PDV
e Marcellão: Como Mendonça blindou Flávio Bolsonaro na última ação da PF no
caso Master
André
Mendonça, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a Polícia
Federal (PF) a avançar na 9ª fase da Operação Compliance Zero contra Jaques
Wagner (PT-BA), mas deixou fora da ação ostensiva o eixo mais sensível para a
extrema direita no caso Master: Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o Projeto DV,
conhecido nos bastidores como PDV, e Marcello Lopes, o Marcellão, marqueteiro
da pré-campanha presidencial do senador bolsonarista.
O ponto
central da decisão é o recorte. O STF informou oficialmente que Mendonça
atendeu parcialmente a pedido da PF para aplicar medidas contra Wagner e
gestores do Banco Master. A decisão pública, no entanto, não levou para a mesma
vitrine policial a trilha que passa por Flávio, por Daniel Vorcaro e pela
estrutura de comunicação contratada para atacar o Banco Central.
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Mendonça apertou Jaques Wagner e poupou o eixo de Flávio Bolsonaro
A 9ª
fase da Compliance Zero produziu o que toda operação de impacto produz:
mandados, cautelares, manchetes e imagem política. O alvo foi Jaques Wagner,
líder do governo Lula no Senado. A apuração, segundo o STF, envolve suspeitas
de crimes financeiros, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva e
organização criminosa relacionados ao Banco Master.
A
decisão autorizou buscas e medidas contra pessoas físicas e jurídicas apontadas
pela PF como parte de um núcleo ligado a Wagner e a gestores do banco. O
ministro também impôs restrições de contato e de atuação econômica relacionadas
a empresas investigadas. O mérito das suspeitas não foi julgado.
Mas a
mesma decisão não cita Flávio Bolsonaro. Não cita Marcellão. Não cita Projeto
DV. Não cita o PDV. Esse silêncio é o fato político da operação. No mesmo caso
Master em que a PF bateu na porta de um senador do PT, o pedaço que encosta na
pré-campanha presidencial bolsonarista seguiu fora da ação aberta ao público.
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PDV colocou Marcellão na rota de Daniel Vorcaro
O PDV,
ou Projeto DV, é a peça que conecta a comunicação política bolsonarista ao
entorno de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Segundo reportagem da Folha de
S.Paulo, o documento listava Marcello Lopes, o Marcellão, como integrante da
“equipe de estrategistas” de uma ofensiva contratada por Vorcaro contra o Banco
Central e servidores da autarquia.
A
conexão não é lateral. A Fórum mostrou, em reportagem sobre o Pix de R$ 650
mil, que Marcellão aparece no centro do cruzamento entre Vorcaro, comunicação
digital e a pré-campanha de Flávio Bolsonaro. O publicitário foi escalado para
coordenar a estratégia de comunicação do senador do PL antes de o caso
explodir.
De
acordo com a apuração publicada pela Folha e retomada pela Fórum, Thiago
Miranda, dono da agência Mithi, fez um Pix de R$ 650 mil a Marcellão em 13 de
dezembro, período em que o Projeto DV estava em elaboração. O publicitário
negou participação na ofensiva contra o Banco Central e afirmou que o valor se
referia a pagamentos atrasados por serviços e consultorias anteriores.
Mesmo
com a negativa, o dado permanece relevante: o marqueteiro de Flávio aparece
associado ao plano de Vorcaro justamente no capítulo do Master que envolve
comunicação, pressão sobre autoridade monetária e disputa política. Foi esse
capítulo que não entrou na operação assinada por Mendonça contra Wagner.
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Marcellão atuava na campanha mesmo depois do constrangimento
Marcellão
também não é apenas um nome de planilha. Ele era operador de comunicação da
pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro e circulava no núcleo que
preparava o senador para ocupar o lugar político de Jair Bolsonaro em 2026.
A Fórum
revelou que o marqueteiro ligado a Flávio assinou contratos milionários no
governo Bolsonaro. A informação ajuda a explicar por que a presença de
Marcellão no Projeto DV não é um detalhe burocrático, mas uma ponte entre
dinheiro, comunicação e poder político.
Depois
da exposição do caso, Flávio tentou reorganizar a comunicação da pré-campanha.
A troca no marketing de Flávio foi tratada pela Fórum como tentativa de afastar
Marcellão do comando formal. A movimentação não apagou o vínculo anterior nem a
pergunta que segue sem resposta pública na decisão de Mendonça: por que o
núcleo do PDV ficou fora da ação ostensiva da PF?
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Dark Horse e PDV ficaram na gaveta certa para Flávio
O outro
eixo de proteção é o filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro. A Fórum
mostrou que Flávio Bolsonaro negociou R$ 134 milhões com Daniel Vorcaro,
segundo documentos e áudios revelados pelo The Intercept Brasil, para financiar
a produção.
O caso
chegou ao STF por notícia-crime do deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), que
apontou possível conexão entre Banco Master, Vorcaro, Flávio, Eduardo Bolsonaro
e recursos destinados ao filme. A presidência do Supremo remeteu o caso para
Mendonça por prevenção, porque já havia procedimentos relacionados ao tema sob
a relatoria do ministro.
O
resultado prático é simples: Dark Horse ficou com Mendonça. PDV não apareceu na
última ação ostensiva. Marcellão não foi levado ao centro da decisão. Flávio
Bolsonaro, embora seja o personagem político mais exposto na linha Vorcaro, não
foi tratado na operação com a mesma dureza aplicada ao recorte de Jaques
Wagner.
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A blindagem de Mendonça está no que a PF não fez
A
decisão de Mendonça não arquiva investigação sobre Flávio Bolsonaro. Também não
declara que Marcellão ou o PDV estejam fora do caso Master. A blindagem aparece
de outro modo: no desenho da operação, no que sobe para a vitrine e no que
permanece em procedimento sigiloso, periférico ou sem medida pública
equivalente.
Na
prática, a 9ª fase da Compliance Zero apertou o lado que produz desgaste
imediato para o governo Lula e manteve fora da foto o pedaço que toca a
campanha presidencial bolsonarista. É esse o ponto central. Não se trata de
procurar uma frase explícita de proteção no despacho. Trata-se de observar a
seleção dos alvos.
Enquanto
Wagner virou alvo de mandados e cautelares, Flávio Bolsonaro seguiu fora da
ação pública mesmo depois de ter admitido pedido de dinheiro a Vorcaro para
Dark Horse e de ter Marcellão, seu marqueteiro, ligado ao Projeto DV. No caso
Master, Mendonça não precisou defender Flávio em voz alta. Bastou deixar o PDV
fora da porta da PF.
• Vorcaro teria assinado contrato para
filme sobre Master na prisão, diz PF
A PF
(Polícia Federal) apreendeu na casa do publicitário Thiago Miranda um contrato
que previa a produção de um documentário batizado de “Caso Banco Master"
em seis meses, com assinatura do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
O que
chamou a atenção dos investigadores é que o documento teria sido assinado por
Vorcaro em 31 de março deste ano, quando o ex-banqueiro já estava preso na
Polícia Federal em Brasília. Os investigadores afirmam ao STF (Supremo Tribunal
Federal) que a apreensão do suposto contrato "demanda maior aprofundamento
instrutório com vistas à sua adequada compreensão”.
A PF
detalha que, em síntese, o documento tinha vigência de seis meses e seria
produzido um documentário ou série documental sobre fatos, personagens e
acontecimentos relacionados ao tema "Caso Banco Master", com a
colaboração proativa de Thiago Miranda e Daniel Vorcaro, que teriam assumido o
compromisso de auxiliar a produção compartilhando informações, concedendo
entrevistas exclusivas e fornecendo acesso a documentos que contribuam para a
elaboração da obra.
O
contrato tem firma reconhecida em cartório por Miranda e Vorcaro, dentre outras
pessoas, diz a PF.
Para
entender como se daria essa produção, e também esclarecer o grande número de
garrafas de vinho e espumante que seriam destinadas a Fernando Cavalcanti, alvo
da operação Sem Desconto (das fraudes no INSS), a PF diz que é fundamental
analisar o celular apreendido com o publicitário.
“A
análise dos dados existentes no aparelho celular em posse de Thiago Miranda
pode melhor delimitar a extensão das vantagens indevidas transacionadas, seja
mediante favores, pagamento de despesas no exterior, transações bancárias ou
mesmo eventual entrega de valores em espécie”.
Após a
suspensão de seu passaporte, a defesa de Miranda publicou uma nota dizendo que
"desde o início das investigações, o Sr. Thiago Miranda adotou postura
estritamente colaborativa, pautada pela boa-fé e pela mais absoluta lealdade
processual, comparecendo espontaneamente a todos os atos para os quais foi
convocado e prestando os esclarecimentos que lhe foram solicitados".
"A
defesa nega enfaticamente a prática de qualquer irregularidade por parte de seu
constituinte, confiante de que, ao final da regular instrução, restará
plenamente demonstrada a improcedência das suspeitas que lhe são
atribuídas", acrescenta.
• Vídeo de Flávio Bolsonaro: influenciador
expõe “talaricagem” de ex-aliado para defender o clã
disputa
entre diferentes alas do bolsonarismo ganhou um novo capítulo após o
influenciador Kim Paim fazer ataques públicos ao escritor Sílvio Grimaldo,
ex-diretor do portal Brasil Sem Medo. Em publicação nas redes sociais, Paim
afirmou que Grimaldo seria “mestre em pular a cerca quando está em São Paulo” e
o acusou de ter se aproximado do banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco
Master, intensificando o clima de divisão entre antigos aliados.
As
declarações foram feitas em meio à repercussão de rumores sobre uma suposta
participação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em festas promovidas por
Vorcaro. O episódio ganhou força depois que a ex-primeira-dama Michelle
Bolsonaro compartilhou um vídeo do ex-governador Anthony Garotinho comentando
um evento atribuído ao banqueiro, conhecido nas redes sociais como “festa das
astronautas”.
Flávio
Bolsonaro reagiu publicamente às especulações e afirmou que a informação era
falsa. O senador declarou que nunca participou de festas promovidas por Daniel
Vorcaro nem utilizou aeronaves ligadas ao empresário. Segundo sua equipe,
registros oficiais do Senado mostram que ele estava em Brasília e no Rio de
Janeiro nas datas em que o evento teria ocorrido.
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Contratos com o Master
Enquanto
a discussão sobre o senador dominava as redes sociais, Kim Paim ampliou o foco
das críticas e passou a mirar Sílvio Grimaldo. Além da provocação de caráter
pessoal, o influenciador afirmou que o ex-aliado teria firmado contratos e
recebido recursos do grupo ligado ao Banco Master, usando essas alegações para
sustentar que Grimaldo teria abandonado posições defendidas anteriormente
dentro do movimento conservador.
As
críticas fazem parte de uma ofensiva mais ampla conduzida por influenciadores
identificados com a ala mais ideológica do bolsonarismo. Além de Paim, nomes
como Paulo Figueiredo também vêm questionando a condução da pré-campanha de
Flávio Bolsonaro e criticando integrantes de seu grupo político, apontando um
suposto afastamento do que chamam de “bolsonarismo raiz”.
No
centro da disputa também aparece o chamado “Projeto DV”, expressão utilizada
por críticos de Daniel Vorcaro para se referir a uma suposta estrutura
destinada ao gerenciamento de crises de imagem envolvendo o banqueiro. As
alegações são feitas por influenciadores e têm sido usadas como argumento nas
críticas dirigidas a pessoas que, segundo eles, passaram a defender interesses
ligados ao empresário.
As
trocas de acusações evidenciam o aprofundamento das divergências dentro da
direita, em um momento em que lideranças e influenciadores disputam espaço e
protagonismo na construção do projeto político para as eleições presidenciais
de 2026.
Fonte:
Fórum/CNN Brasil

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