Nova
delação de Vorcaro cita Rui Costa e PT da Bahia
A nova
delação de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, cita o presidente do
União Brasil, Antônio Rueda, e o PT da Bahia ao relatar supostos pagamentos
relacionados ao Master, em uma proposta de colaboração premiada apresentada
pelo banqueiro e agora analisada pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral
da República (PGR), informa Igor Gadelha, no Metrópoles.
A nova
versão da proposta menciona supostos repasses milionários ao presidente
nacional do União Brasil, Antônio Rueda, e a integrantes do PT da Bahia. No
caso de Rueda, fontes que tiveram acesso ao material afirmam que os pagamentos
teriam sido feitos pelo Banco Master por meio de um escritório de advocacia
ligado ao dirigente partidário.
Rueda é
apontado como um dos responsáveis pela indicação da antiga diretoria do
Rioprevidência, fundo dos servidores do estado do Rio de Janeiro que realizou
aportes bilionários em papéis e fundos ligados ao Banco Master. Publicamente, o
presidente do União Brasil nega qualquer irregularidade.
O
dirigente também afirma não manter relação pessoal com Daniel Vorcaro. Ele
admite, porém, que seu escritório de advocacia prestou serviços ao Banco
Master.
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Relação com governos do PT na Bahia
Outro
eixo das revelações envolve a atuação do Banco Master na Bahia durante os
governos do PT. Ainda conforme a reportagem, Vorcaro citou o ministro da Casa
Civil, Rui Costa, ao abordar a expansão das operações da instituição no estado.
Segundo
o relato, a origem da relação remonta a 2007, durante a gestão do então
governador Jaques Wagner, quando foi criado o programa Cesta do Povo.
Posteriormente, a iniciativa evoluiu para o CredCesta, que se tornou uma das
principais operações de crédito consignado para servidores estaduais.
A
reportagem destaca que, em 2022, já sob o governo de Rui Costa, um decreto
estadual restringiu a portabilidade dessas operações para outras instituições
financeiras. Na avaliação de Vorcaro, a medida fortaleceu a presença do Banco
Master no mercado baiano.
O
ministro também nega qualquer irregularidade.
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Supostos pagamentos no Credcesta
A
proposta de colaboração também menciona integrantes do PT da Bahia. De acordo
com a coluna, Vorcaro relata supostos pagamentos que teriam ocorrido como
contrapartida à operação do programa Credcesta pelo Banco Master no estado.
O
Credcesta é um cartão de benefício consignado destinado a servidores públicos
ativos e aposentados. O pagamento das faturas é descontado diretamente em
folha.
O Banco
Master operou o Credcesta na Bahia entre 2018 e 2022. Naquele período, o
governo estadual era comandado por Rui Costa (PT), ex-ministro da Casa Civil.
Rui
Costa já negou publicamente ter relação próxima com Daniel Vorcaro. O ministro
afirmou que se encontrou com o banqueiro uma única vez, em agenda
institucional, e defendeu o avanço das investigações sobre o Caso Master.
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PF e PGR analisam nova proposta
A nova
versão da delação premiada foi entregue pela defesa de Vorcaro na semana
passada à PF e à PGR. Os órgãos agora avaliam o conteúdo apresentado pelo
banqueiro.
O
material também cita supostos pagamentos ao senador Ciro Nogueira (PP-PI) e ao
governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL).
Na nova
proposta, Vorcaro passou a aderir às versões da PF e a tratar os benefícios que
afirma ter concedido a Ciro e Castro como propina. Antes, o banqueiro
sustentava que tais benesses estavam associadas a vínculos de amizade.
Cláudio
Castro nega ter recebido propina e tem desafiado Vorcaro a provar o que afirma
na delação. Ciro Nogueira também nega irregularidades.
• Em proposta de delação, Vorcaro diz ter
pago US$ 30 milhões a Alcolumbre
O
escândalo envolvendo o Banco Master ganhou um novo capítulo com as recentes
revelações atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro, preso há cerca de três meses
e em negociação para firmar um acordo de delação premiada. Segundo a revista
Veja, a proposta cita supostas relações entre o ex-controlador da instituição
financeira e figuras de destaque da política nacional e do Judiciário.
A
proposta de colaboração, porém, foi rejeitada pela Polícia Federal nesta
quinta-feira (11). A justificativa foi de que o depoimento do ex-controlador do
Banco Master não trouxe novidades à investigação nem indicou outros envolvidos
nos crimes investigados.
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Acusação envolve Davi Alcolumbre
De
acordo com a reportagem, um dos relatos apresentados pelo ex-banqueiro envolve
o presidente do Congresso Nacional, senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
Segundo Vorcaro, teria sido realizado um pagamento de 30 milhões de dólares ao
parlamentar, o equivalente a cerca de R$ 155 milhões. O ex-controlador do Banco
Master afirma que o valor teria sido depositado em uma conta no exterior em
troca de apoio a interesses da instituição financeira.
A
operação, ainda de acordo com o relato, teria sido intermediada por Augusto
Lima, ex-sócio de Vorcaro. As alegações integram parte da proposta de
colaboração apresentada às autoridades, mas ainda dependem de comprovação.
Alcolumbre
nega qualquer participação em irregularidades relacionadas ao caso.
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Judiciário também aparece nos relatos
As
declarações do ex-banqueiro não se limitam ao meio político. Segundo a Veja,
Vorcaro também mencionou integrantes do Judiciário que teriam recebido
pagamentos milionários ou atuado em favor dos interesses do Banco Master em
momentos decisivos para a instituição.
Um dos
relatos menciona um suposto pagamento de R$ 15 milhões efetuado por Fabiano
Zettel, cunhado de Vorcaro e apontado pelas investigações como operador
financeiro de transações consideradas ilegais.
O
ex-banqueiro também teria prometido detalhar a atuação de outro integrante do
Judiciário que, segundo ele, atuou em defesa dos interesses do banco quando a
instituição enfrentava risco de liquidação pelo Banco Central.
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Impasse sobre a delação premiada
As
revelações surgiram em meio às negociações para um acordo de colaboração
premiada com a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República. As duas
primeiras propostas apresentadas pela defesa foram rejeitadas pelos
investigadores, que consideraram as informações insuficientes ou sem elementos
novos relevantes para o avanço das apurações.
Os
advogados de Vorcaro sustentam, porém, que algumas denúncias teriam sido
descartadas sem análise adequada e afirmam possuir provas para sustentar os
relatos apresentados.
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STF acompanha o caso
Relator
do processo no Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro André Mendonça não
comentou especificamente as acusações. Segundo interlocutores ouvidos pela
reportagem, o magistrado tem defendido que as investigações sejam conduzidas
com "independência, imparcialidade e de forma não seletiva". A defesa
de Vorcaro afirma ter levado ao Supremo questionamentos sobre a condução das
negociações para a delação premiada.
Considerado
um dos maiores escândalos financeiros do país, o caso Banco Master envolve um
prejuízo estimado em mais de R$ 50 bilhões. As investigações já revelaram
relações da instituição com diferentes agentes públicos e autoridades
políticas, mas especialistas ressaltam que os relatos apresentados em acordos
de colaboração precisam ser acompanhados de provas para produzir efeitos
judiciais.
• Alcolumbre é o Arthur Lira do Senado.
Por Jeferson Miola
A
relação dos presidentes da Câmara e do Senado com este terceiro governo Lula
nunca foi estável; menos ainda de decência e honestidade política.
Nos
dois primeiros anos do mandato, para contornar e neutralizar os efeitos das
vilanias da presidência bolsonarista de Arthur Lira na Câmara, Lula procedeu de
duas maneiras.
De um
lado, aplacou a sanha extorsionária de Lira liberando emendas do orçamento e
entregando cargos importantes, como a diretoria da CEF.
E, por
outro lado, assentou a governabilidade numa aliança institucional sui generis
entre Executivo, Suprema Corte e cúpula restrita do Senado, que atuou como o
adulto do Congresso.
Eleito
para a presidência do Senado em fevereiro de 2025, à primeira vista Davi
Alcolumbre sinalizou com a manutenção dos compromissos com essa governabilidade
precária, nos moldes do seu antecessor Rodrigo Pacheco.
O
espírito chantagista e achacador do Alcolumbre foi provisoriamente aplacado com
a entrega de diretorias de agências reguladoras, cargos em estatais e, claro,
muita emenda orçamentária. Mesmo assim, para a tramitação de qualquer matéria
legislativa do seu interesse, o governo sempre foi obrigado a pagar pedágio
adicional para o rei do achaque.
Alcolumbre,
no entanto, logo rompeu o pacto de governabilidade. Isso aconteceu ainda em
dezembro, antes de completar seu primeiro ano na presidência. O marco — ou
pretexto — da ruptura foi a indicação de Jorge Messias para a Suprema Corte.
A
inflexão oposicionista de Alcolumbre ganhou contornos definitivos no primeiro
trimestre deste ano, quando pesquisas indicaram piora da aprovação do governo e
a consolidação da candidatura de Flávio Bolsonaro como a mais promissora do
bloco anti-Lula. Alcolumbre raciocinou, então, que chegara o momento de pular
para o barco da ultradireita.
O
escândalo Master aprofundou a má-vontade do presidente do Senado com o governo,
pois Alcolumbre é padrinho do presidente do instituto de previdência dos
servidores públicos do Amapá, que aportou R$ 500 milhões em fundos fraudulentos
do banqueiro mafioso. Ele nunca escondeu a insatisfação com a investigação
técnica e independente da PF.
Alcolumbre
passou a agir na presidência do Senado como Arthur Lira agia na presidência da
Câmara. Ele impôs uma das mais impactantes derrotas a Lula com a rejeição de
Messias para o STF e sinalizou disposição de acirrar o enfrentamento.
Aprovou
as chamadas pautas-bomba, que se não forem revertidas pelo STF, poderão causar
um rombo de quase R$ 300 bilhões para beneficiar em especial a base eleitoral
do bolsonarismo, como é o caso da dívida de ruralistas e latifundiários.
Assim
como Lira foi no seu tempo, ele é hoje o senhor absoluto das pautas e das
estratégias da extrema direita no Congresso. Ele maneja o timing político do
bolsonarismo, de quem é aliado para se proteger no escândalo Master e se
reeleger à presidência do Senado em fevereiro de 2027.
Numa
decisão relâmpago, engavetou o pedido de CPI do Master no mesmo momento em que
o recebeu.
Na
sessão de 3 de junho, não consumiu mais que dois minutos — isso mesmo: dois
minutos — para aprovar Decreto Legislativo relatado pela senadora
ultrabolsonarista Damares Alves revogando resolução do Conselho Nacional dos
Direitos da Criança e do Adolescente que disciplina o acesso digno de crianças
à interrupção da gravidez decorrente de estupro. Um retrocesso reacionário em
relação ao disposto no Código Penal de 1940.
Em
contraste com a marcha supersônica na condução das pautas reacionárias e
conservadoras dos bolsonaristas, ao receber a PEC que acaba com a escala 6×1 e
reduz a jornada de trabalho, Alcolumbre retardou a tramitação com o argumento
de que "uma proposta com essa relevância precisa ser debatida com
serenidade" …
O laço
orgânico de Alcolumbre com o porão fétido do bolsonarismo ficou patente no ato
de 10/6 designando o senador corrupto Ciro Nogueira/PP, que recebia R$ 500 mil
por mês de propina de Daniel Vorcaro, para representar o Senado no Fórum de
Alto Nível da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável, em Nova Iorque, de 12 a 16
de julho.
Seria
piada de mau gosto, mas é um escárnio explicável no contexto da aliança do
Alcolumbre com o bolsonarismo contra Lula.
• Aceitar acordo de delação com Vorcaro
seria um tremendo absurdo. Por Jeferson Miola
O
acordo de delação pretendido por Daniel Vorcaro tem, grosso modo, dois
objetivos centrais: [1] preservar grande parte das dezenas de bilhões de reais
roubados, e [2] proteger o braço político bolsonarista, de direita e
ultradireita implicado com o esquema mafioso e/ou dele beneficiário.
Nas
duas tentativas de acordo, o banqueiro ocultou praticamente tudo, e só entregou
à PF e ao Ministério Público Federal/MPF as informações já publicadas pela
imprensa, ou aquelas situações descobertas pela Operação Compliance Zero.
Ele só
forneceu dados sobre sua “amizade de vida” com Ciro Nogueira, o presidente
corrupto do PP, para quem pagava propina mensal de R$ 500 mil, depois que a 5ª
fase da Compliance foi realizada; e ele somente assumiu o repasse de pelo menos
R$ 61 milhões para o clã Bolsonaro após a repercussão da reportagem do site
Intercept Brasil.
A PF
apreendeu muitos equipamentos eletrônicos de Daniel Vorcaro –telefones
celulares e computadores– que armazenam uma enormidade de provas sobre o
esquema mafioso e seus tentáculos na mídia, no judiciário, no Congresso, na
Faria Lima, no crime organizado, no Banco Central, na polícia e nos governos
estaduais e municipais comandados por partidos de direita e extrema-direita.
Segundo
divulgado, foi apurada apenas uma minúscula parte desse enorme acervo de provas
dos crimes do Vorcaro.
Por
isso, não faz absolutamente nenhum sentido a PF e o MPF aceitarem discutir
qualquer acordo de delação sem antes examinarem a fundo e de modo exaustivo a
totalidade do conteúdo apreendido.
E só
então, à luz do que for encontrado após a análise dos dados, se deveria avaliar
a eventual pertinência em se assinar um acordo, e desde que necessário para
preencher lacunas essenciais para a investigação.
Caso
contrário, não faz sentido orientar toda investigação criminal a partir do
emolduramento que o próprio Vorcaro pretende dar na delação que tem como
objetivo blindar comparsas e aliados políticos e recuperar o controle da
fortuna entesourada secretamente em fundos financeiros mundo afora.
É
escandaloso o mafioso ainda poder dispor de milhões de dinheiro roubado para
pagar a peso de ouro as mais renomadas bancas de advogados do país para fazerem
lobby pela delação e tentarem influenciar os tribunais.
Todas
as fontes de bens e de dinheiro que continuam sendo usadas para financiar
Vorcaro já deveriam ter sido sequestradas pela justiça, até o último centavo,
para se recuperar o máximo possível do roubo bilionário de fundos de
previdência de funcionários públicos municipais e estaduais e dos desfalques no
BRB e no Fundo Garantidor de Crédito.
Sem
nenhum prejuízo ao pleno direito de defesa, Vorcaro dispõe da assistência
jurídica da Defensoria Pública para defendê-lo durante a investigação e para
representá-lo em caso de eventual acordo de delação. Nesse teatro de absurdos
que é a tentativa do mafioso bolsonarista de delimitar o quê e quem deve ser
investigado, aceitar um acordo de delação com ele seria o absurdo dos absurdos.
Fonte:
Brasil 247

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