“O
candidato não é mais o Flávio. É Jair Bolsonaro”, diz Lindbergh sobre carta
O
deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) afirmou neste domingo (12), em vídeo
publicado nas redes sociais, que a carta escrita por Jair Bolsonaro (PL) e lida
pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) durante uma transmissão ao vivo revela
uma mudança na estratégia política do campo bolsonarista. No documento, o
ex-mandatário, preso pela participação na trama golpista, define o filho como
seu “porta-voz”, reafirma apoio à sua pré-candidatura à Presidência da
República e pede que aliados deixem divergências de lado.
As
declarações foram feitas um dia depois de Lindbergh protocolar uma petição
dirigida ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF),
pedindo a revogação da prisão domiciliar humanitária de Bolsonaro e seu retorno
ao regime fechado. O deputado sustenta que a divulgação da carta por meio da
transmissão realizada por Flávio violou as restrições impostas ao ex-mandatário
pela Corte.
“Olha,
entrei com um pedido de revogação da prisão domiciliar do Jair Bolsonaro. São
vários descumprimentos cautelares, o último foi esse que você viu: Jair
Bolsonaro entrega uma carta, e essa carta é lida nas redes sociais do Flávio
Bolsonaro. Só que essa é uma das proibições das cautelares. Jair Bolsonaro não
pode falar nem da rede dele, nem das dos outros. Agora, a pergunta é minha: por
que eles tomariam um risco como esse?”, afirmou o deputado.
Na
avaliação do parlamentar, a resposta para o questionamento está na própria
estratégia eleitoral adotada pelo grupo. Segundo Lindbergh, a pré-campanha de
Flávio Bolsonaro não conseguiu mobilizar a militância e passou a depender
diretamente da imagem do pai.
“A
campanha do Flávio Bolsonaro não pegou, não anima, não estimula a militância.
Ele se enrola muito! E aí, é como se eles estivessem trocando de candidato. O
candidato não é mais o Flávio. O candidato é Jair Bolsonaro!”, disse.
Para
Lindbergh, o conteúdo da carta confirma essa mudança de rumo. Em sua avaliação,
ao definir Flávio como “porta-voz”, Jair Bolsonaro deixa claro que o senador
deixou de buscar uma identidade própria na disputa para se tornar o responsável
por transmitir suas posições políticas.
“Veja,
no começo da campanha, Flávio Bolsonaro tentava dizer: ‘Olha, eu não sou igual
ao meu pai. Eu sou um Bolsonaro moderado’. Agora não. Agora ele virou
porta-voz. Essa é a mensagem mais forte da carta. Flávio Bolsonaro é porta-voz.
O porta-voz não tem vontade própria. O porta-voz transmite o que a pessoa, no
caso o verdadeiro candidato, fala”, afirmou.
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Comparação com a Argentina
Ao
analisar essa estratégia, Lindbergh fez uma comparação com a política argentina
de 1973, quando Juan Domingo Perón permaneceu impedido de disputar a
Presidência e indicou Héctor Cámpora como candidato.
“Eles
tentam imitar de forma primária o que aconteceu na Argentina. Você sabe que, na
Argentina, o Perón estava exilado na Espanha. Ele nomeia Héctor Cámpora, um dos
seus principais assessores mais leais, como porta-voz. Foi ter eleição em 73.
Perón não podia ser candidato. Quem foi o candidato? O porta-voz. Igual a
Flávio. Flávio é o porta-voz, que é candidato. E era assim: era Héctor Cámpora
no governo, Perón no poder”, declarou.
O
deputado ponderou, porém, que o contexto brasileiro é diferente do vivido pela
Argentina naquele período, embora veja semelhanças na estratégia adotada pelo
bolsonarismo.
“Na
Argentina, funcionou para eles. O Cámpora ganha a eleição, eles anistiam o
Perón, que volta para a Argentina, chama novas eleições e é eleito. Situação
que não tem paralelo com a nossa. Mas eu quero chamar a sua atenção: o exemplo
histórico em que eles estão se mirando é o da Argentina de 73, nesse movimento
de Perón e Héctor Cámpora”, disse.
Na
sequência, Lindbergh voltou a afirmar que, em sua interpretação, Jair Bolsonaro
reassumiu o protagonismo político da campanha, enquanto Flávio passou a atuar
apenas como seu representante.
“O que
está acontecendo aqui é que Flávio Bolsonaro deixa de ser aquele candidato que
tentava se vender com diferenças em relação ao pai. E passa a ser o porta-voz.
É como se o Jair virasse candidato”, afirmou.
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Pedido ao STF
Na
parte final do vídeo, Lindbergh reiterou o pedido para que o Supremo avalie o
suposto descumprimento das medidas cautelares impostas a Jair Bolsonaro e adote
as providências cabíveis.
“Agora
cabe ao Supremo revogar a prisão domiciliar ou deixar esse pessoal continuar
descumprindo as cautelares. Porque, se ele é porta-voz, com certeza outras
mensagens como essa virão!”, concluiu.
Na
petição encaminhada a Alexandre de Moraes, Lindbergh sustenta que a leitura
pública da carta configura uso indireto das redes sociais por Jair Bolsonaro,
hipótese vedada pelas condições estabelecidas para a manutenção da prisão
domiciliar. O parlamentar também requer a aplicação de multa de R$ 100 mil a
Flávio Bolsonaro e o envio do caso à Procuradoria-Geral da República para
eventual apuração de responsabilidade penal do senador.
• Entorno de Flávio diz que Bolsonaro fez
apelo a Michelle por engajamento
O
ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) utilizou sua própria prisão como argumento
para empoderar Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência, e não a sua
própria esposa, Michelle Bolsonaro (PL), diante da crise pública entre o filho
e a ex-primeira-dama.
Segundo
apurou a CNN com o entorno do senador, o ex-presidente argumentou que a única
chance de conseguir ter de volta sua liberdade depende da eleição de Flávio.
Isso porque o senador poderia lhe conceder um indulto ou graça, instrumentos
jurídicos que extinguem a punição do condenado. Ainda assim, tal medida poderia
ser barrada pelo Supremo Tribunal Federal.
Na
carta escrita de próprio punho em que Bolsonaro pede que diferenças sejam
deixadas de lado e pede o engajamento de todos na campanha do filho, o recado é
endereçado especialmente a Michelle, numa manifestação pública de que nesta
crise estaria ao lado do filho.
"Escrevo
em um momento de decisão para todos nós. O momento é de arregaçar as mangas,
deixarmos de lado as possíveis diferenças e cada um se empenhar pelo nosso
pré-candidato a Presidência, Flávio Bolsonaro", diz um trecho do
documento.
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O
ex-presidente também disse na carta que Flávio é seu "porta-voz".
“Meu
pré-candidato, creio o seu também, meu porta-voz, no qual confio para resgatar
o Brasil e nos conduzir para a paz e a prosperidade”, finalizou Jair Bolsonaro.
Entretanto,
uma fonte próxima a Flávio e que teve relação próxima com o ex-presidente vai
além. Diz que "Jair não tomou partido nem de Flávio nem de Michelle, mas
de si mesmo".
• Partido ligado à Igreja Universal nega
apoio a Flávio em troca de vaga no STF e fala em “neutralidade”
Republicanos,
partido ligado à Igreja Universal do Reino de Deus, negou neste domingo (12)
ter fechado apoio à pré-candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro e rejeitou
a existência de qualquer acordo envolvendo uma futura indicação ao Supremo
Tribunal Federal.
A
manifestação ocorreu depois de a coluna de Lauro Jardim, de O Globo, afirmar
que Flávio teria prometido indicar o presidente da legenda, Marcos Pereira,
para a vaga do ministro Luiz Fux no STF.
Segundo
a coluna, o suposto acerto teria sido feito em troca do apoio do Republicanos à
candidatura do senador. A legenda e a pré-campanha de Flávio negaram a
informação.
Marcos
Pereira afirmou que sua última conversa com o senador ocorreu há mais de um mês
e terminou sem acordo. O partido informou ainda que está consultando bancadas,
executivas estaduais e apoiadores para definir sua posição na eleição.
De
acordo com o Republicanos, as sondagens iniciais apontam frustração com a
pré-candidatura de Flávio e preferência pela neutralidade. A legenda também
afirmou que o apoio a Lula está descartado.
Neste
domingo (12), a senadora Damares Alves, também do Republicanos, confirmou ao
Metrópoles que deixou a equipe responsável pela formulação do plano de governo
de Flávio, na qual atuava na área de direitos humanos. A decisão veio após uma
onda de ataques misóginos de bolsonaristas, desencadeada pelo racha público
entre Michelle Bolsonaro e o enteado.
• Em culto na Itália, Zambelli volta a se
vitimizar e chora ao orar por Bolsonaro
ex-deputada
federal Carla Zambelli (PL-SP) participou de um culto organizado pelo grupo
evangélico brasileiro “Patriotas em Roma”, neste final de semana, na Itália,
onde vive desde maio do ano passado.
Em
discurso emocionado no púlpito, ela voltou a se vitimizar, orou pelo
ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e pelos condenados pelos atos golpistas de 8
de janeiro de 2023, agradeceu senadores que a visitaram na prisão e elogiou
Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em meio aos desgastes da pré-candidatura dele à
Presidência.
O
evento foi divulgado nas redes sociais e ocorre semanas após a Corte de
Cassação da Itália revogar a decisão que autorizava a extradição de Zambelli ao
Brasil.
No
púlpito do culto em Roma, Zambelli pediu “milagres” para os presos do 8 de
janeiro e para Bolsonaro. “Hoje, graças a Deus, não tenho raiva no meu coração.
Eu oro para que Deus tenha misericórdia daquelas almas que hoje fazem
injustiça, que prendem e perseguem. Porque, se eles se arrependerem e mudarem o
caminho, ainda serão dignos da justiça e salvação de Deus. Que Deus possa fazer
milagres na vida de cada um dos presos de 8 de janeiro e na vida do nosso
presidente Bolsonaro”, declarou.
Em
outro momento do discurso, Zambelli agradeceu nominalmente os senadores Flávio
Bolsonaro (PL-RJ), Eduardo Girão (Novo-CE), Magno Malta (PL-ES) e Damares Alves
(Republicanos-DF), que, segundo ela, teriam “cruzado o Oceano Atlântico” para
visitá-la na prisão.
O
agradecimento mais efusivo foi reservado ao filho do ex-presidente condenado.
“Flávio Bolsonaro não se envergonhou nenhuma vez de defender minha liberdade, a
justiça e o nosso país. Eu sou grata, porque ele fez perceber que eu não estava
sozinha, que eu não tinha sido abandonada como os jornais diziam. Eu tinha
pessoas que me respeitavam, torciam e oravam por mim”, afirmou.
Zambelli
também fez questão de endossar publicamente a pré-candidatura de Flávio à
Presidência, afirmando que ele atravessa um “lugar espinhoso”, mas que o
“Brasil depende desse caminho”.
O
senador enfrenta desgastes nas últimas semanas em razão do caso Dark Horse, das
operações da Polícia Federal (PF) contra aliados no Rio de Janeiro e de
divergências públicas com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL).
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Apoio político e situação judicial
O
discurso foi divulgado nas redes sociais pelo perfil do grupo “Patriotas em
Roma” e por Rita Zambelli, mãe da ex-parlamentar e ela própria pré-candidata a
deputada federal pelo PL em São Paulo.
Rita
descreveu o evento como um “Culto em Ação de Graça” dedicado à liberdade de
Carla, transformando a cerimônia religiosa em peça de comunicação política
direcionada à base bolsonarista.
A
liberdade celebrada no culto tem respaldo jurídico recente: no final de maio, a
Corte de Cassação da Itália revogou a decisão que havia autorizado a extradição
de Zambelli, permitindo que ela permaneça livre no país europeu.
O
timing da decisão italiana é significativo: ela foi expedida na mesma semana em
que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou que
o Ministério da Justiça e o Itamaraty adotassem medidas para efetivar a
extradição da bolsonarista. A Corte italiana, portanto, fechou a porta no
momento em que o Brasil tentava empurrá-la.
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Contexto das condenações e processos
A
decisão da Corte de Cassação da Itália está diretamente relacionada à primeira
condenação imposta pelo STF a Zambelli: dez anos de prisão pelo caso da invasão
aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Segundo
a defesa da ex-deputada, a decisão italiana abrange os dois processos em que
foi pedida sua extradição, incluindo o relacionado à segunda condenação, por
porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal. Zambelli deixou o Brasil
em maio do ano passado e desde então enfrenta os processos à distância.
No
culto, a ex-deputada enquadrou sua situação judicial como perseguição e pediu
clemência divina para os responsáveis. A narrativa de vitimização, amplificada
por um evento religioso transmitido nas redes sociais, é coerente com a
estratégia de mobilização da base bolsonarista em torno de figuras com
processos em curso.
Ao orar
pelos condenados do 8 de janeiro e por Bolsonaro no mesmo fôlego em que
agradece senadores e endossa uma pré-candidatura presidencial, Zambelli
transforma o altar em palanque, com alcance garantido pelo engajamento digital
do clã.
Fonte:
Fórum/CNN Brasil

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