quarta-feira, 10 de maio de 2023

Ministério vai acionar PF após agressão em supermercado na Bahia

O ministro dos Direitos Humanos e da Cidadania, Silvio Almeida, afirmou nesta segunda-feira (8) que a pasta adotará medidas rígidas em relação ao caso de agressão de um casal negro em um supermercado em Salvador, na sexta-feira (5).

A pasta acionará Ministério da Justiça e Segurança Pública e a Polícia Federal para discutir a regulamentação das empresas de segurança no Brasil. Também será acionado o Comitê Nacional de Prevenção e Combate à Tortura para que sejam tomadas medidas sobre esse e outros casos semelhantes. Em outra frente, a pasta proporá a responsabilização penal das empresas por prática discriminatória.

Ainda nesta segunda-feira está prevista uma reunião com a deputada Luizianne Lins, presidente da Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial da Câmara dos Deputados, para que seja dada “celeridade a projetos de lei que estão tramitando na Casa que tratam sobre práticas discriminatórias, que inclusive foram objeto da comissão de juristas negros”.

·         Casal negro agredido por sete seguranças em unidade da Carrefour está sendo ameaçado de morte, diz advogado

O advogado do casal negro agredido nas dependências de um dos supermercados da Rede Carrefour, em Salvador, deu mais detalhes sobre o ocorrido. Em entrevista à TV Bahia, Walisson dos Reis, o casal sofre ameaças de morte e um boletim de ocorrência contra a empresa será registrado na quinta-feira (11).

O caso aconteceu na última quarta-feira (3) e acabou sendo registrado em delegacia na sexta (5), pela própria Rede Carrefour. “Naquele supermercado, eles receberam a pena de tortura. As imagens são chocantes. Nós vamos na delegacia registrar uma ocorrência contra o supermercado. Meus clientes foram agredidos por sete seguranças da rede e estão sendo ameaçados de morte".

Walisson reconhece que houve um erro na conduta do casal, de furtar pacotes de leite em pó, mas refirmou que um crime de menor potencial ofensivo não pode justificar o espancamento. O defensor afirmou ainda que as imagens foram divulgadas pelos próprios seguranças, como forma de constranger e humilhar os dois.

Também de acordo com o advogado, a mulher agredida iniciou um trabalho com carteira assinada e quase foi demitida por causa da repercussão. "Queriam mandá-la embora do emprego, devido a essa repercussão. Eu falei a ela: ‘tenha calma, eu estou chegando, vamos à delegacia. Vocês vão dar o depoimento de vocês'. A gente precisa estar atento, a polícia da Bahia precisa investigar a fundo".

LEMBRE O CASO

A Polícia Civil (PC) vai abrir inquérito para investigar as agressões sofridas pelo casal na parte externa de um supermercado da rede Carrefour, que ainda funciona como Big Bompreço, ao lado do Shopping Salvador Norte, no bairro de São Cristóvão, em Salvador.

A PC informou que não houve registro oficial do caso na 12ª Delegacia Territorial de Itapuã, porém, a unidade tomou conhecimento do crime através dos vídeos e iniciará as apurações dos fatos.

Em nota, a Carrefour afirmou que fez uma denúncia de agressão e lesão corporal e que a denúncia foi registrada eletronicamente, com número de protocolo 2023/0000257096-0, e encaminhada à 12ª Delegacia Territorial - Itapuã

Ainda de acordo com a Rede Carrefour, membros da equipe de prevenção da loja e a liderança da unidade foram desligados após o episódio. Além disso, a prestadora de serviço que fazia a segurança da área externa teve contrato rescindido.

•        Entenda o caso

Em imagens que circularam nas redes sociais neste fim de semana, um homem e uma mulher aparecem encostados em uma parede enquanto são agredidos e humilhados ao serem questionados sobre o suposto furto. Ao confirmar, a mulher diz que pegou sacos de leite em pó “porque sua filha está precisando”.

Na noite de sábado (6), por meio do Twitter, o Carrefour afirmou que não havia sido possível identificar os agressores até aquele momento. No entanto, informa que demitiu a equipe de segurança e que registrou um boletim de ocorrência na Polícia Civil para investigação dos fatos.

Em um vídeo divulgado na mesma postagem, o diretor de Riscos, Prevenção de Perdas, Segurança e Qualidade da empresa, Claudionor Alves, argumentou que o episódio é “inaceitável”.

“Duas pessoas foram covardemente agredidas na área externa da loja, e esse fato nos causou profunda indignação. É inaceitável que um crime como esse tenha ocorrido na área externa da nossa loja. Por isso, assumimos a responsabilidade de desligar a liderança e equipe de prevenção, além de rescindir o contrato com a empresa responsável pela segurança da área externa, onde a violência aconteceu", disse o diretor.

 

Ø  Morte do empresário pode ter sido provocada por vingança, diz delegado

 

O delegado Rodolfo Faro, titular da Delegacia de Homicídios de Feira de Santana, concluiu o inquérito que apura a morte do empresário Marcos Edilho Pereira Marinho, executado no dia 12 de março, na Avenida Fraga Maia.

Em entrevista ao repórter Aldo Matos do Programa Nas Ruas e Na Polícia, da Rádio Sociedade News FM, o delegado informou que mesmo com o inquérito concluído, as investigações ainda seguem no sentido de identificar os outros participantes do crime.

“Tivemos que antecipar a conclusão parcial dessas investigações e consequente remessa deste inquérito para o Ministério Público em razão da prisão antecipada de um dos investigados, e na data de sexta-feira passada foi feita esta remessa para apreciação do poder judiciário e da denúncia do mandante deste crime. As investigações seguem em andamento com a identificação dos executores, os indivíduos que de fato se encontravam naquele veículo no dia do crime, existem indícios de investigação desse suspeito no qual já foi interrogado que se reservou no seu direito de ficar em silêncio e todas essas diligências foram antecipadas em razão da prisão prematura do investigado. Mas a Polícia Civil vai continuar nas investigações, apesar do inquérito já ter sido remetido com o indiciamento do seu mandante, existem provas suficientes do envolvimento do mesmo da presença no dia do crime, inclusive na posse do veículo utilizado no crime, então o inquérito segue agora para a Justiça e as diligências que seriam ainda realizadas, vão ser realizadas no sentido de identificar os demais envolvidos”, explicou.

Segundo o delegado, a motivação do crime pode ter relação com vingança e um atentado na casa do cunhado de Marcos Marinho na cidade de Ipirá.

“Existe uma motivação já delineada, existe uma grande possibilidade de ser um crime de vingança por motivação passional, este crime inclusive tem uma relação com o atentado praticado na casa do cunhado da vítima lá na cidade de Ipirá no ano passado, e possivelmente com a morte de um suplente de vereador também naquela cidade. Então estes crimes estariam interligados tendo o mesmo mandante envolvido nestes crimes. Foi uma investigação muito complexa, dependeu basicamente do esforço das equipes no sentido de coletar imagens em toda a cidade, a rota de fuga utilizada pelos indivíduos, inclusive conseguimos flagrar o veículo utilizado no crime três dias antes em um local onde foi se reunir não só o mandante, como os executores. Essa filmagem flagrada do veículo utilizado foi em uma oficina deste indivíduo que foi preso temporariamente, posteriormente liberado, então a polícia vai trabalhar até dar continuidade com essas investigações para provar o envolvimento de todos neste delito”, finalizou.

 

       O que se sabe sobre o caso do homem morto vítima de fake news

 

Um homem morreu no domingo, dia 7, após ser vítima de agressão no meio da rua no Guarujá, na Baixada Santista. Osil Vicente Guedes foi acusado injustamente de roubar uma moto e espancado na quarta-feira, 3. Posteriormente, o dono do veículo informou à Polícia Militar ter emprestado a moto à vítima. Em vídeo postado nas redes sociais, Guedes foi atacado com pedaços de madeira e capacete por três pessoas.

•        Quem é a vítima?

Trata-se de Osil Vicente Guedes, de 49 anos. Ele foi acusado injustamente de roubar uma moto e espancado no meio da rua na quarta-feira passada, no Guarujá. Osil Guedes foi atacado com pedaços de madeira e capacete por três pessoas, segundo mostra um vídeo gravado por celular.

Osil Guedes estava internado desde o dia da agressão na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Santo Amaro, no Guarujá, onde foi declarada a morte encefálica no domingo. Ele era dono de uma empresa de reciclagem. Tinha um filho de 9 anos e morava no bairro Vila Áurea, que fica próximo de onde aconteceu o crime

•        Como começou o tumulto?

as imagens, dá para notar um homem caído no chão, que é acertado com um capacete na cabeça e que depois recebe um tapa na nuca de outro agressor. Para finalizar, ele é arrastado e arremessado no chão por um outro rapaz. "Não está bom para ladrão de moto, não. Ladrão de moto está se lascando", diz o autor da gravação. O linchamento ocorreu no bairro Pae-Cará.

Testemunhas relataram à Polícia Militar que as agressões começaram após um grito de "pega ladrão" direcionado a Osil Guedes.

•        A averiguação da Polícia Civil

Durante averiguação da Polícia Civil, o dono da moto afirmou que havia emprestado o veículo a Osil Guedes naquele mesmo dia e que mantinha contado há anos com a vítima. O proprietário da motocicleta, cuja identidade não foi revelada, ainda definiu a vítima como uma "pessoa trabalhadora e que não se metia em confusão." A Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP) disse, em nota, que foi comunicada da morte da vítima no domingo.

•        Como estão as investigações?

Segundo a SSP, a natureza da ocorrência foi modificada para homicídio e o irmão da vítima foi ouvido. "Diligências prosseguem visando ao esclarecimento dos fatos", afirma a pasta

•        Já houve caso semelhante?

Também no Guarujá, Fabiane Maria de Jesus, há nove anos, foi vítima de uma notícia falsa postada em maio de 2014 no Facebook. A postagem viralizou, também no dia 3 de maio daquele ano, e ela foi confundida com uma suposta sequestradora de crianças.

Fabiane foi amarrada e agredida por uma multidão após sair de casa no bairro Morrinhos para ir à igreja. Ela ainda foi levada ao hospital, mas morreu dois dias depois. Fabiane era inocente. Tinha duas filhas: uma de 13 anos e outra de um ano. O caso teve grande repercussão e se tornou emblemático de como fake news e a desinformação nas redes sociais podem resultar em violência.

 

Fonte: Agencia Brasil/Acorda Cidade/Correio

 

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