segunda-feira, 1 de junho de 2026

Foto de Flávio Bolsonaro com TH Joias e Bacellar, investigados por elo com CV, é compartilhada em publicação de Rubio

Flávio Bolsonaro e TH Joias viraram o centro da reação de perfis de esquerda a uma publicação de Marco Rubio sobre o Comando Vermelho e o PCC, depois que uma foto do senador ao lado de Thiego Raimundo dos Santos Silva, o TH Joias, e de Rodrigo Bacellar passou a circular nos comentários do secretário de Estado dos Estados Unidos.

Rubio afirmou no X que o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho estão entre as organizações criminosas mais violentas do Brasil. No comunicado, o Departamento de Estado diz que a designação passa a valer em 5 de junho.

Primeiro Comando da Capital and Comando Vermelho are two of the most violent criminal organizations in Brazil.

A postagem abriu uma crise de imagem para Flávio Bolsonaro, que tenta capitalizar politicamente a decisão dos Estados Unidos. O senador esteve em Washington nesta semana, reuniu-se com Donald Trump e Marco Rubio e disse que fez o pedido para que PCC e CV fossem tratados pelo governo norte-americano como grupos terroristas.

<><> Flávio Bolsonaro aparece com TH Joias e Bacellar em foto resgatada no X

Nos comentários, o perfil Sérgio A. J. Barretto publicou uma foto de Flávio Bolsonaro ao lado de TH Joias e Rodrigo Bacellar. Em inglês, escreveu que o senador é “o cara que apoia e é apoiado pelo Comando Vermelho no Rio de Janeiro”.

This is the guy who supports and is supported by Comando Vermelho in Rio de Janeiro.

Outro perfil compartilhou a mesma imagem e ironizou a ofensiva bolsonarista. A publicação apontou a contradição entre o discurso de combate ao crime organizado e a proximidade política de Flávio Bolsonaro com personagens investigados por elo com a facção no Rio.

Oi, Rúbio. Este cara aqui da foto é o deputado TH Joias. Ele foi preso por ligação com o Comando Vermelho. O outro é Rodrigo Bacellar, também investigado. O do meio é Flávio Bolsonaro.

O perfil Vinicios Betiol também reagiu diretamente a Rubio. No comentário, ele associou Flávio Bolsonaro a TH Joias e Rodrigo Bacellar, investigados por elo com o Comando Vermelho, e reforçou a contradição explorada por perfis de esquerda contra o senador bolsonarista.

A Revista Fórum já mostrou que Flávio Bolsonaro confraternizou com TH Joias durante evento em Búzios. O ex-deputado estadual foi preso em investigação sobre intermediação de compra e venda de armas para o Comando Vermelho.

<><> TH Joias e Bacellar foram alvo de investigação ligada ao Comando Vermelho

TH Joias, nome político de Thiego Raimundo dos Santos Silva, e Rodrigo Bacellar são personagens centrais de investigações que atingiram o núcleo político do Rio de Janeiro. Bacellar foi preso por suspeita de obstruir investigação sobre facção criminosa, após suspeita de vazamento de informações sigilosas a TH Joias.

Segundo o STF, conversas extraídas do celular de investigado indicaram que Bacellar teria sido avisado de troca de número e orientado sobre retirada de objetos. Em março, o Supremo voltou a decretar a prisão preventiva de Bacellar após denúncia da PGR por obstrução de investigação.

A Fórum também publicou que Bacellar foi apontado pela Polícia Federal como liderança do núcleo político do Comando Vermelho. O caso reforça a contradição explorada por perfis de esquerda contra Flávio Bolsonaro no post de Rubio.

Em outra reportagem, a Fórum mostrou que Rodrigo Bacellar é aliado de Flávio Bolsonaro e voltou a ser preso por decisão de Alexandre de Moraes. A proximidade política virou munição nas redes após o anúncio dos Estados Unidos.

<><> Rubio dá palco internacional a contradição de Flávio Bolsonaro

A decisão de Rubio foi celebrada por Flávio Bolsonaro como uma vitória pessoal. O filho de Jair Bolsonaro disse que o governo Trump atendeu a um pedido feito por ele para enquadrar facções brasileiras como organizações terroristas.

Mas a reação nos comentários deslocou o foco do anúncio. Em vez de apenas reforçar o discurso bolsonarista contra o crime organizado, a publicação expôs a relação política de Flávio Bolsonaro com nomes investigados por elo com o Comando Vermelho.

A Fórum já havia noticiado que um traficante do Comando Vermelho marcou reunião com aliado de Flávio Bolsonaro intermediada por assessor de TH Joias, segundo site. A sequência de casos ajuda a explicar por que a foto com TH Joias e Bacellar voltou a circular com força no X.

O ponto central da reação foi a tentativa de colar em Flávio Bolsonaro a contradição entre o discurso internacional contra o CV e as imagens de proximidade com políticos investigados por ligação com a facção no Rio. Foi esse contraste que fez a foto circular como resposta direta a Marco Rubio.

•        Flávio Bolsonaro e a aliança com ex-deputado preso por ligação com CV

Na tentativa de agradar o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em busca de apoio direto ou indireto a sua campanha eleitoral, o senador Flávio Bolsonaro, presidenciável do PL, fez vários apelos para que o governo estadunidense passasse a considerar o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como grupos terroristas. A medida foi finalmente anunciada pelo Departamento de Estado dos EUA nesta quinta-feira (28).

Curiosamente, Flávio Bolsonaro tem entre seus aliados o ex-deputado estadual do Rio de Janeiro Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Joias, preso pela Polícia Federal por colaborar com o Comando Vermelho.

Flávio Bolsonaro e TH Joias têm proximidade política e participaram juntos de agendas públicas e governamentais, até à prisão do parlamentar.

No dia 3 de setembro do ano passado, TH Joias e outras 14 pessoas foram presas durante a Operação Zargun, realizada pela Polícia Federal (PF) e o Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ). O ex-deputado estadual parlamentar foi preso num condomínio de luxo, na Barra da Tijuca, zona sudoeste da cidade.

No mesmo dia, o parlamentar foi destituído do cargo na Alerj. Ele foi indiciado pelos crimes de organização criminosa, tráfico interestadual de armas e drogas, corrupção ativa, lavagem de dinheiro, contrabando, exploração clandestina de telecomunicações, evasão de divisas, violação de sigilo profissional e embaraço à investigação de organização criminosa.

Além disso, Flávio também é aliado de Gutemberg Fonseca, a quem indicou para a secretaria de Defesa do Consumidor no governo de Cláudio Castro. Fonseca foi citado em áudio descoberto pela Polícia Federal em que um dos chefes do Comando Vermelho, o traficante Gabriel Dias de Oliveira, conhecido como “Índio do Lixão”, teria conseguido uma reunião com ele. A informação foi publicada pelo site Metrópoles.

As trocas de mensagens indicam que o traficante conversava frequentemente com um dos assessores do ex-deputado TH Joias, que faria a intermediação com Gutemberg. Em maio de 2025, um dos criminosos relatou, em outra mensagem, que o ex-secretário estadual esteve em uma reunião de criminosos do CV.

O secretário de Cláudio Castro, ligado a Flávio Bolsonaro, já fez dobradinha política e dividiu material de campanha (santinhos) com TH Joias.

•        A cortina de fumaça de Eduardo Bolsonaro: usa PCC e EUA para abafar cerco da PF e atacar Lula

Eduardo Bolsonaro usou PCC, Comando Vermelho e Estados Unidos como cortina de fumaça para atacar Lula e tentar blindar Flávio Bolsonaro. Em vídeo publicado no X, o ex-deputado vendeu como “vitória” do irmão a decisão americana contra facções brasileiras, insinuou ligação do PT com crime organizado e Hezbollah, mas não apresentou prova contra o governo brasileiro.

O Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras, com efeito a partir de 5 de junho. Eduardo tenta transformar a medida em ativo político do clã Bolsonaro.

A manobra ocorre enquanto a Polícia Federal avança sobre personagens ligados ao bolsonarismo no Rio de Janeiro. A Fórum mostrou que a decisão de Trump sobre PCC e CV ocorre no momento em que a PF aprofunda apurações sobre elos de grupo político ligado a Bolsonaro.

<><> Eduardo Bolsonaro tenta inverter a narrativa

No vídeo, Eduardo Bolsonaro afirma que Flávio Bolsonaro teria convencido autoridades americanas a enquadrar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras. A partir daí, o ex-deputado tenta deslocar o debate: sai o cerco da PF sobre aliados do bolsonarismo, entra uma acusação sem prova contra Lula e o PT.

“Quando o Bolsonaro, quando o Flávio Bolsonaro, pede de maneira enfática e consegue convencer as autoridades americanas da necessidade de você colocar o CV e o PCC como FTOs, Foreign Terrorist Organizations, organizações estrangeiras terroristas, isso daí traz também um problema para aquele cara que ganha muito dinheiro com o tráfico”, afirmou Eduardo.

Eduardo diz que a medida atingiria não apenas integrantes das facções, mas também operadores do mercado financeiro responsáveis por lavar dinheiro do tráfico. Segundo ele, bancos com clientes ligados ao PCC e ao CV poderiam sofrer sanções.

“Bancos que tenham como clientes pessoas ligadas ao CV e PCC serão sancionados, sofrerão consequências com relação a essa medida agora que o Flávio Bolsonaro conseguiu”, disse.

<><> Flávio Bolsonaro vira peça da propaganda

A fala tenta apresentar Flávio Bolsonaro como protagonista de uma ofensiva internacional contra o crime organizado. Eduardo chega a dizer que o irmão “marcou um grande gol” nos Estados Unidos.

“O Flávio Bolsonaro marcou um grande gol. O Flávio Bolsonaro teve ali, em dois dias de viagem, algo muito satisfatório, e eu vou aqui cravar que não vai parar por aí”, afirmou.

A operação política tem alvo definido: Lula. A Fórum já mostrou que Flávio Bolsonaro pretende usar PCC e CV na campanha eleitoral contra o presidente. O vídeo de Eduardo reforça essa linha ao tentar transformar uma decisão de Washington em munição contra o governo brasileiro.

O problema para o clã é o contexto. Enquanto Eduardo fala em combate ao crime organizado, uma foto de Flávio Bolsonaro com TH Joias voltou a circular após a publicação de Marco Rubio sobre PCC e CV. Como revelou a Fórum, Flávio aparece ao lado de TH Joias e Rodrigo Bacellar em imagem que viralizou depois da ofensiva americana.

<><> PT, bancos e Hezbollah no mesmo pacote

Eduardo Bolsonaro também incluiu o Hezbollah na narrativa. Ele afirmou que o grupo teria “grande presença” na Tríplice Fronteira entre Brasil, Paraguai e Argentina e citou os governos de Javier Milei e Santiago Peña como parceiros dos Estados Unidos.

Na sequência, fez a associação política que estrutura o vídeo.

“E isso tudo daí entra no ecossistema do PT”, disse Eduardo.

A frase é o centro da cortina de fumaça. Eduardo mistura PCC, CV, Hezbollah, bancos, lavagem de dinheiro e PT em uma mesma acusação, mas não exibe documento, investigação, decisão judicial ou dado oficial que comprove ligação do governo Lula com facções ou grupo estrangeiro.

Ao final, o ex-deputado ainda sugeriu que novas ações envolvendo Brasil e Estados Unidos podem ocorrer.

“Mais ações que dizem respeito a Estados Unidos e Brasil podem ir adiante”, afirmou.

A mensagem é política. Eduardo tenta usar Washington como palco contra Lula, blindar Flávio Bolsonaro e reposicionar o clã como protagonista do combate ao crime organizado. Na prática, o vídeo funciona como cortina de fumaça diante do avanço das apurações que cercam aliados da extrema direita.

 

Fonte: Fórum/ICL Notícias

 

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