Em
pânico, Bolsonaro agora usa advogado e trigonometria para “somar forças” em
prol de Flávio
Em
pânico diante do esfacelamento provocado pelos filhos em seu espólio político e
eleitoral, Jair Bolsonaro (PL) usou o advogado João Henrique Nascimento de
Freitas, que o visitou na manhã desta segunda-feira (13), para mandar um novo
recado após a carta lida por Flávio Bolsonaro (PL) em que pede para aliados
deixarem “de lado as possíveis diferenças” em torno do projeto de poder do clã.
Desta
vez, Bolsonaro teria usado a trigonometria – área da matemática que estuda as
relações entre as medidas dos lados e dos ângulos dos triângulos – para pedir
aos aliado para “somar forças” em torno da cambaleante pré-candidatura do
filho.
Em
mensagem na rede X, Freitas, que está com Bolsonaro desde o ex-governo, afirma
que o ex-presidente “sempre arranja energia para animar quem está ao lado”,
embora o quadro traçado ao Supremo Tribunal Federal (STF) pela própria defesa
seja bem diferente.
“Do
nada, empolgado, me perguntou: ‘João, você sabe a diferença entre os ângulos na
trigonometria?'”, contou o advogado sobre a conversa com o ex-presidente.
“Complementares completam os 90°. Suplementares chegam aos 180°. Explementares
fecham os 360°”, teria respondido.
Diante
da conversa, Freitas teria interpretado a mensagem e expressado na rede aos
aliados do ex-presidente.
“Uma
rápida lição que serve perfeitamente para a nossa jornada: hora de SOMAR FORÇAS
para completar o que falta, hora de ESTICAR O HORIZONTE quando o caminho
aperta, e sempre ter GRANDEZA para dar a volta por cima, com INTEGRIDADE”,
escreveu o advogado, repassando o que seria o recado de Bolsonaro.
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Juntando os cacos
A carta
em que um cambaleante Jair Bolsonaro (PL) pede para aliados deixarem “de lado
as possíveis diferenças” em torno do projeto de poder do clã foi recebida como
uma tentativa desesperada de Flávio Bolsonaro (PL) e o irmão, Eduardo Bolsonaro
(PL-SP), de juntar os cacos e tentar manter a pré-candidatura em pé até as
convenções partidárias, que terão início na próxima semana, a partir do dia 20.
Sob
efeitos de remédios e à beira de um ataque de nervos com a guerra instaurada
entre Michelle Bolsonaro (PL) e os filhos do primeiro e segundo casamentos –
com a “01” Rogéria Nantes e a “02” Ana Cristina Valle -, o ex-presidente teria
cedido aos apelos de Flávio e Eduardo, que dos EUA tem comandado a tropa de
choque que busca achacar aliados que, em sua visão, não estariam se engajando
na campanha.
A
atuação de Eduardo, comandando os ataques de Paulo Figueiredo, Allan dos Santos
e Kim Paim, aos propensos desertores causou um clima de apreensão e caça às
bruxas, que tem feito a base aliada se esfacelar.
Tidos
como aliados de Michelle, Nikolas Ferreira (PL-MG) e Damares Alves
(Republicanos-DF) estão sendo alvos constantes do fogo-amigo, que já fez a
senadora anunciar que seguirá as diretrizes do partido e permanecerá neutra nas
eleições presidenciais.
Soma-se
a isso o avanço da Polícia Federal (PF) sobre aliados históricos, como Ciro
Nogueira e Antônio Rueda, da federação PP e União, que reclamam do abandono do
clã.
Esse
cenário fez com que Republicanos, além de União Brasil e PP, desembarcassem do
barco bolsonarista antes mesmo das convenções partidárias
Dentro
do próprio PL, o racha exposto por Damares, é aprofundado pelos ataques do trio
comandado por Eduardo a Rogério Marinho. Coordenador da pré-campanha, o senador
potiguar tem encontrado portas fechadas entre aliados históricos, que temem
virar os próximos alvos do gabinete do ódio bolsonarista.
A carta
ainda causou incômodo e mais problemas entre Michelle e Bolsonaro, que vê a
figura do marido sendo usada pelos filhos de forma despudorada.
A
mensagem, em que Bolsonaro foi instado por Flávio a colocá-lo como “porta-voz”
do clã foi entendido por Michelle como um recado de que ela não pertence mais à
família.
Nos
bastidores, a madrasta enviou recados aos enteados dizendo que, assim como Lula
aguardou quase 30 anos para se tornar presidente, ela não tem pressa em entrar
na disputa presidencial.
Enquanto
isso, a ex-primeira-dama se reúne com o espólio eleitoral que conquistou no PL
Mulher para fortalecer o “imparáveis”, movimento lançado por ela na semana
passada que tem como intuito corroer a candidatura do enteado por dentro.
• Carta de Bolsonaro revela desespero de
Eduardo e Flávio com candidatura esfacelada antes da convenção
A carta
em que um cambaleante Jair Bolsonaro (PL) pede para aliados deixarem “de lado
as possíveis diferenças” em torno do projeto de poder do clã foi recebida como
uma tentativa desesperada de Flávio Bolsonaro (PL) e o irmão, Eduardo Bolsonaro
(PL-SP), de juntar os cacos e tentar manter a pré-candidatura em pé até as
convenções partidárias, que terão início na próxima semana, a partir do dia 20.
Sob
efeitos de remédios e à beira de um ataque de nervos com a guerra instaurada
entre Michelle Bolsonaro (PL) e os filhos do primeiro e segundo casamentos –
com a “01” Rogéria Nantes e a “02” Ana Cristina Valle -, o ex-presidente teria
cedido aos apelos de Flávio e Eduardo, que dos EUA tem comandado a tropa de
choque que busca achacar aliados que, em sua visão, não estariam se engajando
na campanha.
A
atuação de Eduardo, comandando os ataques de Paulo Figueiredo, Allan dos Santos
e Kim Paim, aos propensos desertores causou um clima de apreensão e caça às
bruxas, que tem feito a base aliada se esfacelar.
Tidos
como aliados de Michelle, Nikolas Ferreira (PL-MG) e Damares Alves
(Republicanos-DF) estão sendo alvos constantes do fogo-amigo, que já fez a
senadora anunciar que seguirá as diretrizes do partido e permanecerá neutra nas
eleições presidenciais.
Soma-se
a isso o avanço da Polícia Federal (PF) sobre aliados históricos, como Ciro
Nogueira e Antônio Rueda, da federação PP e União, que reclamam do abandono do
clã.
Esse
cenário fez com que Republicanos, além de União Brasil e PP, desembarcassem do
barco bolsonarista antes mesmo das convenções partidárias
Dentro
do próprio PL, o racha exposto por Damares, é aprofundado pelos ataques do trio
comandado por Eduardo a Rogério Marinho. Coordenador da pré-campanha, o senador
potiguar tem encontrado portas fechadas entre aliados históricos, que temem
virar os próximos alvos do gabinete do ódio bolsonarista.
A carta
ainda causou incômodo e mais problemas entre Michelle e Bolsonaro, que vê a
figura do marido sendo usada pelos filhos de forma despudorada.
A
mensagem, em que Bolsonaro foi instado por Flávio a colocá-lo como “porta-voz”
do clã foi entendido por Michelle como um recado de que ela não pertence mais à
família.
Nos
bastidores, a madrasta enviou recados aos enteados dizendo que, assim como Lula
aguardou quase 30 anos para se tornar presidente, ela não tem pressa em entrar
na disputa presidencial.
Enquanto
isso, a ex-primeira-dama se reúne com o espólio eleitoral que conquistou no PL
Mulher para fortalecer o “imparáveis”, movimento lançado por ela na semana
passada que tem como intuito corroer a candidatura do enteado por dentro.
• A mentira do “empobrecimento” na carta
de Bolsonaro
Mentir
é tão natural aos Bolsonaros que ninguém mais se ocupa de desmenti-los. Quando
da carta ginasial que o pai escreveu dentro do cárcere domiciliar para que o
filho 01 lesse publicamente, de pronto deflagrou-se discussão sobre a
legalidade do ato, cogitando-se violação de norma restritiva pelo condenado.
Pelos termos garatujados, a mídia constatou que Flávio é mesmo o candidato da
família – Michelle que se emende. Ninguém se ateve a um detalhe contido nos
garranchos: a referência ao “empobrecimento” atual do povo brasileiro.
Jair
Bolsonaro não mereceria resposta séria, pela pobreza argumentativa de suas
manifestações e por sua notória proficiência em fake news. Mas a questão do
“empobrecimento” rende um histórico interessante. No mundo não-fictício, desde
o Plano Real, o único período em que a população brasileira empobreceu foi
justamente durante o governo do capitão.
Nos
anos FHC, de 1995 a 2002, o valor nominal do salário mínimo subiu de 70 para
200 reais, com ganho real entre 44,3% e 50,9%. O foco inicial de Fernando
Henrique não era uma expansão agressiva, mas impedir que a inflação corroesse o
salário logo após o Plano Real. Apesar do crescimento econômico modesto do país
na década de 1990, o salário mínimo conseguiu ganho real porque partiu de uma
base bastante desvalorizada pelos anos de hiperinflação.
Os
dados levantados pela coluna são do Ipeadata e do Dieese.
Nos
governos Lula I e II, de 2003 a 2010, o mínimo alcançou 510 reais,
perfazendo-se um aumento real de 57,8%. Foi o período de maior enriquecimento
real da base salarial da história recente do país. Beneficiaram-se os
trabalhadores do forte crescimento do PIB global – 7,5% em 2010 – e do
superciclo das commodities, que turbinou a arrecadação e viabilizou os repasses
diretos ao piso salarial, mediante a política de reajustes acima da inflação
implantada pelo governo.
Sob
Dilma Rousseff (2011-2016), o salário mínimo foi a 880 reais, com aumento real
de 12,7%. Como a regra em vigor atrelava o aumento ao PIB de dois anos
anteriores, a recessão econômica iniciada em 2014 zerou os aumentos reais
automáticos nos anos seguintes. Mesmo assim, como se vê, houve ganho real no
período.
Mesmo
nos anos neolilberais de Michel Temer, de 2016 a 2018, o salário mínimo obteve
valorização real de 3,3%, atingindo 954 reais. Foi só nos anos Bolsonaro (2019
a 2022) que o salário mínimo perdeu da inflação. O valor nominal alcançado,
1.212 reais, retratou uma perda real de 1,7%. O povo brasileiro, que, bem ou
mal, vinha tendo seu poder de compra aumentado, ficou mais pobre sob Jair e
Paulo Guedes. A justificativa dos incompetentes que governaram o Brasil no
período foi a crise global decorrente da Covid-19 e do forte encarecimento de
itens essenciais. De todo modo, Jair e equipe nem cuidaram do bolso do povo,
nem combateram o coronavírus.
Neste
terceiro governo Lula, o salário mínimo encontra-se em 1.621 reais no momento
em que estas linhas são escritas. O poder real de compra do mínimo, desde que o
petista assumiu e até o fim do seu mandato, terá sido, pelas projeções, de
7,5%. Lula retomou a antiga fórmula de valorização do salário mínimo (INPC mais
PIB de dois anos antes, se positivo; se negativo, só INPC). Com o PIB
registrando crescimentos consecutivos acima de 3% a partir de 2023, o cálculo
garantiu um ganho real acumulado que recolocou a curva de poder de compra na
ascendente.
• Alexandre de Moraes proíbe visitas de
Flávio a Bolsonaro
ministro
Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu, nesta
segunda-feira (13), por 90 dias as visitas do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ)
ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que cumpre prisão domiciliar em Brasília.
A
decisão veio dias depois de Flávio ler publicamente uma carta escrita pelo pai
em apoio à sua pré-candidatura à Presidência da República. Moraes concluiu que
o senador usou o direito de visita não para fins familiares, mas para obter um
documento político e divulgá-lo nas redes sociais, burlando a proibição imposta
ao ex-presidente.
A
suspensão das visitas representa um novo cerco às possibilidades de comunicação
política do ex-presidente, que já estava proibido de postar nas redes sociais.
Moraes é o relator do processo de execução da pena.
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O que diz a decisão de Moraes
Na
decisão, Moraes identificou dois problemas centrais: o descumprimento da
proibição de postagens em redes sociais e o desvio de finalidade do direito de
visita.
Para o
ministro, Flávio Bolsonaro não foi ao pai para um encontro familiar, mas para
obter um documento com o objetivo exclusivo de publicá-lo nas redes sociais,
contornando a restrição imposta ao ex-presidente.
A frase
usada por Flávio ao anunciar a carta pesou na avaliação do ministro. Ao
divulgar o conteúdo, o senador disse: “É imperdível, um recado muito importante
que ele quer dar a toda a nossa nação”.
Para
Moraes, a formulação indica que Jair Bolsonaro tinha “plena ciência” de que a
carta seria publicada, o que configuraria, por parte do ex-presidente
condenado, desrespeito à medida cautelar a que está submetido. Por isso, a
defesa de Bolsonaro tem 48 horas para esclarecer se ele sabia da divulgação.
O
ministro também apontou reincidência. Uma conduta similar já havia ocorrido em
agosto de 2025. A repetição do padrão reforçou, na avaliação de Moraes, a
necessidade de suspender as visitas como medida de contenção.
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Prisão domiciliar e a carta de apoio
Jair
Bolsonaro está em prisão domiciliar desde novembro do ano passado, cumprindo
pena de 27 anos e três meses por ter sido considerado líder de uma organização
criminosa que tentou dar um golpe de estado para mantê-lo no poder após a
derrota nas eleições de 2022. As condições da prisão domiciliar incluem
restrições explícitas ao uso político e eleitoral dos contatos permitidos.
A
decisão de Moraes ocorreu dias depois de Flávio Bolsonaro ler, em público, uma
carta escrita pelo pai em apoio à sua pré-candidatura à Presidência. Na
ocasião, o ex-presidente chamou Flávio de “porta-voz” e “melhor opção” para o
Brasil, numa declaração de endosso político sem ambiguidade.
A
divulgação gerou reação imediata: o PT ingressou com representação no STF
pedindo a revogação da própria prisão domiciliar de Bolsonaro, sob o argumento
de que ele havia desrespeitado as medidas cautelares. A carta foi lida poucos
dias depois de Flávio e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro trocarem
acusações pelas redes sociais, crise que levou Michelle a deixar a presidência
do PL Mulher.
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Repercussão e próximos passos
Além de
suspender as visitas, Moraes sinalizou uma frente adicional de investigação. Na
decisão, o ministro afirmou que a divulgação do vídeo nas redes sociais e o uso
de expressões com “carga semântica equivalente a pedido explícito de voto”
podem configurar propaganda eleitoral antecipada em período vedado pela
legislação, e determinou que o caso seja apurado pelo Ministério Público
Eleitoral (MPE).
A
decisão aperta o cerco em torno da estratégia de comunicação do grupo
bolsonarista. Com Jair Bolsonaro impedido de postar nas redes e agora sem a
possibilidade de receber Flávio por três meses, a cadeia de transmissão
política que vinha sendo construída a partir da prisão domiciliar fica
formalmente interrompida.
A
defesa do ex-presidente tem prazo de 48 horas para apresentar esclarecimentos
sobre o grau de conhecimento de Bolsonaro em relação à divulgação da carta,
resposta que pode determinar se haverá ou não novas consequências para as
condições do cumprimento da pena.
Fonte:
Fórum

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