segunda-feira, 29 de junho de 2026

Como o terremoto pressiona ainda mais o já deteriorado sistema de saúde da Venezuela

"Não há." Essa talvez seja, há anos, uma das frases mais ouvidas na Venezuela.

Conforme a ocasião, ela pode se referir a ovos, açúcar, papel higiênico, suprimentos médicos, profissionais e equipamentos de saúde. De quarta-feira (24/6) para cá, a já debilitada infraestrutura médica do país e sua escassez de recursos estão novamente sendo postas à prova, frente à emergência de saúde descomunal gerada por um poderoso terremoto de 7,2 graus de magnitude, seguido por outro ainda maior, de 7,5, apenas 39 segundos depois.

Aos 1.430 mortos até aqui, somam-se mais de 3.200 feridos com variados níveis de gravidade e as pessoas que ainda se encontram embaixo dos escombros, esperando pelo resgate. A ONU estima que 50 mil pessoas possam estar desaparecidas. "O problema é que não se trata apenas de uma tragédia natural. É preciso reconhecer e recordar que a Venezuela se encontra em meio a uma complexa emergência humanitária", explica Pedro Javier Fernández, membro da equipe Médicos Unidos pela Venezuela. "Todos os nossos hospitais carecem de suprimentos e medicamentos", prossegue ele. "Não conseguimos oferecer assistência médica à nossa população em um dia normal. Agora, com esta tragédia, a emergência é ainda maior e mais difícil de enfrentar do que em outros países."

Na quinta-feira (25/6), o Ministério da Saúde da Venezuela garantiu ter ativado uma rede de oito hospitais públicos na região metropolitana de Caracas, que contempla a maior parte das zonas afetadas. A eles se somaram pelo menos 10 clínicas privadas para atender à população. Mas, ainda assim, os centros de saúde estão em colapso e sem recursos.

<><> Levar os próprios suprimentos médicos

O médico Franklin Rodríguez, normalmente, trabalha em Caracas. Mas ele viajou 30 km para oferecer sua ajuda em La Guaira, a região mais afetada pelos terremotos. "Existe falta crítica de medicamentos e suprimentos médicos", declarou ele ao programa Today, da BBC Rádio 4. "Os centros médicos não têm capacidade de atender o enorme volume de pessoas. E muitas delas continuam presas embaixo dos escombros." Rodríguez comentou que ele e seus colegas médicos enfrentam uma situação desesperadora. Ele conta que os principais hospitais do Estado de La Guaira estão "completamente lotados".

O leitor Carlos V. escreveu para a BBC News Mundo (o serviço em espanhol da BBC), denunciando que, no Hospital Dr. Lino Arévalo de Tucacas (uma das cidades afetadas pelos terremotos), "não há nem mesmo um band-aid". Em Caracas, a situação é parecida. A imprensa venezuelana noticiou que os centros médicos pedem aos pacientes que levem seus próprios suprimentos, em meio à situação de emergência.

"Os hospitais estão em colapso. Não têm quase nada", explica Jennifer Hidalgo ao portal de notícias venezuelano Efecto Cocuyo. "Eles me pediram bacitracina [antibiótico], Gerdex [desinfetante] para os pontos e gaze. Eles me pediram para trazer até os analgésicos. Não consigo comprar nada disso, não tenho nada."

Hidalgo conta que sua sobrinha "ficou sob os escombros e foi encontrada de madrugada. Ela não sente as pernas, levou pontos nos glúteos, está nua, não tem roupa e não tem nada." Ela levou sua sobrinha à Unidade de Emergências do Hospital Domingo Luciani em El Llanito, a leste de Caracas. Um médico daquele hospital contou à agência de notícias AFP, em condição de anonimato, que "algumas crianças dizem seus nomes e outras chegam com uma fita de identificação no braço". Fontes daquele centro de saúde declararam precisar urgentemente de gazes, luvas e máscaras, além de bisturis, aventais para cirurgiões e torneiras três vias.

<><> Problema antigo

Todas estas declarações surgiram em meio à tragédia, mas poderiam muito bem ter ocorrido alguns meses atrás. Em abril, a Federação Médica Venezuelana (FMV) declarou que "90% dos hospitais do país estão desabastecidos e abandonados".

A última Pesquisa Nacional de Hospitais, de 2024, concluiu que o índice de desabastecimento de material cirúrgico era de 74%. Além disso, apenas 4 a cada 10 salas de cirurgia, em média, estavam em funcionamento. O mesmo estudo detalha que, em 46% dos hospitais, "são solicitados pagamentos extraoficiais aos pacientes para poder atendê-los", o que contraria o princípio de gratuidade da saúde pública.

Em 2025, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos alertava sobre a crise que atravessavam os serviços públicos venezuelanos. Segundo a organização, 91% dos hospitais pesquisados, entre janeiro e julho daquele ano, exigiram que os pacientes levassem seus próprios suprimentos médicos para realizar cirurgias. Com esta situação, os pacientes e seus familiares precisam providenciar desde cobertores até água potável e medicamentos.

A crise já existente obrigava os familiares dos pacientes a recorrer a farmácias externas. Agora, esta situação também se observa em meio à tragédia causada pelos terremotos. A ONG Provea registrou em 2025 um total de 94.056 denúncias de usuários do sistema de saúde, por descumprimento de garantias. O principal motivo dos protestos (51,5%) foi a falta de pessoal qualificado, ausência de insumos básicos ou cirúrgicos e a equipamentos médicos essenciais fora de operação. O segundo motivo foram as denúncias de falta de acessibilidade aos serviços devido a cobranças e à falta de água e eletricidade.

<><> Sem pessoal

Some-se a isso a falta de pessoal.

Mais de oito milhões de venezuelanos abandonaram o país nos últimos anos, devido à crise econômica, política e social. E, é claro, esta situação também afetou os profissionais de assistência médica. Dados da FMV de 2023 indicam que mais de 42 mil profissionais de assistência médica emigraram do país. "Os médicos e profissionais de saúde ganham salários miseráveis e, em resposta às exigências socioeconômicas, o governo viola seus direitos trabalhistas, negando-se a discutir a contratação coletiva", declarou, na época, o presidente da FMV, Douglas León Natera.

Ainda assim, ele garantiu que os baixos salários e a "perseguição do governo contra os trabalhadores" levou à "demissão em massa" e à migração de médicos de todas as especialidades. Também em 2023, León Natera denunciou falta constante de água e energia elétrica nos hospitais, além de medicamentos, equipamento cirúrgico, macas e manutenção dos elevadores. Esta mesma realidade pode ser constatada há anos. E 2014 foi o auge da situação, que já era crítica e se agravou após as pressões econômicas dos Estados Unidos sobre a Venezuela.

Precisamente agora, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou a suspensão de parte das sanções sobre a Venezuela, para permitir operações relacionadas aos trabalhos de assistência após o duplo terremoto. Isso permitirá, por exemplo, a realização de transferências bancárias para o país, o que é essencial para o envio de ajuda após a catástrofe.

<><> Ajuda internacional

Logo após a ocorrência dos terremotos, socorristas do país relataram que inúmeras pessoas permaneciam soterradas.

Z. morou toda a sua vida em La Guaira. Da Espanha, ele conta à BBC News Mundo que, na sua região, existem famílias embaixo dos escombros. Elas são ouvidas, mas ainda não foram resgatadas. Os trabalhos de busca são limitados pela falta de equipamentos especializados para intervir em estruturas que desmoronaram. Isso fez com que os organismos de emergência trabalhassem com recursos insuficientes para lidar com a magnitude da tragédia.

Quem está tentando liberar as pessoas são voluntários, usando o que tiverem por perto, incluindo suas próprias mãos. "Os socorristas não dão conta", segundo o estudante Antoan Marín, de Caracas. "Eles estão retirando as pessoas com unhas e dentes. Eles não têm máquinas especializadas. Precisamos de ajuda."

Em meio a tanta penúria, a ajuda externa está chegando de diferentes lugares, como o México, o Chile, a Suíça e a Turquia. No Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou o envio de uma missão humanitária com bombeiros, técnicos da Defesa Civil e da Anatel, além de nove toneladas de equipamentos de resgate.

Neste sábado (27/6), o país envia um terceiro voo humanitário à Venezuela, com kits de medicamentos e o módulo complementar para a instalação de um hospital de campanha. "Seguiremos acompanhando o desenvolvimento dos trabalhos de socorro às vítimas para prestar todo o apoio necessário aos nossos irmãos venezuelanos", afirmou o presidente brasileiro no X (antigo Twitter).

¨      Equipes de resgate correm para retirar sobreviventes

O presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Jorge Rodríguez, informou neste sábado (27/06), em pronunciamento na televisão, que foram registradas mais de 430 réplicas desde os terremotos iniciais e que mais de 3.100 famílias foram afetadas. A presidente em exercício da Venezuela, Delcy Rodríguez, disse ter esperanças de que as equipes de resgate encontrem sobreviventes, e a ONU afirmou que este terceiro dia de esforços será um dia crucial para os trabalhos. A entidade estima que 50 mil pessoas possam estar desaparecidas.

Em um vídeo publicado pelo governo venezuelano, Rodríguez agradeceu a todos os socorristas pelo seu trabalho nos esforços de recuperação até agora. Segundo ela, o "mais estratégico" é o resgate das pessoas que ainda estão vivas, que "é a nossa prioridade. Temos fé e esperança de que iremos resgatá-los."

Foi declarado estado de emergência e os serviços de aeroporto, trem e transporte público foram suspensos.

Os feridos estão sendo tratados em instalações médicas improvisadas e um alto funcionário do governo venezuelano informou que centenas de socorristas internacionais chegaram ao país, com mais a caminho. Os centros médicos que permanecem em funcionamento estão sobrecarregados. Profissionais de saúde disseram à BBC que, mesmo antes do desastre, o país já tinha dificuldades para tratar os pacientes.

A maior autoridade da ONU para ajuda humanitária disse à BBC que este sábado será "crucial" para as operações de socorro, à medida que equipes internacionais de resgate chegam ao país. Tom Fletcher — que é secretário-geral-adjunto para Assuntos Humanitários e Coordenador de Socorro de Urgência da ONU — disse que as equipes de resgate são "alertadas minuto a minuto, hora a hora, pelo som dos sobreviventes sob os escombros. O pior é quando essas vozes se calam", disse Fletcher.

A ONU estimou no sábado que cerca de sete milhões de pessoas podem ter sido afetadas pelos terremotos. O número exato de pessoas desaparecidas não está claro. A presidente em exercício da Venezuela estimou o número em 172 em uma atualização na sexta-feira. Mas à agência de notícias AFP, Fletcher disse que mais de 50 mil pessoas estão desaparecidas. Um site independente sobre pessoas desaparecidas, administrado por civis, também estima o número em dezenas de milhares, relatando mais de 54 mil pessoas que não foram contatadas por familiares.

O site mostra ainda que 12.215 pessoas foram localizadas, mas não divulga em que condições foram encontradas. Fletcher disse que a resposta global aos terremotos fatais tem sido "muito boa". Com a chegada de equipes da Rússia, Ucrânia, Estados Unidos, Europa e Oriente Médio, "a política fica totalmente em segundo plano neste momento", disse ele.

A ONU mobilizou 39 equipes de resgate e registrou a chegada de quase 2 mil socorristas internacionais à Venezuela para prestar assistência. As equipes da ONU contam também com 111 cães de resgate. O secretário da ONU disse que, como a entidade perdeu "quase metade" de seu orçamento de ajuda humanitária nos últimos 18 meses, o financiamento para operações de resgate vem sendo um desafio.

Levantamentos feitos pela imprensa internacional mostraram que há muitos cidadãos estrangeiros entre as vítimas fatais do terremoto. Em Portugal, o governo informou que 28 cidadãos portugueses morreram, segundo veículos de comunicação locais.

Sete cidadãos chineses morreram, informou a agência de notícias Xinhua, citando a embaixada da China na Venezuela. A imprensa espanhola relatou a morte de cinco cidadãos do país e o desaparecimento de outros 119, citando o ministro das Relações Exteriores, José Manuel Albares. O Ministério das Relações Exteriores da Itália informou a morte de um cidadão ítalo-venezuelano em decorrência dos terremotos consecutivos. Dois cidadãos brasileiros também estão entre as vítimas fatais, confirmou o governo brasileiro. O Itamaraty informou que presta assistência consular às famílias e não divulgará dados pessoais das vítimas.

<><> 'Com as próprias mãos'

A Cruz Vermelha Internacional disse que os esforços de resgate estão sendo dificultados por estradas bloqueadas e pela destruição generalizada após os terremotos. A diretora regional para as Américas, Loyce Pace, disse à BBC que as equipes de resgate "tiveram de recorrer a motocicletas e outros meios de transporte [em vez de ambulâncias], pois as ruas estão muito lotadas de pessoas". Fortes tremores secundários continuam ameaçando prédios danificados, tornando as operações de resgate mais perigosas. "O tempo está se esgotando rapidamente para quaisquer sobreviventes que ainda possam estar sob os escombros. Precisamos chegar até eles da maneira mais rápida e fácil possível", diz ela. Segundo Pace, também há relatos extraordinários de sobrevivência e humanidade. Ela conta que um funcionário da Cruz Vermelha resgatou sua família dos escombros "com as próprias mãos", enquanto outros cantavam para pessoas presas sob prédios desabados, para tranquilizá-las de que não foram esquecidas enquanto as equipes de resgate trabalham para alcançá-las.

Uma família disse à BBC que está tentando resgatar um homem de 31 anos — identificado como Carlos Eduardo — que está preso sob os escombros. A família vem chamando por ele há dois dias. "Mais ou menos uma hora e meia atrás, tivemos notícias dele. Ele não chegou a falar, apenas gemeu", disse à BBC o primo. Desde então, o homem preso nos escombros não respondeu mais. Equipes de resgate e cães farejadores da Espanha chegaram ao local, mas se retiraram após não encontrarem nenhum sinal de vida. No entanto, a família de Carlos permaneceu no local, continuando a remover os escombros na tentativa de encontrá-lo.

Em outro local, as equipes de resgate conseguiram salvar um bebê recém-nascido, que voltou para sua família, em um momento emocionante que foi aplaudido pelos socorristas.

¨      O desespero para salvar quem está sob os escombros na Venezuela

As frenéticas operações de resgate continuam na Venezuela. Equipes de emergência, moradores e familiares seguem procurando e retirando dos escombros pessoas que ficaram presas em edifícios que desabaram em consequência dos dois terremotos de magnitude 7,2 e 7,5 que sacudiram o país. "Os socorristas não dão conta. Estão tirando as pessoas com unhas e dentes", disse o estudante Antoan Marín à BBC News Brasil, o serviço em espanhol da BBC. "Eles não têm maquinário especializado", acrescentou ele, que está em Caracas. "Falta ajuda."

Vídeos publicados nas redes sociais mostram edifícios residenciais e comerciais completamente destruídos, principalmente na capital e em La Guaira, enquanto familiares procuram desesperadamente seus entes queridos. Em La Guaira, moradores denunciaram nas redes sociais nesta quinta-feira que as equipes de resgate ainda não haviam chegado e que havia dezenas de pessoas presas que não podiam ser socorridas por falta de recursos.

<><> 'Há famílias inteiras presas'

Román Camacho, jornalista venezuelano, publicou em suas redes sociais imagens devastadoras de La Guaira gravadas na manhã da quinta-feira, nas quais aparecem pessoas presas sob os escombros em áreas onde as equipes de resgate ainda não haviam chegado. Nelas, vê-se um jovem, identificado pelo jornalista como Amir Infante, bebendo água e com a parte inferior do corpo esmagada por um bloco de concreto. "Não há maquinário, não há os equipamentos necessários para remover os escombros", explica Camacho em seu vídeo. "Há famílias inteiras presas." Horas depois, Camacho informou que a mãe de Amir havia comunicado que seu filho tinha morrido.

A poucos metros dali, um jovem gritava "Jesus!" enquanto caminhava sobre os escombros procurando pessoas com vida. "Aqui há três vivos", relatava, apontando com a mão. "Como você se chama?", perguntava através de um pequeno buraco. "Anthony", respondeu uma voz que mal podia ser ouvida. Com os olhos cheios de lágrimas, o jovem gritava mais uma vez: "Jesus, irmão, fala comigo." Bombeiros e paramédicos, relatou o jornalista, "estão de mãos atadas".

<><> 'Somos três': crianças são resgatadas dos escombros

Apesar de todos os esforços, a interrupção das comunicações e a falta de recursos dificultaram a resposta inicial à emergência. No entanto, à medida que as horas avançam, as equipes de resgate estão sendo mobilizadas com maior rapidez para as áreas mais críticas. Os canais de televisão locais não apenas divulgaram os relatos de pessoas desesperadas à procura de seus familiares, mas também as emocionantes imagens de vítimas resgatadas com vida, que dão esperança aos venezuelanos em um momento de tanta dor. "Deus é grande!", diz a voz de um homem enquanto um bebê que havia ficado sob os escombros é resgatado com vida, segundo as imagens de um vídeo publicado pelo veículo Noticias en Red.

Outro caso que despertou esperança na população venezuelana foi o resgate, em La Guaira, de três irmãos pequenos que saíram dos escombros com o rosto coberto de poeira, segundo imagens exibidas pela televisão estatal e nas redes sociais. "Vem, meu filho, vem para cá", diz um homem ao primeiro menino que sai com vida de uma abertura entre os blocos de concreto de uma casa que desabou. Em seguida, sai uma menina, e o homem pergunta: "Vocês são irmãos?". Ela responde: "Sim, somos três." Logo depois, com um pouco mais de dificuldade, a terceira irmã consegue sair, soluçando e com o corpo todo coberto de poeira.

<><> Mais de 70 mil famílias afetadas em La Guaira

Durante visita a La Guaira, a região mais atingida pelo desastre natural, o vice-presidente para Assuntos Políticos, Segurança Cidadã e Paz, Diosdado Cabello, confirmou que mais de 70 mil famílias foram afetadas no estado. Mais de 100 prédios desabaram completamente, acrescentou, confirmando o divulgado anteriormente por uma agência da ONU. "Os efeitos são devastadores", concluiu Cabello, que pediu aos venezuelanos que confiem em seu governo. "Não vamos abandoná-los", acrescentou.

As cidades de Caraballeda e Catia La Mar foram as mais afetadas, segundo o ministro. "Não podemos simplesmente entrar com máquinas pesadas para reconstruir os prédios que desabaram", explicou, enfatizando que esse é o desafio atual. "Precisamos verificar se há pessoas vivas, determinar como proceder e como trabalhar."

<><> Presos no topo de prédios e em porões

A BBC recebe diversos relatos de pessoas em Caracas que ficaram presas em locais como o 18º andar de um prédio ou o quarto subsolo de uma garagem quando os terremotos atingiram a região.

Jesús Armas estava em seu apartamento com o pai — que sofre de câncer — e a mãe, no 18º andar, quando um grande prédio do outro lado da rua começou a balançar. "Ficamos simplesmente presos dentro do prédio", disse ele ao Serviço Mundial da BBC. "Prédios estavam desabando por toda Caracas", explicou.

O pai de Armas não conseguia descer as escadas e o elevador não funcionava porque não havia energia elétrica, então a família teve que esperar dentro do prédio até conseguir sair em segurança. Enquanto isso, Alirio Hernández estava quatro andares abaixo do solo, na garagem de um prédio, quando as colunas começaram a tremer. Quando finalmente conseguiu sair de carro, os seguranças explicaram que o prédio havia rachado e telhas haviam se soltado.

 

Fonte: BBC News Mundo

 

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