quarta-feira, 10 de maio de 2023

Scholz sobre União Europeia: devemos 'deixar para trás a visão eurocêntrica' em um mundo multipolar

O chanceler da Alemanha instou o bloco europeu a "deixar para trás a visão eurocêntrica das últimas décadas" e "superar as consequências do colonialismo" com países da África, Ásia e América Latina.

Olaf Scholz, chanceler da Alemanha, pediu mais cooperação global em termos iguais, em vez de se esforçar em transformar a União Europeia (UE) em uma terceira "potência mundial" ao lado dos EUA e da China, segundo a agência alemã DPA.

O chanceler alemão disse em um discurso sobre a orientação geopolítica da UE ao Parlamento Europeu em Estrasburgo, França, que a ordem mundial do século XXI é "multipolar" e não "bi ou tripolar". Scholz pediu que o bloco negociasse novos acordos de livre comércio e parcerias em termos igualitários.

"Superar as consequências do colonialismo deve ser uma característica essencial de qualquer parceria europeia com os países da África, Ásia e América Latina", que devem "deixar para trás a visão eurocêntrica das últimas décadas" e melhorar a segurança alimentar, combater a pobreza e ajudar a proteger o clima e o meio ambiente, acrescentou.

Scholz citou os países do Mercosul, e também o México, Índia, Indonésia, Austrália e Quênia como exemplos de novos acordos de livre comércio.

"A Europa deve se voltar para o mundo", disse ele.

"Aqueles que são nostálgicos em relação ao sonho de uma potência mundial europeia, aqueles que servem às fantasias de superpotência nacional, estão presos ao passado", sublinhou Scholz.

Sobre a China, Olaf Scholz afirmou ver o país como um parceiro, apesar das mudanças nas relações.

"Nosso relacionamento com a China é adequadamente descrito pela tríade 'parceiro, concorrente, rival sistêmico', em que a rivalidade e a concorrência por parte da China, sem dúvida, aumentaram", disse ele, apoiando a ideia de reduzir os "riscos" ligados às suas "dependências econômicas" de Pequim.

"Os Estados Unidos continuam sendo os aliados mais importantes da Europa", apontou o chanceler da Alemanha.

O alto responsável disse que a concessão do status de candidato oficial aos países dos Bálcãs Ocidentais, e também à Ucrânia e à Moldávia, foi "uma decisão muito central sobre a forma de uma Europa geopolítica".

Os comentários de Scholz contrastam com as posições de alguns outros líderes da UE, incluindo Emmanuel Macron, presidente da França, que recentemente chamou o bloco a se tornar uma potência global ao lado dos EUA e da China.

·         Produção industrial da Alemanha cai e levanta espetro de recessão na maior economia europeia

A atividade nas fábricas alemãs se reduziu em 3,4%, mais do que o previsto pela agência norte-americana Bloomberg, e poderá tornar o primeiro trimestre de 2023 o segundo consecutivo em que o PIB do país caiu.

A produção industrial da Alemanha sofreu a maior queda em um ano, aumentando o risco de que a maior economia da Europa tenha caído em uma recessão, diz na segunda-feira (8) a agência norte-americana Bloomberg.

A produção caiu 3,4% em março, mais do que o declínio de 1,5% que os economistas previram em uma pesquisa da Bloomberg, e a maior desde março de 2022. A queda foi especialmente acentuada no setor de automóveis, de acordo com o escritório de estatísticas alemão.

Além disso, foi registrada uma queda de mais de 10% nas encomendas às fábricas em março, com Carsten Brzeski, economista da ING, apontando para uma fraqueza também em outros setores.

A Alemanha poderia assim registrar uma recessão entre outubro e março, sendo que uma das definições é quando há contração no PIB por pelo menos dois trimestres seguidos. O país europeu tem estado à beira da recessão desde o começo da operação especial da Rússia na Ucrânia e a imposição de sanções a Moscou, com a inflação disparando em seguida. Uma estimativa preliminar para indicou uma estagnação econômica no primeiro trimestre de 2023, após uma contração de 0,5% no quarto trimestre de 2022 em relação ao terceiro.

"Todos os dados macroeconômicos alemães em março despencaram. As vendas no varejo e as exportações caíram acentuadamente e, juntamente com os dados de produção industrial de hoje, aumentaram a chance de uma revisão em baixa do crescimento do PIB do primeiro trimestre", indicou Brzeski.

Embora as publicações mais recentes sugiram que a economia em geral está se expandindo, o desempenho inesperadamente ruim do setor industrial ainda pode fazer com que o desempenho do PIB no primeiro trimestre seja reduzido.

·         UE quer proibir spyware após concluir que Hungria e Polônia o utilizaram para rastreamento

Um comitê especial do Parlamento Europeu votou na segunda-feira (8) a favor de uma proibição temporária da venda, aquisição e uso de programas de espionagem enquanto a União Europeia (UE) elabora padrões comuns para o controle de seu uso, de acordo com o jornal Guardian.

"A UE precisa de uma regulamentação mais rígida para o setor de spyware, afirmou um comitê especial do Parlamento Europeu, após concluir que a Hungria e a Polônia usaram software de vigilância para monitorar ilegalmente jornalistas, políticos e ativistas", escreve o artigo.

Um relatório do comitê constatou que os governos da Hungria e da Polônia "enfraqueceram e eliminaram" as proteções contra spyware. Os eurodeputados também levantaram questões sobre o uso destes programas pela Espanha e pela Grécia.

Segundo o jornal, muitos deputados estão preocupados por muitos Estados-membros da UE terem criado um "porto seguro para a indústria de spyware, muitas vezes violando as leis e os padrões da União [Europeia]".

O Guardian indica que essa é uma das respostas mais abrangentes já dadas pelos legisladores ao projeto Pegasus, revelações feitas por um consórcio de jornalistas de que os governos usam um poderoso spyware para atingir oponentes domésticos, políticos estrangeiros e repórteres investigativos.

O comitê emitiu o relatório final e a lista de recomendações que são o resultado de uma investigação de um ano feita pelo comitê. A investigação começou depois que 80 jornalistas revelaram que políticos e ativistas foram alvo de governos que haviam comprado o spyware Pegasus da empresa israelense NSO Group.

"O spyware efetivamente transforma os telefones das pessoas em dispositivos de vigilância sem o conhecimento delas, copiando mensagens, coletando fotos e gravando chamadas", informa o jornal.

O Guardian e outras mídias descobriram que o presidente francês, Emmanuel Macron, e quase todo seu gabinete estão em uma lista vazada, sugerindo que eram de interesse para os clientes da NSO.

Na época das revelações, o NSO Group disse que o consórcio de jornalistas havia feito "suposições incorretas" sobre os clientes que usavam sua tecnologia. Em dezembro de 2021, a empresa prometeu tomar medidas legais contra clientes que "usam indevidamente" sua tecnologia.

 

Ø  'Para que é a diplomacia?': Maduro acusa Borrell de querer levar o mundo a uma guerra nuclear

 

O chefe da diplomacia da União Europeia (UE), Josep Borrell, está provocando cada vez mais tensão no conflito em torno da Ucrânia, podendo levar o mundo a uma guerra nuclear, disse o presidente venezuelano Nicolás Maduro.

Anteriormente, Borrell disse que se sente agora mais como o ministro da Defesa da UE do que o chefe da diplomacia. Em sua opinião, não há condições na Ucrânia para uma solução diplomática do conflito.

"Josep Borrell, vai nos levar a uma guerra nuclear? Por sua mentalidade guerreira, você deve ser um diplomata, você não sabe manejar nem um fuzil nem uma pistola e vai ficar falando em guerra, em escalada de violência", disse o líder venezuelano durante o programa de TV "Com Maduro+".

Maduro referiu-se às declarações proferidas por Borrell, nas quais afirmou que não é o momento para conversações diplomáticas sobre a paz, mas sim para o apoio militar a Kiev, pois disse que se isso não acontecer "a Ucrânia cairá em questão de dias".

"Para que é a diplomacia? Para a guerra? Perguntamos da Venezuela, o confronto militar? A destruição de territórios, de povos, de países, para escalar a violência armada? Para que serve a diplomacia, Josep Borrell? A diplomacia é para falar, para se aproximar, para se entender e buscar fórmulas de paz", comentou o presidente venezuelano.

Maduro disse que seu país apoia as propostas de paz dos governos da China e do Brasil.

"Apoiamos firmemente as iniciativas diplomáticas de paz do presidente [da China], Xi Jinping, e do presidente [do Brasil] Lula da Silva, e a Venezuela aposta em tudo pela paz", acrescentou.

Durante o encontro realizado em abril, Xi e Lula da Silva concordaram que o diálogo e a negociação são a única forma viável de sair do conflito na Ucrânia, pelo que consideraram que devem ser apoiados todos os esforços que conduzam a uma solução pacífica da crise.

 

Ø  Novo pacote de sanções contra Rússia visa combater evasão das medidas existentes, diz von der Leyen

 

O 11º pacote de sanções da União Europeia contra a Rússia se concentra no combate à evasão das medidas existentes, afirmou a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, nesta terça-feira (9).

"Na sexta-feira passada, a Comissão adotou a proposta para o 11º pacote de sanções, o foco deste pacote agora é reprimir a evasão. Estamos fazendo isso em uma coordenação muito estreita com nossos parceiros internacionais, particularmente com o G7 [grupo composto por Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido]", disse von der Leyen durante uma conferência de imprensa em Kiev.

A presidente da Comissão acrescentou que estão sendo adicionados mais produtos à proibição de trânsito também, incluindo "produtos de tecnologia avançada ou peças de aeronaves".

"Propomos uma nova ferramenta para combater a evasão de sanções se virmos que as mercadorias estão indo da União Europeia para países terceiros e depois acabam na Rússia, podemos propor aos Estados-membros que sancionem essas exportações de mercadorias", disse von der Leyen.

O Ocidente aumentou as sanções sobre a Rússia após o início da operação militar russa na Ucrânia, com muitas empresas europeias se retirando do país. A União Europeia já impôs dez pacotes de sanções contra Moscou desde fevereiro de 2022.

A Rússia declarou repetidamente que o país está lidando com a pressão das sanções impostas pelo Ocidente desde há vários anos.

Moscou observou que ao Ocidente falta coragem para admitir o fracasso das sanções contra a Rússia. No próprio Ocidente é repetidamente referido que as sanções são ineficazes.

Vladimir Putin apontou que a política de conter e enfraquecer a Rússia é uma estratégia de longo prazo do Ocidente, mas as sanções infligiram um sério golpe a toda a economia global. Segundo ele, o principal objetivo do Ocidente é piorar a vida de milhões de pessoas.

·         Espanha compra urânio russo porque as sanções da União Europeia não o proíbem, diz mídia

O governo da Espanha atribuiu a compra de urânio da Rússia à ausência de sanções da União Europeia (UE) contra esta fonte de combustível, escreve o El Mundo com referência aos dados governamentais.

De acordo com o jornal, o governo espanhol citou a ausência de uma proibição efetiva da UE ao urânio russo para justificar a continuação da importação desse material desde o início do conflito na Ucrânia, em resposta a uma interpelação parlamentar. Nela, o deputado da coligação Unidas Podemos e presidente da Comissão de Transição Ecológica, Juantxo López de Uralde, pediu ao governo para apresentar dados relativos ao transporte de combustível nuclear na Espanha nos últimos meses.

"Até agora, nenhuma das sanções impostas à Rússia na sequência do conflito na Ucrânia afetou as atividades da ENUSA [empresa nuclear estatal] ou importações de matérias-primas como o urânio", cita o jornal a resposta do governo espanhol ao deputado.

"Quaisquer sanções ou restrições que afetem a importação de qualquer produto ou matéria-prima de outro país devem ser consideradas no âmbito da UE", acrescenta o governo.

A Rússia tem observado que o Ocidente não tem coragem de admitir o fracasso das sanções contra a Rússia. Nos próprios países ocidentais foi frequentemente expressa a opinião de que as sanções antirrussas são ineficazes.

Anteriormente foi divulgado que a empresa estatal russa Rosatom anunciou a assinatura de um contrato de fornecimento de urânio natural com as Indústrias Nucleares do Brasil. Em dezembro de 2022 foi assinado um acordo que prevê a comercialização de urânio russo para usinas brasileiras de 2023 a 2027.

 

Ø  Vucic: em cada reunião, independentemente do tópico, Ocidente exige sanções contra Rússia

 

Cada representante do Ocidente coletivo, em qualquer reunião com a liderança da Sérvia, independentemente do tema da conversa, exige a imposição de sanções contra a Rússia, disse o presidente sérvio Aleksandar Vucic.

"Anteriormente, já falei sobre isso, sobre pressão, ultimatos. Já estou habituado, em todas as reuniões com eles, é como 'boa tarde' – é sobre sanções antirrussas [...] Provavelmente, isso é o que eles chamam de uma agenda política", disse Vucic a um canal de TV sérvio.

Ele declarou que, embora não prometesse não apoiar as sanções ocidentais contra a Rússia, Belgrado ainda consegue cumprir as decisões do Conselho de Segurança Nacional de março de 2022 e não introduzir medidas restritivas, apesar de todas as declarações e expectativas dos opositores políticos das autoridades atuais.

A Rússia tem dito repetidamente que vai lidar com as sanções que o Ocidente começou a impor contra a Rússia há vários anos e que têm se intensificado. Moscou disse que o Ocidente não tem a coragem de admitir o fracasso das restrições antirrussas. Nos próprios países ocidentais, são repetidamente expressas opiniões de que as sanções são ineficazes.

O presidente russo, Vladimir Putin, disse que a política de conter e enfraquecer a Rússia é uma estratégia de longo prazo do Ocidente e as sanções têm causado um sério golpe em toda a economia mundial.

 

       MD turco: na cúpula do acordo de grãos serão discutidas extensão dele e evacuação de navios turcos

 

Os participantes da cúpula sobre o acordo de grãos, agendada para 10 e 11 de maio em Istambul, vão discutir a extensão do acordo e a evacuação de navios turcos, informou o Ministério da Defesa turco.

"Na reunião marcada para 10 e 11 de maio [...] será discutida a extensão do acordo de grãos e o desenvolvimento em detalhes de um plano para a evacuação segura de navios e tripulações turcos presos em portos ucranianos", disse o Ministério da Defesa turco.

Em mensagem também se nota que a reunião incluirá conversas tanto entre quatro partes quanto biliterais entre os participantes.

Em 22 de julho de 2022, Rússia, Ucrânia, Turquia e as Nações Unidas fecharam um pacote de acordos, chamado a Iniciativa de Grãos do Mar Negro, para fornecer um corredor marítimo humanitário para navios com alimentos e fertilizantes para o mercado internacional.

Um deles aprovou um mecanismo para exportar grãos dos portos do mar Negro controlados pela Ucrânia. Outra parte dos acordos diz respeito ao acesso aos mercados globais de alimentos russos.

As autoridades russas têm repetidamente apontado que a segunda parte não está de fato implementada.

Inicialmente, os acordos foram assinados por 120 dias e mais tarde, em novembro, foram prorrogados pelo mesmo período.

Em 18 de março, a Rússia anunciou uma prorrogação de 60 dias do acordo, alertando que esse seria o tempo suficiente para avaliar a implementação do memorando assinado com a ONU.

 

Fonte: Sputnik Brasil

 

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