quarta-feira, 15 de julho de 2026

Pesquisadores americanos desenvolveram um dispositivo para desvendar os maiores segredos por trás do ‘pum’ humano

improváveis, mas desta vez, ela se superou e resolveu encarar um tema constrangedor que constantemente é evitado nas conversas do dia a dia: o pum. Pesquisadores da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos, criaram uma roupa íntima inteligente capaz de monitorar, em tempo real, a produção de gases intestinais. O estudo, publicado na revista Biosensors and Bioelectronics: X, apresenta o primeiro dispositivo vestível desenvolvido para medir a os gases humanos de forma contínua, com o objetivo de entender melhor o funcionamento da microbiota intestinal.

A ideia pode soar curiosa ou até nojenta para algumas pessoas, mas a proposta é séria: ao rastrear o hidrogênio presente nos gases, os cientistas conseguiram revelar, com mais precisão, como o organismo digere e processa alimentos em diferentes momentos do dia. E, ao que tudo indica, esse assunto “evitado” pode ser muito mais revelador do que imaginávamos.

<><> Muito além do constrangimento: entenda o que o pum revela sobre o seu corpo

Estudar gases intestinais sempre foi desafio para os cientistas. Afinal, os métodos disponíveis eram limitados: ou dependiam de relatos dos próprios pacientes que nem sempre confiáveis ou exigiam exames invasivos e pouco práticos. Com isso, não era tão simples definir o que é considerado “normal” quando se trata de flatulência.

A nova tecnologia desenvolvida pelos pesquisadores de Maryland tenta resolver justamente esse problema. O dispositivo, pequeno e discreto, se acopla à roupa íntima e utiliza sensores eletroquímicos para detectar o hidrogênio liberado pelos gases. Como esse composto é produzido exclusivamente pelas bactérias intestinais durante a fermentação de alimentos, ele funciona como um marcador direto da atividade do microbioma.

E os primeiros resultados já mudam algumas certezas. Em testes com voluntários, os pesquisadores descobriram que adultos saudáveis liberam gases, em média, 32 vezes por dia, cerca do dobro do que a medicina costumava indicar. A variação, no entanto, é enorme: algumas pessoas registraram apenas quatro episódios diários, enquanto outras chegaram a quase 60.

<><> Um sensor no lugar mais improvável possível pode mudar tudo o que sabemos sobre digestão

O grande diferencial do dispositivo está na capacidade de acompanhar o metabolismo intestinal ao longo do tempo. Diferente de exames pontuais, a roupa inteligente permite observar a cada hora como o microbioma reage a diferentes alimentos, dietas e rotinas.

Em um dos testes, por exemplo, os cientistas conseguiram detectar mudanças significativas na atividade intestinal após o consumo de insulina. O aumento na produção de hidrogênio foi identificado com alta precisão, mostrando que o dispositivo pode funcionar como uma espécie de “monitor contínuo” da digestão, algo bem similar com o que acontece aos medidores de glicose usados por pessoas com diabetes. Além disso, o equipamento se mostrou viável no dia a dia: os participantes utilizaram a tecnologia por várias horas confortavelmente.

Os pesquisadores acreditam que essa abordagem pode abrir caminho para uma nova geração de estudos sobre o microbioma, ajudando a entender melhor a relação entre alimentação, saúde intestinal e doenças metabólicas. Também pode permitir diagnósticos mais precisos para quem sofre com desconfortos digestivos, intolerâncias alimentares ou distúrbios intestinais.

•        A ciência finalmente explica por que algumas vezes o pum faz barulho e em outras passa totalmente despercebido

Nem sempre dá pra prever e você provavelmente já passou por isso: em alguns momentos, o pum simplesmente “escapa” sem fazer barulho. Em outros, ele aparece estrondoso, gerando até mesmo certo tipo de constrangimento.

O que pode parecer aleatório — ou até mesmo constrangedor — tem, na verdade, uma explicação científica bem definida. E ela envolve física, pressão e o funcionamento dos músculos do próprio corpo.

O som é resultado da vibração no ânus, não do gás em si

Ao contrário do que muita gente imagina, o barulho não é causado pelo gás. Ele surge quando o ar passa pelo ânus e faz vibrar as estruturas ao redor.

O ânus funciona como um anel muscular com duas camadas: o esfíncter interno (involuntário) e o externo (que conseguimos controlar). Quando o gás atravessa essa abertura, ele faz as bordas vibrarem.

Essa combinação vai definir o “resultado final” do famoso pum.

<><> Pressão e velocidade do gás determinam a intensidade do barulho

Os gases se acumulam no final do intestino, aumentando a pressão interna. Quando essa pressão é liberada, o gás sai em forma de fluxo. Quanto mais gases acumulados, maior é a pressão acumulada e, consequentemente, maior é a força que esse gás tem para sair — o que aumenta sua velocidade ao passar pelo ânus.

Esse fluxo mais rápido empurra e “chacoalha” as bordas da abertura com mais intensidade, aumentando a vibração e, consequentemente, o som.

Já quando a pressão é menor, o gás sai mais lentamente. O fluxo é mais suave, não gera vibração suficiente e, por isso, pode não produzir nenhum barulho.

<><> Relaxamento muscular permite a liberação silenciosa dos gases

Quando o esfíncter externo está relaxado, a abertura do ânus fica maior. O gás passa com mais facilidade, de forma mais espalhada e menos concentrada. Com isso, o fluxo perde velocidade e força.

Para exsistir som, o movimento precisa de vibração — e para haver vibração, o fluxo de ar precisa ser rápido o suficiente para vibrar as bordas da abertura.

Quando o músculo está relaxado, o gás simplesmente escapa sem gerar essa agitação. Ele passa de forma suave, sem provocar movimento suficiente na região.

Por isso, mesmo com uma quantidade significativa de gás, o resultado pode ser totalmente silencioso.

<><> Processo depende de fatores involuntários do corpo

Apesar de o esfíncter externo ser parcialmente controlável, o processo como um todo depende de fatores involuntários — como a quantidade de gás acumulado, a pressão interna e até o funcionamento do intestino naquele momento.

 

Fonte: Xataka Brasil

 

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