João
Filho: Família Bolsonaro é viciada em mentir. Seu maior adversário é o
jornalismo
Os dias
não têm sido fáceis para a família Bolsonaro. As reportagens do Intercept
Brasil não têm dado espaço para ela respirar. É isso o que acontece quando o
jornalismo revela o que os poderosos querem esconder.
A maior
adversária dos Bolsonaros é a verdade dos fatos. Quando ela é exposta dessa
maneira, eles se sentem intimidados e perseguidos pelo jornalismo. Sobram-lhes
as mamadeiras de piroca e a guerra das narrativas.
Nas
duas últimas semanas, as reportagens da #VazaFlavio escancararam para o mundo
do que a família Bolsonaro é capaz no campo da mentira e dissimulação. Quando o
Intercept perguntou a Flávio Bolsonaro se o filme do seu pai havia sido
financiado por Vorcaro, ele gargalhou e disse que era mentira. Horas depois, um
áudio o desmentiu de forma cabal. O ridículo se seguiu nos dias posteriores,
com um choque de versões de aliados e novas mentiras sendo contadas para tapar
buracos feitos por outras mentiras. A falta de vergonha na cara é infinita
dentro do clã Bolsonaro.
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Uma viagem desesperada
Desesperado
com a queda nas pesquisas de intenção de votos, Flávio cavou uma visita à Casa
Branca para tentar tirar o foco do escândalo e manter acesa a seita que tem
fetiche com o presidente dos Estados Unidos. A foto com Trump sentado e Flávio
em pé é o retrato perfeito da sabujice dessa família. O presidente americano
nem se deu ao trabalho de se levantar da cadeira para tirar a foto.
A
humilhação foi grande, mas eles saíram de peito estufado. Dois dias após a
visita, o governo americano passou a classificar o Primeiro Comando da Capital,
o PCC, e o Comando Vermelho, o CV, como grupos terroristas – algo que excita o
bolsonarismo, mas que atrapalha o combate ao crime organizado e ameaça a
soberania nacional. Quem diz isso é o promotor Lincoln Gakiya, do Ministério
Público do Estado de São Paulo, que é o principal investigador do PCC no país
há mais de 20 anos.
Considerar
a medida do governo americano como um passo importante para acabar com as
facções é só mais uma mentira do bolsonarismo. Até porque Flávio Bolsonaro
talvez seja o político que mais tenha aliados enrolados com o crime organizado.
Do presidente afastado da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, a
Alerj, Rodrigo Bacellar ao grupo
político do ex-governador do Rio de Janeiro Claudio Castro, há uma lista grande
de aliados de Flávio que aparecem nas investigações sobre o Comando Vermelho.
Ora, o próprio Flávio transformou seu gabinete de deputado estadual no Rio em
cabide de emprego para o Escritório do Crime. É essa gente que vai acabar com o
crime organizado?
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Eduardo e sua vida de luxo
Menos
de 24 horas depois do encontro de Flávio com Trump, o Intercept trouxe à tona
outra mentira da família Bolsonaro. Diferentemente do que se dizia, Eduardo
Bolsonaro não vive uma vida de dificuldades nos EUA. Vive uma vida de luxo em
uma mansão com piscina em área nobre da cidade de Southlake, no Texas. Antes, o
pobrezinho dizia ter dificuldades para pagar as contas nos EUA, chegando até a
ter que dormir em colchão inflável. É realmente impressionante a ascensão
social meteórica do ex-deputado que, de repente, passou a ter condições de
pagar um aluguel de R$ 30 mil por mês mesmo estando desempregado. Ele não sabe
explicar como foi que esse azarão da meritocracia — ou “Dark Horse”, se
preferir — conseguiu vencer a corrida do “sonho americano”. Talvez o Daniel
Vorcaro saiba.
Antes
de publicar a reportagem, o Intercept buscou ouvir o que Eduardo Bolsonaro
tinha a dizer sobre o caso. O jornalista Steven Monacelli bateu à porta da
mansão e foi educadamente recebido pela esposa de Eduardo, Heloísa, que não
quis dar entrevista. O casal então foi às redes para relatar de forma dramática
que “um parceiro do PCC” teria os importunado e à vizinhança. Até a polícia foi
acionada para proteger a família ameaçada. O bolsonarismo ficou ouriçado com a
história e passou a denunciar o que seria uma perseguição contra a família de
Eduardo nos Estados Unidos. O golpista Paulo Figueiredo ameaçou usar a força
contra jornalistas que ousarem procurá-lo em sua casa na Flórida.
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Mentira desmontada
Eles
não contavam que toda a abordagem do jornalista havia sido filmada por ele. O
vídeo não mostra nada além de um contato cordial com Heloísa Bolsonaro.
Monacelli tocou a campainha, perguntou com toda educação se podia conversar com
Eduardo e foi embora diante da negativa. A publicação do vídeo desmontou com
requintes de crueldade a narrativa de perseguição que o casal havia espalhado
nas redes.
A
mentira derreteu em praça pública e deixou Eduardo atônito. Ao ser abordado por
jornalistas para comentar o tema, contou novas mentiras para manter a narrativa
em pé. “Desde março (de 2025) não recebo dinheiro público. Sou uma pessoa
igualzinha a vocês: dinheiro privado, tudo meu. Moro de aluguel, ao contrário
do que o Intercept falou. O Intercept dá fake news. O Intercept foi na casa
errada, porque são péssimos jornalistas investigativos”, disse. É mentira sobre
mentira. Eduardo Bolsonaro não teme o ridículo. O Intercept não disse que ele
não mora de aluguel nem foi na casa errada. É só mais uma tentativa de jogar
areia nos olhos da opinião pública. O fato é que o ex-deputado continua se
recusando a explicar quem está bancando a sua vida luxuosa nos EUA.
A
mentira não é apenas um método ou uma mera ferramenta política do bolsonarismo.
É a sua quintessência. Absolutamente todas as suas narrativas fundamentais são
baseadas em falseamentos da realidade. Jair Bolsonaro e seus filhos são
viciados em mentir. Eles lideram uma seita numerosa, que acredita em suas
mentiras e ainda cria outras para manter a roda das narrativas girando. Quando
flagrados mentindo, se fazem de loucos e inventam uma nova ladainha. Pode até
parecer que é enxugar gelo, mas desmascará-los e expô-los de modo permanente é
fundamental. Essa é a única maneira de impedir que falsas narrativas se
consolidem na opinião pública. Não é fácil, mas a realidade dos fatos acaba se
impondo no final. O jornalismo bem feito é a kriptonita dessa gente.
• Flávio Bolsonaro mentiu sobre o Banco
Master duas vezes no mesmo dia. Por Eduardo Goulart
O
senador FLÁVIO BOLSONARO, do PL do Rio de Janeiro, mentiu duas vezes no mesmo
dia sobre suas relações com o Banco Master. Em um intervalo de poucas horas na
quarta-feira, 13 de maio, ele mudou radicalmente sua versão sobre o
financiamento de “Dark Horse”, o filme biográfico sobre seu pai, o
ex-presidente Jair Bolsonaro.
Documentos,
áudios e mensagens obtidos com exclusividade pelo Intercept Brasil detalharam
os bastidores de uma relação que também incluía a negociação de pagamentos
milionários. A investigação trouxe à tona justamente o que o parlamentar não
queria admitir e sempre negou: a proximidade da família Bolsonaro com o
banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Pela
manhã, o pré-candidato à Presidência da República foi questionado pelo repórter
do Intercept Thalys Alcântara sobre os pagamentos que Flávio negociou com
Vorcaro para a produção do longa-metragem. O acordo envolveu o repasse de 24
milhões de dólares – cerca de R$ 134 milhões, em valores atualizados de acordo
com as cotações da época do acordo.
Flávio
gargalhou ao ouvir a pergunta do repórter e foi categórico em sua negativa. “De
onde você tirou essa informação? É mentira”, afirmou o senador, antes de dar as
costas à imprensa. Em tom de deboche, ainda tentou desqualificar o trabalho
jornalístico do Intercept, chamando o repórter de “militante”.
No fim
da tarde, no entanto, a farsa ruiu; e a risada virou lamento.
Pressionado
pela publicação da investigação exclusiva do Intercept, que pautou a grande
imprensa e fez até figurões da extrema direita botarem em dúvida sua
candidatura à presidência, o senador publicou um vídeo em suas redes sociais
assumindo o que horas antes havia negado.
O
pré-candidato admitiu os laços com o banqueiro e tentou justificar a operação,
afirmando que era apenas um “filho” procurando “patrocínio privado” para contar
a história do pai. No entanto, o que Flávio Bolsonaro não disse é que Vorcaro
está preso por ser investigado pela maior fraude bancária da história do
Brasil, que gerou um rombo de R$ 47 bilhões ao Fundo Garantidor de Crédito, o
FGC.
Flávio
Bolsonaro também deixou de mencionar no vídeo que parte do dinheiro sujo do
Master veio, sim, de recursos públicos – como os R$ 2,6 bilhões da
Rioprevidência, o fundo responsável pelo pagamento de aposentadorias e pensões
a centenas de milhares de servidores inativos do Rio de Janeiro. O senador
tampouco citou os R$ 400 milhões investidos pela previdência do Amapá em ativos
podres no banco de Vorcaro.
Portanto,
quando Flávio diz em sua defesa que o projeto do filme do clã Bolsonaro tem
“zero de dinheiro público”, ele mente de novo sobre o Master.
Um dos
“investidores privados” que o senador defende não é um simples mecenas do
cinema independente. Ele é um banqueiro preso um dia após receber juras de
lealdade de Flávio – que chegou a escrever no WhatsApp “Irmão, estou e estarei
contigo sempre” —, enquanto tentava fugir do país.
No
sábado, 9, em evento em Santa Catarina, Flávio estava todo pimpão com uma
camiseta que trazia a seguinte estampa: “O pix é do Bolsonaro, o Master é do
Lula”. Agora, no entanto, todos sabem para onde o pix do Master estava indo.
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PEC assinada por Flávio Bolsonaro abre brecha para
salário mínimo de R$ 1.297
A PEC de Flávio
Bolsonaro (PL-RJ)
cria uma brecha para reduzir o salário mínimo a R$ 1.297,12 na escala 5×2, caso
o trabalhador seja pago apenas pelas horas efetivamente trabalhadas. A
proposta, apresentada por Rogério Marinho (PL-RN), tenta reagir ao fim da
escala 6×1 e ameaça o descanso semanal remunerado.
A
análise ganhou tração nas redes sociais após um levantamento mostrar o impacto
direto do texto no bolso de quem recebe o piso nacional. Confira a publicação:
O decreto que fixou o
salário mínimo de 2026 em R$ 1.621 também estabeleceu o valor da hora em R$
7,37. Em um mês com 22 dias úteis, quem trabalha 8 horas por dia soma 176
horas. Multiplicado pelo valor oficial da hora, o total cai para R$ 1.297,12.
A
diferença é de R$ 323,88 no mês. Em termos proporcionais, o trabalhador
perderia praticamente 20% da renda garantida hoje pelo salário mínimo mensal.
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PEC de Flávio Bolsonaro troca salário mensal por hora trabalhada
O ponto
central da proposta está na criação de um regime flexível baseado em horas
trabalhadas. O texto altera o artigo 7º da Constituição para permitir que o
empregado escolha entre o regime comum da CLT e uma forma de contratação em que
remuneração e direitos passam a ser proporcionais à carga horária efetivamente
cumprida.
A
medida foi apresentada por Rogério Marinho, coordenador da campanha
presidencial de Flávio Bolsonaro e articulador da ofensiva contra o fim da
escala 6×1, como mostrou a Fórum.
Pela
redação da PEC, a redução de jornada poderá ocorrer por acordo individual,
convenção coletiva ou livre pactuação direta entre empregado e empregador. O
texto também estabelece que o contrato individual poderá prevalecer sobre
acordos e convenções coletivas.
A
Agência Senado resumiu o efeito da proposta de forma direta: o patrão poderia
pagar ao empregado somente as horas efetivamente trabalhadas. Férias, 13º
salário e FGTS também seriam calculados de forma proporcional.
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A brecha sobre o descanso semanal remunerado
A PEC
de Flávio Bolsonaro não revoga expressamente o Descanso Semanal Remunerado. O
direito segue previsto na Constituição e na legislação trabalhista.
O
problema está na lógica de cálculo criada pela proposta. Ao determinar que
salário e direitos serão proporcionais às horas efetivamente trabalhadas, a PEC
abre uma disputa sobre a inclusão do descanso remunerado na base mensal de
pagamento.
Se o
repouso semanal ficar fora da conta em contratos por hora, o trabalhador pode
cumprir uma jornada regular de 40 horas semanais e, ainda assim, terminar o mês
com menos que o salário mínimo cheio.
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Perda pode atingir férias, 13º e FGTS
A
redução potencial não ficaria limitada ao contracheque mensal. A PEC prevê que
férias, 13º salário, FGTS e outros direitos legais sigam a mesma
proporcionalidade aplicada à carga horária efetivamente trabalhada.
Na
prática, a queda no salário mensal também poderia reduzir a base de cálculo de
direitos pagos ao longo do ano. O impacto, portanto, não se resume ao valor
recebido no fim do mês.
Esse é
o ponto que amplia o alcance da proposta. O regime é apresentado como
flexibilização, mas transfere ao trabalhador o risco de uma renda menor e de
direitos calculados sobre uma base reduzida.
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Telemarketing poderia cair para R$ 1.149
O
impacto seria ainda maior em categorias com jornadas menores. Em parte do
telemarketing, trabalhadores cumprem 36 horas semanais, com 6 horas por dia em
seis dias de trabalho.
Nesse
cenário, um mês com 26 dias trabalhados soma 156 horas. Multiplicadas pelo
valor oficial de R$ 7,37, elas resultam em R$ 1.149,72.
A
diferença para o salário mínimo mensal de R$ 1.621 seria de R$ 471,28. A perda
passaria de 29%.
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Câmara blindou salário; PEC de Flávio cria proporcionalidade
O
contraste com o texto aprovado pela Câmara é direto. A proposta que acaba com a
escala 6×1 reduz a jornada para 40 horas semanais, com cinco dias de trabalho e
dois de descanso, sem redução salarial.
Mais do
que preservar o salário, o texto aprovado pelos deputados proíbe redução
nominal, proporcional ou de qualquer outra espécie, inclusive nos pisos
salariais. A PEC de Flávio Bolsonaro faz o caminho inverso ao permitir
remuneração e direitos proporcionais às horas trabalhadas.
A
proposta de Marinho e Flávio ganhou força depois que o presidente do Senado,
Davi Alcolumbre, enviou o texto à Comissão de Constituição e Justiça em meio a
um novo acordo político, como revelou a Fórum.
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Contragolpe ao fim da escala 6×1
A PEC
12/2026 foi apresentada como reação ao avanço do fim da escala 6×1 na Câmara.
Enquanto os deputados aprovaram a redução da jornada com preservação salarial,
a proposta assinada por Flávio Bolsonaro cria um regime em que o pagamento pode
ficar limitado às horas efetivamente trabalhadas.
Agora,
o texto aguarda a designação de relator na CCJ do Senado. Se avançar, pode se
tornar o principal instrumento da oposição para esvaziar o efeito da redução de
jornada aprovada pela Câmara.
Fonte:The
intercept/Fórum

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