quarta-feira, 5 de abril de 2023

O 'Schindler da Bolívia' que salvou milhares de judeus do Holocausto

Na primeira metade do século 20, os homens mais poderosos da Bolívia — e talvez da América do Sul — eram empresários do setor de mineração: Simón Patiño, Carlos Aramayo e Moritz Hochschild.

Durante anos, seus polêmicos métodos de acúmulo de riqueza fizeram os arquivos históricos classificarem esses três homens, conhecidos como os "barões do estanho", como "inimigos da Bolívia".

Entre eles, destacava-se a figura de Hochschild, o único que não tinha cidadania boliviana. De origem alemã e fortes laços com o continente europeu, ele era constantemente chamado de "explorador".

Mas a história se mostrou mais complexa. No final de 1999, os arquivos da Corporação Mineradora da Bolívia (Comibol) foram organizados — e os responsáveis pela tarefa encontraram documentos revelando que Hochschild, graças a seus contatos europeus, havia conseguido salvar milhares de judeus do regime nazista.

"Ele era o que podemos chamar de homem de negócios da mineração, a quem o que importava eram os lucros e que explorava seus funcionários", diz o historiador boliviano Robert Brockmann à BBC News Mundo, o serviço em espanhol da BBC.

"Mas os papéis encontrados na Comibol mostraram o outro lado desse homem: uma espécie de Schindler que fez o possível para salvar os judeus do Holocausto nazista."

O empresário industrial alemão Oskar Schindler, membro do partido nazista, é reconhecido por ter salvado a vida de mais de 1 mil pessoas, empregando-as nas suas fábricas para protegê-las das perseguições.

Hochschild fez o mesmo na Bolívia. E, segundo os documentos encontrados, ele chegou a salvar entre 9 mil e 20 mil pessoas — muito mais que o próprio Schindler.

Robert Brockmann escreveu uma biografia sobre o magnata da mineração, destacando seus esforços para resgatar a maior quantidade possível de judeus que viviam sob o regime nazista, pouco antes do início da Segunda Guerra Mundial, em 1939.

"Hochschild conseguiu convencer o governo boliviano da época que era uma boa ideia abrir as fronteiras para os judeus, totalmente na contramão do que a maioria dos países da região estava fazendo", conta Brockmann à BBC News Mundo.

•        Hochschild, o minerador

Moritz Hochschild nasceu em fevereiro de 1881 na cidade de Biblis, no sudoeste da Alemanha. Ele era de uma família de judeus dedicados à mineração.

"Estes dois aspectos — a mineração e o fato de que a maioria dos seus familiares e vizinhos era da etnia asquenaze [judeus que se estabeleceram na Europa central e oriental] — definiriam o que ele viria a fazer pelo resto da sua vida", diz o historiador.

No início do século 20, Hochschild viajou para o exterior pela primeira vez. Ele começou então a fazer negócios de forma independente, primeiramente na Austrália e, depois, no Chile, onde manteria a sede das suas operações por muitos anos.

"É no Chile que ele organiza sua empresa de mineração e, de forma quase implacável, começa a desenvolver os negócios que o levariam à Bolívia, onde revolucionaria a extração de minérios", explica Brockmann.

Segundo não só o relato do historiador, como também outros documentos históricos, Hochschild buscou se apropriar de minas que estavam inativas ou abandonadas e torná-las rentáveis com novos métodos de extração.

"O que aconteceu foi que aquelas minas que antes eram de prata foram abandonadas quando esse elemento se esgotou", afirma Brockmann.

"Mas elas tinham outros metais, como o estanho ou zinco, que Hochschild sabia que poderia explorar."

Mas Hochschild não foi o único. Este sistema de mineração na Bolívia também seria adotado por Patiño e Aramayo. Os três logo ficariam conhecidos como os "barões do estanho".

"Com o início da Primeira Guerra Mundial, esses homens começaram a vender estanho para as grandes potências", conta Brockmann.

"Ganharam muito dinheiro, mas à custa da exploração dos trabalhadores."

Tudo estava indo bem para os poderosos barões da mineração nas décadas de 1920 e 1930, até que as mudanças de governo no início dos anos 1940 levaram ao fim do seu império.

"Hochschild perdeu todos os seus privilégios. Foi preso em duas ocasiões, e suas minas começaram a ser tomadas pelo Estado", relata o historiador.

Com o passar do tempo, especialmente durante a chamada Revolução de 1952 na Bolívia, vieram à tona detalhes dos métodos de exploração dos mineiros e da apropriação de minas em todo o país.

E, pela narrativa estabelecida na época, os antigos barões do estanho passaram a ser considerados "vilões da Bolívia".

"Esses documentos mencionam que Hochschild esteve a ponto de ser executado, mas acabou sendo libertado", acrescenta Brockmann.

Em 1944, depois de recuperar sua liberdade, Hochschild abandonou a Bolívia e nunca mais voltou. Ele foi para o Chile, onde conseguiu retomar sua fortuna, concentrando-se novamente na mineração. E morreu em 1965, em um hotel de Paris.

Mas uma das principais ações por trás dos seus negócios durante os anos que passou na Bolívia seria revelada quase 60 anos depois, em meio a arquivos que ninguém havia organizado antes.

•        Relação especial

Em 1999, o governo boliviano encomendou a Edgar Ramírez — que esteve ligado ao campo de mineração por mais de 20 anos — a tarefa de organizar os documentos apreendidos junto aos três barões do estanho na década de 1950.

Ramírez se pôs a trabalhar e, enquanto revisava as caixas que haviam pertencido à companhia mineradora de Hochschild, se deparou com diversas surpresas. Entre elas, que o empresário — chamado de "vilão" e que esteve a ponto de ser fuzilado — havia salvado milhares de judeus do Holocausto.

"Este aspecto de Hochschild era desconhecido até descobrirmos esses papéis", afirmou Ramírez ao jornal britânico The Guardian, em 2020.

"Ele era conhecido na Bolívia como o pior tipo de empresário. O pior!"

O arquivo em questão agora é propriedade da Comibol e foi declarado Patrimônio da Humanidade pela Unesco em 2016. Os documentos revelaram detalhes de como esses judeus haviam viajado da Alemanha até os picos andinos da Bolívia.

"O que os documentos nos mostram é que, devido às ações de Hochschild, muitos judeus provenientes da Alemanha, França, Polônia e até da Iugoslávia conseguiram obter visto e trabalho para recomeçar a vida", conta à BBC News Mundo Max Raúl Murillo, atual diretor do arquivo da Comibol.

"Há comprovantes de trabalho, salários, vistos, cartas não só em espanhol, mas também em alemão e hebraico, que precisamos traduzir para saber como tudo havia acontecido", destaca Murillo.

Segundo os documentos, foi graças à relação especial entre Hochschild e o então presidente boliviano Germán Busch Becerra (1937-1939) que ele conseguiu trazer de 9 mil a 20 mil judeus, principalmente de origem asquenaze.

•        Da Alemanha para a Bolívia

Nas biografias escritas sobre Hochschild, existe um aspecto que é mencionado repetidamente.

Em 1933, quando o governo nazista declarou a perda da nacionalidade de todos os judeus alemães não residentes no país, o empresário da mineração percebeu que algo grave estava prestes a acontecer.

"Era um homem que viajava o tempo todo, e esta situação o coloca em alerta sobre o que acontece no seu país, especialmente com a sua comunidade", destaca Brockmann.

"Ele então sente que precisa fazer alguma coisa."

Segundo o relato dos historiadores, sua primeira tentativa é viabilizar a entrada em países onde já existem comunidades judaicas bem estabelecidas, como os Estados Unidos e a Argentina, mas alcançou poucos resultados.

Hochschild recorre então ao presidente Busch, que não estava muito de acordo com a ideia porque não via como fazer para que os judeus que chegassem à Bolívia não usassem o país simplesmente como trampolim para chegar a outros territórios.

"Mas Hochschild o convence dizendo que os judeus poderiam trabalhar no campo e ajudar a desenvolver este setor da economia boliviana", diz Brockmann.

Com isso, foram criadas a Sociedade Protetora dos Imigrantes e Israelitas (SOPRO) e a Sociedade Colonizadora da Bolívia (SOCOBO), com o propósito de legalizar a entrada desses imigrantes.

"Essas entidades fazem o trâmite da documentação com base nas normas nacionais, como a promulgação dos Decretos Supremos de 1938, a Resolução Suprema de 14 de março de 1938, sobre a entrada de judeus no país, e a Circular de 24 de abril de 1938, que são requisitos exigidos dos imigrantes que desejam povoar terras vazias", explica Murillo.

Mas as ações de Hochschild não se limitaram a convencer o governo boliviano.

"Os arquivos mostram que ele dirigiu o trabalho de imigração até o final da Segunda Guerra Mundial. Ele criou creches, centros infantis, locais de recreação para crianças órfãs de origem judaica e contratou trabalhadores imigrantes judeus nas suas empresas de mineração."

Murillo acrescenta que, "além disso, ele comprou as fazendas Santa Rosa, Chorobamba e Polo Polo nos Yungas [região de floresta no centro da Bolívia], onde desenvolveu atividades agrícolas com os próprios imigrantes, para gerar alimentos, trabalho e estabilidade econômica".

Mas o que o presidente Busch não sabia é que a maioria dos judeus a quem o governo boliviano havia oferecido vistos para que pudessem entrar no país — e, assim, fugir da Alemanha — nunca havia trabalhado no campo.

"Por diferentes razões históricas e religiosas, os judeus nunca tiveram grande participação na produção agrícola da Europa", diz o acadêmico.

"Por esta razão, muito poucos ficaram na Bolívia. Muitos seguiram para a Argentina ou para outros países da região."

De qualquer forma, com a ajuda de Busch, Hochschild viabiliza a saída dos judeus da Alemanha e sua chegada à Bolívia. Milhares de imigrantes saíam de diversos portos da Europa, atravessavam o Atlântico e chegavam ao porto de Arica, no norte do Chile. De lá, saía o chamado "Expresso dos Judeus", que cobria o último trecho da viagem — do porto chileno até a capital boliviana, La Paz.

Documentos obtidos pelo historiador revelam que a maior parte das pessoas que ficaram na Alemanha e pertenciam à mesma comunidade do empresário da mineração não sobreviveu ao Holocausto.

"Independentemente do seu comportamento como empresário, esta ação de Hochschild realmente salvou a vida daquelas pessoas", destaca Brockmann.

 

       O campo de concentração que o México abriu na 2ª Guerra sob pressão dos EUA

 

Poucos sabem que o local onde hoje há um grande parque aquático nos arredores da capital mexicana foi, durante a Segunda Guerra Mundial, um campo de concentração de japoneses.

Trata-se da antiga fazenda Temixco, cerca de 100 quilômetros ao sul da Cidade do México.

Ali permaneceram detidas cerca de 600 pessoas a pedido dos Estados Unidos.

Rosa Urano era uma delas. Chegou ali quando tinha apenas seis anos com Yashiro, seu pai japonês; María, sua mãe mexicana; e seus dois irmãos.

Hoje, aos 87 anos, ela ainda se lembra de quando a família recebeu a notícia de que deveria deixar sua casa no Estado mexicano de Veracruz.

"Todos ficamos muito tristes, mas meu pai sempre dizia que assim que a guerra acabasse voltaríamos para casa. Foi com essa ideia em mente que viemos para cá", conta ela à BBC News Mundo, o serviço de notícias em espanhol da BBC, enquanto caminha pela antiga fazenda, seu lar por cerca de três anos.

Temixco não era um campo de extermínio nazista, tampouco era um dos campos em que os Estados Unidos confinavam na época milhares de cidadãos de origem japonesa e dos quais eles eram totalmente proibidos de sair.

"A entrada de Temixco, por outro lado, era vigiada por membros do Exército, mas digamos que era uma vigilância branda. Dali, os internos podiam sair para as proximidades depois de reportarem-se às autoridades. Havia apenas uma exceção: se quisessem ir à cidade, tinham que solicitar e obter uma licença primeiro", explica à BBC News Mundo Sergio Hernández, historiador mexicano especialista em migração japonesa no país.

A memória de muitas dessas pessoas de origem japonesa que chegaram a Temixco já adultas, obrigadas a deixar para trás suas vidas e anos de integração em outras áreas do México, é de absoluta tristeza pela clara injustiça cometida contra elas.

•        Internação à força

Após o ataque do Japão à base dos EUA em Pearl Harbor no final de 1941, Washington começou a vigiar rigorosamente os imigrantes japoneses e pediu a outros países da região que fizessem isso.

Segundo Hernández, "o governo mexicano aceitou a pressão do governo norte-americano para transferi-los, mas, diferentemente de outros países latino-americanos, decidiu não enviá-los para os campos dos Estados Unidos, mas concentrou-os no próprio México".

O principal interesse dos Estados Unidos era mantê-los afastados da área próxima a sua fronteira, considerando que sua presença ali poderia representar um perigo à sua segurança e risco de espionagem.

Com medo de acabarem sendo levados para campos americanos, os japoneses no México não tiveram escolha a não ser deixar suas casas e negócios e concordar em se mudar para a Cidade do México e Guadalajara por conta própria, conforme exigido pelas autoridades mexicanas.

Seus compatriotas que já moravam nessas cidades se organizaram no Kyoei-kai (Comitê de Ajuda Mútua) para recebê-los e apoiar as centenas de famílias que chegavam. O endereço onde eles ficariam enquanto durasse a guerra foi registrado, um a um, pelo Ministério do Interior mexicano.

Mas após abandonarem as suas vidas noutras zonas do país, muitos deles não tinham recursos para sobreviver nos seus novos destinos, pelo que se tornou necessário encontrar um local onde pudessem sustentar-se.

No município de Tala, em Jalisco, foi montado um campo em uma fazenda para quem chegava a Guadalajara.

Por sua vez, com dinheiro aportado pela Embaixada do Japão no México, os Kyoei-kai adquiriram uma antiga fazenda muito maior (cerca de 250 hectares) em Temixco para os transferidos rumo à Cidade do México.

Era uma antiga fazenda de açúcar que, devido ao clima e à presença de um rio, oferecia ótimas condições para o cultivo de produtos como arroz e hortaliças.

"A presença de água foi o mais importante para escolher este lugar, porque a maioria dos que chegaram já se dedicavam à agricultura no norte do México, para que pudessem ter cultivo suficiente", diz Tooru Ebisawa, mexicano de ascendência japonesa, à BBC News Mundo - ele passou anos documentando e pesquisando essa parte da história.

•        Memórias de oito décadas

Caminhar com Rosa Urano pela ex-fazenda Temixco é como voltar no tempo graças às suas memórias muito vivas.

Sem hesitar, ela aponta para a área onde ficavam as cozinhas coletivas, o riacho onde a mãe lavava as panelas e os pequenos quartos de madeira que os próprios habitantes do acampamento construíram.

Toda sua família dormia em uma esteira no estrado. E todos comiam no refeitório comunitário frequentado pela mãe e pelas demais mulheres da fazenda.

"Minha mãe dizia que tínhamos que chegar cedo na cozinha para comer um pedacinho de carne ao meio-dia, porque era racionado. Se chegássemos mais tarde, seria caldo puro com legumes", diz ela.

Crianças como ela frequentavam a escola pública localizada na periferia do acampamento. Também tinham a opção de frequentar a que foi instalada em Temixco e a que era ministrada em japonês.

Os homens, por sua vez, se encarregavam de trabalhar nos campos desde as primeiras horas da manhã em longas jornadas de trabalho, durante as quais plantavam e colhiam alimentos para consumo e venda, e pelas quais recebiam quatro pesos por semana (US$ 0,21 em valores atuais ou R$ 1,10).

Urano conta que esse dinheiro foi usado por sua família para comprar sabonete para tomar banho. Para comprar algumas roupas, sua mãe vendia raspadinhas de frutas nos arredores do acampamento.

•        Protestos contra as condições de trabalho

Tais condições de trabalho e a liderança daquele que foi escolhido pelo Kyoei-kai como administrador do acampamento, Takugoro Shibayama (que vivia com sua família em uma casa de pedra em condições diferentes dos pequenos dormitórios do restante dos internos), motivaram os protestos de alguns dos presos.

Um deles foi Seiki Hiromoto, que trabalhava como médico na fazenda e onde se casou com uma jovem japonesa.

Segundo seu neto Kenji Hiromoto, que passou anos estudando a história de sua família, a briga do avô com o administrador acabou levando-o a ser denunciado às autoridades mexicanas e enviado ao presídio de Perote, em Veracruz, por seis meses. Italianos e alemães também estavam concentrados lá sob condições e vigilância muito mais estritas.

"Ele pulou a cerca da fazenda em horas que não eram mais permitidas para atender os moradores da cidade, que o pagavam com galinhas ou ovos que lhe serviam para completar o que plantavam no campo, porque não dava para todos. Até que o surpreenderam e o acusaram falsamente de ser um espião", diz Kenji à BBC News Mundo.

"Posso dizer que minha família passou maus bocados quando viveu aqui: havia exploração, injustiça e privilégios por parte de quem dirigia a fazenda, toque de recolher, racionamento de comida... Minha avó me disse que eles sofreram muito", acrescenta ele, baseando suas alegação em conversas que teve com seus avós e irmãos de seu avô que moravam em Temixco.

“Nas entrevistas que fizemos, havia várias versões sobre o administrador da fazenda. Sua função era manter a ordem e dizem que ele era muito rígido, então quem não gostava dele era enviado a Serote (prisão)”, diz Ebisawa.

•        Sem pedido de desculpas

Nas memórias de infância de Rosa Urano, como era de se esperar, sua experiência em Temixco foi diferente.

"Não posso dizer que foram anos tristes, porque eu tinha com quem brincar e não dava importância a outras coisas", diz.

Claro, a opinião de seus pais era muito diferente.

"Quando perguntávamos ao meu pai se ele era feliz aqui, ele sempre dizia que não, que tinha vindo do Japão para sofrer aqui. Mas também não queria voltar para lá."

Quando a guerra acabou, os japoneses em Temixco estavam mais uma vez livres para ir aonde quisessem. Muitos, como a família de Urano, decidiram ficar na região depois de anos longe de suas casas.

O avô e pai de Fernando Álvarez, atual coproprietário das terras, comprou a fazenda em 1949 para se dedicar ao beneficiamento do arroz e, duas décadas depois, para se tornar o atual parque temático. Mas sua ligação com a comunidade japonesa está sempre presente.

"Muitos anos atrás, três japoneses, dois homens e uma mulher, vieram para cá. Eles me perguntaram se podiam entrar porque haviam morado aqui. E descobri que eram membros da família Shibayama, eram filhos deles", lembra Álvarez em entrevista à BBC News Mundo.

O historiador Hernández critica especialmente a perseguição sofrida no México não apenas pelos japoneses, mas também por aqueles que os cercavam.

"As mulheres de alguns japoneses, que eram mexicanas, também sofreram uma violação terrível de seus direitos, obrigando-as a se concentrar aqui. E isso afetou também os japoneses que já eram mexicanos naturalizados. Foi uma perseguição claramente racial", diz.

Por esse motivo, o especialista argumenta que o governo mexicano deve a essas pessoas "um pedido de desculpas".

No entanto, muitos dos afetados "não se sentem prejudicados se comparados aos que viveram nos campos de concentração dos Estados Unidos. Pelo contrário, agradecem ao México que os recebeu", destaca.

Exemplo disso é a própria Rosa Urano, para quem a decisão de se juntar aos japoneses em Temixco não foi algo negativo.

"Não sei por que fizeram isso. Porque todos nós tínhamos uma bela casa que ficava lá, em outro lugar. Acho que nos devem uma explicação para essa decisão", reflete ela, enquanto se dirige à saída da fazenda, deixando para trás anos de memórias.

 

Fonte: BBC News Mundo

 

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