Ovário
pode ser marcador do envelhecimento feminino? O que diz a ciência
Durante
décadas, os ovários foram vistos quase exclusivamente sob a ótica da
reprodução. Sua principal função seria produzir óvulos e hormônios que permitem
a gestação. Mas uma nova linha de pesquisas está mudando esse conceito e
propondo uma visão muito mais ampla: os ovários podem funcionar como um
verdadeiro “marca-passo” do envelhecimento feminino.
A ideia
parece surpreendente, mas faz sentido do ponto de vista biológico. Os ovários
são um dos primeiros órgãos do corpo a apresentar sinais de envelhecimento.
Enquanto muitos sistemas do organismo continuam funcionando adequadamente por
décadas, a função ovariana começa a declinar gradualmente a partir dos 30 anos
e sofre uma mudança importante com a chegada da menopausa.
Hoje,
diversos pesquisadores acreditam que esse processo não afeta apenas a
fertilidade, mas também pode influenciar o envelhecimento de todo o organismo.
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Muito além da capacidade de engravidar
Os
ovários produzem hormônios que exercem efeitos em praticamente todos os
sistemas do corpo feminino. O estrogênio, por exemplo, participa da manutenção
da saúde óssea, ajuda a proteger o
sistema cardiovascular, influencia o metabolismo, o funcionamento cerebral e
até a distribuição da gordura corporal.
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Quando
a produção hormonal diminui, surgem mudanças que vão muito além do fim da
capacidade reprodutiva. A perda de massa óssea se acelera, o risco
cardiovascular aumenta, alterações metabólicas tornam-se mais frequentes e
algumas mulheres percebem mudanças na memória, no sono e no
bem-estar geral.
É
justamente por essa ampla influência que os cientistas passaram a investigar se
a velocidade do envelhecimento ovariano poderia refletir, pelo menos em parte,
o ritmo de envelhecimento biológico da mulher.
Estudos
recentes sugerem que uma menor reserva ovariana ou uma menopausa mais precoce
podem estar associadas a maior risco de algumas doenças relacionadas ao
envelhecimento, embora essa relação ainda esteja sendo estudada e não
signifique, de forma alguma, que a menopausa seja uma doença ou um destino
inevitável de perda de saúde.
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A reserva ovariana pode revelar mais do que fertilidade
Tradicionalmente,
a reserva ovariana é avaliada para estimar o potencial reprodutivo de uma
mulher. Hoje, pesquisadores investigam se ela também pode funcionar como um
marcador de envelhecimento biológico.
A
hipótese é que o ritmo de envelhecimento dos ovários possa fornecer pistas
sobre processos mais amplos que ocorrem no organismo. Ainda há muitas perguntas
sem resposta, mas essa linha de investigação vem despertando enorme interesse
na medicina da longevidade.
O tema
ganhou ainda mais relevância com pesquisas publicadas recentemente e com
estudos em andamento, entre eles o ensaio clínico Vibrant, que avalia se
determinados medicamentos poderiam retardar o envelhecimento ovariano.
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A nova fronteira da medicina reprodutiva
Uma das
substâncias que mais tem chamado a atenção dos pesquisadores é a rapamicina,
medicamento já estudado há anos por seu potencial efeito sobre mecanismos
relacionados ao envelhecimento celular.
A
hipótese em investigação é que a modulação de determinadas vias biológicas
possa preservar a função ovariana por mais tempo. Se isso se confirmar, os
benefícios poderiam ir além da fertilidade e abrir novas perspectivas para a
saúde feminina.
É
importante destacar que esses estudos ainda estão em andamento e não existe,
neste momento, qualquer tratamento aprovado para retardar o envelhecimento
ovariano com o objetivo de aumentar a longevidade. Os resultados preliminares
são promissores, mas ainda precisam ser confirmados por pesquisas mais amplas e
de longo prazo.
Mesmo
assim, a mudança de paradigma já está em curso. A medicina começa a entender
que os ovários desempenham um papel muito mais abrangente do que imaginávamos.
Talvez,
no futuro, cuidar da saúde ovariana não seja apenas uma estratégia para
preservar a fertilidade, mas também uma peça importante no quebra-cabeça do
envelhecimento saudável da mulher. A ciência ainda está escrevendo os próximos
capítulos dessa história, mas uma coisa parece cada vez mais clara: os ovários
têm muito mais a dizer sobre a longevidade feminina do que se acreditava até
pouco tempo atrás.
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Reposição hormonal na menopausa
A terapia
de reposição hormonal na menopausa possui indicações precisas e também
contraindicações importantes que exigem avaliação médica individualizada. As
orientações foram dadas pelo ginecologista José Maria Soares Jr. e
pela cardiologista Salete Nacif em entrevista ao CNN Sinais
Vitais deste sábado (11).
Segundo
José Maria Soares Jr., as três principais indicações para a terapia
com estrogênio em mulheres na faixa etária entre 45 e 55 anos são:
- Presença de
sintomas vasomotores intensos, como ondas de calor, que prejudicam a
qualidade de vida;
- Alterações
genitais, caracterizadas pela síndrome geniturinária da menopausa,
que inclui atrofia da região;
- Predisposição à
perda de massa óssea.
Mulheres
com histórico de câncer de mama, especialmente aquelas com receptor de
estrogênio positivo, não podem realizar a terapia hormonal
convencional.
Para
esses casos, o ginecologista destacou que existem alternativas disponíveis,
incluindo o uso de psicotrópicos e, mais recentemente, uma substância
aprovada pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária): o
antagonista do receptor da Neurocinina 3.
"Tem
o mesmo efeito nas ondas de calor, mas não age na atrofia nem na massa
óssea", explicou o especialista. Mulheres que sofreram infarto ou
acidente vascular cerebral (AVC) também não são candidatas à terapia
hormonal. Casos de tromboembolismo requerem discussão sobre
formas alternativas de administração.
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O fator cardiovascular
Salete
Nacif explicou que dois fatores principais são considerados na
avaliação cardiovascular para a reposição hormonal.
O
primeiro é a chamada "janela de oportunidade": mulheres que
tiveram a menopausa há menos de 10
anos e que tenham menos de 60 anos de idade são consideradas dentro desse
período favorável para a terapia.
O
segundo fator é o risco cardiovascular da paciente. "Se a mulher
possui baixo risco cardiovascular, ou seja, ela nunca infartou, nunca teve
derrame, não teve nenhum evento importante, essa mulher está liberada",
afirmou Salete Nacif.
Para
pacientes que já apresentam eventos cardiovasculares prévios, a indicação
deve ser individualizada.
A
cardiologista alertou que, nesses casos, a reposição pode ser neutra
ou até prejudicial para os vasos sanguíneos, especialmente quando há
aterosclerose já instalada.
"Nessas
situações, a gente tem que individualizar a indicação da terapia de
reposição hormonal", concluiu a especialista.
Fonte:
CNN Brasil

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