Recesso
no Congresso deve deixar projetos do fim da escala 6×1 e misoginia para agosto
O
Congresso Nacional entra nesta semana na última fase de trabalhos antes do
recesso parlamentar, que começa em 18 de julho. Apesar da expectativa de
votação de alguns projetos, propostas consideradas prioritárias seguem sem
definição e devem ficar para depois da pausa legislativa.
Após o
retorno, em 1º de agosto, o calendário eleitoral deve reduzir o ritmo das
atividades até o início de outubro, com poucas sessões presenciais previstas na
Câmara dos Deputados.
Na
Câmara, um dos principais temas pendentes é o projeto que endurece a punição
para crimes de misoginia. A proposta, aprovada pelo Senado e relatada por um
grupo de trabalho coordenado pela deputada Tabata Amaral (PSB-SP), enfrenta
resistência de parlamentares, principalmente da bancada religiosa, que
questionam a equiparação da misoginia ao crime de racismo.
Também
devem ficar para depois do recesso a atualização do limite de faturamento do
Microempreendedor Individual (MEI), cuja discussão foi ampliada para incluir
mudanças em toda a tabela do Simples Nacional, além da renegociação de dívidas
de produtores rurais afetados por eventos climáticos e do marco legal da
Inteligência Artificial.
No
Senado, a tramitação de propostas de interesse do governo permanece travada. A
Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que extingue a escala de trabalho 6×1 e
reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas, assim como a PEC da Segurança
Pública, ainda aguardam despacho do presidente da Casa, Davi Alcolumbre
(União-AP), para análise na Comissão de Constituição e Justiça.
O
impasse ocorre em meio ao desgaste na relação entre Alcolumbre e o presidente
Luiz Inácio Lula da Silva após a rejeição da indicação de Jorge Messias ao
Supremo Tribunal Federal.
Outros
projetos também seguem sem avanço no Senado, como a proposta que cria a
Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos e o Regime Especial de
Tributação para Serviços de Datacenter (Redata), considerado estratégico pelo
governo.
Integrantes
do Palácio do Planalto afirmam trabalhar para reaproximar Lula e Alcolumbre, na
tentativa de destravar a pauta legislativa. A expectativa é de que uma conversa
entre os dois presidentes ocorra nas próximas semanas, após o início do recesso
parlamentar.
• Empresários bancam anúncios para
defender Alcolumbre após trava na PEC 6×1, diz jornal
A
Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) investiu entre R$ 28,1
mil e R$ 33,2 mil para impulsionar anúncios em defesa do presidente do Senado,
Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), após ele frear a tramitação da PEC que
propõe o fim da escala de trabalho 6×1. As informações são de reportagem de
Raphael Di Cunto, publicada na coluna Painel, da Folha de S.Paulo.
Segundo
o jornal, foram patrocinadas 19 publicações no Instagram e no Facebook
elogiando a decisão de Alcolumbre de adiar a votação da proposta, defendida
pelo governo Lula. As peças afirmavam que a medida exigia um debate mais amplo
sobre seus impactos econômicos e sociais.
Uma das
mensagens dizia que a decisão do senador representava um “gesto de liderança,
responsabilidade e coragem” e sustentava que mudanças dessa dimensão não
deveriam ser aprovadas sem ampla discussão.
De
acordo com a plataforma de transparência da Meta, os anúncios alcançaram entre
2,6 milhões e 3,2 milhões de impressões. Parte da campanha foi direcionada ao
Amapá, estado representado por Alcolumbre, onde a associação gastou ao menos R$
9,2 mil para atingir entre 880 mil e 1 milhão de impressões.
Entre
as peças patrocinadas havia uma imagem do senador acompanhada da frase “o
trabalhador está com você”, além de vídeos de discursos em que ele criticava a
tramitação acelerada de propostas no Congresso e defendia que o Senado deixasse
de ser uma “casa carimbadora” da Câmara.
À
Folha, o presidente da Abrasel, Paulo Solmucci, afirmou que o investimento
buscava enfrentar o que chamou de “milícias digitais da esquerda” e rebater uma
suposta campanha do governo em favor da PEC. Segundo ele, a associação fez um
“esforço solitário” para combater a narrativa de que os trabalhadores manteriam
os mesmos salários trabalhando menos dias.
Desde
fevereiro, ainda segundo o jornal, a Abrasel destinou entre R$ 261,6 mil e R$
340,5 mil para impulsionar 299 publicações contrárias à PEC 6×1 nas redes
sociais, alcançando entre 34,6 milhões e 35,9 milhões de impressões. Solmucci
também informou que a entidade contratou anúncios no Google, embora a
plataforma não divulgue os valores investidos.
A
campanha incluiu ainda conteúdos em defesa de 38 senadores que apoiaram a
chamada PEC do Trabalho Flexível, apresentada pela oposição como alternativa à
proposta que extingue a escala 6×1. Também foram impulsionadas manifestações de
parlamentares críticos ao texto, como o deputado Joaquim Passarinho (PL-PA), o
senador Rogério Marinho (PL-RN) e o deputado Luiz Gastão (PSD-CE)
• Câmara dos Deputados deve adiar votação
de projeto que amplia teto do MEI para depois do recesso
A
Câmara dos Deputados deve deixar para depois do recesso parlamentar a votação
do projeto que amplia o limite de faturamento do Microempreendedor Individual
(MEI). Segundo o jornal O Globo, a falta de consenso entre parlamentares e o
governo federal sobre alterações no Simples Nacional inviabilizou um acordo
para que a proposta fosse apreciada ainda em julho.
O
projeto prevê a elevação gradual do teto de faturamento anual do MEI,
atualmente fixado em R$ 81 mil. Pelo texto em discussão, o limite passaria para
R$ 110 mil em 2026 e alcançaria R$ 140 mil até 2028.
O
principal ponto de divergência envolve a intenção dos deputados de incluir no
projeto uma revisão das faixas de alíquotas do Simples Nacional, além de
estabelecer a correção automática do teto de faturamento do MEI pela inflação.
A equipe econômica do governo resiste à proposta, principalmente pelos impactos
fiscais estimados.
De
acordo com o relator da matéria na comissão especial, deputado Jorge Goetten
(Republicanos), o Ministério da Fazenda e a Receita Federal solicitaram prazo
até agosto para concluir estudos mais detalhados sobre eventuais mudanças no
Simples Nacional.
Nesta
terça-feira (7), Goetten reuniu-se com o presidente da Câmara, Hugo Motta
(Republicanos-PB), e afirmou que há interesse da Casa em discutir a inclusão do
tema no projeto. “O presidente Hugo Motta considera que a Câmara quer incluir o
Simples. As condições e o limite serão objeto de debate, para saber até onde
pode ir”, disse o relator.
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Impacto fiscal
Segundo
novas estimativas do Ministério da Fazenda, a ampliação do teto de faturamento
do MEI poderá gerar impacto fiscal de R$ 8,1 bilhões em 2029. A projeção
anterior apontava perda de arrecadação de R$ 4 bilhões em 2027 e 2028.
Como
alternativa para reduzir resistências à proposta, integrantes da comissão
especial defendem a criação de novas alíquotas de contribuição para o MEI, além
da atual taxa de 5%, responsável por garantir a cobertura previdenciária. Outra
sugestão é diminuir o prazo para exclusão de empreendedores inadimplentes do
programa, atualmente fixado em 12 meses consecutivos de atraso.
Embora
a comissão especial já analise um projeto sobre a ampliação do teto do MEI, o
Poder Executivo encaminhou ao Congresso uma proposta com conteúdo semelhante. O
texto do governo será anexado à matéria em tramitação na Câmara.
• Lindbergh cobra Alcolumbre e denuncia
“lobby empresarial” contra fim da escala 6×1: ‘vergonha’
O
deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) publicou nesta segunda-feira (13) uma
postagem na rede social X com o objetivo de criticar “o lobby empresarial
atuando para manter uma jornada que prejudica milhões de trabalhadores”. Em tom
de indignação, o petista fez cobranças ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre
(União-AP).
Segundo
Lindbergh, a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) gastou
entre R$ 28,1 mil e R$ 33,2 mil para impulsionar conteúdo em defesa do senador
por travar a Proposta de Emenda à Constituição que proíbe a escala 6×1 e adiar
a votação que o governo tentava acelerar. Foram 19 publicações no Instagram e
Facebook favoráveis ao parlamentar, que entrou em conflito com o governo Lula e
o PT por segurar a PEC, criticada pelo empresariado.
“Gravíssimo!
Está explicado por que Davi Alcolumbre segura a votação do fim da escala 6×1”,
afirmou Lindbergh, que citou o jornal Folha de São Paulo, responsável pela
matéria sobre a polêmica iniciativa da Abrasel. “Alcolumbre vai ter que pautar
pela pressão popular, pelo fim da escala 6×1, por dois dias de descanso com a
família para o trabalhador brasileiro”.
O
deputado demonstrou revolta com a tentativa de impulsionar conteúdo contra o
fim da escala 6×1. “Vergonha. É um absurdo”, continuou o deputado,
acrescentando que, no debate sobre mudanças nas jornadas de trabalho,
empresários defendem uma proposta que “não garante nem o direito do salário
mínimo”, complementou.
“O
Senado não pode se curvar a esse lobby empresarial e dar as costas a 95% da
população brasileira. Tem gente que está trabalhando como escravizado, saindo 5
horas da manhã de casa, chegando 11 horas da noite, não tem oportunidade de ver
os filhos. Ninguém está exigindo nada de mais. Dois dias de descanso na semana.
Pessoal, vamos para cima. Mobilização”, destacou o parlamentar.
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A PEC
A
Câmara dos Deputados aprovou, em 27 de maio, a PEC das 40 horas semanais, que
prevê dois dias de descanso remunerado, uma transição sem redução salarial e
regras específicas para determinadas carreiras. A proposta encerra a escala
6×1, atualmente baseada em até 44 horas de trabalho distribuídas em seis dias,
com apenas uma folga semanal.
A
Proposta de Emenda à Constituição 221/19 passou por dois turnos de votação. No
primeiro, recebeu 472 votos favoráveis e 22 contrários. No segundo, foi
aprovada por 461 votos a 19 e seguirá agora para análise do Senado.
O texto
aprovado é um substitutivo apresentado pelo deputado Leo Prates
(Republicanos-BA). A versão reúne pontos da PEC de autoria do deputado
Reginaldo Lopes (PT-MG), que propunha uma jornada semanal de 36 horas, e da PEC
8/25, apresentada pela deputada Érika Hilton (Psol-SP), que defendia a mesma
carga horária distribuída em quatro dias.
A nova
jornada será implantada gradualmente e não poderá provocar redução nos
salários. A futura emenda constitucional prevê um período de transição até que
o limite de 40 horas semanais seja plenamente aplicado.
Dois
meses após a publicação da emenda, os trabalhadores passarão a ter direito a
dois dias de repouso remunerado por semana. Pelo menos um deles deverá ocorrer,
preferencialmente, aos domingos.
No
mesmo prazo, a carga horária semanal dos empregados contratados sob o regime da
Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) cairá de 44 para 42 horas.
A
jornada definitiva de 40 horas entrará em vigor um ano depois do término desse
período inicial de dois meses. Na prática, a mudança completa ocorrerá 14 meses
após a promulgação da emenda constitucional.
Durante
o intervalo de um ano entre as jornadas de 42 e 40 horas, convenções e acordos
coletivos poderão autorizar a ampliação do trabalho diário para além das oito
horas. A medida deverá ser usada para permitir a transição, sem afastar o
direito a dois dias de repouso remunerado.
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Salários e pisos serão preservados
A PEC
determina que os limites de oito horas diárias e 40 horas semanais,
acompanhados de dois dias de descanso, sejam aplicados aos contratos já
existentes sem qualquer diminuição da remuneração.
A
proteção alcança reduções nominais, proporcionais ou de qualquer outra
natureza. A garantia também será válida para os pisos salariais das diferentes
categorias profissionais.
O
próprio texto, entretanto, estabelece exceções. Entre elas estão os
trabalhadores com diploma de ensino superior que recebam mais de 2,5 vezes o
teto da Previdência Social, valor correspondente atualmente a R$ 21.188,87, e
empregados terceirizados vinculados a contratos de fornecimento de mão de obra
para a administração pública.
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Leis poderão definir regimes especiais
Embora
estabeleça como parâmetros mínimos a semana de 40 horas e os dois dias de
folga, a proposta permite que leis ordinárias regulamentem condições e
hipóteses de regimes diferenciados.
Essas
normas deverão respeitar os limites constitucionais e a possibilidade de adoção
de turnos ininterruptos de revezamento com duração de seis horas.
A
previsão alcança modelos como a escala 12×36 e atividades essenciais nas áreas
de saúde, segurança, transporte, limpeza urbana e outros setores.
Nessas
situações, acordos ou convenções coletivas poderão instituir, excepcionalmente,
sistemas de compensação. O objetivo será garantir, na média mensal, dois dias
de repouso remunerado por semana.
Com
isso, as folgas poderão ser acumuladas e utilizadas em outro momento dentro do
mesmo mês-calendário. Ainda assim, pelo menos um dos dias de descanso deverá
ocorrer após uma semana de trabalho.
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Jornadas menores serão mantidas
A
alteração constitucional não reduzirá proporcionalmente as jornadas que já
estejam fixadas em 40 horas semanais ou menos. Os trabalhadores enquadrados
nesses regimes também terão direito aos dois dias semanais de descanso
remunerado.
Dois
meses após a publicação da futura emenda, também deixarão de valer as cláusulas
de convenções e acordos coletivos relacionadas à duração do trabalho ou ao
repouso semanal que forem incompatíveis com os novos limites.
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Regras para pequenos negócios serão definidas em lei
Como
resultado das negociações sobre a proposta, Leo Prates acrescentou ao texto a
previsão de uma lei complementar para regulamentar medidas transitórias
destinadas aos microempreendedores individuais, às microempresas e às empresas
de pequeno porte.
A
finalidade será reduzir os efeitos da mudança da jornada sobre esses
empreendimentos.
Embora
não conste formalmente da PEC, uma das medidas discutidas é permitir que o
microempreendedor individual contrate dois empregados. Pelas regras atuais, o
MEI pode manter apenas um funcionário.
O
governo também concordou em atualizar os limites de faturamento usados para
enquadrar microempreendedores, microempresas e pequenas empresas no Simples
Nacional.
A PEC
condiciona a adoção dessas medidas à preservação dos níveis de emprego.
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Profissionais de nível superior poderão ficar fora do limite
Prates
incluiu ainda uma regra voltada, segundo sua justificativa, a desestimular a
chamada “pejotização”, modelo no qual o trabalhador é contratado como pessoa
jurídica.
Pela
proposta, as normas constitucionais sobre duração do trabalho, incluindo os
limites de 40 horas semanais e oito horas diárias, além do controle de jornada,
não serão obrigatoriamente aplicadas aos empregados com diploma de nível
superior e salário superior a 2,5 vezes o teto da Previdência.
Com o
teto previdenciário de R$ 8.475,55, o limite equivale atualmente a R$
21.188,87.
A
exclusão poderá ocorrer por decisão do empregador ou por determinação de acordo
ou convenção coletiva.
Mesmo
nesses casos, deverá ser respeitado o direito a dois dias de repouso remunerado
por semana. A regra não alcançará empregados públicos da administração direta
ou indireta dos poderes da União, dos estados, do Distrito Federal e dos
municípios.
A
Justiça do Trabalho será responsável por processar e julgar as ações
relacionadas a essa norma.
Como
esse dispositivo entrará em vigor imediatamente após a publicação da emenda, os
contratos em andamento precisarão ser adaptados. Na ausência de acordo ou
convenção coletiva aplicável à carreira, a mudança poderá resultar em jornadas
superiores a 44 horas semanais.
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Terceirizados da administração pública terão adaptação contratual
Para
evitar efeitos imediatos sobre contratos vigentes de terceirização na
administração pública direta e indireta, a PEC vincula a redução para 42 horas
e, posteriormente, para 40 horas ao aditamento do contrato firmado entre o
poder público e a empresa fornecedora da mão de obra.
O
mecanismo pretende preservar o equilíbrio econômico-financeiro dessas
contratações.
O
aditamento deverá ser formalizado em até um ano depois da publicação da emenda
constitucional.
A regra
alcança contratos submetidos à legislação de licitações e contratos
administrativos, como os relacionados a serviços de segurança e limpeza.
Também
serão abrangidos contratos de concessão e permissão de serviços e obras
públicas, entre eles os celebrados com administradoras de aeroportos e
concessionárias de rodovias, além de parcerias público-privadas e outros
instrumentos de colaboração com a iniciativa privada, como os firmados com
organizações sociais.
Todos
os trabalhadores envolvidos terão assegurada a manutenção dos salários.
Caso o
contrato não seja alterado dentro do prazo, a redução da jornada para 42 horas
e, depois, para 40 horas será aplicada mesmo sem o aditamento.
Se a
alteração contratual ocorrer dentro do período previsto, a nova carga horária
começará a valer na data em que a reformulação for formalizada.
Os
contratos modificados durante os dois primeiros meses após a publicação da
emenda deverão incorporar a jornada transitória de 42 horas semanais e
assegurar dois dias de descanso remunerado por semana.
Fonte:
ICL Notícias/Brasil 247

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