Mancha
escura no pescoço pode ser sinal de diabetes? Entenda quando investigar
O
diabetes pode se manifestar por meio de alterações na pele, incluindo manchas
escuras no pescoço, nas axilas, nos cotovelos e nos joelhos. Em alguns casos,
essas alterações também podem surgir antes mesmo do diagnóstico da doença.
A
condição recebe o nome de acantose nigricans. A pele costuma ficar escurecida,
espessa e com aspecto que algumas pessoas confundem com sujeira.
O
dermatologista, professor e pesquisador Felipe Ribeiro explicou o tema durante
entrevista ao DiabetesCast, apresentado pelo jornalista Tom Bueno.
Segundo
Ribeiro, a pessoa não deve tentar resolver a mancha apenas com procedimentos
estéticos. Primeiro, o médico precisa investigar por que a alteração apareceu.
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Mancha escura no pescoço exige investigação
Quando
uma pessoa chega ao consultório com esse tipo de mancha, o dermatologista
avalia diferentes possibilidades.
Felipe
Ribeiro explica que alguns tipos de câncer também podem causar acantose
nigricans. Entre os exemplos citados por ele estão tumores de útero, ovário e
pâncreas.
Por
isso, o médico precisa descartar uma neoplasia antes de relacionar a alteração
apenas ao metabolismo.
“Quando
a gente descarta isso, a gente vai pesquisar a resistência insulínica”, afirmou
o dermatologista.
Em
alguns casos, o paciente pode apresentar as duas condições ao mesmo tempo.
Portanto, a presença da mancha não permite um diagnóstico isolado.
A
avaliação médica deve considerar o histórico da pessoa, outros sintomas e os
exames solicitados pelo profissional responsável.
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Resistência à insulina pode mudar a aparência da pele
Depois
de descartar outras causas, o médico pode investigar a resistência à insulina,
o diabetes ou sinais que antecedem o diagnóstico.
A
resistência à insulina acontece quando o organismo encontra dificuldade para
usar esse hormônio. Nesse cenário, o corpo pode produzir mais insulina para
tentar controlar a glicose.
Segundo
Felipe Ribeiro, a pele do pescoço, das axilas e de outras regiões apresenta
receptores para a insulina.
Quando
a quantidade do hormônio permanece elevada, a pele dessas áreas pode se
multiplicar mais. Como resultado, ela fica escura e espessa.
O
dermatologista também relaciona a alteração a valores elevados de hemoglobina
glicada. Ele cita resultados acima de 7% ou 7,4% entre pacientes que chegam ao
consultório.
A
hemoglobina glicada mostra como a glicose se comportou nos últimos meses. No
entanto, apenas o médico pode interpretar o resultado dentro do quadro de cada
paciente.
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Creme, peeling e laser não tratam a causa da mancha
A
aparência da aacantose nigricans pode gerar incômodo. Ainda assim, Felipe
Ribeiro afirma que cremes, peelings e lasers não resolvem a causa quando a
alteração está ligada ao metabolismo.
Segundo
ele, o clareamento depende do controle da glicemia, da redução da resistência à
insulina e, quando necessário, da perda de peso.
“Essa
mancha escura só melhora com o controle glicêmico”, explicou.
A
alimentação e a atividade física também podem ajudar no tratamento, conforme a
orientação dos profissionais que acompanham o paciente.
O
dermatologista relata que algumas pessoas deixam de usar roupas de manga curta
ou evitam a praia por causa das manchas.
Além do
escurecimento, pequenas elevações podem surgir sobre a pele com o passar do
tempo. Isso amplia o impacto da condição na rotina.
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Medicamentos para diabetes e obesidade podem ajudar?
Medicamentos
da classe dos análogos de GLP-1 tratam diabetes tipo 2 e obesidade. Eles também
passaram a chamar a atenção dos dermatologistas.
Felipe
Ribeiro afirma que alguns pacientes apresentam melhora da acantose nigricans
após perder peso durante o tratamento.
Ele
também relata melhora em casos de dermopatia diabética, psoríase, úlceras com
cicatrização lenta e infecções causadas por fungos.
Essas
infecções podem aparecer na virilha ou entre os dedos, principalmente quando a
pessoa mantém a glicose fora das metas estabelecidas.
Segundo
o dermatologista, a perda de peso e o controle glicêmico podem reduzir a
frequência dessas alterações.
No
entanto, esses medicamentos não devem ser tratados apenas como produtos para
emagrecimento. Eles exigem indicação e acompanhamento médico.
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Pesquisadores estudam formas de usar GLP-1 na pele
A
relação entre os medicamentos e a dermatologia ainda passa por investigação.
Felipe
Ribeiro afirma que pesquisadores estudam formas de aplicar substâncias
relacionadas ao GLP-1 diretamente na pele.
A
proposta envolve o desenvolvimento de cremes ou séruns para tratar condições
localizadas, sem provocar a mesma perda de peso.
Esse
tipo de produto exigiria outra formulação, outro veículo e estudos sobre
segurança e eficácia.
O
dermatologista cita a presença de receptores ligados ao GLP-1 na pele e nos
cabelos. Segundo ele, essa comunicação pode explicar parte das alterações
observadas nos consultórios.
No
entanto, as respostas disponíveis ainda são iniciais. O próprio pesquisador
reconhece que os estudos contam com poucos participantes e não esclarecem todas
as dúvidas.
Fonte:
Um Diabético

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