Apoio
de Javier Milei a Flávio Bolsonaro com sua visita ao Brasil 'é arriscado',
alerta analista
Milei
vai visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro, que está em prisão domiciliar, e
apoiar a candidatura de Flávio, no Brasil, em uma viagem que também inclui as
posses de Keiko Fujimori no Peru e de Abelardo de la Espriella na Colômbia.
"Participar de campanha sendo presidente de outro país é arriscado",
disse um especialista à Sputnik.
O presidente argentino Javier Milei
está intensificando a construção de alianças ideológicas em nível
regional: ele apoiará a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no
Brasil, comparecerá às posses de Keiko Fujimori no Peru e de Abelardo de la
Espriella na Colômbia e se reunirá com Daniel Noboa no Equador para avançar nos
acordos bilaterais pendentes entre os dois países.
A
parada mais significativa
será no Brasil,
em 25 de julho. Milei visitará São Paulo para a proclamação do filho de
Bolsonaro como candidato à presidência — que terá como principal adversário o
presidente Luiz Inácio Lula da Silva — e, em seguida, viajará para
Brasília para visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro (2019-2023), que está em
prisão domiciliar humanitária (em razão de problemas de saúde) após ser
condenado a 27 anos de prisão por seu papel na tentativa de golpe que se seguiu
à sua derrota eleitoral em
2022.
A visita
ocorre em um momento crucial de sua situação jurídica. O ministro do Supremo
Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, prorrogou
indefinidamente sua
prisão domiciliar por razões humanitárias uma semana antes de Milei confirmar a
viagem.
Flávio
Bolsonaro disputará as eleições de 4 de outubro em um cenário político
altamente polarizado. As pesquisas mais recentes mostram uma ascensão do líder
do Partido dos Trabalhadores (PT), que tem uma vantagem de cinco a dez pontos
percentuais em um possível segundo turno. Nesse contexto, o presidente
argentino busca demonstrar apoio ao candidato ao Palácio do Planalto.
O
anúncio gerou uma reação imediata do governo brasileiro. O secretário-geral
da Presidência, Guilherme Boulos, publicou uma crítica direta nas redes
sociais: "Ótima notícia! Javier Milei anunciou que virá ao Brasil
para participar da
campanha de
Flávio Bolsonaro. Ele é o presidente mais impopular da América Latina. O
que ele pensa que tem para ensinar ao povo brasileiro?"
A
medida acarreta um custo diplomático potencialmente alto. O Brasil é o
principal parceiro comercial da Argentina, e a coordenação bilateral é
fundamental para setores como o automotivo e o energético. Uma possível mudança de
governo em
Brasília alteraria o cenário do Mercosul, mas, até lá, a relação com Lula
acumula tensões sem um canal institucional ativo entre os dois presidentes.
A
ligação de Milei com os Bolsonaro vai além do calendário eleitoral. Em junho, o
presidente argentino faltou à cúpula do Mercosul para evitar um confronto com
Lula da Silva, poucas horas depois de receber Flávio Bolsonaro na residência
presidencial Quinta de Olivos. O Ministério das Relações Exteriores da
Argentina minimizou a visita à prisão, lembrando que Alberto Fernández
(2019-2023) visitou Lula quando Bolsonaro era presidente do Brasil.
A
agenda continua em 28 de julho, quando Milei viaja a Lima para a posse de Keiko
Fujimori como presidente do Peru. Após sua vitória no segundo turno, confirmada no dia 3
de julho,
o argentino foi um dos primeiros chefes de Estado a parabenizá-la e
conversou com ela no mesmo dia para anunciar uma "nova etapa" nas
relações entre os dois países.
A
próxima parada será o Equador, onde Milei se reunirá com o presidente Daniel
Noboa para avançar nos acordos de
cooperação em
comércio, segurança e investimento que estão pendentes desde a visita de Noboa
a Buenos Aires em agosto de 2015. Em seguida, em 7 de agosto, ele chegará
a Bogotá para a posse de Abelardo de la Espriella, após sua vitória nas
eleições colombianas.
O
renovado ativismo regional de Milei é uma resposta a um contexto favorável. Nos
últimos meses, os candidatos que ele apoiou publicamente venceram as eleições
no Chile, Bolívia, Peru e Colômbia. Pessoas próximas a ele acreditam que esse
ciclo eleitoral pode se estender ao Brasil caso Flávio Bolsonaro vença em
outubro, completando uma coalizão de aliados que incluiria os quatro maiores
países da América do Sul, além do Equador.
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Uma jogada arriscada?
"É
evidente que Milei decidiu se aproximar e conviver com essas forças
conservadoras", disse Oscar Laborde, analista internacional e diretor do
Instituto de Estudos Latino-Americanos (IDEAL), à Sputnik. "Participar de
uma campanha eleitoral enquanto se é presidente de outro país é arriscado. Além
disso, o líder desse outro
país é
seu adversário", alertou.
Laborde
questionou a ideia de qualquer coordenação real entre governos com ideologias
semelhantes. "Não há qualquer ideia de coordenação entre si; em vez disso,
todos se coordenam radialmente com os Estados Unidos", argumentou. A
esse respeito, acrescentou: "Não vejo essa
harmonização acontecendo
na América Latina, nem vejo uma agenda compartilhada além da afinidade com
Washington".
Para
Laborde, o que prevalece é a insatisfação dos cidadãos com os governos,
independentemente de suas inclinações
políticas.
"A constante é que existe insatisfação pública com os governos, e é isso
que leva as pessoas a votarem na oposição", afirmou.
"Nas
últimas dez eleições, a direita venceu oito. Mas, em ambos os casos, a oposição
venceu por uma grande margem: não foi o progressismo ou a direita que venceu,
mas sim o partido que não estava no poder", destacou. "Houve sucessos
para a direita, mas eles são mais atribuíveis à vitória da oposição do que a
uma afinidade ideológica comum", esclareceu.
Consultado
por esta publicação, o analista internacional Juan Venturino considerou que o
roteiro responde a uma estratégia de posicionamento. "Dessa
forma, Milei emerge como o principal expoente desse espaço político: ele
era um político desconhecido antes de se tornar presidente, vence a eleição,
e isso o transforma em um caso de
sucesso e uma surpresa para o mundo", enfatizou.
Venturino
alertou que esse papel tem limites. "A forma como a ideologia libertária é
apresentada é muito maniqueísta, a ponto de ter gerado reclamações de diversas
embaixadas por não simpatizar com certas ideias políticas", lembrou.
¨ Brasil, o voto que
define a região
Laborde
ofereceu uma perspectiva de longo prazo sobre o ciclo político. "Entre
2019 e 2023, houve uma onda
progressista:
venceu no México, Uruguai, Brasil, Argentina, Chile, Bolívia e Peru. No
entanto, não foi irreversível", observou. "Agora há vitórias da
direita, mas não acho que este seja um ciclo definitivo", alertou.
Para o
especialista, o que caracteriza a região é a alternância constante. "A
característica definidora desta etapa é a luta, não a hegemonia de um único
grupo político. O vencedor perde e o perdedor vence", afirmou. "Isso
tem sido uma constante na política latino-americana há mais de uma
década", enfatizou.
O
especialista apontou que o fator determinante em cada eleição é a rejeição ao
governo vigente. "Quem vence é de direita, mas eram da oposição. Quem
venceu antes era progressista, mas também estava na oposição. O que prevalece é
a insatisfação", observou. "Isso tem sido uma constante na política
latino-americana nos últimos anos", acrescentou.
Venturino
concordou que o resultado em Brasília será decisivo. "O Brasil tem uma
perspectiva muito particular: disse aos Estados Unidos que tinha uma agenda
diferente, que estava comprometido com o
BRICS e
que não iria recuar. Foi o Brasil que disse 'não' a Washington quando este
tentou impor sua agenda à região", observou.
Segundo
o especialista, as plataformas digitais serão fundamentais na disputa.
"Com muito dinheiro investido em mídias sociais, elas influenciaram pelo
menos uma parcela do
eleitorado,
e são esses eleitores que, no fim das contas, ganham uma eleição. Já vimos isso
em outras eleições na região", alertou.
¨ Trump manda Milei ao
Brasil para apoiar fascismo bolsonarista. Por César Fonseca
Javier
Milei, presidente argentino, vem ao Brasil no próximo dia 25, data da Convenção
Nacional do PL, a ser realizada em São Paulo, para apoiar o lançamento da
candidatura do senador Flávio Bolsonaro à presidência da República.
No
mesmo dia, segue para Brasília, onde encontra com o ex-presidente Jair
Bolsonaro, em prisão domiciliar, cumprindo pena de 27,3 anos de detenção por
ter tentado dar golpe de Estado contra democracia brasileira.
A
estratégia do presidente argentino, que é a mesma do bolsonarismo tupiniqueim,
isto é, vender de graça a soberania nacional para os Estados Unidos, em total
rendição ao imperialismo, sintoniza-se com a do seu maior aliado, o presidente
americano Donald Trump, em cruzada imperial de ultra direita fascista, na
América Latina.
É a
forma imperial de dar cumprimento a sua Doutrina “Donroe”, cujo objetivo é o de
virar muralha norte-americana contra as pretensões de expansão econômica da
China no continente sul-americano.
Trump,
desse modo, procura quebrar a espinha dorsal do BRICS, no qual o peso do
Brasil, como país continente, é decisivo, anulando a geopolítica chinesa
pró-latinoamericana, enquanto segue seu projeto neocolonial de ocupar o espaço
territorial, ampliando exploração das terras raras e do petróleo continental.
Nesse
sentido, segue firme a parceria dos capitais petrolíferos e das big techs
na região.
A
primeira ocorre entre petroleiras americanas, que já influem, decisivamente, na
dominação sobre a Venezuela, na intenção de transformá-la em protetorado
americano, bem como expansão da influência de Washington, no destino da
Petrobrás.
A
estatal petroleira nacional, atualmente, sob pressão dominante de acionistas
privados multinacionais, volta-se à intensificação das concessões de exploração
da bacia petrolífera nacional, pelo capital internacional.
Ao
mesmo tempo, amplia-se, conjuntamente, sob coordenação de Washington, a ação
das big techs, americanas, no campo da Inteligência Artificial, para exploração
das terras raras.
ESTRATÉGIA
NEOCOLONIAL NA AMÉRICA DO SUL
Trata-se
de objetivar o jogo estratégico da gigante da IA, Palantir, a partir de Buenos
Aires, sob comando do seu gestor maior, amigo de Trump, Peter Thiel, onde
adquiriu um palacete de 12 milhões de dólares, para atuar ao lado do presidente
Miley.
Todo o
esforço, nessa linha, ganha maior dimensão, caso Washington, sob domínio do
imperador da Casa Branca, conseguir interferir nas eleições, no Brasil, em
outubro, revertendo seu resultado em favor do Bolsonarismo fascista, como acaba
de acontecer, no Peru, com eleição de Keiko Fujimori, e na Colômbia, com
vitória do superfascista Spriela, este com ajuda dos órgãos de inteligência de
Israel, segundo denuncia do derrotado presidente Gustavo Petros.
Os
governos de ultradireita, que já dominam o subcontinente, na Argentina, no
Chile, na Bolívia, no Peru, na Colômbia, no Equador, estendendo-se, na América
Central, a El Salvador etc, são as bases de dominação política dos Estados
Unidos.
Aí
instalados, darão sequência à cruzado neocolonial continental, tentando colocar
de joelhos a esquerda liberal, cujo projeto econômico tem se alinhado ao
neoliberalismo, favorável aos interesses americanos, desde o Consenso de
Washington, nos anos de 1990.
O
modelo neoliberal washingtoniano para a América Latina está a todo o vapor por
meio de políticas monetárias ultra-restritivas, anti-desenvolvimentistas, que
já estão sendo praticadas, prometendo ser ainda mais ampliadas, por meio dos
bancos centrais, alinhados à estratégia do FED americano.
No
Brasil, por exemplo, está já previsto para entrar em funcionamento, a partir de
de 1º de outubro, Resolução BCB nº 575 do Banco Central, que promove uma
abertura cambial irrestrita, objetivando facilitar dolarização e
internacionalização da economia, segundo o economista Paulo Kliass,
especialista doutorado em gestão pública.
A norma
autoriza empresas e exportadores a manterem recursos em moeda estrangeira e
converterem reais sem necessidade de controle pela autoridade monetária.
LIVRE-CAMBISMO
X SOBERANIA NACIONAL EM DISPUTA ELEITORAL
Na
prática, o livre-cambismo entra em cena, para facilitar a ação do capital
internacional na economia brasileira, dolarizando-a, para facilitar a ação das
multinacionais, nessa nova fase da exploração colonial pretendida por Trump, na
exploração do petróleo e das terras raras.
Os
governos de ultradireita têm papel fundamental a desempenhar nesse novo ciclo
de neocolonização americana, favorecido, por sua vez, por meio de estratégia
econômica, amplamente,dominada pela restrição fiscal, cujo fim último é o de
intensificar, como tem acontecido, a financeirização econômica neoliberal.
A
salvação nacional, nesse contexto de entreguismo programado pelos aliados
políticos do trumpismo, comandados, no Brasil, pelo bolsonarismo fascista,
seria a vitória lulista, em outubro, com a bandeira da soberania nacional,
amplamente atacada por Flávio Bolsonaro.
Etapa
decisiva dessa luta está sendo a resistência nacionalista do presidente Lula ao
protecionismo trumpista, que joga com o tarifaço de até 37,5% sobre as
exportações brasileiras, algo em processo de decisão para ser concluído até
final deste mês.
Assim,
a luta eleitoral se dará, essencialmente, entre entreguismo pró-Washington,
abraçado pelos bolsonaristas, e o lulismo, alinhado ao nacionalismo.
Indiscutivelmente,
a democracia brasileira está sob intenso ataque imperialista trumpista.
¨
O calcanhar de Aquiles de Flávio é o Rio de Janeiro. Por
Alberto Cantalice
Segundo
a lenda do guerreiro Aquiles, sua mãe o banhara nas águas mágicas do
rio Estige para torná-lo imortal. Porém, ao segurá-lo pelos
calcanhares, essa parte do corpo ficou vulnerável. Essa vulnerabilidade o levou
à morte, atingido por uma flecha envenenada nessa região.
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A
mitologia de Aquiles nos permite ajudar a desvendar os escaninhos da família do
“mito”, cujo herdeiro primogênito se aventura na disputa presidencial de 2026.
As ligações da família com ilícitos já eram por demais sabidas, bem como a
transformação do empresário de chocolates em milionário detentor de vultuoso
patrimônio imobiliário. Os recorrentes episódios das “rachadinhas”, uma prática
familiar, acabaram se tornando um fato alegórico diante da escalada criminosa
do chefe do clã, hoje preso por tentativa de golpe de Estado.
O
pedido de 135 milhões de Flávio Bolsonaro a Vorcaro, a pretexto do filme
“Dark Horse”, é só um exemplo da voracidade por dinheiro que compõe o modo
de vida da família. Entretanto, é no Rio de Janeiro, terra dos Bolsonaros,
que se encontram as entranhas criminosas que podem levar à inviabilização de
seu projeto de poder.
Desde a
prisão do ex-presidente da Alerj, Rodrigo Bacelar, e a renúncia do governador
Cláudio Castro, seguida da inviabilização do “golpe parlamentar” que indicaria
como sucessor o deputado Douglas Ruas, em claro desvio de finalidade e
rechaçado pelo STF, o caldo começou a entornar.
O
desmonte dos esquemas nas secretarias estaduais comandadas por deputados da
base governista, principalmente do PL, promovido pelo governador em exercício
Ricardo Couto, e as operações realizadas pela Polícia Federal mirando Castro e
seu entorno tiraram o MP-RJ da letargia em que viveu nos últimos anos, em
omissão diante dos desmandos da gestão vigente. O órgão passou, talvez para
fugir do constrangimento, a atuar nas investigações.
É óbvio
e cristalino que todos os investigados nas falcatruas
que dilapidaram o Rio de Janeiro, principalmente os políticos, têm
vinculações estreitas com Flávio Bolsonaro. Abundam nas redes sociais vídeos e
fotos dos Bolsonaros, principalmente de Flávio, com todos os incriminados.
O que já demonstra sua predileção por determinadas companhias.
Só uma
investigação enviesada ou a condescendência da grande imprensa não teriam a
capacidade de encontrar o liame entre os crimes, seus autores e beneficiários
diretos e indiretos. Dado o tamanho da ruína que se abateu sobre o Rio de
Janeiro, o caso da mansão em Brasília e até o caso Vorcaro,
“Dark Horse”, passam a ser “fichinha” no linguajar da cobertura
policial.
No
entanto, no mundo das novas comunicações, em que basta uma postagem verdadeira
para que ganhe o mundo, nada mais escapa.
Há que
se destacar que a contaminação da candidatura de Flávio Bolsonaro por seus
próprios erros tende a afetar os palanques estaduais da extrema direita,
produzindo um novo rearranjo no quadro político brasileiro.
A
verdade pode demorar, mas chega. O crime efetivamente não compensa.
Fonte:
Sputnik Brasil/Brasil 247

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