Pelé,
o maior de todos os tempos
Às
sextas-feiras fazemos home office, uma dessas marcas da modernidade: todos
trabalham de casa. Eu, particularmente, aproveito esse dia para visitar
clientes, algo que fazia com muita frequência no início da minha carreira,
iniciada na segunda metade dos anos 1980 do século passado. (Ufa!)
Cheguei
à empresa de um cliente muito querido e o encontrei na sua sala, numa cena que
me trouxe boas lembranças: ele jogava xadrez com seu neto. Eu aprendi a jogar
com meu primo Toni e frequentávamos o clube de xadrez, que ficava ali na rua
Doutor Quirino, não sei se ainda existe.
Sua
empresa é organizada e temos orgulho de ter participado de um momento
fundamental de sua história: o processo de sucessão empresarial, ou seja, a
transferência da gestão para uma nova geração. No caso, uma transição familiar,
mas existem diversos modelos possíveis de continuidade de uma empresa.
Seu
neto, um jovem de treze ou quatorze anos, depois de descobrir que fui eu quem
ensinou seu avô a jogar xadrez, passou a me desafiar com frequência. Naquele
dia escapei do desafio, pois a partida entre eles estava bastante disputada.
Quando
entrei, interromperam o jogo. Conversamos sobre política, juros, economia e,
inevitavelmente, chegamos à Copa do Mundo.
Juan,
esse é o nome do neto do meu cliente, perguntou: “- E aí, Dr. Pedro, tem
assistido ao melhor do mundo?”
A
pergunta veio acompanhada daquela provocação típica da juventude. Ele pertence
a uma geração que cresceu vendo o futebol através das imagens de Messi,
Cristiano Ronaldo, Rivaldo, Ronaldinho, Neymar, Mbappé e tantos outros
fenômenos contemporâneos. É natural.
E é
justamente por isso que precisamos falar sobre história.
Todos
esses jogadores são gênios da bola. Não são apenas grandes atletas: são
artistas que elevaram o futebol a níveis extraordinários. Cada época produz
seus talentos, seus protagonistas e seus encantos.
Mas a
história do futebol não começou no século XXI.
Antes
dos grandes craques atuais, existiram homens que ajudaram a construir o que
hoje chamamos de futebol mundial.
Zico,
por exemplo, foi um dos maiores jogadores da história do Brasil, Campeão do
Mundo com o Flamengo em 1981 e responsável pela popularização e
profissionalização do futebol no Japão, além de ser figura central na criação
da J.League em 1993, mudando o patamar do esporte no país asiático.
Podemos
citar ainda Didi, bicampeão mundial e eleito o melhor jogador da Copa de 1958;
Garrincha, também bicampeão mundial, encantou o planeta na Copa de 1962; antes
deles Leônidas da Silva marcou época na Copa de 1938 e Arthur Friedenreich,
pioneiro do futebol brasileiro, foi considerado um dos maiores craques de seu
tempo.
Todos
esses, e muitos outros, merecem o título de “gênios da bola”.
Mas
existe um jogador cuja dimensão ultrapassa a análise estatística ou a
comparação entre gerações, pois, ele mudou o futebol.
Esse
homem é Pelé.
Pelé
não apenas jogou futebol: ele transformou o futebol em fenômeno mundial. Em uma
época sem a tecnologia dos equipamentos atuais, sem a preparação física
moderna, sem os recursos médicos e científicos que hoje fazem parte do esporte
de alto rendimento, ele fazia coisas que, ainda hoje, parecem impossíveis.
Ele
marcou gols, conquistou títulos, encantou multidões e parou uma guerra, mas sua
maior obra foi outra: ele ajudou a transformar o futebol em uma linguagem
universal, uma linguagem de paz e congraçamento.
Pelé
fez crianças em diferentes países sonharem. Tornou-se símbolo de uma arte que
ultrapassou fronteiras, idiomas e culturas.
Por
isso, quando se fala em “Rei do Futebol”, existe uma referência histórica que
não pode ser apagada.
O
futebol continua produzindo gênios. Novos jogadores surgirão, quebrarão
recordes, conquistarão títulos e escreverão seus próprios capítulos. Isso é a
beleza do esporte.
Mas uma
coisa é reconhecer novos protagonistas; outra é permitir que a memória seja
reescrita.
A
imprensa esportiva tem um papel essencial nesse processo. Ao celebrar os
grandes jogadores atuais, não pode deixar que a narrativa do presente apague a
grandeza daqueles que construíram o caminho.
E aqui
entra uma responsabilidade importante da Confederação Brasileira de Futebol:
assumir o compromisso de preservar a memória de Pelé. Não apenas com homenagens
protocolares, mas com iniciativas permanentes: documentários, exposições,
conteúdos educativos, programas nas escolas e divulgação internacional da sua
história.
Pelé
precisa continuar sendo apresentado às novas gerações como o maior de todos os
tempos.
Não
para diminuir Messi, Cristiano Ronaldo, Mbappé, Vinícius Jr. ou qualquer outro
grande jogador. Pelo contrário: reconhecer Pelé é valorizar a história do
futebol.
Uma
frase resume essa ideia: “O futebol fez Messi ser grande. Pelé fez o futebol
ser grande.”
A Copa
do Mundo pode ter novos heróis. Novos nomes podem emocionar milhões de pessoas.
E isso é maravilhoso.
Mas o
trono da história tem memória e nele sempre estará Pelé, o Rei do Futebol.
Lamentavelmente
o capitalismo se apropriou do futebol e ele, transformado em mercadoria,
apodrecerá, como tudo que é tocado pelo capital, mas podemos salvar a História.
Essas
são as reflexões.
• CBF precisa comandar luta contra
apagamento de Pelé. Por Menon
sta é a
Copa de Messi. Ou de Mbappé. E pode ser também de Vinívous Jr, por que não?
Seja qual for o grande astro, sua ascensão coincidirá com o apagamento de Pelé,
o Rei do Futebol.
Torcedores
e jornalistas, inclusive brasileiros, não se cansam de dizer – sem nenhum
contexto – que Messi é o maior da história. É a justa alegria de narrar e
reportar recordes sendo quebrados.
É
preciso lutar contra isto. E somente a CBF pode mobilizar o Brasil para a
batalha. Quem sabe com algum incentivo ela possa conseguir até o apoio de
campeões mundiais pós-Pelé que não tiveram a decência de comparecer ao seu
velório.
Sei que
é uma luta inglória, mais difícil a cada dia que passa, mas é preciso encarar.
Em cada competição, em cada seminário, a CBF precisa levar o nome de Pelé. Com
vídeos, painéis, um documentário com todos os seus gols.
Poderia
contratar um cineasta brasileiro ou mesmo de fora para produzir clipes e um
documentário sobre Pelé. Deveria ser entregue a todas as escolas. A jornalistas
do mundo inteiro.
O tema
básico da campanha poderia ser uma frase que li hoje. “O futebol fez Messi ser
grande, Pelé fez o futebol ser grande”. Ele levou o futebol aos EUA, ele fez
africanos felizes, ele foi o sonho de milhões. A CBF seria o que, sem Pelé? É
hora de retribuir.
Fonte:
Por Pedro Maciel, em Brasil 247/Fórum

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