combinações alimentares.
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O que dizem as diretrizes
As
Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes e os Padrões de Cuidados da
American Diabetes Association (ADA) recomendam que a alimentação seja
individualizada, considerando preferências, objetivos metabólicos, perfil
clínico e risco cardiovascular. Nenhuma das entidades orienta retirar o leite
da alimentação de rotina apenas pelo diagnóstico de diabetes.
A
recomendação é priorizar alimentos in natura ou minimamente processados,
controlar o consumo de gorduras saturadas quando indicado e manter uma
alimentação equilibrada.
• Pré-diabetes: fruta ou suco?
Nutricionista explica qual opção ajuda mais no controle da glicose
Diabetes
ou pré-diabetes exigem cuidados com a alimentação, mas isso não significa
retirar as frutas do cardápio. Uma das dúvidas mais frequentes entre quem
recebeu o diagnóstico é se a fruta inteira realmente é melhor do que o suco.
Segundo a nutricionista e educadora em diabetes Tarcila Campos, a resposta
depende principalmente da forma de consumo, da quantidade e da combinação dos
alimentos.
Muitas
pessoas passam a consumir mais frutas por acreditarem que, por serem naturais,
elas não interferem na glicose. Outras fazem o caminho contrário e deixam de
comer frutas por medo do açúcar presente nesses alimentos. Para a especialista,
nenhum desses extremos representa a melhor estratégia para quem busca controlar
a glicemia.
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Frutas não são proibidas para quem tem pré-diabetes
Segundo
Tarcila Campos, todas as frutas contêm frutose, que é o açúcar natural presente
nesses alimentos. Depois da digestão, essa frutose também contribui para o
aumento da glicose no sangue. No entanto, isso não significa que exista fruta
proibida para pessoas com diabetes ou pré-diabetes.
A
nutricionista explica que o fator mais importante é a quantidade consumida. Por
isso, classificar uma fruta como “boa” e outra como “ruim” pode levar a
escolhas equivocadas.
Ela
lembra que manga, banana, uva, melancia, laranja e outras frutas possuem
frutose. O impacto na glicemia depende principalmente da porção ingerida e não
apenas do tipo da fruta.
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Fruta inteira costuma ser melhor do que o suco
De
acordo com Tarcila Campos, a fruta inteira normalmente representa uma escolha
mais favorável para quem tem pré-diabetes ou diabetes porque mantém as fibras
naturais do alimento.
As
fibras ajudam a tornar a absorção dos carboidratos mais lenta. Além disso,
mastigar a fruta também participa desse processo digestivo.
Quando
a fruta é transformada em suco, parte dessa estrutura se perde. Como resultado,
a absorção dos carboidratos acontece de forma mais rápida e pode favorecer um
aumento maior da glicose após a ingestão.
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Mesmo o suco integral merece atenção
Uma
dúvida comum envolve os sucos integrais, que não recebem açúcar adicionado.
Segundo
a nutricionista, eles continuam sendo opções melhores do que bebidas
açucaradas. No entanto, isso não significa que possam ser consumidos sem
atenção à quantidade.
Ela
explica que um copo de 200 ml de suco integral de uva pode conter cerca de 30
gramas de carboidratos naturais da fruta. Embora esses carboidratos tenham
origem diferente do açúcar presente em refrigerantes, a quantidade continua
sendo suficiente para elevar a glicose, principalmente em pessoas com
resistência à insulina, pré-diabetes ou diabetes.
Por
esse motivo, Tarcila orienta priorizar a fruta inteira sempre que possível.
Quando o consumo do suco fizer parte da alimentação, uma alternativa é diluí-lo
para reduzir a concentração de carboidratos por porção.
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A quantidade faz mais diferença do que a fruta escolhida
Outro
ponto destacado durante a entrevista é que o excesso costuma ser o principal
problema.
Segundo
a nutricionista, muitas pessoas reduzem outros alimentos ricos em carboidratos
e passam a consumir frutas em grandes quantidades durante o dia. Essa mudança
pode aumentar a ingestão total de carboidratos sem que a pessoa perceba.
Como
referência prática, Tarcila afirma que uma porção equivalente aproximadamente
ao tamanho da palma da mão pode servir como orientação para a maioria das
pessoas. Ainda assim, ela reforça que cada caso deve ser avaliado de forma
individualizada.
Fonte:
Um Diabético

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