Bolsonaro está
apavorado porque sabe que vai preso, diz colunista
Segundo
um aliado, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) está “apavorado” por ter certeza
de que será preso. A informação foi compartilhada pelo colunista Daniel Cesar,
ao portal Último Segundo, na última sexta-feira (5/5). O interlocutor afirma
que Bolsonaro manda mensagens 20 vezes por dia dizendo que vai para a cadeia.
A
apreensão do antigo mandatário da República se intensificou após a Operação
Venire da Polícia Federal (PF), quando agentes cumpriram mandados de busca e
apreensão na sua casa e na casa de outros aliados, inclusive levando preso o
seu ex-ajudante de ordens Mauro Cid e outros dois seguranças, na quarta-feira
(3/5).
A
operação foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF),
Alexandre de Moraes, no inquérito que investiga as “milícias digitais”. A PF apura a inserção
de dados falsos no cartão de vacinação do ex-presidente, sua filha mais
nova Laura, Mauro Cid e sua esposa. Durante as diligências os policiais
chegaram a levar o celular de Bolsonaro, que afirmou não ter nada para esconder.
A
coluna de Daniel Cesar revela ainda que um dia após a operação da PF, Bolsonaro
teria se encontrado com pessoas mais próximas e se emocionado ao falar sobre
uma possível prisão. O ex-presidente também estaria procurando a ajuda de
grupos de políticos, recorrendo inclusive ao presidente do Partido Liberal
(PL), Valdemar da Costa Neto.
No
dia da Operação Venire, Bolsonaro chegou a
chorar ao falar sobre a ação da PF em sua casa, em entrevista ao
Programa Pânico, da Jovem Pan. “Eu chamo de operação para te esculachar. Podia
perguntar sobre vacina pra mim, sobre cartão, eu respondia sem problema nenhum.
Por que eu fico emocionado? Mexer comigo, sem problema, agora quando vai para
esposa, filho”, disse.
Ø
Bolsonaro
poderia ter evitado 350 mil mortes de Covid, diz Mandetta
“Poderíamos
ter evitado metade dos mortos. Se tivesse feito a campanha direitinho, falando
todos a mesma língua, diminuindo a velocidade de transmissão, teríamos tido um
resultado muito melhor”, avalia Luiz Henrique Mandetta, ex-ministro da Saúde,
em sua primeira entrevista após a Organização Mundial
de Saúde (OMS) ter decretado o fim da emergência sanitária mundial.
Pela
estimativa de Mandetta, dos cerca de 700 mil óbitos ocorridos no Brasil -
que representam 10% dos registros no mundo - as mortes de 350 mil
pessoas por Covid-19 poderiam ter sido evitadas se o governo
Jair Bolsonaro não tivesse politizado o enfrentamento da doença e desmantelado
a coordenação unificada do Ministério da Saúde no combate à pandemia.
Em
balanço retrospectivo do enfrentamento da pandemia pelo governo federal,
Mandetta afirma que Bolsonaro fez tudo o que um chefe de estado não deveria,
naquele cenário de pandemia, se quisesse salvar vidas. “Quando iniciamos o
enfrentamento, tivemos alguns princípios: proteger a vida incondicionalmente,
manter a coordenação do enfrentamento no Ministério da Saúde, usando o
SUS como meio e a ciência para decidir. Eram os pilares de nossa estratégia” ,
afirma Mandetta.
“Mas
a ideia dele (Bolsonaro) era retirar o Ministério da Saúde do
enfrentamento, deixando isso a cargo de governadores e prefeitos, ficando o
presidente como crítico e oposição, transformando a vida de governadores e
prefeitos num inferno”, avalia o ex-ministro.
“As pessoas acham que
ele é louco, mas foi decisão política, com começo, meio e fim. Foi decisão
deliberada e consciente, porque informei por escrito e avisei qual era a
projeção de mortes nesse cenário de confusão informacional e de falta de
coordenação de Brasília, caso fosse adotada a tese da imunidade de rebanho,
dentro da máxima do Paulo Guedes de que entre economia e saúde, ficaria com a
economia”, revela Mandetta.
A
primeira providência de Jair Bolsonaro, depois da exoneração de Mandetta - e na
sequência, a saída de Nelson Teich - foi desmantelar a estrutura unificada no
Ministério da Saúde sob o Sistema Único de Saúde (SUS), com um grupo técnico de
pesquisadores e profissionais das maiores instituições brasileiras, em contato
permanente com os principais centros de pesquisa do mundo, para o embasamento
do processo decisório.
Também
a estrutura de comunicação permanente com a sociedade, para esclarecimento
devido, evitando o charlatanismo nas mídias digitais, foi interrompido. A
imprensa brasileira precisou se organizar em consórcio para acompanhar e
divulgar as estatísticas da Covid-19, o que era papel do Ministério da
Saúde.
“Fizeram
uma intervenção militar no Ministério da Saúde, com o que tem de mais
desqualificado no Exército, o pessoal de logística. Se o Exército tem generais
da área da saúde, por que não colocaram um deles? Porque queriam uma pessoa
servil, que sem compromisso com o combate à Covid-19”, afirma o ex-ministro.
“Foi
uma decisão política que levou muitas pessoas à morte. E não foi decisão
política tomada sem ter sido avisado. Fizemos três cenários, e o cenário
mais pessimista que projetamos, foi exatamente aquele que Bolsonaro escolheu: o
caos informacional e a desarticulação do sistema de saúde. Bolsonaro foi para
esse cenário de forma completamente consciente. E eu mandei por escrito”, diz
Mandetta.
·
Caos
nos estados
Sem
consenso em Brasília, os entes federados já não trabalhavam juntos.
Governadores e prefeitos bolsonaristas adotavam a narrativa negacionista em
confronto com governadores e prefeitos que seguiam as orientações científicas.
O
grau de politização no trato à doença transbordou para diversas instituições
brasileiras, inclusive o Conselho Federal de Medicina, que, em tese, foi criado
para zelar pela boa prática médica.
“Chegamos
ao fundo do poço.O Conselho Federal de Medicina, valida essa narrativa
negacionista e cria dois tipos de médicos na ponta: aquele que dava cloroquina
e aquele que não dava. Politizaram a própria prática médica”, assinala
Mandetta.
·
Atraso
das vacinas
Depois
de ignorar as oportunidades de adquirir de laboratórios internacionais as
vacinas mais rapidamente, também a imunização foi politizada e Jair Bolsonaro
iniciou a pregação contra as vacinas. “Politizaram a vacina, porque acharam que
haveria imunidade de rebanho. Não adotaram a minha recomendação, que era
de comprar a vacina cedo. Eu assinei e induzi a Fiocruz ao acordo de cooperação
com a Oxford e disse vamos apoiar o Butantã com a China. Senão não teríamos
tido vacina”, relembra Mandetta, registrando que na segunda onda da Covid-19,
morreram, entre 31 de dezembro e 31 de julho, quase 380 mil pessoas.
“Foi
um número absurdo de óbitos no primeiro semestre de 2021”, aponta ele. “E foi
aquela barbaridade, aquela vergonha de Manaus. E o que fazem? Vão para Manaus e
mandaram grupos de pacientes para todas as capitais brasileiras. Os pacientes
com a cepa delta”, diz ele, explicando que uma mudinha da cepa foi colocada em
cada lugar de concentração humana no Brasil.
“Foi
o nosso desespero. Curitiba, São Paulo ficaram quase sem oxigênio. Não existe
país no mundo em condições de produzir oxigênio para o país todo com consumo 38
vezes maior do que a média. Foi nosso maior pesadelo. Chegaram a morrer 4.500
pessoas em um único dia”, aponta.
·
Erros
no plano internacional
No
plano internacional, também houve erros, aponta Mandetta. A começar pela falta
de transparência e de informações no momento em que a doença foi
detectada em Wuhan, na China.
“A
Orgnização Mundial de Saúde (OMS) fez algo atípico: considerou uma emergência
para a cidade de Wuhan e um alerta internacional. Mas o mundo estava sob a
indefinição: não sabia se estava diante de um vírus que não iria sair
daquela região, não conhecia a velocidade de propagação os números de
contágio”, diz Mandetta.
Quando
a Itália entrou em colapso, a China parou de exportar e começaram a faltar
insumos como máscaras, agulha e outros, em todo o mundo. “Foi erro mundial
concentrar na economia de escala a compra de elementos essenciais de um único
país”, diz Mandetta.
·
Sistematização
de erros e acertos
Para
Mandetta, o momento agora é de o Ministério da Saúde promover congressos e
reuniões de trabalho para sistematizar a experiência, identificando erros e
acertos no enfrentamento da Covid-19, de modo a deixar a contribuição para as
gerações futuras no enfrentamento das pandemias que virão.
“É
uma questão de tempo”, diz o ex-ministro, que também aponta para o histórico
precário das determinantes sociais em saúde no Brasil. “A Covid-19 foi doença
infecciosa que ingressou no país pelas classes ricas, diferentemente do que
normalmente acontece. Mas sabíamos que seria uma questão de tempo para alcançar
as nossas fragilidades”, diz Mandetta.
“Quando
vem uma doença assim, ela cobra um preço enorme da falta de políticas públicas
para que as pessoas tenham moradias Como vamos falar de higiene com o Rio de
Janeiro, que tem 40% das pessoas em área de exclusão social absoluta, sem
saneamento? E nós falando em isolamento para famílias que vivem em casas
de 20m2, sem pia para lavar mão. Essa lição, as nossas determinantes sociais em
saúde seguem como nosso ponto fraco”, diz ele.
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Erros cometidos no enfrentamento da pandemia
- No Brasil
- Jair Bolsonaro
desmantelou o comando do enfrentamento à Covid-19 que em princípio fora
centralizado no Ministério da Saúde. Com a centralização do processo de
tomada de decisões, pretendia-se garantir que o Ministério da Saúde,
governadores, prefeitos em interação com a sociedade, prestassem a mesma
orientação, evitando ruídos. Nesse comando centralizado estruturado por
Mandetta, havia a participação de representantes dos conselhos nacional de
secretários estaduais e municipais da saúde; pesquisadores e técnicos das
maiores instituições nacionais, em interlocução permanente com centros
internacionais de pesquisa, para a tomada de decisão forte e embasada do
ponto de vista científico. Jair Bolsonaro fez intervenção militar no
Ministério da Saúde e desarticulou toda a estrutura;
- Interrupção do
diálogo aberto com a sociedade, em coletivas e boletins diários promovidos
em princípio pelo Ministério da Saúde, para esclarecer as práticas ao
enfrentamento, dentro da compreensão o vírus ataca a sociedade, o que
requer o engajamento de todos;
- Interrupção da
divulgação das estatísticas da doença, o que foi assumido pelo consórcio
de imprensa, função que seria do Ministério da Saúde. Dentro da estratégia
de desqualificar a gravidade da doença, ajudou a disseminar narrativas
falsas, até mesmo relacionadas ao registro de óbitos;
- Ao adotar o
negacionismo trumpista em relação à gravidade da Covid-19, desinformava a
população sobre as formas de evitar o contágio - como o uso da máscara,
lavar as mãos, não aglomerar;
- Politização
extrema do enfrentamento da doença, dentro da falsa tese de promover
a imunidade de rebanho, não através da vacinação, mas pelo livre contágio,
o que levou a mais mortes, à medida em que, sem controlar a velocidade da
transmissão, o sistema de saúde colapsou em vários estados;
- Jogou as
populações contra prefeitos e governadores que, na ausência da coordenação
do Ministério da Saúde , faziam o enfrentamento: estimulou ao
descumprimento das medidas de proteção; atacou todas as medidas que
destinavam-se a reduzir a velocidade da transmissão do vírus, promovendo
aglomerações e defendendo o não uso de máscara; demorou a adquirir as
vacinas e atacou essa forma de imunização.
- Erros no plano
internacional
- Falta de
transparência internacional no momento em que foi detectada a doença; o
mundo teve pouca informação até a doença alcançar a Itália e colapsar o
sistema de saúde;
- Concentração
mundial da compra de itens essenciais á saúde - máscaras, agulhas, em
único país, no caso, a China, que respondia, por exemplo, por 94% da
produção mundial de máscaras; um quinto da produção de respiradores, além
de insumos para a produção de vacinas. Ao interromper a exportação para
dar conta da demanda interna, o enfrentamento em todo o mundo foi afetado.
Fonte:
em.com

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