sábado, 13 de junho de 2026

Canetas emagrecedoras: 65% de pacientes param de usar por falta de dinheiro

Os medicamentos da classe GLP-1, conhecidos como "canetas emagrecedoras", consolidaram-se como uma das maiores transformações recentes na área da saúde, impactando o tratamento do diabetes tipo 2, da obesidade e doenças cardiometabólicas.

Porém, apesar dos benefícios clínicos reconhecidos pelos médicos, o alto custo ainda limita o acesso e a continuidade do tratamento para grande parte dos pacientes brasileiros.

É o que revela uma pesquisa nacional realizada pelo Instituto Ifepec, a pedido da Febrafar, com 1.067 médicos de diferentes especialidades e regiões do país. O levantamento, conduzido em maio de 2026, é considerado um dos maiores já realizados no Brasil sobre a percepção médica em relação aos medicamentos agonistas do receptor de GLP-1.

Os dados mostram que o preço atual torna o tratamento viável para apenas 28% dos pacientes considerados aptos ao uso dessas terapias. Além disso, 65% dos pacientes acabam abandonando o tratamento ou não conseguem manter a orientação indicada por limitações financeiras.

Por outro lado, os médicos acreditam que uma redução de aproximadamente 35% nos preços poderia elevar a viabilidade do tratamento para cerca de 45% dos pacientes, ampliando significativamente o acesso.

Segundo Edison Tamascia, presidente da Febrafar, os resultados demonstram que o principal desafio para a expansão dessa classe terapêutica não está na aceitação médica, mas sim na capacidade financeira da população.

"Os médicos reconhecem os benefícios dos medicamentos GLP-1 e observam resultados importantes na saúde dos pacientes. O grande obstáculo hoje é o custo do tratamento. Quando analisamos que 65% dos pacientes abandonam a terapia por questões financeiras, fica evidente a necessidade de ampliar o acesso por meio de maior concorrência e da chegada de novas opções ao mercado", afirma.

A Febrafar (Federação Brasileira das Redes Associativistas e Independentes de Farmácias) reúne 74 redes associativistas e representa mais de 19 mil lojas em todo o Brasil.

<><> Uso irregular preocupa médicos e reforça papel do farmacêutico

A pesquisa também identificou um fenômeno que vem preocupando os profissionais de saúde. Em média, 7% dos pacientes relatam já ter utilizado medicamentos GLP-1 sem prescrição médica antes da primeira consulta.

O dado acende um alerta para a comercialização irregular desses produtos e reforça a importância de combater canais clandestinos de venda, que colocam em risco a saúde dos pacientes ao oferecer medicamentos sem a devida orientação profissional e sem o cumprimento das exigências sanitárias.

Para Tamascia, as farmácias legalmente estabelecidas cumprem rigorosamente a legislação e têm papel fundamental na promoção do uso racional dos medicamentos. "O combate à comercialização irregular desses medicamentos é fundamental para proteger a saúde da população. O lugar desses tratamentos é dentro do canal farmacêutico regular, com dispensação responsável e acompanhamento profissional", afirma.

Segundo o executivo, além de garantir o cumprimento das normas sanitárias, o farmacêutico exerce uma função estratégica na orientação dos pacientes sobre armazenamento, aplicação, uso correto e importância do acompanhamento médico durante todo o tratamento.

<><> Biossimilares e similares podem transformar o mercado

Outro destaque da pesquisa é o elevado grau de expectativa dos médicos em relação à chegada de biossimilares, genéricos e similares de GLP-1, impulsionada pelo vencimento de patentes e pela perspectiva de ampliação da concorrência no setor.

Os resultados indicam que a maioria dos profissionais pretende incorporar essas novas alternativas à prática clínica, desde que apresentem comprovação de qualidade, segurança e eficácia.

Edison Tamascia afirma que a ampliação da oferta tende a representar um marco para o mercado farmacêutico brasileiro. "A expectativa é que a entrada de novos concorrentes contribua para ampliar a concorrência e reduzir gradualmente os preços praticados atualmente. Embora os medicamentos genéricos ainda não devam chegar ao mercado no curto prazo, o aumento da oferta tende a favorecer o acesso e melhorar os índices de adesão ao tratamento".

<><> Benefícios vão além da perda de peso

Os médicos entrevistados destacaram que os benefícios dos medicamentos GLP-1 vão muito além do emagrecimento. Entre os principais ganhos observados estão o controle glicêmico em pacientes com diabetes tipo 2, a redução da compulsão alimentar, a perda de peso significativa, além da proteção cardiovascular, renal e hepática.

Também foram relatadas melhorias em comorbidades associadas à obesidade, como apneia do sono, dores articulares, hipertensão e alterações metabólicas.

Entre os efeitos adversos mais frequentemente relatados pelos médicos estão náuseas, constipação, vômitos, diarreia, azia, dores de cabeça, fadiga, tontura e, em alguns casos, perda de massa muscular e alterações estéticas decorrentes da rápida perda de peso.

Para a Febrafar, os resultados indicam que o mercado brasileiro de GLP-1 ainda possui amplo potencial de crescimento, mas que sua expansão sustentável dependerá da combinação entre acesso econômico, orientação profissional e uso responsável.

"A pesquisa mostra que existe um ambiente muito favorável para o crescimento dessa categoria no Brasil. No entanto, esse avanço precisa ocorrer com responsabilidade, acompanhamento médico, atuação ativa dos farmacêuticos e foco na segurança do paciente. O desafio agora é transformar uma terapia altamente eficaz em uma solução acessível para um número cada vez maior de brasileiros", conclui Tamascia.

•        Tratamento em casal pode aumentar efeito de caneta emagrecedora? Entenda

A máxima "quem ama cuida" parece ter encontrado respaldo em dados. Uma pesquisa realizada pela healthtech TM&TL revela que 78% dos seus usuários buscam canetas emagrecedoras para tratamento junto com o parceiro.

O tratamento com análogos de GLP-1 tem deixado de ser uma jornada individual para se tornar uma rotina compartilhada entre casais. Em 2026, a busca por tratamentos em dupla cresceu 77%, segundo a nutróloga Lissa Horiguchi.

O fenômeno reflete a busca por maior adesão e resultados consistentes na perda de peso.

<><> O impacto do suporte social

De acordo com especialistas, o apoio mútuo é um dos pilares para a manutenção do peso a longo prazo, pois transforma o ambiente domiciliar em um ecossistema de suporte, reduzindo a ansiedade e o estresse.

"A rotina domiciliar é o principal preditor de sucesso a longo prazo. Enquanto um parceiro que sabota mesmo sem intenção é um fator de risco para o reganho de peso, um parceiro que apoia é um fator protetivo para o emagrecimento sustentável", explica a Dra. Lissa Horiguch

O convívio facilita a substituição de gatilhos emocionais por hábitos saudáveis, como a prática de exercícios em conjunto.

<><> Sustentabilidade dos resultados

A sinergia do casal mostra-se vital especialmente no encerramento do uso das medicações. A construção de novos hábitos em dupla ajuda a combater a tendência biológica de recuperar o peso antigo.

"Pacientes que iniciam sozinhos tentam mudar dentro de um ambiente que continua igual, o que gera um obstáculo enorme. Já quando o casal faz o tratamento em con-junto, o reforço positivo acontece em casa, no mercado e na rotina. O ambiente molda o comportamento, e na manutenção do peso a longo prazo, cada um acaba sendo o maior suporte do outro", completa a Dra. Lissa.

Como explica a Dra. Lissa Horiguchi, sistemas de apoio compartilhados sustentam o resultado de forma mais eficiente do que a disciplina isolada, funcionando como um fator protetivo para o emagrecimento sustentável.

 

Fonte: CNN Brasil

 

 

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