Neoliberalismo
e gestão do trabalho no SUS
O
sofrimento psíquico dos trabalhadores da saúde não é acidente de percurso, mas
o modo de produção da gestão neoliberal no capitalismo periférico..
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Capitalismo dependente brasileiro
A
compreensão das transformações contemporâneas no trabalho em saúde exige
situá-las no interior da formação histórica do capitalismo brasileiro e de sua
inserção subordinada na divisão internacional do trabalho. O desenvolvimento
capitalista no Brasil não ocorreu de maneira autônoma ou “clássica”, como nos
países centrais da Europa Ocidental, onde a constituição do capitalismo esteve
associada a revoluções burguesas, consolidação de mercados internos
relativamente integrados e posterior universalização do trabalho assalariado.
No caso
brasileiro, o capitalismo se desenvolveu de maneira dependente, subordinada e
associada aos interesses do capital internacional, preservando elementos
arcaicos e violentos de exploração do trabalho mesmo em meio aos processos de
modernização econômica.
Em
Formação do Brasil contemporâneo, Caio Prado Júnior argumenta que o processo
colonial brasileiro foi organizado essencialmente para atender às necessidades
externas do mercado europeu. Segundo o autor, o “sentido da colonização”
brasileira não era constituir uma sociedade voltada para si própria, mas
integrar-se funcionalmente ao circuito internacional de acumulação mercantil. A
produção colonial – inicialmente açúcar, posteriormente ouro, café e outros
produtos primários – orientava-se prioritariamente para exportação,
subordinando o território e a população local às demandas do capital externo.
A
economia brasileira consolidou-se, assim, de maneira extrovertida, dependente e
socialmente desigual, estruturada sobre a concentração fundiária, o escravismo
e formas extremamente violentas de exploração do trabalho. Mesmo após a
abolição formal da escravidão e o avanço da industrialização, persistiram
mecanismos de exclusão social e precarização laboral que atravessam toda a
história republicana brasileira.
Já
Celso Furtado, em Formação econômica do Brasil, demonstra que o
subdesenvolvimento não deve ser compreendido como uma etapa “atrasada” rumo ao
desenvolvimento pleno, mas como resultado histórico da própria expansão
desigual do capitalismo mundial. Para Celso Furtado, as economias periféricas
foram incorporadas ao sistema internacional em posições subordinadas,
especializando-se na exportação de produtos primários e mantendo forte
dependência tecnológica, financeira e industrial em relação aos países centrais.
O
subdesenvolvimento, portanto, não representa ausência de capitalismo, mas uma
forma específica de desenvolvimento capitalista marcada pela dependência
estrutural. A industrialização brasileira do século XX, embora importante, não
rompeu essa lógica. Pelo contrário, consolidou uma modernização conservadora
baseada na associação subordinada entre burguesia nacional e capital
estrangeiro.
E é
justamente nesse terreno que a teoria marxista da dependência desenvolvida por
Ruy Mauro Marini ganha centralidade analítica. Em Dialética da dependência, Ruy
Mauro Marini argumenta que a dependência latino-americana não constitui uma
etapa transitória do desenvolvimento capitalista, mas uma forma estrutural e
permanente de inserção subordinada no capitalismo mundial.
Segundo
Ruy Mauro Marini, os países dependentes ocupam posição subordinada na divisão
internacional do trabalho, especializando-se historicamente em atividades de
menor valor agregado e transferindo continuamente valor para os países centrais
por meio do intercâmbio desigual. Em razão de sua menor capacidade tecnológica
e produtiva, as burguesias periféricas enfrentam dificuldades para competir em
igualdade com o capital monopolista internacional.
Diante
dessa limitação estrutural, a acumulação capitalista nos países dependentes
passa a apoiar-se fortemente na superexploração da força de trabalho, um
mecanismo pelo qual o capital se apropria de trabalho excedente para além dos
limites normais de reprodução da força de trabalho. Segundo Ruy Mauro Marini,
isso ocorre principalmente pelas vias da intensificação do trabalho; do
prolongamento da jornada laboral e da remuneração abaixo do valor necessário
para reprodução social do trabalhador.
A
formulação de Ruy Mauro Marini é particularmente importante porque rompe com
interpretações dualistas que separavam “setores modernos” e “setores atrasados”
da economia latino-americana. Para ele, a precariedade laboral não representa
resquício pré-capitalista, mas parte constitutiva do próprio capitalismo
dependente.
Em
outras palavras, a exploração extrema da força de trabalho não é uma anomalia
temporária do capitalismo brasileiro, ela constitui um mecanismo estrutural de
compensação da dependência econômica. A incapacidade de competir
tecnologicamente com o centro é compensada pela ampliação da exploração sobre
os trabalhadores.
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Neoliberalismo em perspectiva histórica
É nesse
terreno histórico – marcado pela dependência estrutural, pela superexploração
da força de trabalho e pela inserção subordinada da economia brasileira e
latino-americana no capitalismo mundial – que o neoliberalismo se insere e se
consolida. Mais do que um simples conjunto de políticas econômicas voltadas à
“eficiência” ou ao “equilíbrio fiscal”, o neoliberalismo deve ser compreendido
como um projeto político, econômico e ideológico de reorganização do
capitalismo diante da crise estrutural que atingiu o modelo fordista-keynesiano
nas décadas de 1970 e 1980.
A
chamada “Era de Ouro” do capitalismo do pós-guerra, sustentada pela expansão
industrial, pelo compromisso fordista entre capital e trabalho e pelas
políticas keynesianas de bem-estar social, começou a apresentar sinais de
esgotamento no final dos anos 1960. A queda das taxas de lucro, o aumento dos
custos trabalhistas, a desaceleração da produtividade industrial e as crises do
petróleo de 1973 e 1979 produziram um cenário de estagnação econômica combinado
à inflação – fenômeno conhecido como “estagflação”.
Segundo
David Harvey, em Breve história do neoliberalismo, o neoliberalismo emerge
precisamente como resposta das classes dominantes à crise de rentabilidade do
capital. Para Harvey: “O neoliberalismo é, em primeiro lugar, uma teoria das
práticas político-econômicas que propõe que o bem-estar humano pode ser melhor
promovido liberando-se as liberdades e capacidades empreendedoras individuais
no âmbito de uma estrutura institucional caracterizada por sólidos direitos de
propriedade privada, livres mercados e livre comércio”.
Entretanto,
David Harvey argumenta que, na prática, o neoliberalismo operou menos como
defesa abstrata da “liberdade” e mais como mecanismo de restauração do poder de
classe das elites econômicas. O desmonte de direitos trabalhistas, a
privatização de serviços públicos e a financeirização da economia constituíram
instrumentos para recompor as taxas de acumulação capitalista diante da crise
estrutural do fordismo.
Nesse
mesmo sentido, István Mészáros sustenta que a crise do capitalismo
contemporâneo não é meramente conjuntural, mas estrutural, atingindo os
próprios limites de reprodução do sistema do capital. Em Para além do capital,
por exemplo, István Mészáros afirma que o capital, diante de suas crises
recorrentes, busca expandir continuamente os mecanismos de mercantilização da
vida social, subordinando cada vez mais esferas da existência humana à lógica
da acumulação.
Por
isso, a ofensiva neoliberal deve ser entendida, portanto, como parte desse
movimento mais amplo de reorganização do capital em escala global. O objetivo
central consistia em restaurar a lucratividade mediante flexibilização das
relações de trabalho, redução do custo da força de trabalho, privatizações,
desregulamentações financeiras e enfraquecimento das organizações sindicais.
Do
ponto de vista ideológico, o neoliberalismo também representou uma profunda
transformação na concepção do Estado. Contrariamente ao discurso de “Estado
mínimo”, o neoliberalismo não eliminou o Estado, mas redefiniu suas funções. O
Estado neoliberal permanece forte para garantir os interesses do mercado,
assegurar a estabilidade monetária, proteger a propriedade privada e viabilizar
os processos de acumulação financeira. O que se reduz não é o Estado em si, mas
seu papel na garantia de direitos sociais universais.
Como
observa Pierre Dardot e Christian Laval em A nova razão do mundo, o
neoliberalismo ultrapassa o campo econômico e se transforma em uma
racionalidade política geral que reorganiza instituições, subjetividades e
formas de vida. Nas palavras dos autores: “O neoliberalismo antes de ser uma
ideologia ou uma política econômica é, em primeiro lugar e fundamentalmente,
uma racionalidade”.
E essa
racionalidade introduz a lógica concorrencial em todas as dimensões da vida
social. O indivíduo passa a ser concebido como “empresa de si mesmo”,
permanentemente submetido à lógica da performance, produtividade e competição.
O trabalhador deixa de ser entendido como sujeito de direitos coletivos e passa
a ser responsabilizado individualmente por seu sucesso ou fracasso.
As
primeiras experiências concretas do neoliberalismo ocorreram na América Latina,
particularmente no Chile sob a ditadura de Augusto Pinochet após o golpe
militar de 1973 contra o governo de Salvador Allende. O Chile tornou-se
verdadeiro laboratório das políticas neoliberais, implementadas de maneira
autoritária e violenta.
Sob
influência dos chamados “Chicago Boys” – economistas chilenos formados na
University of Chicago sob orientação de Milton Friedman e Friedrich Hayek – o
regime pinochetista promoveu ampla abertura econômica, privatizações massivas,
desregulamentação trabalhista e destruição das organizações sindicais.
Posteriormente,
o neoliberalismo consolidou-se nos países centrais através dos governos de
Ronald Reagan nos Estados Unidos e Margaret Thatcher no Reino Unido. Thatcher
tornou-se símbolo do ataque neoliberal ao movimento sindical britânico,
especialmente durante a greve dos mineiros de 1984-1985, enquanto Reagan
aprofundou desregulamentações financeiras e políticas de redução tributária
voltadas ao grande capital. Margaret Thatcher sintetizou de forma emblemática a
racionalidade neoliberal ao afirmar: “There is no such thing as society. There are individual men and women and there are families” (“Não existe
essa coisa chamada sociedade. Existem homens e mulheres individuais e existem
famílias”).
Nesse
contexto, organismos multilaterais como o Fundo Monetário Internacional e o
Banco Mundial passaram a impor programas de ajuste estrutural como condição
para renegociação das dívidas dos países periféricos. Esses programas incluíam
privatizações, cortes de gastos públicos, reformas previdenciárias,
flexibilização trabalhista, abertura comercial e redução do investimento
estatal em políticas sociais. O chamado Consenso de Washington, formulado no
final dos anos 1980, sintetizou essas diretrizes em um receituário universal de
políticas neoliberais voltadas aos países dependentes.
Na
América Latina, tais políticas produziram profundo agravamento das
desigualdades sociais, desindustrialização relativa, reprimarização econômica e
ampliação da precarização do trabalho. No Brasil, a agenda neoliberal ganha
força sobretudo a partir da década de 1990, durante os governos de Fernando
Collor de Mello e Fernando Henrique Cardoso. A abertura comercial acelerada, as
privatizações de empresas estratégicas e as reformas administrativas
reorganizaram profundamente o papel do Estado brasileiro.
É nesse
contexto também que emerge a chamada “Reforma do Estado”, formulada
especialmente a partir do Plano Diretor da Reforma do Aparelho do Estado,
conduzido por Luiz Carlos Bresser-Pereira em 1995. O discurso oficial defendia
a necessidade de tornar o Estado “mais eficiente”, “menos burocrático” e “mais
gerencial”.
Contudo,
essa reforma implicava uma redefinição estrutural das funções estatais. O
Estado deixaria progressivamente de atuar como executor direto de políticas
públicas para assumir papel de regulador, financiador e contratante de serviços
executados por agentes privados ou paraestatais.
Na
saúde, esse movimento abriu espaço para expansão das Organizações Sociais de
Saúde (OSS), fundações privadas, terceirizações e novas formas de privatização
indireta do SUS. A lógica empresarial passou a penetrar progressivamente na
gestão pública através da chamada Nova Gestão Pública (NGP), baseada em metas,
indicadores de desempenho, produtividade e racionalização gerencial.
Como
observa Ricardo Antunes, o neoliberalismo promove uma nova morfologia do
trabalho marcada pela flexibilização permanente, precarização estrutural e
intensificação produtiva. No setor da saúde, essas transformações produzem
impactos particularmente profundos, uma vez que subordinam progressivamente o
cuidado e os direitos sociais à racionalidade mercantil.
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Neoliberalismo no Brasil
No
Brasil, as transformações neoliberais aprofundaram-se de maneira
particularmente intensa após a crise política que culminou no impeachment da
presidenta Dilma Rousseff em 2016. Diversos autores críticos interpretam esse
processo não apenas como uma disputa institucional ordinária, mas como uma
ruptura político-institucional articulada entre frações do capital financeiro,
grandes grupos empresariais, setores do Judiciário, mídia corporativa e
Congresso Nacional.
Independentemente
das divergências interpretativas sobre o conceito de “golpe”, é inegável que o
período pós-2016 inaugura uma nova fase do neoliberalismo brasileiro, marcada
pela radicalização das políticas de austeridade fiscal, pelas contrarreformas trabalhista
e previdenciária e pela intensificação dos processos de privatização direta e
indireta das políticas públicas.
A
austeridade fiscal torna-se então eixo estruturante da política econômica
brasileira. Sob o argumento de necessidade de “equilibrar as contas públicas” e
restaurar a confiança do mercado financeiro, consolida-se um modelo de gestão
estatal profundamente subordinado aos interesses do capital rentista e do
sistema financeiro.
A
principal expressão institucional dessa agenda foi a aprovação da Emenda
Constitucional 95, promulgada em 2016 durante o governo de Michel Temer.
Conhecida como “PEC da morte” e “Teto de Gastos”, a EC 95 (hoje NAF)
estabeleceu o congelamento real dos investimentos públicos federais por vinte
anos, limitando o crescimento das despesas primárias à inflação do ano
anterior.
Na
prática, isso significou o congelamento relativo dos investimentos sociais
independentemente do crescimento populacional, do envelhecimento da população,
do aumento das demandas sanitárias ou das necessidades estruturais do país. A
EC 95 institucionalizou constitucionalmente a austeridade permanente, onde o
fundo público passa progressivamente a ser reorganizado prioritariamente em
função da garantia do pagamento da dívida pública, da estabilidade monetária e
da confiança dos mercados financeiros, enquanto políticas sociais sofrem
compressão orçamentária contínua.
Segundo
estudos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) e de pesquisadores
da saúde coletiva, a EC 95 produziu perdas bilionárias para o financiamento do
Sistema Único de Saúde. O subfinanciamento histórico do SUS – já estrutural
desde sua criação – foi dramaticamente aprofundado. Isso se traduz
concretamente em deterioração de infraestrutura, insuficiência de equipes,
redução de investimentos tecnológicos, escassez de insumos e ampliação da
precarização laboral.
Além
disso, a austeridade produziu efeitos particularmente perversos em um país
profundamente desigual como o Brasil. Em contextos de crise econômica,
desemprego e empobrecimento social, a demanda pelo SUS tende a aumentar
exatamente no momento em que os investimentos públicos são comprimidos.
A
pandemia de COVID-19, por exemplo, demonstrou dramaticamente as consequências
dessa política. Embora o SUS tenha demonstrado enorme capacidade de resposta e
importância estratégica nacional, a crise sanitária expôs também os efeitos
acumulados de décadas de subfinanciamento e austeridade. Hospitais
sobrecarregados, déficit de profissionais, colapso assistencial e esgotamento
extremo das equipes de saúde evidenciaram os limites estruturais impostos pela
lógica neoliberal.
Paralelamente
ao ajuste fiscal, o período pós-2016 foi marcado pela intensificação das
contrarreformas trabalhistas. A reforma trabalhista de 2017 flexibilizou
contratos, ampliou terceirizações, fragilizou sindicatos e expandiu modalidades
precárias de contratação. Como argumenta Ricardo Antunes, o neoliberalismo
contemporâneo produz uma “nova morfologia do trabalho”, marcada pela
flexibilização permanente, insegurança estrutural e intensificação produtiva.
No
setor da saúde, a expansão das Organizações Sociais de Saúde (OSS),
Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), fundações
privadas e demais formas de terceirizações, reconfigura profundamente as
relações de trabalho no interior do SUS. A disseminação de vínculos precários –
contratos temporários, terceirizações, pejotização e ausência de estabilidade –
produz permanente insegurança laboral entre os trabalhadores da saúde. A lógica
empresarial introduz mecanismos de gestão baseados em produtividade, metas e
desempenho quantitativo, reorganizando o trabalho em saúde segundo parâmetros
típicos do setor privado.
Os
trabalhadores tornam-se submetidos simultaneamente à pressão quantitativa por
metas e à insuficiência estrutural de recursos materiais e humanos. A
contradição torna-se evidente, pois exige-se produtividade crescente em
condições progressivamente deterioradas de trabalho.
Essa
dinâmica pode ser interpretada, à luz da teoria marxista da dependência, como
forma contemporânea de superexploração da força de trabalho. Jornadas duplas e
triplas, intensificação do ritmo laboral, baixos salários relativos, desgaste
físico e psíquico e instabilidade ocupacional configuram mecanismos permanentes
de ampliação da exploração.
Como
apontam pesquisadores da saúde do trabalhador, a pressão permanente por
produtividade, associada ao contato cotidiano com sofrimento social intenso,
violência, pobreza e morte, produz elevado desgaste mental entre profissionais
da saúde. Nesse contexto, observa-se crescimento significativo de quadros de
ansiedade, depressão, síndrome de burnout e afastamentos laborais por
adoecimento psíquico.
Além
disso, a lógica neoliberal tende a individualizar o sofrimento laboral. Em vez
de reconhecer as determinações estruturais da precarização, transfere-se ao
trabalhador a responsabilidade por “gerenciar” sua própria exaustão. Discursos
empresariais sobre resiliência, inteligência emocional e alta performance
frequentemente ocultam as condições materiais concretas que produzem o
adoecimento.
Assim,
o aprofundamento da austeridade fiscal, das privatizações e da precarização
laboral após 2016 não representa apenas uma mudança administrativa ou
econômica, trata-se também de uma reconfiguração estrutural do Estado
brasileiro e das relações de trabalho, marcada pela intensificação da
dependência, pela ampliação da superexploração da força de trabalho e pela
crescente mercantilização da saúde pública.
Fonte:
Por João Pedro Marques, em A Terra é Redonda

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