quarta-feira, 15 de julho de 2026

“O candidato não é mais o Flávio. É Jair Bolsonaro”, diz Lindbergh sobre carta

O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) afirmou neste domingo (12), em vídeo publicado nas redes sociais, que a carta escrita por Jair Bolsonaro (PL) e lida pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) durante uma transmissão ao vivo revela uma mudança na estratégia política do campo bolsonarista. No documento, o ex-mandatário, preso pela participação na trama golpista, define o filho como seu “porta-voz”, reafirma apoio à sua pré-candidatura à Presidência da República e pede que aliados deixem divergências de lado.

As declarações foram feitas um dia depois de Lindbergh protocolar uma petição dirigida ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), pedindo a revogação da prisão domiciliar humanitária de Bolsonaro e seu retorno ao regime fechado. O deputado sustenta que a divulgação da carta por meio da transmissão realizada por Flávio violou as restrições impostas ao ex-mandatário pela Corte.

“Olha, entrei com um pedido de revogação da prisão domiciliar do Jair Bolsonaro. São vários descumprimentos cautelares, o último foi esse que você viu: Jair Bolsonaro entrega uma carta, e essa carta é lida nas redes sociais do Flávio Bolsonaro. Só que essa é uma das proibições das cautelares. Jair Bolsonaro não pode falar nem da rede dele, nem das dos outros. Agora, a pergunta é minha: por que eles tomariam um risco como esse?”, afirmou o deputado.

Na avaliação do parlamentar, a resposta para o questionamento está na própria estratégia eleitoral adotada pelo grupo. Segundo Lindbergh, a pré-campanha de Flávio Bolsonaro não conseguiu mobilizar a militância e passou a depender diretamente da imagem do pai.

“A campanha do Flávio Bolsonaro não pegou, não anima, não estimula a militância. Ele se enrola muito! E aí, é como se eles estivessem trocando de candidato. O candidato não é mais o Flávio. O candidato é Jair Bolsonaro!”, disse.

Para Lindbergh, o conteúdo da carta confirma essa mudança de rumo. Em sua avaliação, ao definir Flávio como “porta-voz”, Jair Bolsonaro deixa claro que o senador deixou de buscar uma identidade própria na disputa para se tornar o responsável por transmitir suas posições políticas.

“Veja, no começo da campanha, Flávio Bolsonaro tentava dizer: ‘Olha, eu não sou igual ao meu pai. Eu sou um Bolsonaro moderado’. Agora não. Agora ele virou porta-voz. Essa é a mensagem mais forte da carta. Flávio Bolsonaro é porta-voz. O porta-voz não tem vontade própria. O porta-voz transmite o que a pessoa, no caso o verdadeiro candidato, fala”, afirmou.

<><> Comparação com a Argentina

Ao analisar essa estratégia, Lindbergh fez uma comparação com a política argentina de 1973, quando Juan Domingo Perón permaneceu impedido de disputar a Presidência e indicou Héctor Cámpora como candidato.

“Eles tentam imitar de forma primária o que aconteceu na Argentina. Você sabe que, na Argentina, o Perón estava exilado na Espanha. Ele nomeia Héctor Cámpora, um dos seus principais assessores mais leais, como porta-voz. Foi ter eleição em 73. Perón não podia ser candidato. Quem foi o candidato? O porta-voz. Igual a Flávio. Flávio é o porta-voz, que é candidato. E era assim: era Héctor Cámpora no governo, Perón no poder”, declarou.

O deputado ponderou, porém, que o contexto brasileiro é diferente do vivido pela Argentina naquele período, embora veja semelhanças na estratégia adotada pelo bolsonarismo.

“Na Argentina, funcionou para eles. O Cámpora ganha a eleição, eles anistiam o Perón, que volta para a Argentina, chama novas eleições e é eleito. Situação que não tem paralelo com a nossa. Mas eu quero chamar a sua atenção: o exemplo histórico em que eles estão se mirando é o da Argentina de 73, nesse movimento de Perón e Héctor Cámpora”, disse.

Na sequência, Lindbergh voltou a afirmar que, em sua interpretação, Jair Bolsonaro reassumiu o protagonismo político da campanha, enquanto Flávio passou a atuar apenas como seu representante.

“O que está acontecendo aqui é que Flávio Bolsonaro deixa de ser aquele candidato que tentava se vender com diferenças em relação ao pai. E passa a ser o porta-voz. É como se o Jair virasse candidato”, afirmou.

<><> Pedido ao STF

Na parte final do vídeo, Lindbergh reiterou o pedido para que o Supremo avalie o suposto descumprimento das medidas cautelares impostas a Jair Bolsonaro e adote as providências cabíveis.

“Agora cabe ao Supremo revogar a prisão domiciliar ou deixar esse pessoal continuar descumprindo as cautelares. Porque, se ele é porta-voz, com certeza outras mensagens como essa virão!”, concluiu.

Na petição encaminhada a Alexandre de Moraes, Lindbergh sustenta que a leitura pública da carta configura uso indireto das redes sociais por Jair Bolsonaro, hipótese vedada pelas condições estabelecidas para a manutenção da prisão domiciliar. O parlamentar também requer a aplicação de multa de R$ 100 mil a Flávio Bolsonaro e o envio do caso à Procuradoria-Geral da República para eventual apuração de responsabilidade penal do senador.

•        Entorno de Flávio diz que Bolsonaro fez apelo a Michelle por engajamento

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) utilizou sua própria prisão como argumento para empoderar Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência, e não a sua própria esposa, Michelle Bolsonaro (PL), diante da crise pública entre o filho e a ex-primeira-dama.

Segundo apurou a CNN com o entorno do senador, o ex-presidente argumentou que a única chance de conseguir ter de volta sua liberdade depende da eleição de Flávio. Isso porque o senador poderia lhe conceder um indulto ou graça, instrumentos jurídicos que extinguem a punição do condenado. Ainda assim, tal medida poderia ser barrada pelo Supremo Tribunal Federal.

Na carta escrita de próprio punho em que Bolsonaro pede que diferenças sejam deixadas de lado e pede o engajamento de todos na campanha do filho, o recado é endereçado especialmente a Michelle, numa manifestação pública de que nesta crise estaria ao lado do filho.

"Escrevo em um momento de decisão para todos nós. O momento é de arregaçar as mangas, deixarmos de lado as possíveis diferenças e cada um se empenhar pelo nosso pré-candidato a Presidência, Flávio Bolsonaro", diz um trecho do documento.

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O ex-presidente também disse na carta que Flávio é seu "porta-voz".

“Meu pré-candidato, creio o seu também, meu porta-voz, no qual confio para resgatar o Brasil e nos conduzir para a paz e a prosperidade”, finalizou Jair Bolsonaro.

Entretanto, uma fonte próxima a Flávio e que teve relação próxima com o ex-presidente vai além. Diz que "Jair não tomou partido nem de Flávio nem de Michelle, mas de si mesmo".

•        Partido ligado à Igreja Universal nega apoio a Flávio em troca de vaga no STF e fala em “neutralidade”

Republicanos, partido ligado à Igreja Universal do Reino de Deus, negou neste domingo (12) ter fechado apoio à pré-candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro e rejeitou a existência de qualquer acordo envolvendo uma futura indicação ao Supremo Tribunal Federal.

A manifestação ocorreu depois de a coluna de Lauro Jardim, de O Globo, afirmar que Flávio teria prometido indicar o presidente da legenda, Marcos Pereira, para a vaga do ministro Luiz Fux no STF.

Segundo a coluna, o suposto acerto teria sido feito em troca do apoio do Republicanos à candidatura do senador. A legenda e a pré-campanha de Flávio negaram a informação.

Marcos Pereira afirmou que sua última conversa com o senador ocorreu há mais de um mês e terminou sem acordo. O partido informou ainda que está consultando bancadas, executivas estaduais e apoiadores para definir sua posição na eleição.

De acordo com o Republicanos, as sondagens iniciais apontam frustração com a pré-candidatura de Flávio e preferência pela neutralidade. A legenda também afirmou que o apoio a Lula está descartado.

Neste domingo (12), a senadora Damares Alves, também do Republicanos, confirmou ao Metrópoles que deixou a equipe responsável pela formulação do plano de governo de Flávio, na qual atuava na área de direitos humanos. A decisão veio após uma onda de ataques misóginos de bolsonaristas, desencadeada pelo racha público entre Michelle Bolsonaro e o enteado.

•        Em culto na Itália, Zambelli volta a se vitimizar e chora ao orar por Bolsonaro

ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) participou de um culto organizado pelo grupo evangélico brasileiro “Patriotas em Roma”, neste final de semana, na Itália, onde vive desde maio do ano passado.

Em discurso emocionado no púlpito, ela voltou a se vitimizar, orou pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e pelos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, agradeceu senadores que a visitaram na prisão e elogiou Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em meio aos desgastes da pré-candidatura dele à Presidência.

O evento foi divulgado nas redes sociais e ocorre semanas após a Corte de Cassação da Itália revogar a decisão que autorizava a extradição de Zambelli ao Brasil.

No púlpito do culto em Roma, Zambelli pediu “milagres” para os presos do 8 de janeiro e para Bolsonaro. “Hoje, graças a Deus, não tenho raiva no meu coração. Eu oro para que Deus tenha misericórdia daquelas almas que hoje fazem injustiça, que prendem e perseguem. Porque, se eles se arrependerem e mudarem o caminho, ainda serão dignos da justiça e salvação de Deus. Que Deus possa fazer milagres na vida de cada um dos presos de 8 de janeiro e na vida do nosso presidente Bolsonaro”, declarou.

Em outro momento do discurso, Zambelli agradeceu nominalmente os senadores Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Eduardo Girão (Novo-CE), Magno Malta (PL-ES) e Damares Alves (Republicanos-DF), que, segundo ela, teriam “cruzado o Oceano Atlântico” para visitá-la na prisão.

O agradecimento mais efusivo foi reservado ao filho do ex-presidente condenado. “Flávio Bolsonaro não se envergonhou nenhuma vez de defender minha liberdade, a justiça e o nosso país. Eu sou grata, porque ele fez perceber que eu não estava sozinha, que eu não tinha sido abandonada como os jornais diziam. Eu tinha pessoas que me respeitavam, torciam e oravam por mim”, afirmou.

Zambelli também fez questão de endossar publicamente a pré-candidatura de Flávio à Presidência, afirmando que ele atravessa um “lugar espinhoso”, mas que o “Brasil depende desse caminho”.

O senador enfrenta desgastes nas últimas semanas em razão do caso Dark Horse, das operações da Polícia Federal (PF) contra aliados no Rio de Janeiro e de divergências públicas com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL).

<><> Apoio político e situação judicial

O discurso foi divulgado nas redes sociais pelo perfil do grupo “Patriotas em Roma” e por Rita Zambelli, mãe da ex-parlamentar e ela própria pré-candidata a deputada federal pelo PL em São Paulo.

Rita descreveu o evento como um “Culto em Ação de Graça” dedicado à liberdade de Carla, transformando a cerimônia religiosa em peça de comunicação política direcionada à base bolsonarista.

A liberdade celebrada no culto tem respaldo jurídico recente: no final de maio, a Corte de Cassação da Itália revogou a decisão que havia autorizado a extradição de Zambelli, permitindo que ela permaneça livre no país europeu.

O timing da decisão italiana é significativo: ela foi expedida na mesma semana em que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou que o Ministério da Justiça e o Itamaraty adotassem medidas para efetivar a extradição da bolsonarista. A Corte italiana, portanto, fechou a porta no momento em que o Brasil tentava empurrá-la.

<><> Contexto das condenações e processos

A decisão da Corte de Cassação da Itália está diretamente relacionada à primeira condenação imposta pelo STF a Zambelli: dez anos de prisão pelo caso da invasão aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Segundo a defesa da ex-deputada, a decisão italiana abrange os dois processos em que foi pedida sua extradição, incluindo o relacionado à segunda condenação, por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal. Zambelli deixou o Brasil em maio do ano passado e desde então enfrenta os processos à distância.

No culto, a ex-deputada enquadrou sua situação judicial como perseguição e pediu clemência divina para os responsáveis. A narrativa de vitimização, amplificada por um evento religioso transmitido nas redes sociais, é coerente com a estratégia de mobilização da base bolsonarista em torno de figuras com processos em curso.

Ao orar pelos condenados do 8 de janeiro e por Bolsonaro no mesmo fôlego em que agradece senadores e endossa uma pré-candidatura presidencial, Zambelli transforma o altar em palanque, com alcance garantido pelo engajamento digital do clã.

 

Fonte: Fórum/CNN Brasil

 

 

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