segunda-feira, 1 de junho de 2026

Xico Sá: E se a grana do ‘irmão’ Vorcaro tiver ligação com PCC?

Não precisa ser o gênio Carlos Drummond de Andrade, autor de “Quadrilha”, o mais parodiado dos poemas brasileiros, para montar um esquema de ligações criminosas que junte o dinheiro sujo do banco Master aos recursos ilegais movimentados por organizações criminosas como o PCC, por exemplo.

Lembre-se que no meio do caminho, segundo as investigações da Polícia Federal, tem uma firma chamada Super Empreendimentos — do ex-pastor Fabiano Zettel, cunhado e sócio de Daniel Vorcaro — com associações diretas a fundos geridos pela Reag DTVM, uma fintech metida em rolos com a facção paulista batizada originalmente como Primeiro Comando da Capital.

Ao não ser que Vorcaro, chamado de irmão pelo pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL), separasse — higienicamente — a grana limpa da grana suja no seu cofre, há possibilidade de uma bolada de recursos lavados por criminosos ter ido parar no orçamento de “Dark Horse”, o filme sobre o ex-presidente. Ou não? Uso apenas a dedução mais lógica da praça.

Em conversa com o ex-banqueiro, Flávio deixa evidente o recebimento de R$ 61 milhões. Certo?O valor seria para a produção cinematográfica.  Tem sido difícil localizar dinheiro legal no patrimônio do dono do Master. Por que somente essa parte do filme seria limpa?

Que garantia tem a família Bolsonaro, autora do pedido para que PCC e CV fossem classificadas como terroristas por Donald Trump, de que a grana não teria passado em algum momento pelas mãos dos personagens desse “terror” que tanto alegam?

Cabe à PF descobrir toda a rota desses recursos e tirar nossa dúvida banal e lógica.

Na “Quadrilha” composta por Drummond, “João amava Teresa que amava Raimundo que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili que não amava ninguém”.

No esquema “Dark Horse”, Flávio era chegado de Vorcaro, que se juntava a Zettel, que fazia negócios com fundos suspeitos, que passavam pelo PCC, que nunca amou e se deu bem?

Fica a pergunta, afinal de contas, convém desconfiar de que o banqueiro do Master tenha tido esse zelo todo de separar apenas cédulas limpinhas para a produção do filme de Jair Messias.

Só a PF saberá a resposta. A conclusão, ao que tudo indica, não será nada poética.

<><> PF envia à PGR parecer favorável para investigar Flávio Bolsonaro por pedido de dinheiro a Vorcaro

Polícia Federal (PF) enviou nesta semana à Procuradoria-Geral da República (PGR) um parecer favorável à abertura de investigação contra o senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

O pedido se baseia no episódio em que o parlamentar aparece em mensagens periciadas pela PF solicitando dinheiro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, supostamente para financiar o filme Dark Horse, ficção inspirada na trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. Como se trata de um senador, a Polícia Federal enviou a avaliação para a PGR também analisar os fatos, segundo o jornal Valor Econômico. Cabe ao Supremo Tribunal Federal (STF) autorizar a investigação.

A PF considera haver elementos suficientes para justificar a apuração das suspeitas, que incluem a remessa de R$ 61 milhões para os Estados Unidos, mesmo com parte significativa do filme tendo sido gravada no Brasil.

Uma das principais linhas de investigação é verificar se os recursos teriam sido destinados a financiar a permanência do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro nos EUA. Ele é réu no Supremo Tribunal Federal por coação no curso do processo, acusado de tentar pressionar a Corte a não condenar seu pai por tentativa de golpe.

Caso se comprove que os recursos de Vorcaro financiaram Eduardo, os envolvidos podem ser enquadrados por colaboração no crime de coação, além da suspeita de evasão de divisas. Em outra frente, o ministro do STF Alexandre de Moraes deu cinco dias para a PGR se manifestar sobre um pedido do deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) para incluir Flávio e Jair Bolsonaro no inquérito que já apura a atuação de Eduardo nos EUA.

Diante das suspeitas, Flávio Bolsonaro confirmou ter solicitado o dinheiro a Vorcaro, mas negou irregularidades, assegurando que os valores foram integralmente destinados ao filme e prometendo apresentar contratos e comprovações de gastos. Tanto ele quanto Eduardo negaram o uso do dinheiro para despesas pessoais nos EUA.

•        Medida de Trump com clã Bolsonaro é para que o Brasil se submeta aos interesses dos EUA, diz especialista

rofessor de Relações Internacionais da Universidade Federal do Pampa (Unipampa), Renatho Costa, autor do livro “Os aiatolás e o receio da República Islâmica do Irã”, Renatho Costa estudou a fundo os achaques dos EUA em sua “guerra ao terror”, especialmente no Oriente Médio, e crê que mais que ação militar, a medida de classificar Comando Vermelho e Primeiro Comanda da Capital (PCC) como organizações terroristas, tomada em conluio com o clã Bolsonaro, foi tomada sobretudo para que o governo brasileiro se submeta aos interesses de Donald Trump.

“O que a gente pode perceber disso é a pressão que o governo brasileiro vai passar a sofrer. Ou seja, esse tipo de classificação vai servir como pressão para que o governo brasileiro se submeta aos interesses dos Estados Unidos, mais do que efetivamente um risco de uma ação”, afirmou Costa à Fórum.

Segundo ele, essa é a grande mudança que deve haver nas relações entre Lula e Trump, que vinham sendo amistosas até então.

O especialista lembra como o Conselho de Segurança da ONU abriu a brecha para que os EUA agissem como uma “polícia” do mundo, classificando organizações criminosas como “terroristas” para interferir em questões internas dos países.

“Essa classificação que os Estados Unidos atribuem ao PCC e ao Comando Vermelho de Organizações Terroristas Globais é preocupante pelo seguinte: apesar de não haver um consenso sobre uma legislação em que atribua o direito de um Estado intervir no outro militarmente, ainda que esse tenha alguma organização terrorista atuando em seu território, o que a gente tem visto é que depois do 11 de setembro e com a aprovação da Resolução do Conselho de Segurança, que permitiu que os Estados Unidos atacassem o Afeganistão na tentativa de anular os atos da Al-Qaeda. o que acontece é que o governo dos Estados Unidos lança a mão do entendimento de que essa resolução teria um efeito expansivo, ou seja, qualquer outra organização terrorista no mundo que, por ventura, for considerada como um risco para os Estados Unidos, para a soberania dos estadunidenses, ela estaria passível de ser enfrentada, inclusive, com atuações, com atuação de forças militares. Em tese, funcionaria dessa maneira”, explica.

No entanto, Costa vê dificuldades de ações militares no Brasil contra o PCC e CV.

“Na prática, não sei se seria tão simples, porque como seria uma ação militar dentro do Estado brasileiro contra um PCC, contra um comando vermelho? Seria, pelo menos nos padrões que a gente conhece, praticamente inviável”, diz.

<><> Direita se lambuza com dinheiro de bancos

Na rede X, o advogado André Matheus, afirmou que “não há ninguém sério, no mundo jurídico, na esfera militar ou entre os profissionais de segurança, que concorde com essa iniciativa dos Estados Unidos de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas”.

“Todos sabem que os EUA vivem em uma permanente “guerra ao terror” e que esse rótulo funciona, na prática, como um mote para legitimar intervenções em outros países, inclusive no Brasil”, afirmou, em linha com Costa.

Segundo o advogado, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), envolto a investigações de aliados e dele próprio em casos como Refit e Master, teria dado um tiro no pé com a medida, que, em tese, atingiria aliados do grupo político que comanda.

“Há um enorme tiro no pé para setores da própria extrema direita que se lambuzam com dinheiro de bancos e de grandes instituições financeiras, inclusive por vias que podem se cruzar com esquemas de lavagem associados ao PCC e a outras facções. Se os EUA passam a rotular o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas globais, qualquer fluxo financeiro conectado a essas redes pode levar também à classificação de indivíduos, empresas e grupos políticos como apoiadores do terrorismo, com risco de sanções e bloqueios patrimoniais”, diz.

“Portanto, não há nada de sério ou de genuinamente cooperativo nessa decisão; trata se de uma medida que amplia o poder de intervenção dos EUA e cria um enquadramento jurídico-político extremamente perigoso para a soberania brasileira. E é importante lembrar que muitas pessoas e instituições que combatem duramente o PCC e o Comando Vermelho também são contra essa classificação como terrorismo, justamente porque ela desloca o problema do campo da segurança pública e da justiça criminal para o campo da guerra e da intervenção externa, com todas as consequências que isso implica”, emenda.

•        Lula ressalta soberania e ataca submissão de Flávio Bolsonaro a Trump

m um discurso histórico, em que defendeu a Petrobrás ao anunciar investimentos na estatal em Sergipe nesta sexta-feira (29), o presidente Lula defendeu a soberania do Brasil e atacou a submissão de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) por buscar a “interferência” de Donald Trump ao fazer lobby para transformar o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) em organizações terroristas.

“Nós não aceitamos ser tratados como moleques. Nós não aceitamos ser tratados como se fôssemos uma republiqueta. Eu tive três horas com o presidente Trump. Entreguei quatro documentos para eles. Um deles era o combate ao crime organizado. Seu Marco Rubio não estava lá possivelmente porque estivesse preparado para ajudar um filho de um bolsonarista, que é candidato à eleição aqui nesse país, que não tem vergonha na cara de trair a nossa pátria e ir aos Estados Unidos pedir intervenção americana no Brasil. Joaquim Silva do Reis ficaria envergonhado se soubesse que tem um candidato a presidente que vai aos Estados Unidos pedir intervenção americana no Brasil. Se ele fosse pedir intervenção para prender miliciano, eles ficavam presos lá. Essa é a verdade”, disparou, comparando Flávio Bolsonaro ao traidor dos inconfidentes mineiros.

Ao falar sobre a decisão anunciada por Rubio após a visita de Flávio Bolsonaro, Lula disse que as facções são “terroristas porque eles incomodam as famílias, eles incomodam o bairro, eles incomodam a cidade, eles roubam tudo a que o povo tem direito, o direito de viver livremente”, mas ressaltou que “nós vamos combatê-los aqui dentro”.

Lula ainda lembrou que falou com Trump que as armas usadas pelo tráfico são trazidas dos EUA e cobrou a posição dos Estados Unidos para atuar em conjunto com as investigações da Polícia Federal (PF), que detectaram que os fuzis são fruto da lavagem de dinheiro feita no estado de Delaware, um paraíso fiscal em solo estadunidense.

“E nós queremos os terroristas brasileiros que estão lá. Porque sabem que as armas importadas que são contrabandeadas para o Brasil vêm dos Estados Unidos. A Polícia Federal entregou um documento para o Trump. O Brasil está disposto a trabalhar para combater o crime organizado. E vamos começar pelo seu estado de Delaware, que tem lavagem de dinheiro de brasileiro. Vamos começar por aí. Vamos começar por entregar o [Alexandre] Ramagem, que está condenado a 16 anos e está escondido lá. Vamos começar entregando o maior contrabandista de combustível desse país, o Ricardo Magro, que a Polícia Federal e a Receita prenderam com 250 milhões de combustível dele contrabandeado, que foi dado à Petrobras, e ele está morando em Miami. Eu entreguei para o Trump o nome dele e a fotografia da casa dele. Quer combater o crime organizado? Me entregue os nossos que estão lá nos Estados Unidos.”

 

Fonte: ICL Notícias/Fórum

 

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