quarta-feira, 15 de julho de 2026

Ovário pode ser marcador do envelhecimento feminino? O que diz a ciência

Durante décadas, os ovários foram vistos quase exclusivamente sob a ótica da reprodução. Sua principal função seria produzir óvulos e hormônios que permitem a gestação. Mas uma nova linha de pesquisas está mudando esse conceito e propondo uma visão muito mais ampla: os ovários podem funcionar como um verdadeiro “marca-passo” do envelhecimento feminino.

A ideia parece surpreendente, mas faz sentido do ponto de vista biológico. Os ovários são um dos primeiros órgãos do corpo a apresentar sinais de envelhecimento. Enquanto muitos sistemas do organismo continuam funcionando adequadamente por décadas, a função ovariana começa a declinar gradualmente a partir dos 30 anos e sofre uma mudança importante com a chegada da menopausa.

Hoje, diversos pesquisadores acreditam que esse processo não afeta apenas a fertilidade, mas também pode influenciar o envelhecimento de todo o organismo.

<><> Muito além da capacidade de engravidar

Os ovários produzem hormônios que exercem efeitos em praticamente todos os sistemas do corpo feminino. O estrogênio, por exemplo, participa da manutenção da saúde óssea, ajuda a proteger o sistema cardiovascular, influencia o metabolismo, o funcionamento cerebral e até a distribuição da gordura corporal.

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Quando a produção hormonal diminui, surgem mudanças que vão muito além do fim da capacidade reprodutiva. A perda de massa óssea se acelera, o risco cardiovascular aumenta, alterações metabólicas tornam-se mais frequentes e algumas mulheres percebem mudanças na memória, no sono e no bem-estar geral.

É justamente por essa ampla influência que os cientistas passaram a investigar se a velocidade do envelhecimento ovariano poderia refletir, pelo menos em parte, o ritmo de envelhecimento biológico da mulher.

Estudos recentes sugerem que uma menor reserva ovariana ou uma menopausa mais precoce podem estar associadas a maior risco de algumas doenças relacionadas ao envelhecimento, embora essa relação ainda esteja sendo estudada e não signifique, de forma alguma, que a menopausa seja uma doença ou um destino inevitável de perda de saúde.

<><> A reserva ovariana pode revelar mais do que fertilidade

Tradicionalmente, a reserva ovariana é avaliada para estimar o potencial reprodutivo de uma mulher. Hoje, pesquisadores investigam se ela também pode funcionar como um marcador de envelhecimento biológico.

A hipótese é que o ritmo de envelhecimento dos ovários possa fornecer pistas sobre processos mais amplos que ocorrem no organismo. Ainda há muitas perguntas sem resposta, mas essa linha de investigação vem despertando enorme interesse na medicina da longevidade.

O tema ganhou ainda mais relevância com pesquisas publicadas recentemente e com estudos em andamento, entre eles o ensaio clínico Vibrant, que avalia se determinados medicamentos poderiam retardar o envelhecimento ovariano.

<><> A nova fronteira da medicina reprodutiva

Uma das substâncias que mais tem chamado a atenção dos pesquisadores é a rapamicina, medicamento já estudado há anos por seu potencial efeito sobre mecanismos relacionados ao envelhecimento celular.

A hipótese em investigação é que a modulação de determinadas vias biológicas possa preservar a função ovariana por mais tempo. Se isso se confirmar, os benefícios poderiam ir além da fertilidade e abrir novas perspectivas para a saúde feminina.

É importante destacar que esses estudos ainda estão em andamento e não existe, neste momento, qualquer tratamento aprovado para retardar o envelhecimento ovariano com o objetivo de aumentar a longevidade. Os resultados preliminares são promissores, mas ainda precisam ser confirmados por pesquisas mais amplas e de longo prazo.

Mesmo assim, a mudança de paradigma já está em curso. A medicina começa a entender que os ovários desempenham um papel muito mais abrangente do que imaginávamos.

Talvez, no futuro, cuidar da saúde ovariana não seja apenas uma estratégia para preservar a fertilidade, mas também uma peça importante no quebra-cabeça do envelhecimento saudável da mulher. A ciência ainda está escrevendo os próximos capítulos dessa história, mas uma coisa parece cada vez mais clara: os ovários têm muito mais a dizer sobre a longevidade feminina do que se acreditava até pouco tempo atrás.

¨      Reposição hormonal na menopausa

A terapia de reposição hormonal na menopausa possui indicações precisas e também contraindicações importantes que exigem avaliação médica individualizada. As orientações foram dadas pelo ginecologista José Maria Soares Jr. e pela cardiologista Salete Nacif em entrevista ao CNN Sinais Vitais deste sábado (11).

Segundo José Maria Soares Jr., as três principais indicações para a terapia com estrogênio em mulheres na faixa etária entre 45 e 55 anos são:

  • Presença de sintomas vasomotores intensos, como ondas de calor, que prejudicam a qualidade de vida;
  • Alterações genitais, caracterizadas pela síndrome geniturinária da menopausa, que inclui atrofia da região;
  • Predisposição à perda de massa óssea.

Mulheres com histórico de câncer de mama, especialmente aquelas com receptor de estrogênio positivo, não podem realizar a terapia hormonal convencional.

Para esses casos, o ginecologista destacou que existem alternativas disponíveis, incluindo o uso de psicotrópicos e, mais recentemente, uma substância aprovada pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária): o antagonista do receptor da Neurocinina 3.

"Tem o mesmo efeito nas ondas de calor, mas não age na atrofia nem na massa óssea", explicou o especialista. Mulheres que sofreram infarto ou acidente vascular cerebral (AVC) também não são candidatas à terapia hormonal. Casos de tromboembolismo requerem discussão sobre formas alternativas de administração.

<><> O fator cardiovascular

Salete Nacif explicou que dois fatores principais são considerados na avaliação cardiovascular para a reposição hormonal.

O primeiro é a chamada "janela de oportunidade": mulheres que tiveram a menopausa há menos de 10 anos e que tenham menos de 60 anos de idade são consideradas dentro desse período favorável para a terapia.

O segundo fator é o risco cardiovascular da paciente. "Se a mulher possui baixo risco cardiovascular, ou seja, ela nunca infartou, nunca teve derrame, não teve nenhum evento importante, essa mulher está liberada", afirmou Salete Nacif.

Para pacientes que já apresentam eventos cardiovasculares prévios, a indicação deve ser individualizada.

A cardiologista alertou que, nesses casos, a reposição pode ser neutra ou até prejudicial para os vasos sanguíneos, especialmente quando há aterosclerose já instalada.

"Nessas situações, a gente tem que individualizar a indicação da terapia de reposição hormonal", concluiu a especialista.

 

Fonte: CNN Brasil

 

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