quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Diabetes insipidus: endocrinologista explica o que é e os sintomas

Sentir sede o tempo todo, mesmo bebendo bastante água, pode parecer apenas um hábito. Mas quando ela vem acompanhada de grande volume de urina clara, inclusive durante a madrugada, o quadro pode indicar um distúrbio hormonal chamado diabetes insipidus.

Apesar do nome, a condição não tem relação com o aumento de açúcar no sangue. Diferentemente da diabetes mellitus, a diabetes insipidus ocorre quando há alteração na produção ou na ação da vasopressina, hormônio responsável por controlar o equilíbrio de água no organismo.

A vasopressina, também conhecida como hormônio antidiurético (ADH), é produzida no hipotálamo e armazenada na hipófise. Sua principal função é sinalizar aos rins que reduzam a eliminação de água pela urina. Quando esse mecanismo falha, o corpo perde líquido em excesso e a pessoa passa a sentir sede constante.

A endocrinologista Deborah Beranger da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro (SCMRJ), explica que os sintomas clássicos estão ligados justamente a essa falha hormonal e o resultado é um ciclo: quanto mais líquido o corpo perde, maior é a necessidade de reposição.

“Ela tem a função de regular a quantidade de água no corpo. Esse hormônio envia sinais aos rins para diminuírem a quantidade de urina que eles produzem. Com a sua ausência, os sintomas clássicos são sede excessiva e muita produção de urina”, afirma.

<><> Sintomas que merecem atenção

O principal sinal da doença é a produção excessiva de urina (poliúria). Em pessoas saudáveis, a ida ao banheiro costuma variar entre cinco e oito vezes por dia. Em pessoas com poliúria, o volume eliminado ultrapassa 3 litros em 24 horas.

A nefrologista Caroline Reigada, especialista em Medicina Interna pela Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, explica que essa produção exagerada pode impactar a rotina e indicar necessidade de investigação.

“A poliúria acontece quando os rins produzem mais urina do que o normal, fazendo com que o paciente precise urinar várias vezes ao dia em grande quantidade, geralmente mais de 3 litros em um período de 24 horas”, destaca a médica.

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Principais sintomas da diabetes insipidus

•        Sede intensa e persistente.

•        Eliminação de mais de 3 litros de urina por dia.

•        Urina muito clara e diluída.

•        Necessidade de acordar várias vezes à noite para urinar.

•        Preferência por líquidos gelados.

•        Sinais de desidratação quando não consegue beber água.

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<><> Causas, diagnóstico e tratamento

A diabetes insipidus pode ser classificada em dois tipos principais. No tipo central, o problema está no cérebro, que deixa de produzir ou liberar adequadamente a vasopressina. Isso pode ocorrer após traumatismos cranianos, tumores, cirurgias ou doenças autoimunes.

Já no tipo nefrogênico, o hormônio é produzido normalmente, mas os rins não respondem ao seu estímulo. Esse quadro pode estar associado a alterações renais ou ao uso de medicamentos como o lítio.

O diagnóstico é feito por meio de exames de sangue e urina que avaliam volume urinário e equilíbrio de eletrólitos. Em alguns casos, pode ser indicado o teste de privação hídrica, considerado referência para confirmar deficiência de vasopressina.

Embora não tenha cura definitiva, a condição pode ser controlada. O tratamento depende da causa e pode incluir o uso de desmopressina, versão sintética do hormônio antidiurético, que ajuda a reduzir a produção excessiva de urina e restabelecer o equilíbrio hídrico.

Diante de sede persistente e aumento expressivo do volume urinário, a recomendação é procurar ajuda médica. Identificar o problema precocemente ajuda a evitar desidratação e melhora na qualidade de vida.

•        Nutris apontam os cinco melhores alimentos para controlar a diabetes

Em quadros de diabetes, o corpo apresenta dificuldades para produzir insulina em níveis adequados ou não a utiliza o suficiente. Como resultado, a doença metabólica provoca um aumento de glicose no sangue, o que pode causar danos mais sérios. Entre as principais consequências, estão: danos aos vasos sanguíneos e nervos, problemas cardiovasculares e cerebrais, além de prejuízos à qualidade de vida.

Segundo dados da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), mais de 13 milhões de pessoas são diabéticas no Brasil, um número que torna 6,9% da nossa população paciente da condição.

Aos já diagnosticados, o tratamento consiste basicamente em controlar os níveis de glicose no sangue. Na maioria dos casos, os melhores resultados vêm a partir da adoção de hábitos simples e eficazes, como realizar atividades físicas com regularidade e, principalmente, ter uma rotina alimentar equilibrada.

Para quem busca uma dieta saudável, o Metrópoles contou com a ajuda de nutricionistas para separar os cinco melhores alimentos para ajudar a controlar a diabetes.

<><> Cinco melhores alimentos para controlar a diabetes

>>> Vegetais folhosos

Com baixo teor de carboidratos e calorias, vegetais incluindo alface, rúcula, agrião e rúcula são uma boa pedida para quem quer viver em paz com os níveis de glicose no organismo. Os alimentos ainda tem bastante fibras, vitaminas, minerais e antioxidantes, evitando picos glicêmicos no sangue.

“Agrião, alface e rúcula possuem muito pouco açúcar e devem estar presentes na alimentação de quem quer controlar a glicose”, aponta a nutricionista Inarí Ciccone.

>>> Frutas vermelhas

Frutas vermelhas, como mirtilos, framboesas, amoras e, principalmente, morangos, são opções de baixo índice glicêmico e com muitas fibras, dificultando os picos de açúcar no sangue.

“O morango possui baixo índice glicêmico e contém poucas calorias, o que é ideal para pessoas que precisam fazer controle do peso corporal”, afirma a nutricionista Renata Guirau, consultora do Oba Hortifruti.

>>> Aveia

Através da beta-glucana, uma fibra solúvel encontrada no grão, a ingestão da aveia cria um gel viscoso no sistema digestório, retardando o processo de transformar os carboidratos em açúcar no organismo. Isso evita picos de glicose.

>>> Peixes

Além de estabilizar os níveis de glicose no sangue, o consumo de peixes é uma boa alternativa para reduzir inflamações e melhorar a saúde cardiovascular. Eles tem baixo índice glicêmico baixo e ainda têm valor nutricional elevado.

>>> Feijão

Uma leguminosa com bons nutrientes e que faz a digestão ser mais lenta, o feijão é considerado um “superalimento” para os diabéticos. Além de manter os níveis de açúcar no sangue adequados, o alimento torna o risco de picos de glicemia e insulina menor.

•        Dieta vegana ajuda a reduzir uso de insulina na diabetes, diz estudo

Um estudo mostrou que uma dieta vegana com baixo teor de gordura pode ajudar a reduzir em 28% o uso diário de insulina por adultos com diabetes tipo 1. A pesquisa é uma análise secundária de um ensaio clínico randomizado de 12 semanas, publicado em outubro de 2025 na revista científica BMC Nutrition.

A diabetes tipo 1 é uma doença imune em que o organismo deixa de produzir insulina, hormônio responsável por controlar os níveis de açúcar no sangue.

Por isso, as pessoas com a condição precisam aplicar insulina diariamente para sobreviver. O ensaio clínico em questão, envolveu 58 adultos com diabetes tipo 1, divididos em dois grupos:

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•        29 participantes seguiram uma dieta vegana com baixo teor de gordura, composta apenas por alimentos de origem vegetal e com cerca de 10% das calorias vindas de gordura.

•        29 participantes seguiram uma dieta convencional com controle de porções.

O acompanhamento durou 12 semanas. Durante o experimento, os pesquisadores avaliaram a quantidade total de insulina usada por dia, calculada com base na média de três dias consecutivos.

Ao final do período, o grupo que adotou a dieta vegana apresentou redução média de 12,1 unidades por dia, o que corresponde a uma queda de 28% no uso total diário de insulina.

Já o grupo da dieta convencional não teve mudanças significativas. O custo da insulina também caiu no grupo vegano: a redução foi de 27%, representando uma economia média de R$ 5,22 por dia.

Segundo os autores da pesquisa, não houve aumento nos episódios de hipoglicemia (queda de açúcar no sangue) ou hiperglicemia (açúcar elevado), indicando que a redução da insulina ocorreu sem piora do controle glicêmico.

Por que isso pode ter acontecido?

Os pesquisadores sugerem que a dieta pode ter melhorado a sensibilidade à insulina — ou seja, o corpo passou a usar melhor o hormônio. Dietas com menos gordura tendem a reduzir o acúmulo de gordura no fígado e nos músculos, o que pode facilitar a ação da insulina nas células.

Na análise principal do ensaio, já havia sido observado que o grupo vegano apresentou perda de peso média de cerca de 5 kg, além de melhora em indicadores metabólicos.

Apesar dos dados animadores, o estudo tem limitações. O número de participantes é pequeno e o acompanhamento foi de apenas 12 semanas, cerca de três meses. Ainda não está claro se os efeitos se mantêm no longo prazo. Os autores defendem que pesquisas maiores e mais duradouras são necessárias para confirmar os achados.

Para pessoas com diabetes tipo 1, o estudo sugere que a alimentação pode influenciar a quantidade de insulina necessária. No entanto, qualquer mudança na dieta ou na dose de insulina deve ser feita com acompanhamento médico e nutricional, já que o controle inadequado da glicemia pode trazer riscos sérios à saúde.

 

Fonte: Metrópoles

 

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