Flávio
Bolsonaro, as facções criminosas e o risco à soberania nacional
A
proposta de classificar facções criminosas brasileiras como organizações
terroristas voltou ao centro do debate político, impulsionada por setores da
extrema direita alinhados ao ex-presidente Jair Bolsonaro e ao presidente dos
Estados Unidos, Donald Trump. Entre os principais defensores dessa agenda está
Flávio Bolsonaro, que tem defendido uma ampliação dos mecanismos de cooperação
internacional no combate ao crime organizado.
À
primeira vista, a proposta parece apenas endurecer o enfrentamento às facções.
Entretanto, por trás desse discurso surgem questões muito mais profundas
envolvendo soberania nacional, ingerência estrangeira e o verdadeiro projeto
político do bolsonarismo.
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Terrorismo ou crime organizado?
A
legislação brasileira e os principais tratados internacionais distinguem
organizações criminosas de grupos terroristas. O terrorismo pressupõe
motivações políticas, ideológicas ou religiosas voltadas à desestabilização do
Estado Democrático de Direito. Já organizações criminosas, como o PCC e o
Comando Vermelho, possuem finalidade predominantemente econômica, ainda que
recorram à violência extrema.
A
tentativa de enquadrar essas facções como organizações terroristas não é uma
simples mudança de nomenclatura. Essa classificação poderia abrir espaço para
mecanismos internacionais de combate ao terrorismo e ampliar a margem para
pressões e interferências externas sobre assuntos internos do Brasil.
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Patriotismo de fachada
Nos
últimos meses, Flávio e Eduardo Bolsonaro intensificaram contatos com
autoridades norte-americanas em busca de apoio político para suas agendas. As
articulações extrapolaram a cooperação diplomática tradicional e passaram a
envolver pedidos relacionados ao funcionamento das instituições brasileiras,
sanções contra autoridades nacionais e interferências em temas estratégicos.
O
episódio mais recente envolve o Pix. Reportagens revelaram que Flávio Bolsonaro
apresentou ao governo Donald Trump propostas relacionadas ao sistema brasileiro
de pagamentos instantâneos, defendendo restrições à sua integração com
plataformas consideradas “não ocidentais”. Na prática, trata-se de subordinar
uma política pública brasileira às preocupações estratégicas de Washington.
O Pix
tornou-se um dos maiores casos de sucesso da inovação financeira brasileira.
Gratuito para milhões de cidadãos, reduziu custos, ampliou a inclusão bancária
e diminuiu a dependência dos grandes operadores internacionais de pagamentos.
Quando um parlamentar brasileiro busca convencer outro país a interferir nesse
sistema, inevitavelmente surge uma pergunta: onde termina a cooperação
internacional e começa a renúncia à soberania nacional?
Mais
graves ainda foram as notícias de que aliados do bolsonarismo discutiram com
representantes norte-americanos formas de participação dos Estados Unidos em um
eventual processo de transição de governo, ampliando sua influência sobre
decisões estratégicas brasileiras. Ainda que diversas informações estejam sendo
debatidas publicamente e dependam de confirmação oficial, o simples fato de
tais hipóteses serem cogitadas evidencia o grau de alinhamento político buscado
junto a Washington.
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O histórico pesa
Não é
por acaso que adversários passaram a chamar o senador de “Flávio Corruptus”. A
alcunha decorre do acúmulo de investigações, suspeitas e controvérsias que
acompanham sua trajetória política.
O caso
das rachadinhas continua sendo o episódio mais conhecido, envolvendo
investigações sobre movimentações financeiras de assessores quando exercia
mandato na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.
A
compra da mansão milionária, as investigações sobre a loja de chocolates
utilizada para movimentações financeiras suspeitas e a incompatibilidade entre
o patrimônio acumulado e a renda de quem jamais exerceu atividade profissional
fora da política compõem um conjunto de fatos que precisam ser permanentemente
lembrados.
Em vez
de responder às graves questões que envolvem seu patrimônio e sua atuação
pública, a família Bolsonaro frequentemente aposta em cortinas de fumaça,
polêmicas artificiais e na mobilização de sua base por meio de conflitos
fabricados.
Um país
democrático exige que seus representantes prestem contas de seus atos e de seu
patrimônio, sobretudo quando fazem da moralidade pública seu principal discurso
eleitoral.
Mais
recentemente, cresceu a pressão institucional sobre o financiamento do filme
Dark Horse, produção destinada a retratar Jair Bolsonaro como um herói
político. O ministro do STF André Mendonça encaminhou à Procuradoria-Geral da
República pedido para investigar a origem dos recursos atribuídos ao banqueiro
Daniel Vorcaro, além da possível participação de Flávio Bolsonaro como
articulador político e financeiro da captação.
Ao
mesmo tempo, reportagens também revelaram a proximidade entre Daniel Vorcaro e
importantes lideranças do Centrão, levantando novos questionamentos sobre a
influência exercida por grandes grupos econômicos nos bastidores da política
brasileira.
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O falso patriotismo
Enquanto
discursam em defesa da pátria, integrantes do bolsonarismo têm recorrido
sucessivamente ao apoio de governos estrangeiros para pressionar instituições
brasileiras.
Após
articulações realizadas por Flávio Bolsonaro junto ao governo Trump,
autoridades norte-americanas mantiveram tarifas sobre produtos brasileiros e
passaram a fazer novas exigências ao país. Paralelamente, aliados como Paulo
Figueiredo anunciaram iniciativas para solicitar sanções contra ministros do
Supremo Tribunal Federal.
Quem
realmente acredita na soberania nacional busca resolver os conflitos políticos
dentro das instituições brasileiras. Não recorre a governos estrangeiros para
pressionar o próprio país.
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O desgaste se amplia e a candidatura natimorta se confirma
A
Polícia Federal concluiu investigação apontando indícios da prática de calúnia
contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, procedimento que ainda seguirá
sua tramitação judicial.
Também
ganhou repercussão nacional a disputa envolvendo o jogador Richarlison, que
acusa pessoas ligadas ao senador de tentarem tomar posse de um imóvel avaliado
em aproximadamente R$ 10 milhões.
Paralelamente,
vieram a público divergências dentro da própria família Bolsonaro. Michelle
Bolsonaro divulgou um vídeo expondo o conteúdo de uma ligação telefônica com
Flávio, revelando conflitos internos que contrastam com a imagem de unidade
cultivada durante anos pelo grupo político.
Nos
últimos meses, Flávio passou a responder a um inquérito da Polícia Federal por
calúnia contra o presidente Lula, ao ligá-lo ao narcotráfico em postagens nas
redes sociais, viu crescer as críticas em torno de sua pré-campanha e enfrentou
questionamentos cada vez mais frequentes dentro da direita sobre sua
viabilidade eleitoral, incluindo os de lideranças religiosas como Silas
Malafaia.
A
candidatura de Flávio Bolsonaro nasce cercada por escândalos, divisões internas
e dificuldades para conquistar credibilidade fora do núcleo mais radical do
bolsonarismo. Quando até um jornal historicamente reacionário e conservador, o
Estadão, rompe com esse projeto político e passa a questionar sua capacidade de
representar o país, fica ainda mais evidente que se trata de uma candidatura
natimorta.
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Um projeto de poder subordinado
Na
ditadura militar, os militantes que, sob tortura ou por outras circunstâncias,
abandonavam a luta e passavam a colaborar com os órgãos de repressão eram
frequentemente chamados, no vocabulário da resistência, de “cachorros” —
expressão que simbolizava a submissão aos interesses da ditadura e a ruptura
com aqueles que enfrentavam o regime.
Flávio
Bolsonaro age como um cachorrinho de Trump. Ao defender interesses estrangeiros
em detrimento da soberania nacional e ao endossar iniciativas que pressionam o
Brasil por meio de ameaças econômicas, sua atuação se distancia da
representação dos interesses do povo brasileiro.
A
história ensina que a submissão nunca fortaleceu a nação. Quem exerce mandato
popular deve lealdade à Constituição e ao povo brasileiro, não aos interesses
de líderes estrangeiros ou de projetos políticos que atentem contra a soberania
nacional. A política exige compromisso com o Brasil, e é por esse compromisso
que a atuação de Flávio Bolsonaro continuará sendo julgada.
Durante
décadas, a direita brasileira procurou apresentar-se como defensora da
soberania nacional. Entretanto, os episódios recentes revelam um comportamento
oposto.
Quando
interesses estratégicos como o Pix passam a ser discutidos em função das
prioridades de Washington; quando autoridades brasileiras são denunciadas no
exterior por seus próprios compatriotas; quando sanções econômicas são
estimuladas contra o país; e quando mecanismos de influência estrangeira passam
a ser tratados como estratégia política, torna-se difícil sustentar o discurso
patriótico.
Enquanto
afirmam defender o Brasil, Flávio e Eduardo Bolsonaro aproximam cada vez mais
seu projeto político dos interesses da Casa Branca. Em vez de fortalecer a
autonomia nacional, transformam a política externa em instrumento de disputa
interna e colocam a soberania brasileira em segundo plano.
Patriotismo
se mensura pela disposição de defender os interesses nacionais acima de
conveniências pessoais ou alianças internacionais. Quando isso deixa de
acontecer, o patriotismo transforma-se apenas em um slogan de campanha.
No
passado, já tivemos candidatos dignos da Presidência do país: Mário Covas,
Fernando Henrique Cardoso e Brizola. Porém, com a Lava Jato e a prisão de Lula,
o país retrocedeu, o nazifascismo saiu da toca com a ascensão do capitão
reformado Jair Messias e sua corja de militares e civis reacionários e
golpistas.
Enquanto
se apresentam como defensores da pátria, suas ações e articulações levantam
dúvidas sobre até onde vai o compromisso com a soberania brasileira e onde
começa a submissão a interesses políticos e geopolíticos externos.
Micheques
Bolsonaro divulgou um vídeo em que expõe o conteúdo de uma ligação com Flávio
Corruptus Bolsonaro, no qual mostra a faceta misógina de Flávio, que a
desqualifica para a política. Se entre eles o nível é esse, imagine com os que
não são parentes. Ainda bem que Flávio Corruptus será derrotado já no primeiro
turno.
A
candidatura de Flávio Corruptus, que diagnosticamos como uma candidatura
natimorta, está derretendo que nem nariz de cera.
Soberania
e corrupção são dois itens que balizam a escolha do povo.
Todos
os santos dias há uma notícia de corrupção de Flávio e de seus apoiadores. O
novelo ainda não chegou ao fim; ainda tem linha para puxar.
Flávio,
em desespero total e na busca de uma intervenção do imperialismo trumpista nas
eleições do Brasil, chegou a oferecer nossas riquezas e nossa soberania; enfiou
o pescoço na forca. É vassalo assumido dos EUA.
Não tem
mais como se recuperar. Os demais candidatos da extrema direita não deslancham;
vai sendo formado um quadro altamente favorável à candidatura de Lula.
Corre
nos bastidores que até a Faria Lima já desceu do palanque bolsonarista. A
burguesia produtiva já o fez há mais tempo.
Flávio
Corruptus vai ficar segurando a broxa sem escada.
Como é
tóxico, vai atingir os candidatos bolsonaristas ao Congresso. Este é o timing
para alavancar os candidatos democratas ao Parlamento.
Xô,
belzebus, vão para os States.
Fonte: Por
Francisco Calmon, em Brasil 247

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