Pesquisadores
americanos desenvolveram um dispositivo para desvendar os maiores segredos por
trás do ‘pum’ humano
improváveis,
mas desta vez, ela se superou e resolveu encarar um tema constrangedor que
constantemente é evitado nas conversas do dia a dia: o pum. Pesquisadores da
Universidade de Maryland, nos Estados Unidos, criaram uma roupa íntima
inteligente capaz de monitorar, em tempo real, a produção de gases intestinais.
O estudo, publicado na revista Biosensors and Bioelectronics: X, apresenta o
primeiro dispositivo vestível desenvolvido para medir a os gases humanos de
forma contínua, com o objetivo de entender melhor o funcionamento da microbiota
intestinal.
A ideia
pode soar curiosa ou até nojenta para algumas pessoas, mas a proposta é séria:
ao rastrear o hidrogênio presente nos gases, os cientistas conseguiram revelar,
com mais precisão, como o organismo digere e processa alimentos em diferentes
momentos do dia. E, ao que tudo indica, esse assunto “evitado” pode ser muito
mais revelador do que imaginávamos.
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Muito além do constrangimento: entenda o que o pum revela sobre o seu corpo
Estudar
gases intestinais sempre foi desafio para os cientistas. Afinal, os métodos
disponíveis eram limitados: ou dependiam de relatos dos próprios pacientes que
nem sempre confiáveis ou exigiam exames invasivos e pouco práticos. Com isso,
não era tão simples definir o que é considerado “normal” quando se trata de
flatulência.
A nova
tecnologia desenvolvida pelos pesquisadores de Maryland tenta resolver
justamente esse problema. O dispositivo, pequeno e discreto, se acopla à roupa
íntima e utiliza sensores eletroquímicos para detectar o hidrogênio liberado
pelos gases. Como esse composto é produzido exclusivamente pelas bactérias
intestinais durante a fermentação de alimentos, ele funciona como um marcador
direto da atividade do microbioma.
E os
primeiros resultados já mudam algumas certezas. Em testes com voluntários, os
pesquisadores descobriram que adultos saudáveis liberam gases, em média, 32
vezes por dia, cerca do dobro do que a medicina costumava indicar. A variação,
no entanto, é enorme: algumas pessoas registraram apenas quatro episódios
diários, enquanto outras chegaram a quase 60.
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Um sensor no lugar mais improvável possível pode mudar tudo o que sabemos sobre
digestão
O
grande diferencial do dispositivo está na capacidade de acompanhar o
metabolismo intestinal ao longo do tempo. Diferente de exames pontuais, a roupa
inteligente permite observar a cada hora como o microbioma reage a diferentes
alimentos, dietas e rotinas.
Em um
dos testes, por exemplo, os cientistas conseguiram detectar mudanças
significativas na atividade intestinal após o consumo de insulina. O aumento na
produção de hidrogênio foi identificado com alta precisão, mostrando que o
dispositivo pode funcionar como uma espécie de “monitor contínuo” da digestão,
algo bem similar com o que acontece aos medidores de glicose usados por pessoas
com diabetes. Além disso, o equipamento se mostrou viável no dia a dia: os
participantes utilizaram a tecnologia por várias horas confortavelmente.
Os
pesquisadores acreditam que essa abordagem pode abrir caminho para uma nova
geração de estudos sobre o microbioma, ajudando a entender melhor a relação
entre alimentação, saúde intestinal e doenças metabólicas. Também pode permitir
diagnósticos mais precisos para quem sofre com desconfortos digestivos,
intolerâncias alimentares ou distúrbios intestinais.
• A ciência finalmente explica por que
algumas vezes o pum faz barulho e em outras passa totalmente despercebido
Nem
sempre dá pra prever e você provavelmente já passou por isso: em alguns
momentos, o pum simplesmente “escapa” sem fazer barulho. Em outros, ele aparece
estrondoso, gerando até mesmo certo tipo de constrangimento.
O que
pode parecer aleatório — ou até mesmo constrangedor — tem, na verdade, uma
explicação científica bem definida. E ela envolve física, pressão e o
funcionamento dos músculos do próprio corpo.
O som é
resultado da vibração no ânus, não do gás em si
Ao
contrário do que muita gente imagina, o barulho não é causado pelo gás. Ele
surge quando o ar passa pelo ânus e faz vibrar as estruturas ao redor.
O ânus
funciona como um anel muscular com duas camadas: o esfíncter interno
(involuntário) e o externo (que conseguimos controlar). Quando o gás atravessa
essa abertura, ele faz as bordas vibrarem.
Essa
combinação vai definir o “resultado final” do famoso pum.
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Pressão e velocidade do gás determinam a intensidade do barulho
Os
gases se acumulam no final do intestino, aumentando a pressão interna. Quando
essa pressão é liberada, o gás sai em forma de fluxo. Quanto mais gases
acumulados, maior é a pressão acumulada e, consequentemente, maior é a força
que esse gás tem para sair — o que aumenta sua velocidade ao passar pelo ânus.
Esse
fluxo mais rápido empurra e “chacoalha” as bordas da abertura com mais
intensidade, aumentando a vibração e, consequentemente, o som.
Já
quando a pressão é menor, o gás sai mais lentamente. O fluxo é mais suave, não
gera vibração suficiente e, por isso, pode não produzir nenhum barulho.
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Relaxamento muscular permite a liberação silenciosa dos gases
Quando
o esfíncter externo está relaxado, a abertura do ânus fica maior. O gás passa
com mais facilidade, de forma mais espalhada e menos concentrada. Com isso, o
fluxo perde velocidade e força.
Para
exsistir som, o movimento precisa de vibração — e para haver vibração, o fluxo
de ar precisa ser rápido o suficiente para vibrar as bordas da abertura.
Quando
o músculo está relaxado, o gás simplesmente escapa sem gerar essa agitação. Ele
passa de forma suave, sem provocar movimento suficiente na região.
Por
isso, mesmo com uma quantidade significativa de gás, o resultado pode ser
totalmente silencioso.
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Processo depende de fatores involuntários do corpo
Apesar
de o esfíncter externo ser parcialmente controlável, o processo como um todo
depende de fatores involuntários — como a quantidade de gás acumulado, a
pressão interna e até o funcionamento do intestino naquele momento.
Fonte:
Xataka Brasil

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