sábado, 13 de junho de 2026

Nova delação de Vorcaro cita Rui Costa e PT da Bahia

A nova delação de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, cita o presidente do União Brasil, Antônio Rueda, e o PT da Bahia ao relatar supostos pagamentos relacionados ao Master, em uma proposta de colaboração premiada apresentada pelo banqueiro e agora analisada pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República (PGR), informa Igor Gadelha, no Metrópoles.

A nova versão da proposta menciona supostos repasses milionários ao presidente nacional do União Brasil, Antônio Rueda, e a integrantes do PT da Bahia. No caso de Rueda, fontes que tiveram acesso ao material afirmam que os pagamentos teriam sido feitos pelo Banco Master por meio de um escritório de advocacia ligado ao dirigente partidário.

Rueda é apontado como um dos responsáveis pela indicação da antiga diretoria do Rioprevidência, fundo dos servidores do estado do Rio de Janeiro que realizou aportes bilionários em papéis e fundos ligados ao Banco Master. Publicamente, o presidente do União Brasil nega qualquer irregularidade.

O dirigente também afirma não manter relação pessoal com Daniel Vorcaro. Ele admite, porém, que seu escritório de advocacia prestou serviços ao Banco Master.

<><> Relação com governos do PT na Bahia

Outro eixo das revelações envolve a atuação do Banco Master na Bahia durante os governos do PT. Ainda conforme a reportagem, Vorcaro citou o ministro da Casa Civil, Rui Costa, ao abordar a expansão das operações da instituição no estado.

Segundo o relato, a origem da relação remonta a 2007, durante a gestão do então governador Jaques Wagner, quando foi criado o programa Cesta do Povo. Posteriormente, a iniciativa evoluiu para o CredCesta, que se tornou uma das principais operações de crédito consignado para servidores estaduais.

A reportagem destaca que, em 2022, já sob o governo de Rui Costa, um decreto estadual restringiu a portabilidade dessas operações para outras instituições financeiras. Na avaliação de Vorcaro, a medida fortaleceu a presença do Banco Master no mercado baiano.

O ministro também nega qualquer irregularidade.

<><> Supostos pagamentos no Credcesta

A proposta de colaboração também menciona integrantes do PT da Bahia. De acordo com a coluna, Vorcaro relata supostos pagamentos que teriam ocorrido como contrapartida à operação do programa Credcesta pelo Banco Master no estado.

O Credcesta é um cartão de benefício consignado destinado a servidores públicos ativos e aposentados. O pagamento das faturas é descontado diretamente em folha.

O Banco Master operou o Credcesta na Bahia entre 2018 e 2022. Naquele período, o governo estadual era comandado por Rui Costa (PT), ex-ministro da Casa Civil.

Rui Costa já negou publicamente ter relação próxima com Daniel Vorcaro. O ministro afirmou que se encontrou com o banqueiro uma única vez, em agenda institucional, e defendeu o avanço das investigações sobre o Caso Master.

<><> PF e PGR analisam nova proposta

A nova versão da delação premiada foi entregue pela defesa de Vorcaro na semana passada à PF e à PGR. Os órgãos agora avaliam o conteúdo apresentado pelo banqueiro.

O material também cita supostos pagamentos ao senador Ciro Nogueira (PP-PI) e ao governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL).

Na nova proposta, Vorcaro passou a aderir às versões da PF e a tratar os benefícios que afirma ter concedido a Ciro e Castro como propina. Antes, o banqueiro sustentava que tais benesses estavam associadas a vínculos de amizade.

Cláudio Castro nega ter recebido propina e tem desafiado Vorcaro a provar o que afirma na delação. Ciro Nogueira também nega irregularidades.

•        Em proposta de delação, Vorcaro diz ter pago US$ 30 milhões a Alcolumbre

O escândalo envolvendo o Banco Master ganhou um novo capítulo com as recentes revelações atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro, preso há cerca de três meses e em negociação para firmar um acordo de delação premiada. Segundo a revista Veja, a proposta cita supostas relações entre o ex-controlador da instituição financeira e figuras de destaque da política nacional e do Judiciário.

A proposta de colaboração, porém, foi rejeitada pela Polícia Federal nesta quinta-feira (11). A justificativa foi de que o depoimento do ex-controlador do Banco Master não trouxe novidades à investigação nem indicou outros envolvidos nos crimes investigados.

<><> Acusação envolve Davi Alcolumbre

De acordo com a reportagem, um dos relatos apresentados pelo ex-banqueiro envolve o presidente do Congresso Nacional, senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Segundo Vorcaro, teria sido realizado um pagamento de 30 milhões de dólares ao parlamentar, o equivalente a cerca de R$ 155 milhões. O ex-controlador do Banco Master afirma que o valor teria sido depositado em uma conta no exterior em troca de apoio a interesses da instituição financeira.

A operação, ainda de acordo com o relato, teria sido intermediada por Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro. As alegações integram parte da proposta de colaboração apresentada às autoridades, mas ainda dependem de comprovação.

Alcolumbre nega qualquer participação em irregularidades relacionadas ao caso.

<><> Judiciário também aparece nos relatos

As declarações do ex-banqueiro não se limitam ao meio político. Segundo a Veja, Vorcaro também mencionou integrantes do Judiciário que teriam recebido pagamentos milionários ou atuado em favor dos interesses do Banco Master em momentos decisivos para a instituição.

Um dos relatos menciona um suposto pagamento de R$ 15 milhões efetuado por Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e apontado pelas investigações como operador financeiro de transações consideradas ilegais.

O ex-banqueiro também teria prometido detalhar a atuação de outro integrante do Judiciário que, segundo ele, atuou em defesa dos interesses do banco quando a instituição enfrentava risco de liquidação pelo Banco Central.

<><> Impasse sobre a delação premiada

As revelações surgiram em meio às negociações para um acordo de colaboração premiada com a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República. As duas primeiras propostas apresentadas pela defesa foram rejeitadas pelos investigadores, que consideraram as informações insuficientes ou sem elementos novos relevantes para o avanço das apurações.

Os advogados de Vorcaro sustentam, porém, que algumas denúncias teriam sido descartadas sem análise adequada e afirmam possuir provas para sustentar os relatos apresentados.

<><> STF acompanha o caso

Relator do processo no Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro André Mendonça não comentou especificamente as acusações. Segundo interlocutores ouvidos pela reportagem, o magistrado tem defendido que as investigações sejam conduzidas com "independência, imparcialidade e de forma não seletiva". A defesa de Vorcaro afirma ter levado ao Supremo questionamentos sobre a condução das negociações para a delação premiada.

Considerado um dos maiores escândalos financeiros do país, o caso Banco Master envolve um prejuízo estimado em mais de R$ 50 bilhões. As investigações já revelaram relações da instituição com diferentes agentes públicos e autoridades políticas, mas especialistas ressaltam que os relatos apresentados em acordos de colaboração precisam ser acompanhados de provas para produzir efeitos judiciais.

•        Alcolumbre é o Arthur Lira do Senado. Por Jeferson Miola

A relação dos presidentes da Câmara e do Senado com este terceiro governo Lula nunca foi estável; menos ainda de decência e honestidade política.

Nos dois primeiros anos do mandato, para contornar e neutralizar os efeitos das vilanias da presidência bolsonarista de Arthur Lira na Câmara, Lula procedeu de duas maneiras.

De um lado, aplacou a sanha extorsionária de Lira liberando emendas do orçamento e entregando cargos importantes, como a diretoria da CEF.

E, por outro lado, assentou a governabilidade numa aliança institucional sui generis entre Executivo, Suprema Corte e cúpula restrita do Senado, que atuou como o adulto do Congresso.

Eleito para a presidência do Senado em fevereiro de 2025, à primeira vista Davi Alcolumbre sinalizou com a manutenção dos compromissos com essa governabilidade precária, nos moldes do seu antecessor Rodrigo Pacheco.

O espírito chantagista e achacador do Alcolumbre foi provisoriamente aplacado com a entrega de diretorias de agências reguladoras, cargos em estatais e, claro, muita emenda orçamentária. Mesmo assim, para a tramitação de qualquer matéria legislativa do seu interesse, o governo sempre foi obrigado a pagar pedágio adicional para o rei do achaque.

Alcolumbre, no entanto, logo rompeu o pacto de governabilidade. Isso aconteceu ainda em dezembro, antes de completar seu primeiro ano na presidência. O marco — ou pretexto — da ruptura foi a indicação de Jorge Messias para a Suprema Corte.

A inflexão oposicionista de Alcolumbre ganhou contornos definitivos no primeiro trimestre deste ano, quando pesquisas indicaram piora da aprovação do governo e a consolidação da candidatura de Flávio Bolsonaro como a mais promissora do bloco anti-Lula. Alcolumbre raciocinou, então, que chegara o momento de pular para o barco da ultradireita.

O escândalo Master aprofundou a má-vontade do presidente do Senado com o governo, pois Alcolumbre é padrinho do presidente do instituto de previdência dos servidores públicos do Amapá, que aportou R$ 500 milhões em fundos fraudulentos do banqueiro mafioso. Ele nunca escondeu a insatisfação com a investigação técnica e independente da PF.

Alcolumbre passou a agir na presidência do Senado como Arthur Lira agia na presidência da Câmara. Ele impôs uma das mais impactantes derrotas a Lula com a rejeição de Messias para o STF e sinalizou disposição de acirrar o enfrentamento.

Aprovou as chamadas pautas-bomba, que se não forem revertidas pelo STF, poderão causar um rombo de quase R$ 300 bilhões para beneficiar em especial a base eleitoral do bolsonarismo, como é o caso da dívida de ruralistas e latifundiários.

Assim como Lira foi no seu tempo, ele é hoje o senhor absoluto das pautas e das estratégias da extrema direita no Congresso. Ele maneja o timing político do bolsonarismo, de quem é aliado para se proteger no escândalo Master e se reeleger à presidência do Senado em fevereiro de 2027.

Numa decisão relâmpago, engavetou o pedido de CPI do Master no mesmo momento em que o recebeu.

Na sessão de 3 de junho, não consumiu mais que dois minutos — isso mesmo: dois minutos — para aprovar Decreto Legislativo relatado pela senadora ultrabolsonarista Damares Alves revogando resolução do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente que disciplina o acesso digno de crianças à interrupção da gravidez decorrente de estupro. Um retrocesso reacionário em relação ao disposto no Código Penal de 1940.

Em contraste com a marcha supersônica na condução das pautas reacionárias e conservadoras dos bolsonaristas, ao receber a PEC que acaba com a escala 6×1 e reduz a jornada de trabalho, Alcolumbre retardou a tramitação com o argumento de que "uma proposta com essa relevância precisa ser debatida com serenidade" …

O laço orgânico de Alcolumbre com o porão fétido do bolsonarismo ficou patente no ato de 10/6 designando o senador corrupto Ciro Nogueira/PP, que recebia R$ 500 mil por mês de propina de Daniel Vorcaro, para representar o Senado no Fórum de Alto Nível da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável, em Nova Iorque, de 12 a 16 de julho.

Seria piada de mau gosto, mas é um escárnio explicável no contexto da aliança do Alcolumbre com o bolsonarismo contra Lula.

•        Aceitar acordo de delação com Vorcaro seria um tremendo absurdo. Por Jeferson Miola

O acordo de delação pretendido por Daniel Vorcaro tem, grosso modo, dois objetivos centrais: [1] preservar grande parte das dezenas de bilhões de reais roubados, e [2] proteger o braço político bolsonarista, de direita e ultradireita implicado com o esquema mafioso e/ou dele beneficiário.

Nas duas tentativas de acordo, o banqueiro ocultou praticamente tudo, e só entregou à PF e ao Ministério Público Federal/MPF as informações já publicadas pela imprensa, ou aquelas situações descobertas pela Operação Compliance Zero.

Ele só forneceu dados sobre sua “amizade de vida” com Ciro Nogueira, o presidente corrupto do PP, para quem pagava propina mensal de R$ 500 mil, depois que a 5ª fase da Compliance foi realizada; e ele somente assumiu o repasse de pelo menos R$ 61 milhões para o clã Bolsonaro após a repercussão da reportagem do site Intercept Brasil.

A PF apreendeu muitos equipamentos eletrônicos de Daniel Vorcaro –telefones celulares e computadores– que armazenam uma enormidade de provas sobre o esquema mafioso e seus tentáculos na mídia, no judiciário, no Congresso, na Faria Lima, no crime organizado, no Banco Central, na polícia e nos governos estaduais e municipais comandados por partidos de direita e extrema-direita.

Segundo divulgado, foi apurada apenas uma minúscula parte desse enorme acervo de provas dos crimes do Vorcaro.

Por isso, não faz absolutamente nenhum sentido a PF e o MPF aceitarem discutir qualquer acordo de delação sem antes examinarem a fundo e de modo exaustivo a totalidade do conteúdo apreendido.

E só então, à luz do que for encontrado após a análise dos dados, se deveria avaliar a eventual pertinência em se assinar um acordo, e desde que necessário para preencher lacunas essenciais para a investigação.

Caso contrário, não faz sentido orientar toda investigação criminal a partir do emolduramento que o próprio Vorcaro pretende dar na delação que tem como objetivo blindar comparsas e aliados políticos e recuperar o controle da fortuna entesourada secretamente em fundos financeiros mundo afora.

É escandaloso o mafioso ainda poder dispor de milhões de dinheiro roubado para pagar a peso de ouro as mais renomadas bancas de advogados do país para fazerem lobby pela delação e tentarem influenciar os tribunais.

Todas as fontes de bens e de dinheiro que continuam sendo usadas para financiar Vorcaro já deveriam ter sido sequestradas pela justiça, até o último centavo, para se recuperar o máximo possível do roubo bilionário de fundos de previdência de funcionários públicos municipais e estaduais e dos desfalques no BRB e no Fundo Garantidor de Crédito.

Sem nenhum prejuízo ao pleno direito de defesa, Vorcaro dispõe da assistência jurídica da Defensoria Pública para defendê-lo durante a investigação e para representá-lo em caso de eventual acordo de delação. Nesse teatro de absurdos que é a tentativa do mafioso bolsonarista de delimitar o quê e quem deve ser investigado, aceitar um acordo de delação com ele seria o absurdo dos absurdos.

 

Fonte: Brasil 247

 

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