quarta-feira, 5 de abril de 2023

Covid-19: variante Ômicron é predominante e continua evoluindo, afirma OMS

A Organização Mundial da Saúde (OMS) atualizou o monitoramento do coronavírus nesta semana. Os dados apontam que a variante Ômicron se tornou predominante no mundo e está presente em 98% das sequencias genéticas.

Além disso, segundo a OMS, o vírus continua evoluindo. Nesse contexto, a OMS atualizou seu sistema de rastreamento e definições para variantes do SARS-CoV-2, o vírus que causa a Covid-19, para melhor corresponder ao atual cenário global, para avaliar independentemente sublinhagens da Ômicron em circulação e classificar novas variantes com mais clareza.

Desde o início da pandemia, múltiplas variantes de preocupação e variantes de interesse foram designadas pela OMS com base em seu potencial avaliado de expansão e substituição de variantes anteriores, por causar novas ondas com aumento da circulação, e pela necessidade de ajustes nas ações de saúde pública.

São três classificações “variantes de preocupação”, “variantes de interesse” e “sob monitoramento”. A classificação das “variantes de preocupação” reúne as linhagens do novo coronavírus que apresentam alterações que podem afetar as propriedades do vírus, com uma ou mais implicações, incluindo o aumento da capacidade de transmissão ou da gravidade da doença, além de impactos para a eficácia das vacinas, medicamentos e métodos de diagnóstico.

·         Mudanças

Com base evidências de estudos clínicos e epidemiológicos, há consenso entre os especialistas do Grupo Técnico Consultivo da OMS sobre a Evolução do Vírus SARS-CoV-2 que, em comparação com as variantes anteriores, a Ômicron representa a variante de preocupação mais divergente vista até o momento.

Desde o seu surgimento, as linhagens da Ômicron continuaram a evoluir geneticamente com uma gama crescente de sublinhagens, que até agora foram todas caracterizadas por propriedades de evasão da imunidade da população existente e uma preferência para infectar o trato respiratório superior, em vez do trato respiratório inferior, em comparação com outras variantes como Alfa, Beta, Gama e Delta.

De acordo com a OMS, a Ômicron representa mais de 98% das sequências publicamente disponíveis desde fevereiro de 2022. A estrutura genética da Ômicron é a base mais provável a partir da qual novas variações do vírus podem surgir. No entanto, o surgimento de variantes completamente novas ou derivadas de outras linhagens não está descartada.

O sistema anterior da OMS classificava todas as sublinhagens Ômicron como parte da variante de preocupação principal. O que poderia deixar passar informações mais específicas de cada sublinhagem.

Pensando nisso, a partir de 15 de março, o sistema de rastreamento de variantes da OMS passou a considerar a classificação de sublinhagens Ômicron de maneira independente, podendo ser classificadas como um dos três critérios como variantes sob monitoramento, de interesse ou de preocupação.

O objetivo é mapear avanços evolucionários do coronavírus que necessitem de intervenções de saúde pública. A análise da OMS enfatiza que este tipo de monitoramento serve para melhor identificar potenciais ameaças.

De acordo com a última atualização da OMS, foram confirmados mais de 760 milhões casos da doença e cerca de 6,8 milhões mortes acumuladas. Mais de 13 bilhões de doses de vacinas foram administradas até o momento no mundo.

 

Ø  Estudo revela como o transporte aéreo acelerou a disseminação da Covid-19

 

A diminuição da distância entre as cidades brasileiras a partir das redes criadas pela malha aérea contribuiu para acelerar a disseminação da Covid-19 pelo país no início da pandemia.

Os dados são de um estudo desenvolvido na Escola Politécnica (Poli) da Universidade de São Paulo (USP), que demonstrou as conexões entre 5.569 cidades brasileiras e analisou o impacto das redes produzido pelo transporte aéreo no início da pandemia.

A análise compara as redes criadas pela malha rodoviária e pela malha aérea e verifica que os aviões diminuíram as distâncias entre as cidades em 70%, acelerando o alcance da doença. Os resultados foram publicados no periódico Scientific Reports.

Para o estudo, os pesquisadores brasileiros utilizaram como base o modelo do mundo pequeno, desenvolvido por Duncan Watts e Steven Strogatz e publicado em artigo para a revista Nature, em 1998. O modelo apresenta as conexões entre as pessoas como uma rede em que todas estão separadas umas das outras por poucos passos – também chamados de nós.

Os cientistas da USP consideraram as cidades brasileiras como os nós que se ligam a cidades vizinhas por vias terrestres, mas também as cidades com aeroportos e voos frequentes entre elas.

“Quando você pensa em uma pandemia, é importante pensar no contato entre as pessoas. É aí que entra a rede, porque os indivíduos vão passar a doença para as pessoas a quem estão conectados”, explicou Giovanna Cavali Silva, que cursa o MBA em data science no Programa de Educação Continuada da Escola Politécnica da USP, em comunicado.

Pelas rodovias, as conexões diretas entre as cidades são reduzidas e os passos são maiores para alcançar cidades em outras regiões. Assim, em casos de disseminação de doenças, a transmissão ocorre para as cidades vizinhas. Já pelas linhas aéreas, considerando conexões entre cidades de regiões diferentes, por exemplo, o alcance da transmissão da doença é muito maior. Seguindo o modelo do mundo pequeno, o artigo reduziu 27 nós rodoviários para 7 nós aéreos.

Os pesquisadores utilizaram softwares de processamento de dados e utilizou um modelo adotado para simulação de epidemias. Foram usados dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do repositório de dados públicos Brasil.io, que acompanhou os números da pandemia no país.

A partir disso, os especialistas construíram uma rede de acordo com as posições geográficas, que foram divididas entre cidades com aeroportos internacionais, aeroportos locais e aquelas sem transporte aéreo. “As simulações foram feitas por cidades e não por pessoas, ou seja, cada cidade teve uma probabilidade de ser infectada”, destaca Evandro Marcos Saidel Ribeiro, professor do programa da Politécnica.

De acordo com dados das secretarias estaduais de Saúde, 99% das cidades brasileiras confirmaram casos de Covid-19 na vigésima semana epidemiológica. Ao adicionar as possibilidades aéreas, a distância entre os “nós” caiu em 70%. “As cidades estão agrupadas àquelas em seu entorno, mas ao adicionar uma conexão aérea, os grupos não são desfeitos e a distância diminui drasticamente”, aponta Ribeiro.

·         Prevenção

Segundo os pesquisadores, a diminuição das distâncias entre as cidades favorece a disseminação de doenças infecciosas, como a Covid-19. Para evitar novas epidemias, é necessário voltar as atenções para o transporte aéreo.

“Logo no começo da pandemia já é possível detectar os focos [de disseminação] das doenças, e eles serão os aeroportos. É uma rede extremamente conectada, onde infecções saem do controle epidemiológico”, diz Giovanna.

Os especialistas sugerem a consideração de medidas drásticas em saúde pública para impedir a dispersão de vírus, como diminuição do número de voos em cidades mais afetadas ou até mesmo o fechamento dos aeroportos. Para eles, o acompanhamento e a intervenção governamental nesse tipo de transporte são essenciais para prevenir ocorrências de pandemias.

 

Fonte: CNN Brasil

 

Nenhum comentário: