Diabetes
pode causar coceira na pele? Dermatologista explica
A
coceira na pele pode fazer parte da rotina de quem convive com diabetes,
principalmente quando também existe ressecamento. Embora o sintoma tenha várias
causas, alterações na hidratação da pele e o controle da glicemia podem
influenciar o problema.
O
dermatologista, pesquisador e professor Felipe Ribeiro explica que a pele de
pessoas com diabetes costuma apresentar mais ressecamento. Segundo ele, o uso
de hidratantes adequados pode reduzir a coceira e evitar lesões provocadas
pelas unhas.
Em
entrevista ao DiabetesCast, o médico também falou sobre cicatrização, manchas,
infecções, queda de cabelo e os efeitos de medicamentos usados contra diabetes
e obesidade.
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Por que a coceira na pele pode aparecer no diabetes?
A pele
ressecada perde parte da barreira que mantém a água dentro do tecido. Com isso,
ela pode descamar, repuxar e coçar.
Segundo
Felipe Ribeiro, a hiperglicemia pode contribuir para a desidratação da pele.
Por isso, pessoas com glicose elevada podem perceber mudanças na textura e na
hidratação.
O ato
de coçar também pode aumentar o problema. A unha remove camadas da pele e pode
abrir pequenas lesões. Além disso, ela pode levar bactérias até a área
machucada.
Esse
processo cria um ciclo. A pele resseca, a pessoa coça, a unha causa uma lesão e
o local fica mais exposto a infecções.
Por
isso, a coceira não deve ser tratada apenas como um incômodo. A pessoa precisa
observar a duração do sintoma, a presença de feridas e possíveis mudanças na
pele.
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Ureia e glicerina podem ajudar na hidratação
Felipe
Ribeiro orienta que pessoas com diabetes procurem dois ingredientes no rótulo
dos hidratantes: ureia e glicerina.
Segundo
o dermatologista, esses componentes devem ter prioridade na escolha do produto.
Outros ingredientes, como ceramidas, niacinamida e extratos vegetais, podem
aparecer na fórmula, mas não substituem a função da ureia e da glicerina.
A ureia
ajuda a hidratar e atrai água para a região onde o produto foi aplicado. Além
disso, ela pode reduzir o prurido, nome médico dado à coceira.
Com
menos coceira, a pessoa tende a arranhar menos a pele. Dessa forma, também
diminui a descamação e o risco de ferimentos causados pelas unhas.
A
glicerina também participa da manutenção da umidade da pele. Segundo Ribeiro,
um hidratante simples com esses dois ingredientes pode atender às necessidades
de muitas pessoas com diabetes.
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Hidratante não precisa ter preço alto
O
dermatologista afirma que o preço não define se o hidratante cumprirá sua
função. O consumidor deve observar a composição do produto.
Segundo
ele, uma fórmula com baixa concentração de ureia pode ajudar no cuidado diário.
O tamanho da embalagem também influencia o uso.
Ribeiro
relata que algumas pessoas economizam o produto quando compram potes pequenos.
Por isso, embalagens maiores podem facilitar a aplicação em quantidade
suficiente.
Outra
possibilidade é pedir uma fórmula manipulada ao médico. O dermatologista afirma
que produtos manipulados podem reduzir o custo e oferecer uma função semelhante
à de hidratantes industrializados.
No
entanto, a pessoa deve conversar com um dermatologista, clínico ou
endocrinologista antes de usar uma fórmula manipulada. O profissional poderá
avaliar a pele e indicar a composição.
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Cotovelos também sofrem com ressecamento e atrito
O
ressecamento nos cotovelos nem sempre ocorre por causa do diabetes. Essa região
enfrenta atrito frequente com roupas, mesas e outras superfícies.
Além
disso, pessoas que apoiam o peso do corpo sobre os cotovelos podem desenvolver
uma camada de pele mais espessa. Roupas apertadas também podem aumentar esse
atrito.
Felipe
Ribeiro afirma que a hidratação pode ajudar no cuidado da área. Ele também cita
o uso de discos de hidrocoloide em alguns casos.
Esses
discos formam uma barreira entre a pele e a superfície de contato. No entanto,
a indicação depende da avaliação de um profissional.
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Controle da glicemia interfere na cicatrização
Nem
toda pessoa com diabetes cicatriza lentamente. Segundo o dermatologista, o
risco aumenta quando a glicemia permanece fora da meta.
A pele
precisa de vasos sanguíneos em funcionamento para reconstruir o tecido após um
corte, uma cirurgia, uma tatuagem ou outro ferimento.
Quando
o diabetes permanece sem controle, os vasos podem não levar sangue ao local da
forma necessária. Nesse cenário, a pele pode demorar mais para fechar.
A
demora aumenta o risco de infecção, porque a lesão permanece em contato com o
ambiente. Além disso, Ribeiro afirma que o processo pode favorecer alterações
na cicatriz, incluindo elevações no tecido.
Por
outro lado, a pessoa que mantém a glicemia controlada pode apresentar uma
cicatrização semelhante à de quem não tem diabetes, segundo o médico.
Portanto,
o diagnóstico de diabetes não determina sozinho como uma ferida vai cicatrizar.
O controle glicêmico interfere nesse processo.
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Infecções por fungos podem aparecer com mais frequência
Felipe
Ribeiro explica que pessoas com diabetes descontrolado podem apresentar mais
infecções por fungos. Elas podem surgir na virilha ou entre os dedos.
Feridas
provocadas pela coceira também podem aumentar a exposição a microrganismos. Por
isso, a pessoa deve evitar puxar peles soltas ou arranhar áreas ressecadas.
O
dermatologista relata que alguns pacientes puxam partes da pele de forma
repetida. No entanto, esse hábito pode abrir portas para bactérias e aumentar o
risco de infecção.
Mudanças
persistentes na pele, secreção, dor ou piora de uma ferida exigem avaliação
médica.
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Manchas escuras podem indicar resistência à insulina
A
acantose nigricante causa manchas escuras e espessamento da pele. Ela costuma
aparecer no pescoço, nas axilas e em áreas como cotovelos e joelhos.
Segundo
Felipe Ribeiro, o médico pode investigar resistência à insulina quando
identifica esse tipo de alteração. Ele explica que a insulina elevada pode
estimular a multiplicação das células nessas regiões.
O
dermatologista afirma que o controle glicêmico, a alimentação, a atividade
física e a perda de peso podem ajudar no clareamento.
No
entanto, cremes, peelings ou lasers não resolvem a causa quando a alteração
está ligada à resistência à insulina.
Ribeiro
também alerta que o médico deve investigar outras causas. Segundo ele, alguns
tipos de câncer podem aparecer junto com alterações semelhantes.
Por
isso, a pessoa não deve tentar retirar a mancha apenas com produtos estéticos.
A avaliação médica ajuda a identificar o motivo da mudança.
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O que é dermopatia diabética?
A
dermopatia diabética pode causar lesões avermelhadas ou alterações na parte da
frente das pernas. Elas podem surgir mesmo quando a pessoa não sofreu batidas
ou arranhões.
Felipe
Ribeiro afirma que os médicos ainda não conhecem a causa dessa condição. No
entanto, ela aparece com mais frequência em pessoas com diabetes.
O
corticoide tópico pode gerar uma melhora temporária, segundo o dermatologista.
Porém, pessoas com diabetes precisam de cuidado com esse tipo de medicamento.
Ribeiro
afirma que a perda de peso e o controle glicêmico podem melhorar a dermopatia
diabética. A pessoa deve procurar um médico antes de aplicar corticoides ou
outros produtos na pele.
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Medicamentos para diabetes mudaram as queixas nos consultórios
Os
medicamentos que atuam sobre o GLP-1 são usados no tratamento do diabetes tipo
2 e da obesidade. Segundo Felipe Ribeiro, o uso desses remédios trouxe novas
demandas para a dermatologia.
Alguns
pacientes relatam flacidez da pele após a perda de peso. Outros procuram
atendimento por causa da queda de cabelo.
O
especialista afirma que a ciência ainda investiga se a queda ocorre por ação
direta do medicamento, pela velocidade do emagrecimento ou pela redução da
ingestão de nutrientes.
Outra
hipótese envolve o chamado “desmascaramento”. Nesse caso, a perda de peso
acelerada poderia antecipar uma queda de cabelo que a pessoa já apresentaria
por fatores genéticos.
Segundo
Ribeiro, quanto mais rápida ocorre a perda de peso, maior pode ser a queda de
cabelo. No entanto, ele reconhece que as evidências disponíveis ainda
apresentam limitações.
O
dermatologista também afirma que o diabetes, por si só, não aumenta a queda de
cabelo. Porém, o cabelo pode ficar mais seco, frágil ou quebradiço.
Fonte:
Um Diabético

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