Eleições
na Colômbia: filósofo de esquerda e advogado fã de Bukele disputarão o 2º turno
A presidência
da Colômbia será decidida em 21 de junho, em uma disputa entre
o candidato de esquerda Iván Cepeda e o de direita Abelardo de la Espriella, de
acordo com os resultados das eleições deste domingo (31/5).
Com
quase 100% das urnas apuradas, De la Espriella lidera a corrida com 43% dos
votos, contra 41% de Cepeda.
Cepeda
é o líder de esquerda que oferece continuidade aos programas do atual governo
de Gustavo Petro, enquanto De la Espriella é um empresário de direita que
promete uma abordagem radical para mudar tudo.
Paloma
Valencia, política que buscava
se tornar a primeira mulher a governar o país, está em terceiro
lugar com apenas 6,9% dos votos.
A
eleição, que transcorreu pacificamente, foi marcada pela polarização entre
aqueles que apoiam a continuidade das políticas do presidente Petro para
reduzir a pobreza, e aqueles que, além de mudanças sociais, exigem respeito à
iniciativa privada e a restauração da segurança, que tem sido prejudicada por
grupos armados ilegais envolvidos com o narcotráfico e a mineração ilegal.
A
esquerda entrou na disputa eleitoral unida, a direita dividida e o centro
enfraquecido com a baixa participação eleitoral, como demonstram os resultados.
A Colômbia,
portanto, parece caminhar para um duelo entre duas visões antagônicas para o
país.
Mas
quem são De la Espriella e Cepeda?
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Quem é De la Esrpiella
Com seu
movimento Defensores da Pátria, o advogado De la Espriella (47 anos) surgiu no
cenário político com um discurso de direita radical.
Ele se
apresenta como um "outsider", um empresário bem-sucedido independente
da elite política e econômica, embora nas últimas semanas algumas figuras
desses mesmos setores que ele afirma rejeitar o tenham apoiado publicamente.
Ele é
um advogado com grande habilidade para lidar com a mídia, com uma lista de
clientes que inclui casos envolvendo grupos paramilitares, corrupção, vítimas
de violência de gênero e celebridades.
Entre
seus clientes estava Álex Saab, o suposto testa de ferro de Nicolás Maduro na
Venezuela, que foi recentemente extraditado para os EUA para responder a
acusações criminais.
De la
Espriella concentra seu discurso na segurança e no combate à corrupção e é um
defensor da livre iniciativa, de Deus e da família como núcleo da sociedade.
Sua
estratégia nas redes sociais, especialmente no Facebook e no Instagram, tem
sido prolífica e intensa, atraindo eleitores ávidos por mudanças radicais. Em
sua campanha, ele insiste que o país vive um "momento existencial" e
acusa Petro de querer se perpetuar no poder, apesar da reeleição não ser
permitida na Colômbia e do presidente, até o momento, não ter acionado nenhum
mecanismo legal ou institucional que sugira tal possibilidade.
Admirador
declarado de líderes conservadores como Nayib Bukele, presidente de El
Salvador, Donald Trump (EUA) e Javier Milei (Argentina), De la Espriella afirma
que seu movimento não se baseia em ideologias ou espectros políticos, mas em
"extrema coerência".
O
empresário propõe uma ofensiva contra grupos armados ilegais, o fortalecimento
das Forças Armadas e um crescimento econômico sustentado de 5% ao ano para
obter os recursos necessários para financiar programas voltados à redução da
pobreza, por meio da melhoria da educação, saúde e moradia para os cidadãos
mais pobres, além da geração de empregos.
O
candidato do movimento "Firmes por la Patria" (Firmes pela Pátria),
que concorreu sem o apoio de partidos políticos tradicionais, afirma que Cepeda
é herdeiro de Petro e representa uma ameaça à democracia e à economia devido
aos seus planos, que incluem a prorrogação da proibição de novos projetos
petrolíferos.
De la
Espriella afirma ter financiado sua campanha com recursos próprios, sem receber
doações de partidos ou grandes empresas.
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Quem é Iván Cepeda
Desde
que lançou sua candidatura em outubro de 2025, Iván Cepeda, de 63 anos, liderou
a maior parte das pesquisas, garantindo a maioria dos votos no primeiro turno.
Ele é
filho do líder comunista Manuel Cepeda Vargas, assassinado em 1994 por
paramilitares em conluio com agentes do Estado.
Viveu
exilado diversas vezes devido a ameaças de morte contra sua família e estudou
filosofia na Bulgária na década de 1980. Lá, absorveu ideias socialistas
modernas e reformistas, bem distantes da ortodoxia comunista e autoritária que
caracterizou o bloco soviético por muitos anos.
Deputado
renomado desde 2010, dedicou sua carreira à preservação da memória das vítimas
do conflito, negociando com grupos armados para alcançar a paz e investigando o
paramilitarismo.
Este
último empreendimento o levou a uma longa batalha judicial, tanto como vítima
quanto como testemunha contra Uribe, em um caso de suborno em processo criminal
e fraude processual, que continua apesar da absolvição do ex-presidente em
apelação.
Ele
facilitou as negociações de paz entre o Estado e as FARC em 2016 e participa
ativamente da política de "paz total" de Petro, uma estratégia
criticada por não ter alcançado os resultados prometidos.
Sua
plataforma inclui a continuidade das reformas sociais do atual presidente, o
aumento da participação do Estado na economia, o combate à corrupção, a redução
da desigualdade, a reforma das instituições e a busca pela paz sem abandonar o
diálogo.
O
primeiro ponto gera preocupação entre economistas que observam a precária
situação fiscal do país.
O
último ponto provoca rejeição por parte daqueles que se opõem às negociações
com grupos armados.
Cepeda
promete dar continuidade às políticas de combate à pobreza e à profunda
desigualdade social com subsídios para os mais pobres, ensino universitário
gratuito para jovens e melhoria da cobertura de saúde.
Fonte:
Por Daniel García Marco, da BBC News Mundo

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