quarta-feira, 15 de julho de 2026

Em pânico, Bolsonaro agora usa advogado e trigonometria para “somar forças” em prol de Flávio

Em pânico diante do esfacelamento provocado pelos filhos em seu espólio político e eleitoral, Jair Bolsonaro (PL) usou o advogado João Henrique Nascimento de Freitas, que o visitou na manhã desta segunda-feira (13), para mandar um novo recado após a carta lida por Flávio Bolsonaro (PL) em que pede para aliados deixarem “de lado as possíveis diferenças” em torno do projeto de poder do clã.

Desta vez, Bolsonaro teria usado a trigonometria – área da matemática que estuda as relações entre as medidas dos lados e dos ângulos dos triângulos – para pedir aos aliado para “somar forças” em torno da cambaleante pré-candidatura do filho.

Em mensagem na rede X, Freitas, que está com Bolsonaro desde o ex-governo, afirma que o ex-presidente “sempre arranja energia para animar quem está ao lado”, embora o quadro traçado ao Supremo Tribunal Federal (STF) pela própria defesa seja bem diferente.

“Do nada, empolgado, me perguntou: ‘João, você sabe a diferença entre os ângulos na trigonometria?'”, contou o advogado sobre a conversa com o ex-presidente. “Complementares completam os 90°. Suplementares chegam aos 180°. Explementares fecham os 360°”, teria respondido.

Diante da conversa, Freitas teria interpretado a mensagem e expressado na rede aos aliados do ex-presidente.

“Uma rápida lição que serve perfeitamente para a nossa jornada: hora de SOMAR FORÇAS para completar o que falta, hora de ESTICAR O HORIZONTE quando o caminho aperta, e sempre ter GRANDEZA para dar a volta por cima, com INTEGRIDADE”, escreveu o advogado, repassando o que seria o recado de Bolsonaro.

<><> Juntando os cacos

A carta em que um cambaleante Jair Bolsonaro (PL) pede para aliados deixarem “de lado as possíveis diferenças” em torno do projeto de poder do clã foi recebida como uma tentativa desesperada de Flávio Bolsonaro (PL) e o irmão, Eduardo Bolsonaro (PL-SP), de juntar os cacos e tentar manter a pré-candidatura em pé até as convenções partidárias, que terão início na próxima semana, a partir do dia 20.

Sob efeitos de remédios e à beira de um ataque de nervos com a guerra instaurada entre Michelle Bolsonaro (PL) e os filhos do primeiro e segundo casamentos – com a “01” Rogéria Nantes e a “02” Ana Cristina Valle -, o ex-presidente teria cedido aos apelos de Flávio e Eduardo, que dos EUA tem comandado a tropa de choque que busca achacar aliados que, em sua visão, não estariam se engajando na campanha.

A atuação de Eduardo, comandando os ataques de Paulo Figueiredo, Allan dos Santos e Kim Paim, aos propensos desertores causou um clima de apreensão e caça às bruxas, que tem feito a base aliada se esfacelar.

Tidos como aliados de Michelle, Nikolas Ferreira (PL-MG) e Damares Alves (Republicanos-DF) estão sendo alvos constantes do fogo-amigo, que já fez a senadora anunciar que seguirá as diretrizes do partido e permanecerá neutra nas eleições presidenciais.

Soma-se a isso o avanço da Polícia Federal (PF) sobre aliados históricos, como Ciro Nogueira e Antônio Rueda, da federação PP e União, que reclamam do abandono do clã.

Esse cenário fez com que Republicanos, além de União Brasil e PP, desembarcassem do barco bolsonarista antes mesmo das convenções partidárias

Dentro do próprio PL, o racha exposto por Damares, é aprofundado pelos ataques do trio comandado por Eduardo a Rogério Marinho. Coordenador da pré-campanha, o senador potiguar tem encontrado portas fechadas entre aliados históricos, que temem virar os próximos alvos do gabinete do ódio bolsonarista.

A carta ainda causou incômodo e mais problemas entre Michelle e Bolsonaro, que vê a figura do marido sendo usada pelos filhos de forma despudorada.

A mensagem, em que Bolsonaro foi instado por Flávio a colocá-lo como “porta-voz” do clã foi entendido por Michelle como um recado de que ela não pertence mais à família.

Nos bastidores, a madrasta enviou recados aos enteados dizendo que, assim como Lula aguardou quase 30 anos para se tornar presidente, ela não tem pressa em entrar na disputa presidencial.

Enquanto isso, a ex-primeira-dama se reúne com o espólio eleitoral que conquistou no PL Mulher para fortalecer o “imparáveis”, movimento lançado por ela na semana passada que tem como intuito corroer a candidatura do enteado por dentro.

•        Carta de Bolsonaro revela desespero de Eduardo e Flávio com candidatura esfacelada antes da convenção

A carta em que um cambaleante Jair Bolsonaro (PL) pede para aliados deixarem “de lado as possíveis diferenças” em torno do projeto de poder do clã foi recebida como uma tentativa desesperada de Flávio Bolsonaro (PL) e o irmão, Eduardo Bolsonaro (PL-SP), de juntar os cacos e tentar manter a pré-candidatura em pé até as convenções partidárias, que terão início na próxima semana, a partir do dia 20.

Sob efeitos de remédios e à beira de um ataque de nervos com a guerra instaurada entre Michelle Bolsonaro (PL) e os filhos do primeiro e segundo casamentos – com a “01” Rogéria Nantes e a “02” Ana Cristina Valle -, o ex-presidente teria cedido aos apelos de Flávio e Eduardo, que dos EUA tem comandado a tropa de choque que busca achacar aliados que, em sua visão, não estariam se engajando na campanha.

A atuação de Eduardo, comandando os ataques de Paulo Figueiredo, Allan dos Santos e Kim Paim, aos propensos desertores causou um clima de apreensão e caça às bruxas, que tem feito a base aliada se esfacelar.

Tidos como aliados de Michelle, Nikolas Ferreira (PL-MG) e Damares Alves (Republicanos-DF) estão sendo alvos constantes do fogo-amigo, que já fez a senadora anunciar que seguirá as diretrizes do partido e permanecerá neutra nas eleições presidenciais.

Soma-se a isso o avanço da Polícia Federal (PF) sobre aliados históricos, como Ciro Nogueira e Antônio Rueda, da federação PP e União, que reclamam do abandono do clã.

Esse cenário fez com que Republicanos, além de União Brasil e PP, desembarcassem do barco bolsonarista antes mesmo das convenções partidárias

Dentro do próprio PL, o racha exposto por Damares, é aprofundado pelos ataques do trio comandado por Eduardo a Rogério Marinho. Coordenador da pré-campanha, o senador potiguar tem encontrado portas fechadas entre aliados históricos, que temem virar os próximos alvos do gabinete do ódio bolsonarista.

A carta ainda causou incômodo e mais problemas entre Michelle e Bolsonaro, que vê a figura do marido sendo usada pelos filhos de forma despudorada.

A mensagem, em que Bolsonaro foi instado por Flávio a colocá-lo como “porta-voz” do clã foi entendido por Michelle como um recado de que ela não pertence mais à família.

Nos bastidores, a madrasta enviou recados aos enteados dizendo que, assim como Lula aguardou quase 30 anos para se tornar presidente, ela não tem pressa em entrar na disputa presidencial.

Enquanto isso, a ex-primeira-dama se reúne com o espólio eleitoral que conquistou no PL Mulher para fortalecer o “imparáveis”, movimento lançado por ela na semana passada que tem como intuito corroer a candidatura do enteado por dentro.

•        A mentira do “empobrecimento” na carta de Bolsonaro

Mentir é tão natural aos Bolsonaros que ninguém mais se ocupa de desmenti-los. Quando da carta ginasial que o pai escreveu dentro do cárcere domiciliar para que o filho 01 lesse publicamente, de pronto deflagrou-se discussão sobre a legalidade do ato, cogitando-se violação de norma restritiva pelo condenado. Pelos termos garatujados, a mídia constatou que Flávio é mesmo o candidato da família – Michelle que se emende. Ninguém se ateve a um detalhe contido nos garranchos: a referência ao “empobrecimento” atual do povo brasileiro.

Jair Bolsonaro não mereceria resposta séria, pela pobreza argumentativa de suas manifestações e por sua notória proficiência em fake news. Mas a questão do “empobrecimento” rende um histórico interessante. No mundo não-fictício, desde o Plano Real, o único período em que a população brasileira empobreceu foi justamente durante o governo do capitão.

Nos anos FHC, de 1995 a 2002, o valor nominal do salário mínimo subiu de 70 para 200 reais, com ganho real entre 44,3% e 50,9%. O foco inicial de Fernando Henrique não era uma expansão agressiva, mas impedir que a inflação corroesse o salário logo após o Plano Real. Apesar do crescimento econômico modesto do país na década de 1990, o salário mínimo conseguiu ganho real porque partiu de uma base bastante desvalorizada pelos anos de hiperinflação.

Os dados levantados pela coluna são do Ipeadata e do Dieese.

Nos governos Lula I e II, de 2003 a 2010, o mínimo alcançou 510 reais, perfazendo-se um aumento real de 57,8%. Foi o período de maior enriquecimento real da base salarial da história recente do país. Beneficiaram-se os trabalhadores do forte crescimento do PIB global – 7,5% em 2010 – e do superciclo das commodities, que turbinou a arrecadação e viabilizou os repasses diretos ao piso salarial, mediante a política de reajustes acima da inflação implantada pelo governo.

Sob Dilma Rousseff (2011-2016), o salário mínimo foi a 880 reais, com aumento real de 12,7%. Como a regra em vigor atrelava o aumento ao PIB de dois anos anteriores, a recessão econômica iniciada em 2014 zerou os aumentos reais automáticos nos anos seguintes. Mesmo assim, como se vê, houve ganho real no período.

Mesmo nos anos neolilberais de Michel Temer, de 2016 a 2018, o salário mínimo obteve valorização real de 3,3%, atingindo 954 reais. Foi só nos anos Bolsonaro (2019 a 2022) que o salário mínimo perdeu da inflação. O valor nominal alcançado, 1.212 reais, retratou uma perda real de 1,7%. O povo brasileiro, que, bem ou mal, vinha tendo seu poder de compra aumentado, ficou mais pobre sob Jair e Paulo Guedes. A justificativa dos incompetentes que governaram o Brasil no período foi a crise global decorrente da Covid-19 e do forte encarecimento de itens essenciais. De todo modo, Jair e equipe nem cuidaram do bolso do povo, nem combateram o coronavírus.

Neste terceiro governo Lula, o salário mínimo encontra-se em 1.621 reais no momento em que estas linhas são escritas. O poder real de compra do mínimo, desde que o petista assumiu e até o fim do seu mandato, terá sido, pelas projeções, de 7,5%. Lula retomou a antiga fórmula de valorização do salário mínimo (INPC mais PIB de dois anos antes, se positivo; se negativo, só INPC). Com o PIB registrando crescimentos consecutivos acima de 3% a partir de 2023, o cálculo garantiu um ganho real acumulado que recolocou a curva de poder de compra na ascendente.

•        Alexandre de Moraes proíbe visitas de Flávio a Bolsonaro

ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu, nesta segunda-feira (13), por 90 dias as visitas do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que cumpre prisão domiciliar em Brasília.

A decisão veio dias depois de Flávio ler publicamente uma carta escrita pelo pai em apoio à sua pré-candidatura à Presidência da República. Moraes concluiu que o senador usou o direito de visita não para fins familiares, mas para obter um documento político e divulgá-lo nas redes sociais, burlando a proibição imposta ao ex-presidente.

A suspensão das visitas representa um novo cerco às possibilidades de comunicação política do ex-presidente, que já estava proibido de postar nas redes sociais. Moraes é o relator do processo de execução da pena.

<><> O que diz a decisão de Moraes

Na decisão, Moraes identificou dois problemas centrais: o descumprimento da proibição de postagens em redes sociais e o desvio de finalidade do direito de visita.

Para o ministro, Flávio Bolsonaro não foi ao pai para um encontro familiar, mas para obter um documento com o objetivo exclusivo de publicá-lo nas redes sociais, contornando a restrição imposta ao ex-presidente.

A frase usada por Flávio ao anunciar a carta pesou na avaliação do ministro. Ao divulgar o conteúdo, o senador disse: “É imperdível, um recado muito importante que ele quer dar a toda a nossa nação”.

Para Moraes, a formulação indica que Jair Bolsonaro tinha “plena ciência” de que a carta seria publicada, o que configuraria, por parte do ex-presidente condenado, desrespeito à medida cautelar a que está submetido. Por isso, a defesa de Bolsonaro tem 48 horas para esclarecer se ele sabia da divulgação.

O ministro também apontou reincidência. Uma conduta similar já havia ocorrido em agosto de 2025. A repetição do padrão reforçou, na avaliação de Moraes, a necessidade de suspender as visitas como medida de contenção.

<><> Prisão domiciliar e a carta de apoio

Jair Bolsonaro está em prisão domiciliar desde novembro do ano passado, cumprindo pena de 27 anos e três meses por ter sido considerado líder de uma organização criminosa que tentou dar um golpe de estado para mantê-lo no poder após a derrota nas eleições de 2022. As condições da prisão domiciliar incluem restrições explícitas ao uso político e eleitoral dos contatos permitidos.

A decisão de Moraes ocorreu dias depois de Flávio Bolsonaro ler, em público, uma carta escrita pelo pai em apoio à sua pré-candidatura à Presidência. Na ocasião, o ex-presidente chamou Flávio de “porta-voz” e “melhor opção” para o Brasil, numa declaração de endosso político sem ambiguidade.

A divulgação gerou reação imediata: o PT ingressou com representação no STF pedindo a revogação da própria prisão domiciliar de Bolsonaro, sob o argumento de que ele havia desrespeitado as medidas cautelares. A carta foi lida poucos dias depois de Flávio e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro trocarem acusações pelas redes sociais, crise que levou Michelle a deixar a presidência do PL Mulher.

<><> Repercussão e próximos passos

Além de suspender as visitas, Moraes sinalizou uma frente adicional de investigação. Na decisão, o ministro afirmou que a divulgação do vídeo nas redes sociais e o uso de expressões com “carga semântica equivalente a pedido explícito de voto” podem configurar propaganda eleitoral antecipada em período vedado pela legislação, e determinou que o caso seja apurado pelo Ministério Público Eleitoral (MPE).

A decisão aperta o cerco em torno da estratégia de comunicação do grupo bolsonarista. Com Jair Bolsonaro impedido de postar nas redes e agora sem a possibilidade de receber Flávio por três meses, a cadeia de transmissão política que vinha sendo construída a partir da prisão domiciliar fica formalmente interrompida.

A defesa do ex-presidente tem prazo de 48 horas para apresentar esclarecimentos sobre o grau de conhecimento de Bolsonaro em relação à divulgação da carta, resposta que pode determinar se haverá ou não novas consequências para as condições do cumprimento da pena.

 

Fonte: Fórum

 

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