Oposição nem sabe o
que quer com CPI sobre 8/1
O
deputado federal Reginaldo Lopes (PT-MG) disse no UOL News que a oposição não
tem estratégia definida para a instalação de uma CPI dos atos golpistas de 8/1.
“Tem
um movimento de pedido de CPI na Câmara e CPMI. De fato, ainda, eles não têm
uma estratégia de qual seria o caminho que eles mesmos defendem. Acho que os
órgãos e instituições que estão investigando esses atos vão apontar os
responsáveis”.
Apesar
das investigações em curso na Justiça, o parlamentar diz que caso a CPI seja
instalada, é preciso investigar a trama política e militar por trás dos atos.
“Uma
CPI também pode investigar três núcleos que articularam e continuam tentando
articular um golpe contra a democracia brasileira ou tirar a estabilidade de um
governo legítimo, eleito no dia 30 de outubro”.
“Há
um núcleo político que precisa ser cada vez mais investigado, que é quem que
está por trás e quem conspira contra o próprio modelo da democracia brasileira;
o núcleo mais econômico, que é quem está financiando todo esse movimento para
criar um sentimento de instabilidade no Brasil; e tem o núcleo militar, que
precisa ser mais esclarecido como eles participaram desses atos de 8 de
janeiro”.
Como
Bolsonaro percebeu que não ia conseguir conquistar o Nordeste com propostas,
então decidiu que o eleitor nordestino não era apto para votar”. Esses
inquéritos mostram como esse golpismo bolsonarista estava estruturado e mostra
que Bolsonaro, em determinado momento, percebeu que não podia ganhar na urna e
estava apelando descaradamente”.
Financiadores golpistas vão depor em
abril e militares em maio
A
CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Câmara Legislativa do Distrito
Federal que investiga os atos antidemocráticos de 8 de janeiro definiu que, em
abril, o colegiado vai ouvir os supostos financiadores dos atentados. Em maio,
focará o inquérito nos militares do Exército.
O
que aconteceu?
Os
deputados que integram a CPI se reuniram na manhã de hoje (4) para definir o
calendário dos depoimentos.
O
foco nos generais é a terceira etapa da comissão. As informações reunidas pelo
colegiado, até o momento, apontam para a facilitação de membros das Forças
Armadas a favor da invasão das sedes dos três Poderes, em Brasília.
Estão
na lista de depoentes o general Augusto Heleno, ex-ministro do GSI (Gabinete de
Segurança Institucional) do governo de Jair Bolsonaro (PL), e o general Gustavo
Henrique Dutra de Menezes, que chefiava o CMP (Comando Militar do Planalto).
A
CPI completou um mês de investigação com cinco depoimentos de autoridades em
março.
Integrantes
da Segurança Pública do DF e policiais militares foram ouvidos pelos deputados
distritais e denunciaram interferência do Exército contra a ação de
desmobilização dos acampamentos no quartel-general.
A
investigação também apontou para falta de orientação do ex-secretário de
Segurança do DF Anderson Torres, ex-ministro e aliado de Bolsonaro.
Ao
UOL, o deputado Fábio Felix (PSOL) afirmou que a CPI pode judicializar os casos
de investigados que se recusarem a comparecer. No caso do general Gustavo
Dutra, a procuradoria da Câmara do DF vai elaborar um parecer sobre o tema para
sustentar a convocação.
<<<
Veja o calendário definido pela CPI
13/4
– Adauto Lucio Mesquita, empresário investigado por financiar o acampamento em
frente ao quartel-general do Exército;
20/4
– empresário Joveci Andrade;
27/4
– Cíntia Queiroz de Castro, coronel da PM e subsecretária de Operações
Integradas da Secretaria de Segurança Pública do DF;
4/5
– Augusto Heleno, general e ex-ministro do GSI;
11/5
– Fábio Augusto, ex-comandante-geral da PM;
18/5
– Gustavo Henrique Dutra de Menezes, general e ex-chefe do CMP;
25/5
– José Acácio Serere Xavante, conhecido como cacique Tserere, preso em 12 de
dezembro por atos antidemocráticos
Moraes autoriza show da oposição com
golpistas presos
O
ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a
visita da deputada federal bolsonarista Bia Kicis (PL-DF) e do senador Izalci
Lucas (PSDB-DF) a presos pelos atos golpistas do dia 8 de janeiro. A
autorização é de caráter pessoal e não pode ser estendida a acompanhantes.
Na
decisão, Moraes afirma que as condições da entrada dos parlamentares nas penitenciárias
serão as mesmas que já tinham sido estabelecidas em fevereiro pela Vara de
Execuções Penais do Distrito Federal.
“Não
obstante, embora seja possível o deferimento de requerimentos formulados pelos
parlamentares, é plenamente justificada a aplicação de restrições específicas,
como já destacado pela Vara de Execuções Penais do Distrito Federal,
consideradas as questões relativas à gestão penitenciária e de segurança, para
a preservação da integridade física das autoridades visitantes, dos agentes penitenciários
e dos próprios custodiados”, aponta o ministro.
Em
fevereiro, atendendo a um pedido da Vara de Execuções Penais, que manifestou
“diversas preocupações com os pedidos formulados por parlamentares para
ingresso no Complexo Penitenciário da Papuda”, Moraes determinou que as visitas
às pessoas presas pelos atos golpistas de 8 de janeiro deveriam ser
expressamente autorizadas por ele.
Eduardo Bolsonaro foi à Bahia na mesma
semana que Anderson Torres teria planejado melar a eleição
Investigação
da Polícia Federal aponta que o ex-ministro da Justiça do governo Bolsonaro,
Anderson Torres, que está preso, teria ido ao estado da Bahia, às vésperas do
segundo turno da eleição de 2022, para coordenar pessoalmente uma operação de
bloqueios em estradas da Polícia Rodoviária Federal (PRF) no dia do pleito que
teria com objetivo impedir que eleitores do então candidato Lula chegassem às
zonas eleitorais para votar.
Os
investigadores descobriram um “boletim de inteligência” produzido pela então
diretora de Inteligência do Ministério da Justiça, Marília Alencar, que
detalhava os locais em que Lula havia sido mais votado no primeiro turno.
O
documento foi elaborado em outubro do ano passado pela delegada que,
posteriormente, foi trabalhar com Torres na Secretaria de Segurança do DF. Este
levantamento serviu, segundo a PF, para que o ex-ministro botasse de pé a
tentativa de atrapalhar a chegada dos eleitores aos locais de votação nestas
regiões, com a célebre operação feita pela PRF no dia 30 de outubro. Ela tentou
apagar o documento do seu celular, mas a PF recuperou parte do material.
Ainda
de acordo com a PF, Torres fez uma viagem fora da agenda à Bahia nos dias que
antecederam o segundo turno da eleição. Ele desembarcou na base aérea do
aeroporto de Salvador num jato da FAB, junto com o diretor-geral da PF, Márcio
Nunes, e seu secretário-executivo, o brigadeiro Antonio Lorenzo. O ex-ministro
da Justiça e seus assessores se reuniram no final da manhã do dia 26 de outubro com o superintendente da
Polícia Federal na Bahia, Leandro Almada, e seus dois assessores diretos, os
delegados Flávio Marcio Albergaria Silva e Marcelo Werner Derschum Filho. O
objetivo de Torres- apontam as investigações - seria o de coordenar
pessoalmente as operações de bloqueio no dia da eleição.
• Coincidências
"Coincidentemente",
quem também esteve na Bahia na mesma semana, a dias para o segundo turno, foi o
deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Ele estava acompanhado de outros
bolsonaristas "ilustres", o ex-deputado Daniel Silveira, que foi
cassado e está preso, e André Porciúncula, policial e à época secretário
especial de Cultura do governo.
Fotos
do trio passeando pela Bahia nesta semana foram recuperadas pelo perfil Doutor
Pândego no Twitter.
Outra
"coincidência" relacionada à semana em que Torres esteve na Bahia e
que teria planejado melar as eleições é que, no dia 27 de outubro, ainda no
estado, Eduardo Bolsonaro concedeu uma entrevista ao site BNews em que falou
sobre a possibilidade de "fraude" no segundo turno que seria realizado
em 3 dias.
Dino insinua que bloqueio da PRF a
petistas tem participação de Bolsonaro
O
ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, afirmou que “há
personagens ocultos, que ainda vão aparecer”, no caso do mapeamento realizado a
pedido do ex-ministro da Justiça, Anderson Torres, sobre as regiões que o
presidente Lula (PT) ganhou no primeiro turno.
Às
vésperas do 2º turno, Torres pediu à delegada Marília Ferreira Alencar – que
atuava no Ministério da Justiça – para levantar quais foram os locais que Lula
conseguiu a maioria dos votos no primeiro turno. Com o estudo, o ex-ministro
afirmou que pediu o apoio da Polícia Rodoviária Federal (PRF) para coibir
eventuais crimes eleitorais no dia da eleição (30 de outubro).
Porém,
como apurado pelo blog, a PRF – considerada a mais bolsonarista das polícias –
passou a fazer uma série de operações pelo país para atrapalhar a chegada dos
eleitores às urnas. À época, Torres foi escalado por Bolsonaro para colocar o
plano de interferência em prática no Nordeste – a região é majoritariamente
pró-Lula.
Na
Bahia, por exemplo, Torres se reuniu com o diretor-geral da PF, Marcio Nunes,
para pedir que a atuação da PRF. Desde então, a Polícia Federal passou a
investigar a viagem do ex-ministro da Justiça Anderson Torres à Bahia, para
entender qual foi o real motivo da viagem.
Ao
blog, Dino disse que aguarda as respostas das investigações, mas que há
“múltiplos indícios” de que Torres agiu contra eleitores de Lula. O ministro
aponta também que as suspeitas contra Torres são de “imensa gravidade” e espera
consequências jurídicas proporcionais ao possível crime cometido pelo
ex-ministro da Justiça.
Anderson
Torres está preso em Brasília desde 14 de janeiro, e é investigado por suspeita
de omissão e conivência com os atos antidemocráticos de 8 de janeiro; Marília
Alencar também é alvo de investigação, por suspeita de ter agido para esconder
provas relacionadas aos atos daquele dia.
Fonte:
UOL/Fórum/g1

Nenhum comentário:
Postar um comentário