terça-feira, 9 de maio de 2023

China e Rússia defendem ordem internacional baseada no direito internacional

O Ministério das Relações Exteriores da China elogiou as relações bilaterais com a Rússia e o contributo dos dois países para "o progresso da humanidade", e deixou claro a oposição "a atos hegemônicos e intimidadores".

Qin Gang, ministro das Relações Exteriores da China, disse em uma entrevista ao jornal árabe Asharq Al-Awsat que Pequim e Moscou defendem a ordem mundial e que suas relações bilaterais não estão sujeitas a ameaças de nenhum país.

"Ao longo dos anos, as relações China-Rússia resistiram ao teste das mudanças na dinâmica internacional. A chave é que os dois países encontraram uma maneira de os principais países construírem confiança estratégica e boa vizinhança, um caminho de não alinhamento, não confronto e não ataque a terceiros", disse ele em uma entrevista publicada na segunda-feira (8).

O chanceler sublinhou que "a China e a Rússia continuarão avançando sua parceria estratégica abrangente de coordenação para a nova era".

"Os dois países salvaguardarão o sistema internacional centrado na ONU, a ordem internacional baseada no direito internacional e as normas básicas das relações internacionais baseadas nos propósitos e princípios da Carta da ONU, defenderão o verdadeiro multilateralismo, promoverão a multipolaridade global e maior democracia nas relações internacionais, e contribuirão com sua parte justa para o progresso da humanidade", disse ele.

O chefe da diplomacia chinesa também garante que Pequim "continuará trabalhando com a comunidade internacional e desempenhando um papel construtivo na resolução política da crise ucraniana", que a relação sino-russa "não representa ameaça a nenhum país, e não será afetada por interferência ou instigação de qualquer terceira parte".

"Ao mesmo tempo, nos opomos firmemente aos atos hegemônicos e intimidadores dos EUA, e salvaguardaremos resolutamente nossos direitos e interesses legítimos", sublinhou Qin.

·         Nova era nuclear entre China e Rússia tira EUA da 'zona de conforto' e faz Biden 'balançar'

A cooperação entre a China e a Rússia não é novidade, contudo, está decolando para "voos mais altos" mais rápido do que os americanos imaginavam.

Desta vez, a cooperação entre os dois países chegou à esfera nuclear, criando uma nova era no setor e, consequentemente, tirando definitivamente os EUA da "zona de conforto".

Isso, e diversos outros fatos que a administração define como "ameaças", está fazendo a administração Biden "balançar" e perder o sono, já que o domínio americano está em jogo.

De acordo com a Bloomberg, um conselheiro de alto escalão da administração Biden vem alertando o país sobre a nova era nuclear e a ascensão de outros países, bem como o fim do "imperialismo" americano, que antes fazia de outros países seu quintal.

Como todos sabem, os EUA não poupam esforços em fazer com que o mundo siga suas ordens e desejos, contudo, em diversas áreas e setores já foram superados pela China.

Além disso, a movimentação da China e da Rússia está tornando o mundo multipolar, fazendo com que outros países "abram os olhos" e vejam que é possível avançar sem serem controlados pelas vontades norte-americanas.

Pranay Vaddi, diretor sênior do Conselho de Segurança Nacional dos EUA, destacou recentemente que "o mundo está entrando em um período diferente e, sendo assim, é preciso realizar alguns experimentos".

Outro fato que preocupa os norte-americanos é que, mesmo aplicando sanções e restrições àqueles países que negam ser controlados por Washington, os resultados não estão sendo aqueles que eram esperados.

Como é o caso da Rússia, China e Irã, que, mesmo sendo alvos dos EUA, estão conseguindo avançar e inclusive superar os americanos, tanto na área nuclear, quanto comercial, tecnológica e outras.

É certo que tudo o que "ameace" o governo "humanitário" e controlador dos EUA é motivo de preocupação e considerado um alvo por Washington, que, por sinal, não está acostumado a um mundo multipolar, sem sua "zona de conforto".

·         Emirados Árabes Unidos assinam acordos de cooperação no setor nuclear com China

A Corporação de Energia Nuclear dos Emirados firmou acordos com três entidades chinesas para desenvolver o setor nuclear no país árabe, como parte do objetivo de neutralidade de carbono até o ano de 2050.

A Corporação de Energia Nuclear dos Emirados (ENEC, na sigla em inglês), órgão responsável pelo desenvolvimento do setor de energia nuclear dos Emirados Árabes Unidos (EAU), anunciou no domingo (7) ter assinado três acordos com organizações chinesas de energia nuclear.

Os três Memorandos de Entendimento (MoU, na sigla em inglês) foram assinados com o Instituto de Pesquisa de Operações de Energia Nuclear da China, a Corporação Nuclear Nacional da China no Exterior e a Corporação da Indústria de Energia Nuclear da China, e incluem a cooperação em operações de energia nuclear, reatores de alta temperatura resfriados a gás, e no fornecimento e investimento de combustível nuclear, citou no domingo (7) a agência britânica Reuters.

Os Emirados Árabes Unidos já estão construindo a usina Barakah em Abu Dhabi, que está sendo construída pela Korea Electric Power Corp, a primeira usina de energia nuclear operacional com várias unidades no mundo árabe.

Quando for concluída, é previsto que a Barakah tenha quatro reatores com 5.600 megawatts (MW) de capacidade total, o equivalente a cerca de 25% da demanda de pico do país árabe.

Os EAU querem obter 6% de suas necessidades energéticas a partir da energia nuclear como parte de seu plano de neutralidade de carbono para 2050. Os EAU anunciaram a China como uma parceira importante em seu plano de transição energética.

 

Ø  Putin: nosso dever moral é não permitir a distorção da verdade sobre a Grande Guerra pela Pátria

 

Presidente russo Vladimir Putin enviou mensagens de felicitações aos líderes da Armênia, Azerbaijão, Belarus, Cazaquistão, Quirguistão, Tajiquistão, Turcomenistão, Uzbequistão, Abkházia e Ossétia do Sul, bem como aos povos da Geórgia e Moldávia, por ocasião do 78º aniversário da vitória na Grande Guerra pela Pátria.

O líder russo também observou em suas mensagens que neste dia "prestamos profundo respeito" a todos aqueles cujos feitos permitiram esmagar os invasores nazistas e defender a liberdade da terra natal.

Grande Guerra pela Pátria fez parte da Segunda Guerra Mundial, compreendida entre 22 de junho de 1941 e 9 de maio de 1945, limitada às hostilidades entre a União Soviética e a Alemanha nazista e seus aliados.

Putin destacou que hoje o dever moral consiste em não permitir a distorção da verdade sobre a Grande Guerra pela Pátria, bem como a justificação dos nazistas, seus cúmplices e sucessores ideológicos atuais, aponta o serviço de imprensa do Kremlin.

"Hoje o nosso dever moral é preservar sagradamente as tradições de amizade e ajuda mútua legadas pelos pais e avós, não permitir a distorção da verdade histórica sobre a Grande Guerra pela Pátria, tal como a justificação dos nazistas, seus cúmplices e sucessores ideológicos atuais", apontam as mensagens.

O presidente da Rússia ressaltou que a herança espiritual da Grande Vitória continuará a contribuir para o fortalecimento e desenvolvimento frutífero das relações entre os países e povos.

Além disso, Putin transmitiu os agradecimentos sinceros a todos os veteranos da Grande Guerra pela Pátria e trabalhadores da retaguarda, desejando-lhes boa saúde, prosperidade e longos anos de vida.

 

Ø  UE planeja sanções contra 7 empresas chinesas por suposto apoio às Forças Armadas russas, diz mídia

 

A União Europeia (UE) propôs impor sanções a diversas empresas chinesas por seu suposto apoio à operação militar da Rússia na Ucrânia, informa o jornal Financial Times.

Segundo o jornal, a União Europeia incluiu em uma nova lista de sanções sete produtores chineses de tecnologia eletrônica por venderem seus equipamentos, que podem ser usados em armas, para a Rússia. O novo pacote ainda deve ser discutido pelos países da UE.

"Tendo em conta o papel fundamental dos componentes eletrônicos para uso militar da Rússia [...] também é apropriado incluir outras entidades de países terceiros envolvidas na evasão das restrições comerciais, bem como certas entidades russas envolvidas no desenvolvimento, produção e fornecimento de componentes eletrônicos para o complexo militar-industrial da Rússia", diz a proposta da Comissão Europeia, citada pelo Financial Times.

A lista das empresas que serão submetidas a sanções inclui a 3HC Semiconductors e a King-Pai Technology, já sancionadas pelos EUA, e a Sinno Electronics e a Sigma Technology, sediadas em Hong Kong, incluídas na lista do Tesouro dos EUA que abrange as entidades com as quais particulares e empresas dos EUA estão proibidos de negociar.

A lista de sanções, que provavelmente aumentará as tensões no relacionamento com a China, também inclui algumas empresas iranianas por fornecerem drones à Rússia e sugere a sanção de navios petroleiros que escondem sua localização dos portos da UE sem justificativas razoáveis, para contornar o embargo russo à importação de petróleo.

Para entrar em vigor, a lista de novas sanções precisa ser aprovada por unanimidade pelos 27 Estados-membros da UE.

Os embaixadores da UE vão discutir a nova medida proposta pela Comissão Europeia em 10 de maio, informou o Politico na sexta-feira (5).

·         Guerra de sanções

O Ocidente aumentou as sanções sobre a Rússia após o início da operação militar russa na Ucrânia, com muitas empresas europeias se retirando do país. A União Europeia já impôs dez pacotes de sanções contra Moscou desde fevereiro de 2022.

A Rússia declarou repetidamente que o país está lidando com a pressão das sanções impostas pelo Ocidente desde há vários anos.

Moscou observou que ao Ocidente falta coragem para admitir o fracasso das sanções contra a Rússia. No próprio Ocidente é repetidamente referido que as sanções são ineficazes.

Vladimir Putin apontou que a política de conter e enfraquecer a Rússia é uma estratégia de longo prazo do Ocidente, mas as sanções infligiram um sério golpe a toda a economia global. Segundo ele, o principal objetivo do Ocidente é piorar a vida de milhões de pessoas.

·         Por estradas secundárias: petróleo da Rússia continua a fluir para a Europa, apesar das sanções

Apesar das sanções ocidentais, o petróleo russo continua a entrar no mercado europeu, já que alguns países revendem o "ouro negro" de Moscou. Um deles é a Índia, que aumentou consideravelmente suas compras do Kremlin no último ano, paralelamente às exportações para a Europa.

Segundo dados da empresa Vortexa, citados pelo Der Tagesspiegel em abril, a Índia importou pela primeira vez mais petróleo da Rússia do que dos seus antigos principais fornecedores, Arábia Saudita e Iraque, juntos: 1,7 milhões de barris por dia.

Ao mesmo tempo, Nova Deli tornou-se o principal fornecedor europeu de combustíveis refinados, como o gasóleo, com exportações de 365 mil barris por dia. Os observadores da indústria estão convencidos de que há petróleo russo processado nos suprimentos indianos.

Desde dezembro, a União Europeia (UE) mantém um embargo ao petróleo russo embarcado por navio. Além disso, desde fevereiro, também está proibida a importação de derivados de petróleo da Rússia, como diesel e gasolina. O think tank finlandês Centro de Pesquisa em Energia e Ar Limpo (CREA, na sigla em inglês) considera, no entanto, que este embargo está a ser contornado com a ajuda de países terceiros, como a Índia.

"Os países ocidentais com sanções de petróleo contra a Rússia, incluindo a UE, aumentaram maciçamente suas importações desses países, que se tornaram os novos principais receptores de petróleo russo", observou o Der Tagesspiegel.

Além da Índia, a organização também aponta que China, Turquia, Emirados Árabes Unidos e Cingapura lavam petróleo russo. No total, suas entregas de derivados de petróleo aos países ocidentais sancionadores aumentaram quase € 19 bilhões (cerca de R$ 94 bilhões) em um ano, após o início do conflito ucraniano, iniciado em 24 de fevereiro de 2022.

No entanto, o argumento de que a compra de petróleo da Rússia apoia indiretamente o conflito "não impressionou" Nova Deli. O Governo do país asiático indica que se sente obrigado sobretudo a fornecer energia a preços acessíveis à sua população, sendo que o petróleo bruto russo é agora vendido com desconto.

Ultimamente, os governos ocidentais têm se abstido de criticar publicamente as relações da Índia com a Rússia, pois veem Nova Deli como um parceiro importante, principalmente em uma possível aliança regional contra a China, destaca a mídia, cuja liderança não pode ser ignorada pelo Ocidente.

Portanto, as autoridades de Nova Deli não veem razão para se abster de relações mais estreitas com a Rússia. Além de aprofundar sua parceria militar, ambos os Estados estão negociando um acordo de investimento e um acordo de livre comércio com a Comunidade Econômica da Eurásia, dominada por Moscou. A Índia espera abrir um novo mercado na Rússia para seus exportadores, a fim de equilibrar o déficit comercial causado pelas maciças importações de petróleo, concluiu o jornal.

 

Fonte: Sputnik Brasil

 

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