Foto
de Flávio Bolsonaro com TH Joias e Bacellar, investigados por elo com CV, é
compartilhada em publicação de Rubio
Flávio
Bolsonaro e TH Joias viraram o centro da reação de perfis de esquerda a uma
publicação de Marco Rubio sobre o Comando Vermelho e o PCC, depois que uma foto
do senador ao lado de Thiego Raimundo dos Santos Silva, o TH Joias, e de
Rodrigo Bacellar passou a circular nos comentários do secretário de Estado dos
Estados Unidos.
Rubio
afirmou no X que o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho estão entre
as organizações criminosas mais violentas do Brasil. No comunicado, o
Departamento de Estado diz que a designação passa a valer em 5 de junho.
Primeiro Comando da Capital and Comando Vermelho are
two of the most violent criminal organizations in Brazil.
A
postagem abriu uma crise de imagem para Flávio Bolsonaro, que tenta capitalizar
politicamente a decisão dos Estados Unidos. O senador esteve em Washington
nesta semana, reuniu-se com Donald Trump e Marco Rubio e disse que fez o pedido
para que PCC e CV fossem tratados pelo governo norte-americano como grupos
terroristas.
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Flávio Bolsonaro aparece com TH Joias e Bacellar em foto resgatada no X
Nos
comentários, o perfil Sérgio A. J. Barretto publicou uma foto de Flávio
Bolsonaro ao lado de TH Joias e Rodrigo Bacellar. Em inglês, escreveu que o
senador é “o cara que apoia e é apoiado pelo Comando Vermelho no Rio de
Janeiro”.
This is the guy who supports and is supported by
Comando Vermelho in Rio de Janeiro.
Outro
perfil compartilhou a mesma imagem e ironizou a ofensiva bolsonarista. A
publicação apontou a contradição entre o discurso de combate ao crime
organizado e a proximidade política de Flávio Bolsonaro com personagens
investigados por elo com a facção no Rio.
Oi,
Rúbio. Este cara aqui da foto é o deputado TH Joias. Ele foi preso por ligação
com o Comando Vermelho. O outro é Rodrigo Bacellar, também investigado. O do
meio é Flávio Bolsonaro.
O
perfil Vinicios Betiol também reagiu diretamente a Rubio. No comentário, ele
associou Flávio Bolsonaro a TH Joias e Rodrigo Bacellar, investigados por elo
com o Comando Vermelho, e reforçou a contradição explorada por perfis de
esquerda contra o senador bolsonarista.
A
Revista Fórum já mostrou que Flávio Bolsonaro confraternizou com TH Joias
durante evento em Búzios. O ex-deputado estadual foi preso em investigação
sobre intermediação de compra e venda de armas para o Comando Vermelho.
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TH Joias e Bacellar foram alvo de investigação ligada ao Comando Vermelho
TH
Joias, nome político de Thiego Raimundo dos Santos Silva, e Rodrigo Bacellar
são personagens centrais de investigações que atingiram o núcleo político do
Rio de Janeiro. Bacellar foi preso por suspeita de obstruir investigação sobre
facção criminosa, após suspeita de vazamento de informações sigilosas a TH
Joias.
Segundo
o STF, conversas extraídas do celular de investigado indicaram que Bacellar
teria sido avisado de troca de número e orientado sobre retirada de objetos. Em
março, o Supremo voltou a decretar a prisão preventiva de Bacellar após
denúncia da PGR por obstrução de investigação.
A Fórum
também publicou que Bacellar foi apontado pela Polícia Federal como liderança
do núcleo político do Comando Vermelho. O caso reforça a contradição explorada
por perfis de esquerda contra Flávio Bolsonaro no post de Rubio.
Em
outra reportagem, a Fórum mostrou que Rodrigo Bacellar é aliado de Flávio
Bolsonaro e voltou a ser preso por decisão de Alexandre de Moraes. A
proximidade política virou munição nas redes após o anúncio dos Estados Unidos.
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Rubio dá palco internacional a contradição de Flávio Bolsonaro
A
decisão de Rubio foi celebrada por Flávio Bolsonaro como uma vitória pessoal. O
filho de Jair Bolsonaro disse que o governo Trump atendeu a um pedido feito por
ele para enquadrar facções brasileiras como organizações terroristas.
Mas a
reação nos comentários deslocou o foco do anúncio. Em vez de apenas reforçar o
discurso bolsonarista contra o crime organizado, a publicação expôs a relação
política de Flávio Bolsonaro com nomes investigados por elo com o Comando
Vermelho.
A Fórum
já havia noticiado que um traficante do Comando Vermelho marcou reunião com
aliado de Flávio Bolsonaro intermediada por assessor de TH Joias, segundo site.
A sequência de casos ajuda a explicar por que a foto com TH Joias e Bacellar
voltou a circular com força no X.
O ponto
central da reação foi a tentativa de colar em Flávio Bolsonaro a contradição
entre o discurso internacional contra o CV e as imagens de proximidade com
políticos investigados por ligação com a facção no Rio. Foi esse contraste que
fez a foto circular como resposta direta a Marco Rubio.
• Flávio Bolsonaro e a aliança com
ex-deputado preso por ligação com CV
Na
tentativa de agradar o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em busca de
apoio direto ou indireto a sua campanha eleitoral, o senador Flávio Bolsonaro,
presidenciável do PL, fez vários apelos para que o governo estadunidense
passasse a considerar o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital
(PCC) como grupos terroristas. A medida foi finalmente anunciada pelo
Departamento de Estado dos EUA nesta quinta-feira (28).
Curiosamente,
Flávio Bolsonaro tem entre seus aliados o ex-deputado estadual do Rio de
Janeiro Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Joias, preso pela
Polícia Federal por colaborar com o Comando Vermelho.
Flávio
Bolsonaro e TH Joias têm proximidade política e participaram juntos de agendas
públicas e governamentais, até à prisão do parlamentar.
No dia
3 de setembro do ano passado, TH Joias e outras 14 pessoas foram presas durante
a Operação Zargun, realizada pela Polícia Federal (PF) e o Ministério Público
do Rio de Janeiro (MP-RJ). O ex-deputado estadual parlamentar foi preso num
condomínio de luxo, na Barra da Tijuca, zona sudoeste da cidade.
No
mesmo dia, o parlamentar foi destituído do cargo na Alerj. Ele foi indiciado
pelos crimes de organização criminosa, tráfico interestadual de armas e drogas,
corrupção ativa, lavagem de dinheiro, contrabando, exploração clandestina de
telecomunicações, evasão de divisas, violação de sigilo profissional e embaraço
à investigação de organização criminosa.
Além
disso, Flávio também é aliado de Gutemberg Fonseca, a quem indicou para a
secretaria de Defesa do Consumidor no governo de Cláudio Castro. Fonseca foi
citado em áudio descoberto pela Polícia Federal em que um dos chefes do Comando
Vermelho, o traficante Gabriel Dias de Oliveira, conhecido como “Índio do
Lixão”, teria conseguido uma reunião com ele. A informação foi publicada pelo
site Metrópoles.
As
trocas de mensagens indicam que o traficante conversava frequentemente com um
dos assessores do ex-deputado TH Joias, que faria a intermediação com
Gutemberg. Em maio de 2025, um dos criminosos relatou, em outra mensagem, que o
ex-secretário estadual esteve em uma reunião de criminosos do CV.
O
secretário de Cláudio Castro, ligado a Flávio Bolsonaro, já fez dobradinha
política e dividiu material de campanha (santinhos) com TH Joias.
• A cortina de fumaça de Eduardo
Bolsonaro: usa PCC e EUA para abafar cerco da PF e atacar Lula
Eduardo
Bolsonaro usou PCC, Comando Vermelho e Estados Unidos como cortina de fumaça
para atacar Lula e tentar blindar Flávio Bolsonaro. Em vídeo publicado no X, o
ex-deputado vendeu como “vitória” do irmão a decisão americana contra facções
brasileiras, insinuou ligação do PT com crime organizado e Hezbollah, mas não
apresentou prova contra o governo brasileiro.
O
Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou a classificação do PCC e do
Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras, com efeito a
partir de 5 de junho. Eduardo tenta transformar a medida em ativo político do
clã Bolsonaro.
A
manobra ocorre enquanto a Polícia Federal avança sobre personagens ligados ao
bolsonarismo no Rio de Janeiro. A Fórum mostrou que a decisão de Trump sobre
PCC e CV ocorre no momento em que a PF aprofunda apurações sobre elos de grupo
político ligado a Bolsonaro.
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Eduardo Bolsonaro tenta inverter a narrativa
No
vídeo, Eduardo Bolsonaro afirma que Flávio Bolsonaro teria convencido
autoridades americanas a enquadrar PCC e Comando Vermelho como organizações
terroristas estrangeiras. A partir daí, o ex-deputado tenta deslocar o debate:
sai o cerco da PF sobre aliados do bolsonarismo, entra uma acusação sem prova
contra Lula e o PT.
“Quando
o Bolsonaro, quando o Flávio Bolsonaro, pede de maneira enfática e consegue
convencer as autoridades americanas da necessidade de você colocar o CV e o PCC
como FTOs, Foreign Terrorist Organizations, organizações estrangeiras
terroristas, isso daí traz também um problema para aquele cara que ganha muito
dinheiro com o tráfico”, afirmou Eduardo.
Eduardo
diz que a medida atingiria não apenas integrantes das facções, mas também
operadores do mercado financeiro responsáveis por lavar dinheiro do tráfico.
Segundo ele, bancos com clientes ligados ao PCC e ao CV poderiam sofrer
sanções.
“Bancos
que tenham como clientes pessoas ligadas ao CV e PCC serão sancionados,
sofrerão consequências com relação a essa medida agora que o Flávio Bolsonaro
conseguiu”, disse.
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Flávio Bolsonaro vira peça da propaganda
A fala
tenta apresentar Flávio Bolsonaro como protagonista de uma ofensiva
internacional contra o crime organizado. Eduardo chega a dizer que o irmão
“marcou um grande gol” nos Estados Unidos.
“O
Flávio Bolsonaro marcou um grande gol. O Flávio Bolsonaro teve ali, em dois
dias de viagem, algo muito satisfatório, e eu vou aqui cravar que não vai parar
por aí”, afirmou.
A
operação política tem alvo definido: Lula. A Fórum já mostrou que Flávio
Bolsonaro pretende usar PCC e CV na campanha eleitoral contra o presidente. O
vídeo de Eduardo reforça essa linha ao tentar transformar uma decisão de
Washington em munição contra o governo brasileiro.
O
problema para o clã é o contexto. Enquanto Eduardo fala em combate ao crime
organizado, uma foto de Flávio Bolsonaro com TH Joias voltou a circular após a
publicação de Marco Rubio sobre PCC e CV. Como revelou a Fórum, Flávio aparece
ao lado de TH Joias e Rodrigo Bacellar em imagem que viralizou depois da
ofensiva americana.
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PT, bancos e Hezbollah no mesmo pacote
Eduardo
Bolsonaro também incluiu o Hezbollah na narrativa. Ele afirmou que o grupo
teria “grande presença” na Tríplice Fronteira entre Brasil, Paraguai e
Argentina e citou os governos de Javier Milei e Santiago Peña como parceiros
dos Estados Unidos.
Na
sequência, fez a associação política que estrutura o vídeo.
“E isso
tudo daí entra no ecossistema do PT”, disse Eduardo.
A frase
é o centro da cortina de fumaça. Eduardo mistura PCC, CV, Hezbollah, bancos,
lavagem de dinheiro e PT em uma mesma acusação, mas não exibe documento,
investigação, decisão judicial ou dado oficial que comprove ligação do governo
Lula com facções ou grupo estrangeiro.
Ao
final, o ex-deputado ainda sugeriu que novas ações envolvendo Brasil e Estados
Unidos podem ocorrer.
“Mais
ações que dizem respeito a Estados Unidos e Brasil podem ir adiante”, afirmou.
A
mensagem é política. Eduardo tenta usar Washington como palco contra Lula,
blindar Flávio Bolsonaro e reposicionar o clã como protagonista do combate ao
crime organizado. Na prática, o vídeo funciona como cortina de fumaça diante do
avanço das apurações que cercam aliados da extrema direita.
Fonte:
Fórum/ICL Notícias

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