“Trump
impulsiona a derrota de quem apoia”, diz Paulo Nogueira Batista Júnior
O
economista Paulo Nogueira Batista Júnior, ex-vice-presidente do Banco dos
BRICS, ex-diretor-executivo do FMI e professor licenciado da FGV, afirmou que o
apoio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pode se transformar em um
fator de desgaste para candidatos de direita em outros países.
A
avaliação foi feita no contexto da crise aberta pela ofensiva de Trump contra o
Brasil e da postura de vassalagem adotada por Flávio Bolsonaro (PL), que tentou
justificar o tarifaço de 25% imposto pelos Estados Unidos a produtos
brasileiros. Enquanto o presidente Lula defende o diálogo sem abrir mão da
soberania nacional, setores do bolsonarismo se alinham aos interesses de
Washington.
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Trump virou problema para aliados da direita
“Trump
impulsiona a derrota de quem apoia”, afirmou Paulo Nogueira Batista Júnior, ao
lembrar que o presidente dos Estados Unidos apoiou candidatos de direita nas
eleições do Canadá e da Austrália e acabou impulsionando a derrota de ambos.
A
observação do economista reforça a percepção de que o alinhamento automático
com Trump pode produzir efeito contrário ao desejado por seus aliados
internacionais. Em vez de fortalecer candidaturas conservadoras, a associação
ao presidente dos Estados Unidos tende a alimentar reações nacionalistas e
soberanistas em países que se sentem pressionados por Washington.
No
Brasil, esse debate ganhou força após Flávio Bolsonaro tentar transferir para
Lula a responsabilidade pela nova tarifa anunciada pelos Estados Unidos. O
senador afirmou que o alvo da medida não seriam as empresas brasileiras, mas o
presidente brasileiro.
“Então,
não são as empresas brasileiras que estão sendo tarifadas. Quem está sendo
tarifado é o presidente Lula: é ele e o seu comportamento, são as suas ameaças
aos Estados Unidos e o seu sentimento anti-americano. É a sua ideologia sendo
colocada na frente do interesse do povo brasileiro que pode fazer com que as
empresas brasileiras sejam mais uma vez tarifadas”, declarou Flávio Bolsonaro.
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Vassalagem de Flávio Bolsonaro amplia desgaste
A fala
de Flávio Bolsonaro foi interpretada por críticos como uma defesa explícita dos
interesses de Trump em detrimento dos interesses nacionais. Ao tentar
justificar uma medida que atinge produtos brasileiros, empresas nacionais e
empregos no país, o senador passou a ser associado à postura de submissão
política aos Estados Unidos.
O
desgaste aumentou porque a ofensiva norte-americana também colocou o Pix no
centro das pressões comerciais. O USTR, Representante Comercial dos Estados
Unidos, citou o papel do Banco Central do Brasil como regulador e operador do
sistema de pagamentos instantâneos como um dos pontos questionados por
Washington.
A
tentativa de setores bolsonaristas de tratar a pressão dos Estados Unidos como
algo negociável ampliou a crítica de que a oposição estaria disposta a
enfraquecer instrumentos estratégicos do Brasil para agradar Trump. Eduardo
Bolsonaro (PL-SP), por exemplo, comparou o Pix ao Zelle, sistema privado de
pagamentos usado nos Estados Unidos, e sugeriu que o tema poderia ser levado a
uma mesa de negociação com os norte-americanos.
“Os
Estados Unidos têm mecanismos muito semelhantes ao Pix, como por exemplo o
Zelle, que é o Pix dos Estados Unidos, aqui é o Zelle. Então dá pra você ir pra
uma mesa de negociação com os americanos”, disse Eduardo Bolsonaro.
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Lula assume discurso soberano
Enquanto
o bolsonarismo tenta justificar a pressão de Trump, Lula adotou uma posição de
defesa da soberania brasileira. Em reunião ministerial, o presidente afirmou
que o Brasil seguirá dialogando com os Estados Unidos, mas não aceitará ser
tratado como país subordinado.
“Esse
país não adotará mais a política de vira-lata diante das grandes potências”,
disse Lula.
O
presidente também criticou o tratamento dado pelos Estados Unidos ao Brasil e
afirmou que o país não pode aceitar ser visto como uma “republiqueta
insignificante”.
“Nós
estamos num momento decisivo para que a sociedade brasileira, eu diria até uma
parte da sociedade mundial, reconheça o fortalecimento da democracia no nosso
país, a nossa luta para o fortalecimento do multilateralismo, a nossa luta para
que esse país não seja tratado em nenhum momento como se fosse uma republiqueta
insignificante. Nós somos muito grandes. Nós temos muita história, e nós não
podemos aceitar o tratamento que os Estados Unidos deram ao Brasil esta
semana”, afirmou Lula.
A
diferença entre as duas posturas se tornou um dos principais eixos da disputa
política. De um lado, Lula busca transformar a crise em uma defesa da soberania
nacional, do multilateralismo e dos interesses econômicos do Brasil. De outro,
Flávio Bolsonaro e seus aliados tentam responsabilizar o governo brasileiro por
uma decisão tomada por Trump.
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Efeito Trump pode pesar contra Flávio
A
análise de Paulo Nogueira Batista Júnior sugere que a aposta bolsonarista em
Trump pode se tornar um erro estratégico. Se o apoio do presidente dos Estados
Unidos ajudou a derrotar candidatos de direita no Canadá e na Austrália, a
associação de Flávio Bolsonaro ao tarifaço contra o Brasil pode produzir efeito
semelhante no cenário nacional.
O caso
brasileiro tem um componente adicional: Trump não apenas se posicionou
politicamente, mas adotou uma medida concreta contra produtos brasileiros. Isso
permite ao governo Lula enquadrar a disputa como um confronto entre soberania
nacional e submissão a interesses estrangeiros.
Nesse
contexto, o apelido “TarifLávio”, usado por críticos para associar Flávio
Bolsonaro ao tarifaço de Trump, passou a sintetizar o desgaste do senador. A
oposição teme que a imagem de Flávio como aliado de Washington se consolide
justamente em um momento em que a população tende a reagir negativamente a
ataques externos contra a economia brasileira e contra o Pix.
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Soberania vira centro da eleição
A crise
com os Estados Unidos deslocou o debate político para um terreno favorável a
Lula: a defesa do Brasil diante de pressões externas. O presidente passou a
enfatizar que o país está disposto a negociar, mas não aceitará imposições de
grandes potências.
Para
Paulo Nogueira Batista Júnior, o histórico recente de Trump em eleições
estrangeiras serve de alerta para a direita brasileira. O apoio do presidente
dos Estados Unidos pode mobilizar rejeição, reforçar sentimentos soberanistas e
transformar aliados locais em símbolos de submissão.
A
disputa, portanto, deixa de ser apenas comercial ou diplomática. Ao colocar
Flávio Bolsonaro ao lado de Trump e Lula na defesa da soberania, a crise cria
uma linha divisória clara: de um lado, quem defende os interesses nacionais; de
outro, quem aceita a vassalagem completa aos Estados Unidos.
• Flávio Bolsonaro e o preço da submissão.
Por Florestan Fernandes Jr
A
extrema direita dos Estados Unidos conseguiu um feito que parecia impossível:
empurrar parte do mundo de volta à Antiguidade. No império estadunidense,
Eduardo e Flávio Bolsonaro assumiram o papel dos antigos “publicanos” a serviço
do imperador César Augusto Trump. Como ocorria no Império Romano, os coletores
de tributos eram vistos com desprezo pelos seus compatriotas por servirem aos
interesses do poder imperial, cobrando impostos que pesavam sobre o próprio
povo.
A
diferença é que, na era digital, as sobretaxas não são anunciadas nos fóruns de
Roma, mas no Salão Oval da Casa Branca e nas redes sociais. Ainda assim, a
lógica permanece surpreendentemente semelhante. Na Antiguidade, muitos
publicanos se enriqueciam cobrando além do devido, acumulando fortuna às custas
da população submetida ao domínio romano. Entre o povo judeu, eles eram vistos
como traidores por colaborar com o ocupante estrangeiro. Dois mil anos depois,
a história parece reaparecer sob novas formas, novos personagens e os mesmos
interesses de poder.
No caso
brasileiro, o imperador estadunidense foi recentemente aconselhado por seus
cobradores a impor não apenas uma tarifa adicional de 25% sobre diversos
produtos brasileiros, mas também a enquadrar como organizações narcoterroristas
os grupos criminosos conhecidos pelas siglas PCC e CV.
Sob o
argumento do combate ao terrorismo, essa classificação amplia
significativamente o arsenal de instrumentos de segurança nacional à disposição
de Washington. Na prática, abre caminho para medidas que vão do cerco
financeiro e de sanções econômicas a investigações conduzidas de forma autônoma
por agências norte-americanas, como a CIA. Em cenários extremos, a doutrina de
combate ao terrorismo adotada pelos Estados Unidos tem servido, historicamente,
para justificar ações que ultrapassam fronteiras e colocam em xeque a soberania
dos países envolvidos.
Em
pleno ano eleitoral, Trump utiliza a doutrina de segurança nacional dos Estados
Unidos para ampliar a pressão sobre o Brasil. Sob o rótulo do combate ao
narcoterrorismo, abre-se uma ameaça ao processo eleitoral brasileiro.
A
experiência recente da Venezuela demonstra como esse tipo de classificação pode
estar sendo utilizado para legitimar ações cada vez mais agressivas contra
governos democráticos considerados adversários de Washington. Acusações de
narcoterrorismo, recompensas milionárias pela captura de chefes de Estado,
apreensão de bens e operações extraterritoriais passaram a integrar o
repertório da política externa dos EUA. O risco, para o Brasil, é que essa
lógica seja transformada em instrumento de pressão política justamente em um
momento decisivo para a democracia brasileira.
Na
segunda-feira (2), a repercussão das taxações e das investidas contra o PIX
provocou uma reação imediata contra seus formuladores, Donald Trump, Marco
Rubio e Flavio Bolsonaro. Em Goiás, o presidente Lula atribuiu à família
Bolsonaro a responsabilidade pela ofensiva e elevou o tom do debate ao afirmar:
"É
isso que vocês têm que dizer em alto e bom som. São traidores. [...]. O que
merecem os traidores da pátria que vão pedir intervenção de um país no nosso
povo?"
Para
desespero de Flávio Bolsonaro, alvo de críticas e escrachos nas redes sociais,
o imperador decidiu dobrar a aposta. Nesta quarta-feira (3), Trump anunciou um
novo tarifaço de 12,5% sobre produtos brasileiros, sob a alegação de combate ao
trabalho forçado.
Temos
ainda quatro meses até o primeiro turno das eleições. Até lá, a disputa não
será apenas entre candidatos ou projetos de governo. Estará em jogo algo mais
profundo: a capacidade dos brasileiros de defender sua soberania diante de
pressões externas e de distinguir quem fala em nome dos interesses nacionais e
quem prefere servir a poderes estrangeiros.
Na Roma
antiga, os impérios contavam com exércitos para impor sua vontade e com
publicanos para cobrar o preço da submissão. Dois mil anos depois, mudaram as
ferramentas, os discursos e as tecnologias. O princípio, porém, continua o
mesmo: nenhuma nação perde sua soberania sem que alguém, dentro de suas
próprias fronteiras, esteja disposto a negociá-la.
• Tariflávio é o retrato do bolsonarismo:
antipatriota e entreguista. Por Julimar Roberto
Primeiro
foi Eduardo. Agora é Flávio. A família que passou anos gritando “Brasil acima
de tudo” parece ter encontrado sua verdadeira vocação política: atravessar a
fronteira, bater continência para Donald Trump e trazer de volta ameaças de
tarifa, pressão contra o Pix e prejuízo para o povo brasileiro.
E
Tariflávio já pegou. Afinal, a ameaça de taxação tem pai. Um senador da
República, pré-candidato à Presidência, viaja aos Estados Unidos para se
aproximar do trumpismo e, logo depois, o Brasil passa a ser alvo de uma nova
intimidação comercial — de novo. Nem adianta negar, Flávio. Cria que esse filho
é seu.
O
Tariflávio não é apenas uma crise comercial. É a fotografia do bolsonarismo em
sua forma mais pura. Quando perde força aqui, corre abanando o rabo para buscar
apoio fora. Quando não vence no voto, tenta vencer pela chantagem externa ou
por meio de golpe. Quando não consegue ludibriar a população, aposta no
prejuízo nacional para criar palanque eleitoral.
A
extrema-direita brasileira sempre falou grosso contra “inimigos imaginários”,
mas fala fino diante de Washington. Bate no peito para defender uma pátria
abstrata, mas se ajoelha diante dos interesses concretos dos Estados Unidos.
Usa camiseta verde e amarela, mas trabalha politicamente para que o Brasil seja
pressionado, constrangido e punido por uma potência estrangeira. Isso não é
patriotismo. É submissão.
O
governo Trump propôs uma tarifa de 25% contra produtos brasileiros sob a
justificativa de supostas práticas comerciais desleais. A lista de argumentos
inclui temas como comércio digital, propriedade intelectual, meio ambiente,
serviços de pagamento e até o Pix. O detalhe que desmonta a narrativa
norte-americana é evidente: os Estados Unidos têm superávit comercial com o
Brasil. Ou seja, vendem mais para nós do que compram de nós. Mesmo assim,
ameaçam nos punir.
A
pergunta que precisa ser feita é simples. Se a relação comercial favorece os
Estados Unidos, por que atacar o Brasil agora? Seriam eles os maiores
prejudicados.
A
resposta parece estar menos na economia e mais na política. Nosso país se
tornou alvo porque faz valer sua soberania, não somente no discurso, mas na
postura política mantida perante o mundo. O Brasil é respeitado lá fora, busca
sempre ampliar suas relações internacionais e possui instrumentos próprios,
como o Pix, que incomodam interesses privados poderosos.
O Pix,
aliás, é um dos símbolos mais claros dessa disputa. Um sistema público,
eficiente, gratuito e usado diariamente por milhões de brasileiros e
brasileiras passou a ser tratado como ameaça por setores ligados ao mercado
financeiro internacional. O que para o povo brasileiro é inclusão, rapidez e
economia, para grandes corporações pode significar perda de controle e de
lucro.
E onde
está o bolsonarismo nessa disputa? Do lado do Brasil? Do lado do povo? Do lado
da soberania nacional?
Não.
Mais uma vez, aparece alinhado ao trumpismo.
Flávio
Bolsonaro tenta negar responsabilidade política pelo desgaste. Diz que a tarifa
seria contra Lula, não contra o Brasil. Mas essa justificativa é uma afronta à
inteligência da população. Tarifa contra produto brasileiro não atinge apenas o
presidente da República. Atinge empresas, trabalhadores, trabalhadoras,
exportadores, pequenos negócios, cadeias produtivas e famílias que dependem da
atividade econômica.
Quando
uma tarifa encarece ou dificulta a venda de produtos brasileiros, quem paga a
conta não é Lula. Quem paga é o país.
Esse é
o cinismo do bolsonarismo. Transforma ataque ao Brasil em ataque ao governo.
Transforma prejuízo econômico em arma eleitoral. Transforma soberania nacional
em peça de propaganda. E, no fim, espera que o povo acredite que tudo isso é
normal. Só que não é.
O
Tariflávio é o retrato do cinismo. O clã Bolsonaro ataca as instituições
brasileiras, alimenta narrativas contra o país, estimula pressão internacional
e, depois, finge surpresa quando a ameaça chega. É a velha tática do
incendiário que aparece com um copo d’água para posar de salvador.
Sim,
Eduardo é um pulha. Mas, com Flávio Bolsonaro, o problema é mais grave. Afinal,
ele não é somente um agitador da extrema-direita; ele é senador da República e
tenta se apresentar como presidenciável. Quem pretende governar o Brasil não
pode agir como representante político de Donald Trump. Quem quer ocupar a
Presidência não pode tratar a soberania nacional como moeda de troca. Quem diz
amar o Brasil não pode comemorar quando uma potência estrangeira pressiona
nossa economia.
A
crítica aqui não é contra o direito de oposição. Oposição é legítima,
necessária e faz parte da democracia. O problema é outro. Uma coisa é disputar
projetos dentro do Brasil, com debate público, voto popular e confronto de
ideias. Outra coisa, completamente diferente, é buscar apoio em potência
estrangeira para enfraquecer o próprio país. Isso não é oposição. É
entreguismo.
Patriotismo
não é camiseta. Não é slogan. Não é foto ao lado de Trump. Patriotismo é
defender o emprego brasileiro. É proteger o Pix. É preservar a soberania
nacional. É impedir que interesses estrangeiros passem por cima da vontade da
nossa população.
Por
isso, o Tariflávio precisa ser denunciado com firmeza. O Tariflávio não é um
acidente. É consequência de uma estratégia mesquinha e perigosa que coloca
interesses pessoais acima da segurança da nação.
Para
governar o Brasil, é preciso amar o Brasil. E não é nem preciso dizer que “quem
ama cuida”.
Fonte:
Brasil 247

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