segunda-feira, 29 de junho de 2026

Tasso Franco: WAGNER PODE PAGAR PREÇO ALTO NA CAMPANHA DIANTE INVESTIGAÇÃO DA PF

 A possível reeleição do senador Jaques Wagner ficou mais complicada. O fato de estar sendo investigado pela Polícia Federal diante de possíveis ilícitos junto ao escândalo do Banco Master fez com que, instruções por seus próprios correligionários políticos abdicasse da liderança do governo no Senado e retornasse à planicie para se defender. Como já disse "provar a sua inocência". Está condenado disso.

A questão é que, nesses casos, envolvendo outros atores no processo investigativo, esse rito é lento e demora às vezes um ou mais anos para que seja concluído. E nessa altura, a campanha eleitoral batendo na porta, com as convenções marcadas para final de junho e a campanha propriamente dita a partir de julho e, em meados de agosto, na televisão, rádio e internet, Wagner terá que enfrentar essa parada sendo investigada.

Por agora, os seus adversários políticos mais diretamente os pré-candidatos ao Senado, Angelo Coronel e João Roma, não estão a dizer nada sobre esse tema. Mas, tanto o marketing político quanto as redes sociais são incontroláveis e na hora do "vamos ver" quando a campanha esquentar, a vidraça de Wagner certamente vai receber muitas pedradas.

Além disso, desde já, reagrupar o tempo de Lula com Jerônimo, Rui e Wagner todos juntos diante da licença da função de parte do senador Wagner, por mais que se forçar a barra, não será o mesmo. Wagner não está magoado e disse que o encontro com Lula foi maravilhoso, de velhos companheiros, mas, sempre fica ressentimentos, o que é natural nesses casos.

Um outro ponto que marcou muito a trajetória política do senador Wagner, meritório e pioneira desde a eleição de 2006 para governador da Bahia, eleito contra Paulo Souto e derrubando o "carlismo" foram os contudentes críticos a que ficaram expostos nas redes sociais, exibiram muitos fortes, inquestionáveis porque foram produzidos a partir da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal. Ou seja, de um órgão do governo federal, do seu compadre Lula.

Ora, em sendo assim, argumentos como os que foram apresentados por parlamentares e políticos em sua defesa, de que se tratava de algo como perseguição política não se sustentaram essas defesas passaram incolumes. E mais sintomático, não vi opiniões mais firmas de seus parceiros de chapa, o governador Jerônimo Rodrigues e o candidato ao Senado, Rui Costa.

Wagner ficou sozinho; ou mais extensamente após a entrega da carga de líder do Senado também sozinho no plano federal com defesas isoladas de Fernando Haddad e Geraldo Alckmin, ainda sem Lula dar uma declaração mais forte, o que se espera no 2 de Julho, em Salvador.

Portanto, o senador Wagner, que tem grandes serviços prestados na Bahia, mas, não o isenta de ser investigado pela PF nos supostos casos de corrupção, enfrentará essa parada na campanha de 2026. Não cabe, aqui, fazer julgamentos prévios do que poderá acontecer. Só o tempo dirá.

Wagner, no entanto, não é mais o mesmo junto à opinião pública. Está com a imagem muito manchada.

•        Caso Master: Jaques Wagner reafirma inocência: "vou desmontar essa mentira"

O senador Jaques Wagner (PT-BA) voltou a negar irregularidades no caso Master e afirmou que pretende provar sua inocência diante das suspeitas investigadas pela Polícia Federal, que apura pagamentos ligados ao banco de Daniel Vorcaro. A declaração foi feita neste sábado (27), durante ato político em Barreiras, no oeste da Bahia, segundo a Folha de São Paulo.

Wagner citou uma conversa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em meio à crise política provocada pela investigação. Ao falar ao público, o senador disse estar tranquilo e reproduziu uma frase que teria ouvido do presidente. “Eu estou muito tranquilo. O presidente Lula gosta de dizer: ‘Galego, só quem sabe o que você fez é você mesmo.’ Eu sei o que eu fiz e vou desmentir a mentira que estão tentando construir contra a minha pessoa. Vou desmontar essa mentira”, afirmou Jaques Wagner.

Na sequência, o senador comparou sua situação à de Lula durante a Operação Lava Jato. Wagner disse que o presidente enfrentou uma injustiça “muito maior” ao permanecer preso por 580 dias em razão de condenações que tiveram provas anuladas posteriormente, em 2021.

O petista também afirmou que suas prioridades políticas continuam sendo demonstrar sua inocência, trabalhar pela reeleição de Lula e do governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), buscar um novo mandato no Senado e contribuir para eleger o ex-ministro Rui Costa (PT) para a mesma Casa.

O governador Jerônimo Rodrigues fez nova defesa pública de Wagner e classificou como injustas as suspeitas levantadas contra o senador. Para o chefe do Executivo baiano, o caso tem dimensão política e seria usado para atingir o presidente Lula. “É muita injustiça. Na verdade querem pegar Lula primeiro e usam a gente o tempo inteiro para bater no Lula. Depois pegam uma pessoa que é um patrimônio nosso. Na história de Wagner, você nunca ouviu, em 20 anos, qualquer tipo de mácula aqui na Bahia que pudesse oferecer a ele um risco dizer que ele é desonesto”, declarou Jerônimo.

A fase mais recente da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal, investiga suspeitas de corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro. Além de Wagner, foram alvos Augusto Lima e Eduardo Sodré Martins, enteado do senador e secretário no governo de Jerônimo Rodrigues na Bahia.

Segundo os investigadores, houve um pagamento de R$ 3,5 milhões de uma empresa ligada a Augusto Lima ao chamado “núcleo familiar” de Wagner. Para o ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF), esse repasse é apontado como um dos elementos que indicariam proximidade entre o empresário e o parlamentar.

As apurações também mencionam que Wagner teria recebido de Lima um apartamento em Salvador avaliado em R$ 2,5 milhões, além de viagens gratuitas em jatinhos ligados ao Banco Master e ingressos para assistir a um show de uma “cantora internacional” em Los Angeles, em 2023.

Durante buscas em endereços vinculados ao senador, a Polícia Federal encontrou US$ 55 mil e 33 mil euros, valores que somam cerca de R$ 471 mil na cotação atual. Wagner criticou a divulgação de imagens das cédulas apreendidas no apartamento onde mora em Brasília.

•        Wagner critica "narrativa" para vinculá-lo ao Master e diz que PF agiu como na Lava Jato

O senador Jaques Wagner (PT-BA) negou ter qualquer relação comercial com o Banco Master, admitiu manter vínculo com o empresário Augusto Lima, ex-sócio da instituição, e criticou duramente a atuação da Polícia Federal na operação que o teve como alvo, afirmando que houve “espetacularização” da investigação, segundo entrevista concedida à Folha de São Paulo.

Um dia após deixar a liderança do governo no Senado, Wagner afirmou que reclamou diretamente ao presidente Lula (PT) sobre a divulgação de imagens de dinheiro em espécie apreendido no apartamento onde vive em Brasília. Para o senador, a exposição contrariou a orientação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que havia determinado que a busca e apreensão ocorresse “de forma discreta”, em razão do sigilo da investigação.

“Para que aquela patacoada de dinheiro em cima da cama com o escudo da PF? Esse processo era comum na Lava Jato. Se a Polícia Federal vai continuar nesse tipo de espetacularização, acho que o chefe da Polícia Federal tem que tomar conta”, afirmou Wagner.

O senador disse ter relatado a Lula que a operação, em sua avaliação, busca construir uma narrativa para associá-lo a irregularidades envolvendo o Banco Master. Ele negou ter pedido proteção ao presidente e afirmou que sua cobrança foi por correção na condução do caso. “Estão tentando fazer uma narrativa para botar no meu colo algo que não existe. Não quero proteção, quero correção”, declarou.

Wagner deixou a liderança do governo no Senado após conversar pessoalmente com Lula. Segundo ele, o presidente ponderou que, embora o conheça há 48 anos, seria necessário enfrentar a narrativa criada pela investigação e avaliou se o senador teria condições de conciliar a defesa pessoal com a função de líder governista.

“Ele disse que me conhecia há 48 anos, mas que construíram uma história que eu teria que desmontar e questionou se eu teria cabeça para fazer as duas coisas [a defesa e a liderança]. Então, decidi me afastar”, afirmou.

O petista negou que sua relação com Augusto Lima represente favorecimento ou envolvimento com o Banco Master. Segundo Wagner, ele conheceu o empresário no processo de privatização da Cesta do Povo, na Bahia, quando era governador. O senador afirmou que não há relação comercial entre eles e rejeitou a suspeita de que tenha atuado em benefício da instituição financeira.

“O presidente várias vezes me perguntou, e eu continuo afirmando para ele: não tem nenhuma relação comercial entre mim e Augusto Lima, muito menos com o Master”, disse.

Wagner também respondeu às suspeitas sobre a empresa de sua nora, que teria recebido valores do Banco Master. Ele afirmou que os pagamentos foram feitos com base em contratos formais e que os montantes são superiores aos R$ 3,5 milhões inicialmente divulgados. O senador disse ter se surpreendido com o valor, mas sustentou que tudo foi registrado legalmente. “Tomei um susto porque não é pouca coisa, é muita coisa. Mas repare: é muita coisa legalmente, tem contrato”, afirmou.

A Polícia Federal apura se a empresa teria sido usada para beneficiar Wagner. O senador negou a hipótese e disse não ter qualquer participação no negócio. “A Polícia Federal está construindo uma tese de que essa empresa da minha nora na verdade foi construída para me servir. Não tenho nada a ver com a empresa”, declarou.

Wagner também comentou a suspeita envolvendo uma possível negociação de apartamento. Segundo ele, pretendia ajudar a filha na compra de um imóvel em construção, mas negou ter recebido qualquer vantagem. “Mas objetivamente, está no meu nome? Foi doada para mim alguma coisa? Nada. O caminho dos corruptos não é esse de fazer um sexo explícito”, afirmou.

O senador reconheceu que manteve contatos com empresários durante sua trajetória política, mas disse considerar natural que governadores e prefeitos se relacionem com o setor privado, especialmente em processos de investimento e obras públicas. Para ele, a investigação tenta criminalizar relações institucionais e pessoais sem demonstrar contrapartida. “Desconheço um prefeito ou um governador que não converse com empresários. Óbvio que conversei com Augusto Lima”, disse.

Questionado sobre viagens e caronas em aviões de empresários, Wagner admitiu já ter pegado carona, mas negou que Augusto Lima tenha colocado aeronave à sua disposição. “Está se tentando criar uma retórica hipócrita. Tenho relação com uma porção de gente. Aí o cara diz para mim: ‘terça-feira eu estou indo para Brasília, quer ir de carona?’ Eu vou, qual o problema? Fica-se criminalizando qualquer tipo de relacionamento. Óbvio que de vez em quando eu pego carona. O que a Polícia Federal tem que comprovar, e não vai, é a relação de troca”, afirmou.

O senador também rebateu a suspeita de favorecimento relacionada a ingressos para um show de Taylor Swift nos Estados Unidos. Segundo ele, os ingressos foram obtidos para sua neta, que mora há oito anos no país com os pais. “Dois ingressos para um show nos Estados Unidos, favorecimento pessoal? É meio ridículo isso”, disse. “Estão achando que ele me comprou porque arrumou dois ingressos. Eu poderia pedir coisa mais importante, né?”.

Wagner afirmou ainda que conheceu Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, apenas em duas ocasiões. Uma delas teria ocorrido quando Vorcaro foi apresentado como sócio de Augusto Lima. A outra, segundo o senador, foi quando ele acompanhou o então ministro Ricardo Lewandowski a um encontro com Vorcaro em São Paulo. “Conheci o Vorcaro duas vezes. Quando ele veio se apresentar, que virou sócio, e quando eu fui levar o ministro [Ricardo] Lewandowski”, afirmou.

Sobre o dinheiro em moeda estrangeira apreendido pela PF, Wagner disse que parte dos valores tinha origem em diárias recebidas em viagens oficiais, inclusive pelo Senado, e em compras de dólares feitas ao longo de anos. Ele negou ter recebido moeda estrangeira de terceiros. “Sempre peço em dólar, que é uma forma também de eu economizar e guardar. A soma de diárias é levemente inferior ao valor apreendido. Eu mandei ver se tinha compra. Isso é ao longo de oito, dez anos”, declarou.

Wagner também comparou a exposição da investigação a práticas que, segundo ele, marcaram a Operação Lava Jato. O senador afirmou que questiona judicialmente a conduta da PF por considerar que a imagem do dinheiro apreendido produziu uma condenação pública antecipada. “Eu não estou pedindo que não me investiguem, só estou dizendo para não fazer a patacoada que fazem. Aquela foto foi para tudo que é capa de jornal. Eu acho que isso é condenação a priori”, disse.

O senador rejeitou ainda a versão de que o caso teria origem na Bahia. Segundo ele, a privatização da Cesta do Povo ocorreu antes da entrada de Daniel Vorcaro e do Banco Master na operação. Wagner afirmou que a viabilização do banco ocorreu no governo Jair Bolsonaro, sob o Banco Central comandado por Roberto Campos Neto. “Nada começou na Bahia. Quem viabilizou o Banco Master foi Roberto Campos Neto e seu Banco Central. Se foi errado, se foi certo, só estou dizendo o seguinte: só foi concretizado o Banco Master no governo Bolsonaro”, afirmou.

Ao comentar possíveis impactos políticos do caso, Wagner disse que o alvo da investigação é ele, e não Lula. O senador afirmou que pretende reagir publicamente às acusações e voltar às ruas para defender sua versão dos fatos. “Quem está sendo atacado? Eu, não o Lula. Amanhã eu vou para a rua. Estou dando entrevista pra você, mas a minha melhor entrevista é quando eu for para a rua”, declarou.

Wagner, de 75 anos, foi governador da Bahia, ministro nos governos Lula e Dilma Rousseff e ocupava a liderança do governo no Senado até se afastar após a operação da PF. Ele nega ter atuado a favor do Banco Master e afirma que a investigação não encontrará provas de favorecimento ou troca de benefícios.

 

Fonte: Bahia Já/Brasil 247

 

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