quinta-feira, 6 de abril de 2023

Manter bons relacionamentos reduz risco de doenças crônicas na velhice

Mulheres idosas que conseguem estabelecer relações sociais satisfatórias – seja com família ou amigos – têm menos chance de desenvolver doenças crônicas. Isso é o que sugere um megaestudo australiano, que acompanhou mais de 7 mil voluntárias, publicado no periódico General Psychiatry. Trata-se de um dos primeiros estudos a avaliar a qualidade dos relacionamentos e sua associação com comorbidades.

Os autores avaliaram mulheres entre 45 e 50 anos que não tinham doenças crônicas no início da pesquisa. Durante duas décadas, elas foram monitoradas a cada três anos. No fim do período, aquelas que tinham níveis mais baixos de satisfação nos relacionamentos apresentaram um risco maior de desenvolver problemas como doenças cardiovasculares, diabetes, hipertensão, asma, osteoporose, depressão e ansiedade.

Os resultados foram os mesmos para qualquer tipo de relacionamento. Para os autores, as conexões sociais na velhice devem ser uma prioridade em saúde pública, tão importante quanto o combate ao sedentarismo e ao tabagismo.

“O estudo reforça a importância de não apenas conviver com mais pessoas, mas pensar na qualidade dessa convivência”, diz a psicóloga Valmari Cristina Aranha, secretária adjunta da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia. “Não adianta cultivar relações hostis ou até tóxicas.”

Autocuidado

Muito mais do que passar bons momentos juntos, o fato de ter boas companhias traz vários ganhos. “A pessoa passa a ter um propósito de vida, uma sensação de pertencimento e um motivo para se cuidar”, diz a especialista. Isso pode significar coisas como ir ao médico e fazer exames em dia, cozinhar algo especial para alguém, dormir melhor para estar bem. “É uma espiral positiva. Ao contrário, quando estamos muito sozinhos, pode haver uma autonegligência e até aumenta o risco de depressão.”

Se na juventude há grupos naturais, de estudos ou do trabalho, por exemplo, na idade madura eles deixam de ser espontâneos – ainda mais numa época em que as configurações familiares estão mudando, com famílias com menos filhos ou morando longe.

Por isso, nessa fase os encontros devem ser planejados, sem depender apenas das relações antigas, que carregamos pela vida toda. “É preciso fazer um esforço, ser muito flexível, lembrar que ninguém é perfeito”, diz a psicóloga. “O lado positivo é que na velhice a gente tem a liberdade de escolher e poder fazer o que gosta.”

<<<< Dicas para ser um idoso ativo

  • Procure participar de grupos, pode ser de oração, de ginástica ou um clube de leitura. O objetivo é buscar interesses comuns e fazer novas amizades;
  • Não precisa ficar restrito a grupos de idosos: o convívio com várias gerações é muito saudável;
  • O importante é buscar as afinidades, respeitando as diferenças;
  • Não tenha vergonha de aprender algo novo ou começar uma nova atividade. Nunca é tarde. Não exija muito de você;
  • Envelhecer não significa automaticamente mais sabedoria. Podemos ensinar e também aprender com os outros.

 

Ø  Estudos mostram que otimistas vivem mais

 

De acordo com um novo estudo da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, publicado na última quarta (8/6) na revista científica Journal of the American Geriatrics Society, a receita pra viver mais de 90 anos é simples: ser otimista.

Segundo os pesquisadores, o otimismo pode ser influenciado por fatores estruturais, mas os benefícios de ter uma visão positiva sobre a vida podem levar à longevidade em vários grupos étnicos. “Otimismo pode ser um importante ponto de intervenção para a longevidade”, explicou a autora do estudo, Hayami Koga, em comunicado à imprensa.

Participaram do estudo 159 mil mulheres, que completaram um questionário sobre otimismo, informações de saúde e dados demográficos. As informações foram processadas por um computador e cruzadas com um modelo usado para prever o relacionamento entre várias variáveis.

Outras características importantes, como estilo de vida, tiveram impacto “modesto” na probabilidade de viver mais de 90 anos, quando em comparação com o otimismo. Ver a vida de forma positiva trouxe um aumento de 5,4% na longevidade, de acordo com os cientistas.

Hábitos mais saudáveis

O assunto não é novo: outras pesquisas já mostraram que pessoas otimistas tendem a viver mais. Um estudo de 2019, publicado na revista científica PNAS, mostra que homens e mulheres otimistas têm uma vida, em média, 11% a 15% mais longa. Os resultados foram os mesmos mesmo quando se leva em consideração o status socioeconômico, condições de saúde, depressão, tabagismo, dieta e uso de álcool.

Outros estudos mostraram que pessoas otimistas tendem a ter uma dieta mais saudável, e se exercitar com frequência e dormir melhor, além de um ter o coração mais saudável, sistema imunológico mais forte e menor risco de morte.

Não se considera um otimista? É possível mudar esse cenário. Especialistas sugerem anotar diariamente os pontos positivos da rotina e se visualizar em um futuro onde tudo deu certo, imaginando tudo o que você teria alcançado para chegar lá.

 

Fonte: Agência Einstein/Metrópoles

 

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