Tasso
Franco: WAGNER PODE PAGAR PREÇO ALTO NA CAMPANHA DIANTE INVESTIGAÇÃO DA PF
A possível reeleição do senador Jaques Wagner
ficou mais complicada. O fato de estar sendo investigado pela Polícia Federal
diante de possíveis ilícitos junto ao escândalo do Banco Master fez com que,
instruções por seus próprios correligionários políticos abdicasse da liderança
do governo no Senado e retornasse à planicie para se defender. Como já disse
"provar a sua inocência". Está condenado disso.
A
questão é que, nesses casos, envolvendo outros atores no processo
investigativo, esse rito é lento e demora às vezes um ou mais anos para que
seja concluído. E nessa altura, a campanha eleitoral batendo na porta, com as
convenções marcadas para final de junho e a campanha propriamente dita a partir
de julho e, em meados de agosto, na televisão, rádio e internet, Wagner terá
que enfrentar essa parada sendo investigada.
Por
agora, os seus adversários políticos mais diretamente os pré-candidatos ao
Senado, Angelo Coronel e João Roma, não estão a dizer nada sobre esse tema.
Mas, tanto o marketing político quanto as redes sociais são incontroláveis e na
hora do "vamos ver" quando a campanha esquentar, a vidraça de Wagner
certamente vai receber muitas pedradas.
Além
disso, desde já, reagrupar o tempo de Lula com Jerônimo, Rui e Wagner todos
juntos diante da licença da função de parte do senador Wagner, por mais que se
forçar a barra, não será o mesmo. Wagner não está magoado e disse que o
encontro com Lula foi maravilhoso, de velhos companheiros, mas, sempre fica
ressentimentos, o que é natural nesses casos.
Um
outro ponto que marcou muito a trajetória política do senador Wagner, meritório
e pioneira desde a eleição de 2006 para governador da Bahia, eleito contra
Paulo Souto e derrubando o "carlismo" foram os contudentes críticos a
que ficaram expostos nas redes sociais, exibiram muitos fortes, inquestionáveis
porque foram produzidos a partir da Operação Compliance Zero, da Polícia
Federal. Ou seja, de um órgão do governo federal, do seu compadre Lula.
Ora, em
sendo assim, argumentos como os que foram apresentados por parlamentares e
políticos em sua defesa, de que se tratava de algo como perseguição política
não se sustentaram essas defesas passaram incolumes. E mais sintomático, não vi
opiniões mais firmas de seus parceiros de chapa, o governador Jerônimo
Rodrigues e o candidato ao Senado, Rui Costa.
Wagner
ficou sozinho; ou mais extensamente após a entrega da carga de líder do Senado
também sozinho no plano federal com defesas isoladas de Fernando Haddad e
Geraldo Alckmin, ainda sem Lula dar uma declaração mais forte, o que se espera
no 2 de Julho, em Salvador.
Portanto,
o senador Wagner, que tem grandes serviços prestados na Bahia, mas, não o
isenta de ser investigado pela PF nos supostos casos de corrupção, enfrentará
essa parada na campanha de 2026. Não cabe, aqui, fazer julgamentos prévios do
que poderá acontecer. Só o tempo dirá.
Wagner,
no entanto, não é mais o mesmo junto à opinião pública. Está com a imagem muito
manchada.
• Caso Master: Jaques Wagner reafirma
inocência: "vou desmontar essa mentira"
O
senador Jaques Wagner (PT-BA) voltou a negar irregularidades no caso Master e
afirmou que pretende provar sua inocência diante das suspeitas investigadas
pela Polícia Federal, que apura pagamentos ligados ao banco de Daniel Vorcaro.
A declaração foi feita neste sábado (27), durante ato político em Barreiras, no
oeste da Bahia, segundo a Folha de São Paulo.
Wagner
citou uma conversa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em meio à
crise política provocada pela investigação. Ao falar ao público, o senador
disse estar tranquilo e reproduziu uma frase que teria ouvido do presidente.
“Eu estou muito tranquilo. O presidente Lula gosta de dizer: ‘Galego, só quem
sabe o que você fez é você mesmo.’ Eu sei o que eu fiz e vou desmentir a
mentira que estão tentando construir contra a minha pessoa. Vou desmontar essa
mentira”, afirmou Jaques Wagner.
Na
sequência, o senador comparou sua situação à de Lula durante a Operação Lava
Jato. Wagner disse que o presidente enfrentou uma injustiça “muito maior” ao
permanecer preso por 580 dias em razão de condenações que tiveram provas
anuladas posteriormente, em 2021.
O
petista também afirmou que suas prioridades políticas continuam sendo
demonstrar sua inocência, trabalhar pela reeleição de Lula e do governador da
Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), buscar um novo mandato no Senado e contribuir
para eleger o ex-ministro Rui Costa (PT) para a mesma Casa.
O
governador Jerônimo Rodrigues fez nova defesa pública de Wagner e classificou
como injustas as suspeitas levantadas contra o senador. Para o chefe do
Executivo baiano, o caso tem dimensão política e seria usado para atingir o
presidente Lula. “É muita injustiça. Na verdade querem pegar Lula primeiro e
usam a gente o tempo inteiro para bater no Lula. Depois pegam uma pessoa que é
um patrimônio nosso. Na história de Wagner, você nunca ouviu, em 20 anos,
qualquer tipo de mácula aqui na Bahia que pudesse oferecer a ele um risco dizer
que ele é desonesto”, declarou Jerônimo.
A fase
mais recente da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal,
investiga suspeitas de corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de
dinheiro. Além de Wagner, foram alvos Augusto Lima e Eduardo Sodré Martins,
enteado do senador e secretário no governo de Jerônimo Rodrigues na Bahia.
Segundo
os investigadores, houve um pagamento de R$ 3,5 milhões de uma empresa ligada a
Augusto Lima ao chamado “núcleo familiar” de Wagner. Para o ministro André
Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF), esse
repasse é apontado como um dos elementos que indicariam proximidade entre o
empresário e o parlamentar.
As
apurações também mencionam que Wagner teria recebido de Lima um apartamento em
Salvador avaliado em R$ 2,5 milhões, além de viagens gratuitas em jatinhos
ligados ao Banco Master e ingressos para assistir a um show de uma “cantora
internacional” em Los Angeles, em 2023.
Durante
buscas em endereços vinculados ao senador, a Polícia Federal encontrou US$ 55
mil e 33 mil euros, valores que somam cerca de R$ 471 mil na cotação atual.
Wagner criticou a divulgação de imagens das cédulas apreendidas no apartamento
onde mora em Brasília.
• Wagner critica "narrativa"
para vinculá-lo ao Master e diz que PF agiu como na Lava Jato
O
senador Jaques Wagner (PT-BA) negou ter qualquer relação comercial com o Banco
Master, admitiu manter vínculo com o empresário Augusto Lima, ex-sócio da
instituição, e criticou duramente a atuação da Polícia Federal na operação que
o teve como alvo, afirmando que houve “espetacularização” da investigação,
segundo entrevista concedida à Folha de São Paulo.
Um dia
após deixar a liderança do governo no Senado, Wagner afirmou que reclamou
diretamente ao presidente Lula (PT) sobre a divulgação de imagens de dinheiro
em espécie apreendido no apartamento onde vive em Brasília. Para o senador, a
exposição contrariou a orientação do ministro André Mendonça, do Supremo
Tribunal Federal (STF), que havia determinado que a busca e apreensão ocorresse
“de forma discreta”, em razão do sigilo da investigação.
“Para
que aquela patacoada de dinheiro em cima da cama com o escudo da PF? Esse
processo era comum na Lava Jato. Se a Polícia Federal vai continuar nesse tipo
de espetacularização, acho que o chefe da Polícia Federal tem que tomar conta”,
afirmou Wagner.
O
senador disse ter relatado a Lula que a operação, em sua avaliação, busca
construir uma narrativa para associá-lo a irregularidades envolvendo o Banco
Master. Ele negou ter pedido proteção ao presidente e afirmou que sua cobrança
foi por correção na condução do caso. “Estão tentando fazer uma narrativa para
botar no meu colo algo que não existe. Não quero proteção, quero correção”,
declarou.
Wagner
deixou a liderança do governo no Senado após conversar pessoalmente com Lula.
Segundo ele, o presidente ponderou que, embora o conheça há 48 anos, seria
necessário enfrentar a narrativa criada pela investigação e avaliou se o
senador teria condições de conciliar a defesa pessoal com a função de líder
governista.
“Ele
disse que me conhecia há 48 anos, mas que construíram uma história que eu teria
que desmontar e questionou se eu teria cabeça para fazer as duas coisas [a
defesa e a liderança]. Então, decidi me afastar”, afirmou.
O
petista negou que sua relação com Augusto Lima represente favorecimento ou
envolvimento com o Banco Master. Segundo Wagner, ele conheceu o empresário no
processo de privatização da Cesta do Povo, na Bahia, quando era governador. O
senador afirmou que não há relação comercial entre eles e rejeitou a suspeita
de que tenha atuado em benefício da instituição financeira.
“O
presidente várias vezes me perguntou, e eu continuo afirmando para ele: não tem
nenhuma relação comercial entre mim e Augusto Lima, muito menos com o Master”,
disse.
Wagner
também respondeu às suspeitas sobre a empresa de sua nora, que teria recebido
valores do Banco Master. Ele afirmou que os pagamentos foram feitos com base em
contratos formais e que os montantes são superiores aos R$ 3,5 milhões
inicialmente divulgados. O senador disse ter se surpreendido com o valor, mas
sustentou que tudo foi registrado legalmente. “Tomei um susto porque não é
pouca coisa, é muita coisa. Mas repare: é muita coisa legalmente, tem
contrato”, afirmou.
A
Polícia Federal apura se a empresa teria sido usada para beneficiar Wagner. O
senador negou a hipótese e disse não ter qualquer participação no negócio. “A
Polícia Federal está construindo uma tese de que essa empresa da minha nora na
verdade foi construída para me servir. Não tenho nada a ver com a empresa”,
declarou.
Wagner
também comentou a suspeita envolvendo uma possível negociação de apartamento.
Segundo ele, pretendia ajudar a filha na compra de um imóvel em construção, mas
negou ter recebido qualquer vantagem. “Mas objetivamente, está no meu nome? Foi
doada para mim alguma coisa? Nada. O caminho dos corruptos não é esse de fazer
um sexo explícito”, afirmou.
O
senador reconheceu que manteve contatos com empresários durante sua trajetória
política, mas disse considerar natural que governadores e prefeitos se
relacionem com o setor privado, especialmente em processos de investimento e
obras públicas. Para ele, a investigação tenta criminalizar relações
institucionais e pessoais sem demonstrar contrapartida. “Desconheço um prefeito
ou um governador que não converse com empresários. Óbvio que conversei com
Augusto Lima”, disse.
Questionado
sobre viagens e caronas em aviões de empresários, Wagner admitiu já ter pegado
carona, mas negou que Augusto Lima tenha colocado aeronave à sua disposição.
“Está se tentando criar uma retórica hipócrita. Tenho relação com uma porção de
gente. Aí o cara diz para mim: ‘terça-feira eu estou indo para Brasília, quer
ir de carona?’ Eu vou, qual o problema? Fica-se criminalizando qualquer tipo de
relacionamento. Óbvio que de vez em quando eu pego carona. O que a Polícia
Federal tem que comprovar, e não vai, é a relação de troca”, afirmou.
O
senador também rebateu a suspeita de favorecimento relacionada a ingressos para
um show de Taylor Swift nos Estados Unidos. Segundo ele, os ingressos foram
obtidos para sua neta, que mora há oito anos no país com os pais. “Dois
ingressos para um show nos Estados Unidos, favorecimento pessoal? É meio
ridículo isso”, disse. “Estão achando que ele me comprou porque arrumou dois
ingressos. Eu poderia pedir coisa mais importante, né?”.
Wagner
afirmou ainda que conheceu Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master,
apenas em duas ocasiões. Uma delas teria ocorrido quando Vorcaro foi
apresentado como sócio de Augusto Lima. A outra, segundo o senador, foi quando
ele acompanhou o então ministro Ricardo Lewandowski a um encontro com Vorcaro
em São Paulo. “Conheci o Vorcaro duas vezes. Quando ele veio se apresentar, que
virou sócio, e quando eu fui levar o ministro [Ricardo] Lewandowski”, afirmou.
Sobre o
dinheiro em moeda estrangeira apreendido pela PF, Wagner disse que parte dos
valores tinha origem em diárias recebidas em viagens oficiais, inclusive pelo
Senado, e em compras de dólares feitas ao longo de anos. Ele negou ter recebido
moeda estrangeira de terceiros. “Sempre peço em dólar, que é uma forma também
de eu economizar e guardar. A soma de diárias é levemente inferior ao valor
apreendido. Eu mandei ver se tinha compra. Isso é ao longo de oito, dez anos”,
declarou.
Wagner
também comparou a exposição da investigação a práticas que, segundo ele,
marcaram a Operação Lava Jato. O senador afirmou que questiona judicialmente a
conduta da PF por considerar que a imagem do dinheiro apreendido produziu uma
condenação pública antecipada. “Eu não estou pedindo que não me investiguem, só
estou dizendo para não fazer a patacoada que fazem. Aquela foto foi para tudo
que é capa de jornal. Eu acho que isso é condenação a priori”, disse.
O
senador rejeitou ainda a versão de que o caso teria origem na Bahia. Segundo
ele, a privatização da Cesta do Povo ocorreu antes da entrada de Daniel Vorcaro
e do Banco Master na operação. Wagner afirmou que a viabilização do banco
ocorreu no governo Jair Bolsonaro, sob o Banco Central comandado por Roberto
Campos Neto. “Nada começou na Bahia. Quem viabilizou o Banco Master foi Roberto
Campos Neto e seu Banco Central. Se foi errado, se foi certo, só estou dizendo
o seguinte: só foi concretizado o Banco Master no governo Bolsonaro”, afirmou.
Ao
comentar possíveis impactos políticos do caso, Wagner disse que o alvo da
investigação é ele, e não Lula. O senador afirmou que pretende reagir
publicamente às acusações e voltar às ruas para defender sua versão dos fatos.
“Quem está sendo atacado? Eu, não o Lula. Amanhã eu vou para a rua. Estou dando
entrevista pra você, mas a minha melhor entrevista é quando eu for para a rua”,
declarou.
Wagner,
de 75 anos, foi governador da Bahia, ministro nos governos Lula e Dilma
Rousseff e ocupava a liderança do governo no Senado até se afastar após a
operação da PF. Ele nega ter atuado a favor do Banco Master e afirma que a
investigação não encontrará provas de favorecimento ou troca de benefícios.
Fonte:
Bahia Já/Brasil 247

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