Ministério vai
acionar PF após agressão em supermercado na Bahia
O
ministro dos Direitos Humanos e da Cidadania, Silvio Almeida, afirmou nesta
segunda-feira (8) que a pasta adotará medidas rígidas em relação ao caso de
agressão de um casal negro em um supermercado em Salvador, na sexta-feira (5).
A
pasta acionará Ministério da Justiça e Segurança Pública e a Polícia Federal
para discutir a regulamentação das empresas de segurança no Brasil. Também será
acionado o Comitê Nacional de Prevenção e Combate à Tortura para que sejam
tomadas medidas sobre esse e outros casos semelhantes. Em outra frente, a pasta
proporá a responsabilização penal das empresas por prática discriminatória.
Ainda
nesta segunda-feira está prevista uma reunião com a deputada Luizianne Lins,
presidente da Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial da
Câmara dos Deputados, para que seja dada “celeridade a projetos de lei que
estão tramitando na Casa que tratam sobre práticas discriminatórias, que
inclusive foram objeto da comissão de juristas negros”.
·
Casal
negro agredido por sete seguranças em unidade da Carrefour está sendo ameaçado
de morte, diz advogado
O
advogado do casal negro agredido nas dependências de um dos supermercados da
Rede Carrefour, em Salvador, deu mais detalhes sobre o ocorrido. Em entrevista
à TV Bahia, Walisson dos Reis, o casal sofre ameaças de morte e um boletim de
ocorrência contra a empresa será registrado na quinta-feira (11).
O
caso aconteceu na última quarta-feira (3) e acabou sendo registrado em
delegacia na sexta (5), pela própria Rede Carrefour. “Naquele supermercado,
eles receberam a pena de tortura. As imagens são chocantes. Nós vamos na
delegacia registrar uma ocorrência contra o supermercado. Meus clientes foram
agredidos por sete seguranças da rede e estão sendo ameaçados de morte".
Walisson
reconhece que houve um erro na conduta do casal, de furtar pacotes de leite em
pó, mas refirmou que um crime de menor potencial ofensivo não pode justificar o
espancamento. O defensor afirmou ainda que as imagens foram divulgadas pelos
próprios seguranças, como forma de constranger e humilhar os dois.
Também
de acordo com o advogado, a mulher agredida iniciou um trabalho com carteira
assinada e quase foi demitida por causa da repercussão. "Queriam mandá-la
embora do emprego, devido a essa repercussão. Eu falei a ela: ‘tenha calma, eu
estou chegando, vamos à delegacia. Vocês vão dar o depoimento de vocês'. A
gente precisa estar atento, a polícia da Bahia precisa investigar a
fundo".
LEMBRE
O CASO
A
Polícia Civil (PC) vai abrir inquérito para investigar as agressões sofridas
pelo casal na parte externa de um supermercado da rede Carrefour, que ainda
funciona como Big Bompreço, ao lado do Shopping Salvador Norte, no bairro de
São Cristóvão, em Salvador.
A
PC informou que não houve registro oficial do caso na 12ª Delegacia Territorial
de Itapuã, porém, a unidade tomou conhecimento do crime através dos vídeos e
iniciará as apurações dos fatos.
Em
nota, a Carrefour afirmou que fez uma denúncia de agressão e lesão corporal e
que a denúncia foi registrada eletronicamente, com número de protocolo
2023/0000257096-0, e encaminhada à 12ª Delegacia Territorial - Itapuã
Ainda
de acordo com a Rede Carrefour, membros da equipe de prevenção da loja e a
liderança da unidade foram desligados após o episódio. Além disso, a prestadora
de serviço que fazia a segurança da área externa teve contrato rescindido.
• Entenda o caso
Em
imagens que circularam nas redes sociais neste fim de semana, um homem e uma
mulher aparecem encostados em uma parede enquanto são agredidos e humilhados ao
serem questionados sobre o suposto furto. Ao confirmar, a mulher diz que pegou
sacos de leite em pó “porque sua filha está precisando”.
Na
noite de sábado (6), por meio do Twitter, o Carrefour afirmou que não havia
sido possível identificar os agressores até aquele momento. No entanto, informa
que demitiu a equipe de segurança e que registrou um boletim de ocorrência na
Polícia Civil para investigação dos fatos.
Em
um vídeo divulgado na mesma postagem, o diretor de Riscos, Prevenção de Perdas,
Segurança e Qualidade da empresa, Claudionor Alves, argumentou que o episódio é
“inaceitável”.
“Duas
pessoas foram covardemente agredidas na área externa da loja, e esse fato nos
causou profunda indignação. É inaceitável que um crime como esse tenha ocorrido
na área externa da nossa loja. Por isso, assumimos a responsabilidade de
desligar a liderança e equipe de prevenção, além de rescindir o contrato com a
empresa responsável pela segurança da área externa, onde a violência
aconteceu", disse o diretor.
Ø
Morte
do empresário pode ter sido provocada por vingança, diz delegado
O
delegado Rodolfo Faro, titular da Delegacia de Homicídios de Feira de Santana,
concluiu o inquérito que apura a morte do empresário Marcos Edilho Pereira
Marinho, executado no dia 12 de março, na Avenida Fraga Maia.
Em
entrevista ao repórter Aldo Matos do Programa Nas Ruas e Na Polícia, da Rádio
Sociedade News FM, o delegado informou que mesmo com o inquérito concluído, as
investigações ainda seguem no sentido de identificar os outros participantes do
crime.
“Tivemos
que antecipar a conclusão parcial dessas investigações e consequente remessa
deste inquérito para o Ministério Público em razão da prisão antecipada de um
dos investigados, e na data de sexta-feira passada foi feita esta remessa para
apreciação do poder judiciário e da denúncia do mandante deste crime. As
investigações seguem em andamento com a identificação dos executores, os
indivíduos que de fato se encontravam naquele veículo no dia do crime, existem
indícios de investigação desse suspeito no qual já foi interrogado que se reservou
no seu direito de ficar em silêncio e todas essas diligências foram antecipadas
em razão da prisão prematura do investigado. Mas a Polícia Civil vai continuar
nas investigações, apesar do inquérito já ter sido remetido com o indiciamento
do seu mandante, existem provas suficientes do envolvimento do mesmo da
presença no dia do crime, inclusive na posse do veículo utilizado no crime,
então o inquérito segue agora para a Justiça e as diligências que seriam ainda
realizadas, vão ser realizadas no sentido de identificar os demais envolvidos”,
explicou.
Segundo
o delegado, a motivação do crime pode ter relação com vingança e um atentado na
casa do cunhado de Marcos Marinho na cidade de Ipirá.
“Existe
uma motivação já delineada, existe uma grande possibilidade de ser um crime de
vingança por motivação passional, este crime inclusive tem uma relação com o
atentado praticado na casa do cunhado da vítima lá na cidade de Ipirá no ano
passado, e possivelmente com a morte de um suplente de vereador também naquela
cidade. Então estes crimes estariam interligados tendo o mesmo mandante
envolvido nestes crimes. Foi uma investigação muito complexa, dependeu
basicamente do esforço das equipes no sentido de coletar imagens em toda a
cidade, a rota de fuga utilizada pelos indivíduos, inclusive conseguimos
flagrar o veículo utilizado no crime três dias antes em um local onde foi se
reunir não só o mandante, como os executores. Essa filmagem flagrada do veículo
utilizado foi em uma oficina deste indivíduo que foi preso temporariamente,
posteriormente liberado, então a polícia vai trabalhar até dar continuidade com
essas investigações para provar o envolvimento de todos neste delito”,
finalizou.
O que se sabe sobre o caso do homem morto
vítima de fake news
Um
homem morreu no domingo, dia 7, após ser vítima de agressão no meio da rua no
Guarujá, na Baixada Santista. Osil Vicente Guedes foi acusado injustamente de
roubar uma moto e espancado na quarta-feira, 3. Posteriormente, o dono do
veículo informou à Polícia Militar ter emprestado a moto à vítima. Em vídeo
postado nas redes sociais, Guedes foi atacado com pedaços de madeira e capacete
por três pessoas.
• Quem é a vítima?
Trata-se
de Osil Vicente Guedes, de 49 anos. Ele foi acusado injustamente de roubar uma
moto e espancado no meio da rua na quarta-feira passada, no Guarujá. Osil
Guedes foi atacado com pedaços de madeira e capacete por três pessoas, segundo
mostra um vídeo gravado por celular.
Osil
Guedes estava internado desde o dia da agressão na Unidade de Terapia Intensiva
(UTI) do Hospital Santo Amaro, no Guarujá, onde foi declarada a morte
encefálica no domingo. Ele era dono de uma empresa de reciclagem. Tinha um
filho de 9 anos e morava no bairro Vila Áurea, que fica próximo de onde
aconteceu o crime
• Como começou o tumulto?
as
imagens, dá para notar um homem caído no chão, que é acertado com um capacete
na cabeça e que depois recebe um tapa na nuca de outro agressor. Para
finalizar, ele é arrastado e arremessado no chão por um outro rapaz. "Não
está bom para ladrão de moto, não. Ladrão de moto está se lascando", diz o
autor da gravação. O linchamento ocorreu no bairro Pae-Cará.
Testemunhas
relataram à Polícia Militar que as agressões começaram após um grito de
"pega ladrão" direcionado a Osil Guedes.
• A averiguação da Polícia Civil
Durante
averiguação da Polícia Civil, o dono da moto afirmou que havia emprestado o
veículo a Osil Guedes naquele mesmo dia e que mantinha contado há anos com a
vítima. O proprietário da motocicleta, cuja identidade não foi revelada, ainda
definiu a vítima como uma "pessoa trabalhadora e que não se metia em
confusão." A Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP)
disse, em nota, que foi comunicada da morte da vítima no domingo.
• Como estão as investigações?
Segundo
a SSP, a natureza da ocorrência foi modificada para homicídio e o irmão da
vítima foi ouvido. "Diligências prosseguem visando ao esclarecimento dos
fatos", afirma a pasta
• Já houve caso semelhante?
Também
no Guarujá, Fabiane Maria de Jesus, há nove anos, foi vítima de uma notícia
falsa postada em maio de 2014 no Facebook. A postagem viralizou, também no dia
3 de maio daquele ano, e ela foi confundida com uma suposta sequestradora de
crianças.
Fabiane
foi amarrada e agredida por uma multidão após sair de casa no bairro Morrinhos
para ir à igreja. Ela ainda foi levada ao hospital, mas morreu dois dias
depois. Fabiane era inocente. Tinha duas filhas: uma de 13 anos e outra de um
ano. O caso teve grande repercussão e se tornou emblemático de como fake news e
a desinformação nas redes sociais podem resultar em violência.
Fonte:
Agencia Brasil/Acorda Cidade/Correio

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