quarta-feira, 15 de julho de 2026

Apoio de Javier Milei a Flávio Bolsonaro com sua visita ao Brasil 'é arriscado', alerta analista

Milei vai visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro, que está em prisão domiciliar, e apoiar a candidatura de Flávio, no Brasil, em uma viagem que também inclui as posses de Keiko Fujimori no Peru e de Abelardo de la Espriella na Colômbia. "Participar de campanha sendo presidente de outro país é arriscado", disse um especialista à Sputnik.

O presidente argentino Javier Milei está intensificando a construção de alianças ideológicas em nível regional: ele apoiará a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no Brasil, comparecerá às posses de Keiko Fujimori no Peru e de Abelardo de la Espriella na Colômbia e se reunirá com Daniel Noboa no Equador para avançar nos acordos bilaterais pendentes entre os dois países.

A parada mais significativa será no Brasil, em 25 de julho. Milei visitará São Paulo para a proclamação do filho de Bolsonaro como candidato à presidência — que terá como principal adversário o presidente Luiz Inácio Lula da Silva — e, em seguida, viajará para Brasília para visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro (2019-2023), que está em prisão domiciliar humanitária (em razão de problemas de saúde) após ser condenado a 27 anos de prisão por seu papel na tentativa de golpe que se seguiu à sua derrota eleitoral em 2022.

A visita ocorre em um momento crucial de sua situação jurídica. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, prorrogou indefinidamente sua prisão domiciliar por razões humanitárias uma semana antes de Milei confirmar a viagem.

Flávio Bolsonaro disputará as eleições de 4 de outubro em um cenário político altamente polarizado. As pesquisas mais recentes mostram uma ascensão do líder do Partido dos Trabalhadores (PT), que tem uma vantagem de cinco a dez pontos percentuais em um possível segundo turno. Nesse contexto, o presidente argentino busca demonstrar apoio ao candidato ao Palácio do Planalto.

O anúncio gerou uma reação imediata do governo brasileiro. O secretário-geral da Presidência, Guilherme Boulos, publicou uma crítica direta nas redes sociais: "Ótima notícia! Javier Milei anunciou que virá ao Brasil para participar da campanha de Flávio Bolsonaro. Ele é o presidente mais impopular da América Latina. O que ele pensa que tem para ensinar ao povo brasileiro?"

A medida acarreta um custo diplomático potencialmente alto. O Brasil é o principal parceiro comercial da Argentina, e a coordenação bilateral é fundamental para setores como o automotivo e o energético. Uma possível mudança de governo em Brasília alteraria o cenário do Mercosul, mas, até lá, a relação com Lula acumula tensões sem um canal institucional ativo entre os dois presidentes.

A ligação de Milei com os Bolsonaro vai além do calendário eleitoral. Em junho, o presidente argentino faltou à cúpula do Mercosul para evitar um confronto com Lula da Silva, poucas horas depois de receber Flávio Bolsonaro na residência presidencial Quinta de Olivos. O Ministério das Relações Exteriores da Argentina minimizou a visita à prisão, lembrando que Alberto Fernández (2019-2023) visitou Lula quando Bolsonaro era presidente do Brasil.

A agenda continua em 28 de julho, quando Milei viaja a Lima para a posse de Keiko Fujimori como presidente do Peru. Após sua vitória no segundo turno, confirmada no dia 3 de julho, o argentino foi um dos primeiros chefes de Estado a parabenizá-la e conversou com ela no mesmo dia para anunciar uma "nova etapa" nas relações entre os dois países.

A próxima parada será o Equador, onde Milei se reunirá com o presidente Daniel Noboa para avançar nos acordos de cooperação em comércio, segurança e investimento que estão pendentes desde a visita de Noboa a Buenos Aires em agosto de 2015. Em seguida, em 7 de agosto, ele chegará a Bogotá para a posse de Abelardo de la Espriella, após sua vitória nas eleições colombianas.

O renovado ativismo regional de Milei é uma resposta a um contexto favorável. Nos últimos meses, os candidatos que ele apoiou publicamente venceram as eleições no Chile, Bolívia, Peru e Colômbia. Pessoas próximas a ele acreditam que esse ciclo eleitoral pode se estender ao Brasil caso Flávio Bolsonaro vença em outubro, completando uma coalizão de aliados que incluiria os quatro maiores países da América do Sul, além do Equador.

<><> Uma jogada arriscada?

"É evidente que Milei decidiu se aproximar e conviver com essas forças conservadoras", disse Oscar Laborde, analista internacional e diretor do Instituto de Estudos Latino-Americanos (IDEAL), à Sputnik. "Participar de uma campanha eleitoral enquanto se é presidente de outro país é arriscado. Além disso, o líder desse outro país é seu adversário", alertou.

Laborde questionou a ideia de qualquer coordenação real entre governos com ideologias semelhantes. "Não há qualquer ideia de coordenação entre si; em vez disso, todos se coordenam radialmente com os Estados Unidos", argumentou. A esse respeito, acrescentou: "Não vejo essa harmonização acontecendo na América Latina, nem vejo uma agenda compartilhada além da afinidade com Washington".

Para Laborde, o que prevalece é a insatisfação dos cidadãos com os governos, independentemente de suas inclinações políticas. "A constante é que existe insatisfação pública com os governos, e é isso que leva as pessoas a votarem na oposição", afirmou.

"Nas últimas dez eleições, a direita venceu oito. Mas, em ambos os casos, a oposição venceu por uma grande margem: não foi o progressismo ou a direita que venceu, mas sim o partido que não estava no poder", destacou. "Houve sucessos para a direita, mas eles são mais atribuíveis à vitória da oposição do que a uma afinidade ideológica comum", esclareceu.

Consultado por esta publicação, o analista internacional Juan Venturino considerou que o roteiro responde a uma estratégia de posicionamento. "Dessa forma, Milei emerge como o principal expoente desse espaço político: ele era um político desconhecido antes de se tornar presidente, vence a eleição, e isso o transforma em um caso de sucesso e uma surpresa para o mundo", enfatizou.

Venturino alertou que esse papel tem limites. "A forma como a ideologia libertária é apresentada é muito maniqueísta, a ponto de ter gerado reclamações de diversas embaixadas por não simpatizar com certas ideias políticas", lembrou.

¨      Brasil, o voto que define a região

Laborde ofereceu uma perspectiva de longo prazo sobre o ciclo político. "Entre 2019 e 2023, houve uma onda progressista: venceu no México, Uruguai, Brasil, Argentina, Chile, Bolívia e Peru. No entanto, não foi irreversível", observou. "Agora há vitórias da direita, mas não acho que este seja um ciclo definitivo", alertou.

Para o especialista, o que caracteriza a região é a alternância constante. "A característica definidora desta etapa é a luta, não a hegemonia de um único grupo político. O vencedor perde e o perdedor vence", afirmou. "Isso tem sido uma constante na política latino-americana há mais de uma década", enfatizou.

O especialista apontou que o fator determinante em cada eleição é a rejeição ao governo vigente. "Quem vence é de direita, mas eram da oposição. Quem venceu antes era progressista, mas também estava na oposição. O que prevalece é a insatisfação", observou. "Isso tem sido uma constante na política latino-americana nos últimos anos", acrescentou.

Venturino concordou que o resultado em Brasília será decisivo. "O Brasil tem uma perspectiva muito particular: disse aos Estados Unidos que tinha uma agenda diferente, que estava comprometido com o BRICS e que não iria recuar. Foi o Brasil que disse 'não' a Washington quando este tentou impor sua agenda à região", observou.

Segundo o especialista, as plataformas digitais serão fundamentais na disputa. "Com muito dinheiro investido em mídias sociais, elas influenciaram pelo menos uma parcela do eleitorado, e são esses eleitores que, no fim das contas, ganham uma eleição. Já vimos isso em outras eleições na região", alertou.

¨      Trump manda Milei ao Brasil para apoiar fascismo bolsonarista. Por César Fonseca

Javier Milei, presidente argentino, vem ao Brasil no próximo dia 25, data da Convenção Nacional do PL, a ser realizada em São Paulo, para apoiar o lançamento da candidatura do senador Flávio Bolsonaro à presidência da República.

No mesmo dia, segue  para Brasília, onde encontra com o ex-presidente Jair Bolsonaro, em prisão domiciliar, cumprindo pena de 27,3 anos de detenção por ter tentado dar golpe de Estado contra democracia brasileira.

A estratégia do presidente argentino, que é a mesma do bolsonarismo tupiniqueim, isto é, vender de graça a soberania nacional para os Estados Unidos, em total rendição ao imperialismo, sintoniza-se com a do seu maior aliado, o presidente americano Donald Trump, em cruzada imperial de ultra direita fascista, na América Latina.

É a forma imperial de dar cumprimento a sua Doutrina “Donroe”, cujo objetivo é o de virar muralha norte-americana contra as pretensões de expansão econômica da China no continente sul-americano.

Trump, desse modo, procura quebrar a espinha dorsal do BRICS, no qual o peso do Brasil, como país continente, é decisivo, anulando a geopolítica chinesa pró-latinoamericana, enquanto segue seu projeto neocolonial de ocupar o espaço territorial, ampliando exploração das terras raras e do petróleo continental.

Nesse sentido,  segue firme a parceria dos capitais petrolíferos e das big techs na região.

A primeira ocorre entre petroleiras americanas, que já influem, decisivamente, na dominação sobre a Venezuela, na intenção de transformá-la em protetorado americano, bem como expansão da influência de Washington, no destino da Petrobrás.

A estatal petroleira nacional, atualmente, sob pressão dominante de acionistas privados multinacionais, volta-se à intensificação das concessões de exploração da bacia petrolífera nacional, pelo capital internacional.

Ao mesmo tempo, amplia-se, conjuntamente, sob coordenação de Washington, a ação das big techs, americanas, no campo da Inteligência Artificial, para exploração das terras raras.

ESTRATÉGIA NEOCOLONIAL NA AMÉRICA DO SUL

Trata-se de objetivar o jogo estratégico da gigante da IA, Palantir, a partir de Buenos Aires, sob comando do seu gestor maior, amigo de Trump, Peter Thiel, onde adquiriu um palacete de 12 milhões de dólares, para atuar ao lado do presidente Miley.

Todo o esforço, nessa linha, ganha maior dimensão, caso Washington, sob domínio do imperador da Casa Branca, conseguir interferir nas eleições, no Brasil, em outubro, revertendo seu resultado em favor do Bolsonarismo fascista, como acaba de acontecer, no Peru, com eleição de Keiko Fujimori, e na Colômbia, com vitória do superfascista Spriela, este com ajuda dos órgãos de inteligência de Israel, segundo denuncia do derrotado presidente Gustavo Petros.

Os governos de ultradireita, que já dominam o subcontinente, na Argentina, no Chile, na Bolívia, no Peru, na Colômbia, no Equador, estendendo-se, na América Central, a El Salvador etc, são as bases de dominação política dos Estados Unidos.

Aí instalados, darão sequência à cruzado neocolonial continental, tentando colocar de joelhos a esquerda liberal, cujo projeto econômico tem se alinhado ao neoliberalismo, favorável aos interesses  americanos, desde o Consenso de Washington, nos anos de 1990.

O modelo neoliberal washingtoniano para a América Latina está a todo o vapor por meio de políticas monetárias ultra-restritivas, anti-desenvolvimentistas, que já estão sendo praticadas, prometendo ser ainda mais ampliadas, por meio dos bancos centrais, alinhados à estratégia do FED americano.

No Brasil, por exemplo, está já previsto para entrar em funcionamento, a partir de de 1º de outubro, Resolução BCB nº 575 do Banco Central, que  promove uma abertura cambial irrestrita, objetivando facilitar dolarização e internacionalização da economia, segundo o economista Paulo Kliass, especialista doutorado em gestão pública.

A norma autoriza empresas e exportadores a manterem recursos em moeda estrangeira e converterem reais sem necessidade de controle pela autoridade monetária.

LIVRE-CAMBISMO X SOBERANIA NACIONAL EM DISPUTA ELEITORAL

Na prática, o livre-cambismo entra em cena, para facilitar a ação do capital internacional na economia brasileira, dolarizando-a, para facilitar a ação das multinacionais, nessa nova fase da exploração colonial pretendida por Trump, na exploração do petróleo e das terras raras.

Os governos de ultradireita têm papel fundamental a desempenhar nesse novo ciclo de neocolonização americana, favorecido, por sua vez, por meio de estratégia econômica, amplamente,dominada pela restrição fiscal, cujo fim último é o de intensificar, como tem acontecido, a financeirização econômica neoliberal.

A salvação nacional, nesse contexto de entreguismo programado pelos aliados políticos do trumpismo, comandados, no Brasil, pelo bolsonarismo fascista, seria a vitória lulista, em outubro, com a bandeira da soberania nacional, amplamente atacada por Flávio Bolsonaro.

Etapa decisiva dessa luta está sendo a resistência nacionalista do presidente Lula ao protecionismo trumpista, que joga com o tarifaço de até 37,5% sobre as exportações brasileiras, algo em processo de decisão para ser concluído até final deste mês.

Assim, a luta eleitoral se dará, essencialmente, entre entreguismo pró-Washington, abraçado pelos bolsonaristas, e o lulismo, alinhado ao nacionalismo.

Indiscutivelmente, a democracia brasileira está sob intenso ataque imperialista trumpista.

¨      O calcanhar de Aquiles de Flávio é o Rio de Janeiro. Por Alberto Cantalice

Segundo a lenda do guerreiro Aquiles, sua mãe o banhara nas águas mágicas do rio Estige para torná-lo imortal. Porém, ao segurá-lo pelos calcanhares, essa parte do corpo ficou vulnerável. Essa vulnerabilidade o levou à morte, atingido por uma flecha envenenada nessa região. 

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A mitologia de Aquiles nos permite ajudar a desvendar os escaninhos da família do “mito”, cujo herdeiro primogênito se aventura na disputa presidencial de 2026. As ligações da família com ilícitos já eram por demais sabidas, bem como a transformação do empresário de chocolates em milionário detentor de vultuoso patrimônio imobiliário. Os recorrentes episódios das “rachadinhas”, uma prática familiar, acabaram se tornando um fato alegórico diante da escalada criminosa do chefe do clã, hoje preso por tentativa de golpe de Estado. 

O pedido de 135 milhões de Flávio Bolsonaro a Vorcaro, a pretexto do filme “Dark Horse”, é só um exemplo da voracidade por dinheiro que compõe o modo de vida da família. Entretanto, é no Rio de Janeiro, terra dos Bolsonaros, que se encontram as entranhas criminosas que podem levar à inviabilização de seu projeto de poder. 

Desde a prisão do ex-presidente da Alerj, Rodrigo Bacelar, e a renúncia do governador Cláudio Castro, seguida da inviabilização do “golpe parlamentar” que indicaria como sucessor o deputado Douglas Ruas, em claro desvio de finalidade e rechaçado pelo STF, o caldo começou a entornar. 

O desmonte dos esquemas nas secretarias estaduais comandadas por deputados da base governista, principalmente do PL, promovido pelo governador em exercício Ricardo Couto, e as operações realizadas pela Polícia Federal mirando Castro e seu entorno tiraram o MP-RJ da letargia em que viveu nos últimos anos, em omissão diante dos desmandos da gestão vigente. O órgão passou, talvez para fugir do constrangimento, a atuar nas investigações. 

É óbvio e cristalino que todos os investigados nas falcatruas que dilapidaram o Rio de Janeiro, principalmente os políticos, têm vinculações estreitas com Flávio Bolsonaro. Abundam nas redes sociais vídeos e fotos dos Bolsonaros, principalmente de Flávio, com todos os incriminados. O que já demonstra sua predileção por determinadas companhias. 

Só uma investigação enviesada ou a condescendência da grande imprensa não teriam a capacidade de encontrar o liame entre os crimes, seus autores e beneficiários diretos e indiretos. Dado o tamanho da ruína que se abateu sobre o Rio de Janeiro, o caso da mansão em Brasília e até o caso Vorcaro, “Dark Horse”, passam a ser “fichinha” no linguajar da cobertura policial. 

No entanto, no mundo das novas comunicações, em que basta uma postagem verdadeira para que ganhe o mundo, nada mais escapa. 

Há que se destacar que a contaminação da candidatura de Flávio Bolsonaro por seus próprios erros tende a afetar os palanques estaduais da extrema direita, produzindo um novo rearranjo no quadro político brasileiro. 

A verdade pode demorar, mas chega. O crime efetivamente não compensa. 

 

Fonte: Sputnik Brasil/Brasil 247

 

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