quarta-feira, 10 de maio de 2023

'O espinho que OTAN cravou no Leste da Ásia afetará todos os países asiáticos', alerta jornal chinês

A abertura de um escritório de ligação da OTAN em Tóquio prejudicará todos os países da região, inclusive o Japão, mas a expansão da organização um dia chegará ao fim, de acordo com um editorial do jornal chinês Global Times.

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) pretende abrir um escritório de ligação em Tóquio em 2024, refletindo em documentos conjuntos o fortalecimento da cooperação de segurança com o Japão em novas áreas: o ciberespaço, o espaço e o combate à desinformação, informou há pouco o jornal Nikkei.

De acordo com o Global Times, "esse será o primeiro escritório de ligação da OTAN na Ásia – um espinho venenoso cravado na Ásia. Quando o veneno desse espinho for emitido, ele certamente vai aumentar a insegurança dos países da região e causar divisões", diz o artigo.

Os autores destacam que a criação desse escritório não é mais um passo simbólico, mas um passo significativo da OTAN para criar o chamado sistema de segurança em torno da China, argumentando que o alvo de sua defesa é a China.

"Não se deve subestimar o perigo de um escritório de ligação. A longo prazo, a entrada da OTAN é a introdução desse paradigma hostil na Ásia", escrevem.

Se o modelo da OTAN for implementado na Ásia, prejudicará os esforços dos países da região para estabelecer uma ordem de segurança comum, diz a publicação.

"O espinho que a OTAN cravou no Leste da Ásia afetará todos os países asiáticos, inclusive o Japão. Mas, tal como um espinho sempre pode ser removido, a expansão da OTAN chegará um dia ao fim", conclui o artigo.

Anteriormente, comentando os relatos sobre um escritório de ligação da OTAN em Tóquio, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, disse que o avanço da OTAN para a Ásia-Pacífico vai prejudicar a paz e a estabilidade regionais. Ela sublinhou que os países da região devem prestar especial atenção ao confronto de blocos resultante de tais ações.

·         Embaixada russa em Tóquio se preocupa com 'remilitarização do Japão' através da OTAN

A Rússia está preocupada com o aumento dos gastos militares do Japão e com o fortalecimento das suas capacidades militares, bem como com a fixação da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) na região, disse o vice-chefe da missão diplomática russa no Japão, Gennady Ovechko, em entrevista à Sputnik.

O diplomata indica que iniciativas sérias, como a atualização dos documentos doutrinários de defesa e segurança e o aumento sem precedentes do orçamento militar, são impulsionadas sem a devida discussão ou aprovação do povo japonês.

"O impulso do governo de Fumio Kishida para a remilitarização do Japão é um desenvolvimento preocupante [...] Estamos testemunhando tentativas de transformar as Forças de Autodefesa do Japão em um verdadeiro Exército capaz de conduzir operações ofensivas", afirma o diplomata russo.

Ele ressalta também o fato da realização pelo Japão de exercícios militares em larga escala perto das fronteiras da Rússia, envolvendo participantes de fora da região, a tendência do partido governista do Japão de discutir a suspensão das restrições às transferências de armas letais para terceiros países, apesar da opinião pública negativa, e a apresentação unilateral de informações na mídia japonesa.

Ao falar sobre a instalação de um escritório de ligação da OTAN em Tóquio, Ovechko disse que as ambições globalizantes da Aliança Atlântica representam novas ameaças.

"A Rússia tem se oposto constantemente à criação de novos blocos militares e à expansão dos existentes, inclusive na região da Ásia-Pacífico. A OTAN, a tese do papel global da aliança e a necessidade de ir além de sua área de responsabilidade tradicional, a euro-atlântica, têm sido expressas com frequência cada vez maior", indica ele.

Em sua opinião, tudo está sendo feito para tornar o mundo ainda mais perigoso, a fim de impedir a existência de centros de poder alternativos capazes de conter a hegemonia ocidental.

"São os países da Ásia-Pacífico que são responsáveis pela situação de segurança em sua casa, têm todos os recursos necessários para isso e não precisam da tutela de agentes externos que buscam suas próprias metas mercenárias", salienta Ovechko.

As preocupações de Moscou foram causadas pelos esforços de Tóquio para aumentar as "capacidades de contra-ataque" do Japão para poder responder às supostas ameaças chinesas e norte-coreanas, de acordo com três documentos de segurança importantes adotados em dezembro de 2022.

Os documentos sobre segurança nacional incluem um aumento no orçamento de defesa japonês para 2% do PIB até 2027, ou cerca de 11 trilhões de ienes (R$ 410 bilhões). Para efeito de comparação, os gastos com defesa do Japão em 2022 totalizaram 5,4 trilhões de ienes (R$ 200 bilhões), o que representa 1,24% do PIB.

 

Ø  'Canadá não será intimidado pela China', diz Justin Trudeau em meio à expulsão de diplomatas

 

O Canadá expulsou o diplomata chinês Zhao Wein ontem (8) por alegações relacionadas à interferência estrangeira e, horas depois, a China pediu a um diplomata canadense em Xangai que saísse até 13 de maio em resposta ao que chamou de "ações irracionais" de Ottawa.

Nesta terça-feira (9), o primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, disse que o país não será intimidado pela China após as expulsões diplomáticas de Ottawa e Pequim.

"Entendemos que há retaliação, mas não seremos intimidados, continuaremos a fazer todo o necessário para manter os canadenses protegidos da interferência estrangeira", disse Trudeau a repórteres em Ottawa segundo a Reuters.

No ano passado, Pequim suspendeu uma proibição de três anos às importações de canola, a maior safra do Canadá, das tradings Richardson International e Viterra, imposta em 2018. A China também é um grande importador de potássio e trigo canadenses, relembra a mídia.

Na cúpula do G20 do ano passado, o presidente Xi Jinping e Trudeau se estranharam, quando o líder chinês o indagou o canadense do porquê que tudo que eles haviam discutido na cúpula "foi vazado aos jornais".

Alguns temem que as tensões possam ter repercussões econômicas no Canadá. As importações chinesas de produtos canadenses aumentaram 16% no ano passado, para um recorde de US$ 74,8 bilhões (R$ 373 bilhões) , e a China é o segundo maior parceiro comercial do Canadá depois dos Estados Unidos.

Entretanto, Guy Saint-Jacques, ex-embaixador canadense na China, disse não acreditar que Pequim aplicará sanções ao Estado canadense.

Em sua visão, Pequim está conduzindo uma "ofensiva de charme para convencer empresas estrangeiras a voltar à China para investir", acrescentou Saint-Jacques. "Portanto, impor sanções ao Canadá neste estágio teria enviado uma mensagem muito ruim às empresas estrangeiras."

 

Ø  Diplomatas dos EUA pedem fim da diplomacia com Irã e exigem pressão máxima de Biden

 

Diversos ex-diplomatas dos EUA instaram formalmente o presidente Joe Biden a acabar com a diplomacia com o Irã em relação ao Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA, na sigla inglês), informou a Fox News.

A emissora relatou que os antigos diplomatas afirmam que a atual estratégia de Biden de aliviar as sanções por bom comportamento é perigosa.

O grupo instou Biden a abandonar a diplomacia com o Irã e impor novamente a política de pressão máxima contra a República Islâmica para proteger o povo americano das "ameaças", não apenas iraniana como de outros países.

"A abordagem de oferecer o alívio antecipado das sanções e confiar no regime [iraniano] é um passo totalmente equivocado e irresponsável dado o registro do regime em mentir sobre seu programa nuclear", afirma o grupo de ex-diplomatas.

O JCPOA foi firmado entre o Irã e seis potências mundiais (Rússia, Estados Unidos, China, França, Reino Unido e Alemanha) para garantir o caráter civil do programa nuclear iraniano.

Porém, com o rompimento unilateral do acordo pelos Estados Unidos em 2018, sob o governo de Donald Trump, e o restabelecimento das sanções americanas, Teerã também deixou o programa.

O novo acordo quase regressou em setembro de 2022, antes de o Irã recuar depois que os países ocidentais rejeitaram a exigência do país que cessassem as investigações sobre instalações nucleares não declaradas.

 

Ø  Governador russo de Zaporozhie afirma que a maior usina nuclear da Europa está inativa

 

De acordo com a autoridade local, os reatores da instalação foram fechados devido à ameaça de ataques ucranianos a Zaporozhie.

A usina nuclear de Zaporozhie foi colocada em estado inativo, declarou o governador interino da região de Zaporozhie, Yevgeny Balitsky. A decisão de interromper o trabalho da estação foi tomada devido à ameaça de ações "imprevisíveis" de Kiev, disse a autoridade na segunda-feira (8).

"Entendemos que isso é uma manipulação. Portanto, os reatores nucleares já foram desligados. O quinto reator está em espera ativa. Não entendemos o que esse macaco com uma granada pode fazer, então desligamos os reatores", disse Balitsky ao canal de TV Crimea 24.

Os blocos dos reatores foram fechados na semana passada, com sua manutenção "continuando de acordo com todas as regulamentações necessárias, com controle estrito dos padrões de segurança contra radiação", disse o diretor da usina nuclear, Yuri Chernichuk, na sexta-feira (5).

As preocupações com a segurança da instalação da usina de Zaporozhie dispararam recentemente em meio à contraofensiva ucraniana iminente e há muito esperada. A situação de segurança na área próxima à instalação estava "se tornando cada vez mais imprevisível e potencialmente perigosa", alertou no sábado (6) o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi.

"Estou extremamente preocupado com a segurança nuclear muito real e os riscos de proteção enfrentados pela usina. Devemos agir agora para prevenir a ameaça de um grave acidente nuclear e suas consequências para a população e o meio ambiente", afirmou.

As tropas russas assumiram o controle da maior usina nuclear da Europa em março de 2022. Uma subsidiária da gigante estatal de energia nuclear de Moscou, Rosatom, assumiu formalmente a administração da usina no outono passado (Hemisfério Norte), quando a região de Zaporozhie votou para se juntar à Rússia junto com Kherson, e as repúblicas populares de Donetsk (RPD) e Lugansk (RPL).

A instalação nuclear tornou-se alvo de repetidos bombardeios de artilharia e ataques de drones pelas forças de Kiev. Além disso, os militares ucranianos realizaram repetidamente operações de desembarque no rio Dniepre em uma aparente tentativa de tomar as instalações. Até agora, tais ataques não tiveram sucesso e a própria estação não sofreu danos críticos, o que poderia resultar em uma grande catástrofe nuclear.

 

Ø  CIA 'espiona' conversas das autoridades políticas de Taiwan há muito tempo, diz especialista

 

A Agência Central de Inteligência (CIA, na sigla em inglês) dos EUA há anos monitora e escuta as autoridades políticas de Taiwan, para, provavelmente, iniciar uma "revolução colorida" na ilha, às vésperas das eleições de 2024.

Anteriormente, um relatório da empresa de segurança na Internet chinesa 360 indicou que a CIA está por trás de um grande número de ataques de hackers e revoluções coloridas por todo o mundo.

"Há muito tempo, a CIA vem organizando secretamente 'mudanças pacíficas' e 'revoluções coloridas', além de realizar atividades de espionagem e roubo de informações", diz o relatório.

De acordo com o especialista em relações entre a China continental e Taiwan Bi Dianlong, não se sabe ao certo como a CIA participou na organização da Revolta Girassol, contudo está mais do que claro que a agência americana estava envolvida.

Além disso, o especialista afirmou à Sputnik que a CIA está monitorando e implantando escutas telefônicas para espionar as autoridades de Taiwan há anos, coletando informações até mesmo de ex-políticos.

Segundo Bi Dianlong, as agências americanas estão trabalhando em grande escala na ilha, através de grupos de reflexão, fundações de opinião pública e meios de comunicação social.

"Com a ajuda desses meios, eles influenciam a opinião pública em Taiwan e, consequentemente, as eleições", destacou.

Para o especialista, a CIA está mais uma vez tentando provocar uma Revolta Girassol, manipulando informações e influenciando as eleições.

"A CIA está preparada para fazer o que for necessário. Especialmente pelo fato de as eleições em Taiwan estar se aproximando, em 2024. A posição do Partido Democrático Progressista antes das eleições não é de otimismo. Sendo assim, estão prontos para lançar uma revolta colorida ainda mais ampla. Será mais profunda e inclusiva do que a Revolta Girassol", destacou o especialista.

A situação em torno de Taiwan se agravou significativamente após a visita da então presidente da Câmara dos Representantes dos EUA, Nancy Pelosi, à ilha no início de agosto.

A China, que considera a ilha uma de suas províncias, condenou a visita de Pelosi, vendo-a como um ato de apoio dos EUA ao separatismo de Taiwan, e conduziu exercícios militares em larga escala.

As relações oficiais entre o governo central da China e sua província insular se romperam em 1949, após as forças derrotadas do Kuomintang, lideradas por Chiang Kai-shek, terem se mudado para Taiwan no final da guerra civil contra o Partido Comunista chinês.

Os contatos comerciais e informais entre a ilha e a China continental foram retomados no final dos anos 80. Desde o início dos anos 90, os dois lados têm estado em contato só através de organizações não governamentais.

 

Ø  Congressista quer responsabilizar Blinken por desacato ao Congresso dos EUA

 

Michael McCaul, chefe do Comitê de Assuntos Externos da Câmara dos Representantes dos EUA, pretende acusar o secretário de Estado, Antony Blinken, de desacato ao Congresso em meio à investigação dos legisladores sobre a retirada das tropas norte-americanas do Afeganistão, informou a CNN.

De acordo com a emissora, McCaul enviou uma carta a Blinken depois que o secretário de Estado testemunhou perante o Congresso em março sobre a retirada das tropas em 2021.

Segundo o congressista republicano, o Departamento de Estado forneceu informações "incompletas", o que "viola seu dever legal", e agora deve fornecer prontamente os dados completos.

"McCaul está dando a Blinken um terceiro prazo, até 11 de maio, para que ele cumpra voluntariamente a decisão, caso contrário, ele dará início a um processo por desacato", relata o artigo.

O Departamento de Estado chamou a última medida de "ação desnecessária e improdutiva".

McCaul já solicitou por duas vezes a Blinken os documentos sobre a "retirada catastrófica" das tropas norte-americanas do Afeganistão.

O comitê solicitou ao Departamento de Estado os documentos correspondentes à retirada das tropas americanas do Afeganistão desde agosto de 2021, mas as solicitações nunca foram totalmente atendidas.

No início de agosto de 2021, o Talibã (organização sob sanções da ONU por atividade terrorista) intensificou sua ofensiva contra as forças do governo no Afeganistão, entrou em Cabul em 15 de agosto e declarou o fim da guerra no dia seguinte.

Nas duas últimas semanas desse mês, houve uma evacuação em massa de cidadãos dos países ocidentais e afegãos que haviam cooperado com eles do aeroporto de Cabul, controlado pelo Exército dos EUA.

Na noite de 31 de agosto, os militares dos EUA se retiraram do aeroporto de Cabul, encerrando quase 20 anos da presença militar dos EUA no Afeganistão.

 

Fonte: Sputnik Brasil

 

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