Dark
Horse: filme de Bolsonaro entra na mira da PF por elo com Master e lavagem de
dinheiro do PCC
Polícia
Federal investiga transações financeiras realizadas pelo ex-banqueiro Daniel
Vorcaro, por meio da empresa Entre Investimentos e Participações, para o
suposto financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair
Bolsonaro (PL).
Segundo
as apurações, cerca de R$ 61 milhões teriam sido repassados, a pedido do
senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), para o fundo de investimentos Havengate, nos
Estados Unidos, administrado pelo advogado Paulo Calixto, que atua para o
ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP).
A
avaliação preliminar da PF é que o episódio pode configurar crime de evasão de
divisas. A mesma empresa intermediária dos repasses ao filme também movimentou
R$ 20 milhões com o FIDC Gold Style, fundo administrado pela Reag Trust que é
investigado por receber R$ 1 bilhão de empresas identificadas como parte do
esquema de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC).
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As investigações sobre o financiamento do filme ‘Dark Horse’
A
Polícia Federal analisa as transações feitas por Daniel Vorcaro, ex-dono do
Banco Master, por meio da empresa Entre Investimentos e Participações Ltda.,
para supostamente financiar o Dark Horse. O montante sob investigação chega a
R$ 61 milhões, que teriam sido repassados, a pedido do senador Flávio Bolsonaro
(PL-RJ), para o fundo de investimentos nos Estados Unidos ligado a Paulo
Calixto, advogado que atua para o ex-deputado Eduardo Bolsonaro. A avaliação
preliminar da corporação é que o episódio pode configurar crime de evasão de
divisas, mas os investigadores avaliam que o caso precisa ser mais bem apurado
antes de qualquer conclusão definitiva.
Os
documentos que embasam as suspeitas incluem um comprovante de transferência
internacional SWIFT, datado de 13 de fevereiro de 2025, que indicaria uma
remessa de US$ 2 milhões para o Havengate Development Fund LP, controlado por
Paulo Calixto.
Segundo
o The Intercept Brasil, que divulgou os registros bancários e uma planilha
denominada Funding Schedule, o documento detalha um cronograma de financiamento
de quase US$ 24 milhões para o projeto, com 14 desembolsos previstos entre
janeiro de 2025 e janeiro de 2026. Ao final do período, o fundo teria recebido
US$ 10,6 milhões. A operação teria sido processada pelo Banco BS2 e destinada a
uma conta vinculada ao JPMorgan Chase Bank, nos Estados Unidos, configurando
uma rota financeira internacional que envolve o Banco Master e empresas
associadas.
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As conexões com o FIDC Gold Style e o PCC
A
empresa Entre Investimentos e Participações, apontada como intermediária no
financiamento do Dark Horse, não aparece apenas nessa investigação. Segundo
apuração da Folha de S.Paulo, de Vinicius Sassine e Thaísa Oliveira, o FIDC
Gold Style, administrado pela Reag Trust e investigado por receber R$ 1 bilhão
de empresas ligadas ao esquema de lavagem de dinheiro do PCC, também registrou
transações de R$ 20 milhões com a mesma empresa usada por Vorcaro para os
repasses ao filme.
A
coincidência de atores coloca a Entre Investimentos no centro de duas frentes
investigativas distintas, conectadas por uma estrutura financeira que, segundo
o Coaf, foi desenhada para dificultar o rastreamento de recursos.
O FIDC
Gold Style foi constituído em abril de 2020 com aporte inicial de R$ 480,1
milhões. Em maio de 2024, seu patrimônio líquido havia saltado para R$ 1,84
bilhão, conforme dados públicos da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). O
fundo é administrado, gerido, custodiado e distribuído integralmente pela Reag
Trust, estrutura que, segundo investigadores, dificulta a identificação dos
beneficiários finais.
Relatórios
do Coaf descrevem que as operações ligadas ao Gold Style serviram para “ocultar
beneficiários, dificultar a identificação de pessoas envolvidas e atrapalhar o
rastreamento”, com o uso de “camadas complexas”. Entre as empresas que
alimentaram o fundo estão a Aster Petróleo, com repasses de R$ 759,5 milhões, a
BK Bank, com R$ 158 milhões, e a Inovanti Instituição de Pagamento, com R$ 175
milhões, todas investigadas na Operação Carbono Oculto e identificadas pela PF
como parte do esquema de lavagem do PCC. As transações cobrem o período entre
2023 e 2025.
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A atuação de parlamentares e o contexto das investigações da PF
Em 11
de junho de 2026, os deputados Pedro Uczai (PT-SC), Pedro Campos (PSB-PE),
Jandira Feghali (PCdoB-RJ) e André Janones (Rede-MG) encaminharam ao Partido
Democrata dos Estados Unidos uma “Petição de Juntada de Fatos Novos”, com
documentos que reforçam as suspeitas sobre o financiamento do Dark Horse.
O
material se baseia na reportagem do The Intercept Brasil publicada dois dias
antes, que divulgou a planilha Funding Schedule e o comprovante SWIFT. Os
parlamentares já haviam estado nos Estados Unidos na semana anterior para
apresentar denúncias a autoridades e congressistas democratas, argumentando que
há fortes indícios de que parte dos recursos destinados ao filme foi
transferida para um fundo sediado no Texas e administrado por Eduardo
Bolsonaro. A iniciativa evidencia que as suspeitas de evasão de divisas e
lavagem de dinheiro transcendem as fronteiras nacionais e passaram a mobilizar
atores políticos em dois países.
No
Brasil, a PF avalia que as investigações envolvendo Vorcaro não chegaram nem à
metade e pretende acelerar as apurações antes do período eleitoral, para evitar
questionamentos e críticas semelhantes aos que marcaram a Operação Lava-Jato,
quando delações foram tornadas públicas às vésperas de eleições. A corporação
se debruça sobre o vasto material apreendido e periciado para mapear a rede de
empresas e fundos utilizados por Vorcaro e seus auxiliares.
A
Operação Compliance Zero, que já completou oito fases, alcançou políticos como
o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e o ex-governador do Rio Cláudio Castro (PL), e
a expectativa é de que a lista de investigados seja ampliada em breve. Quanto à
colaboração premiada, a PF avalia que a segunda proposta apresentada por
Vorcaro não traz fatos novos e deve rejeitar o acordo, por considerar que as
informações não permitem avançar em novas frentes de investigação.
• Fundo da Reag ligado ao PCC fez
transações com empresa usada por Vorcaro para enviar dólares ao filme de
Bolsonaro
Fundo
de Investimento em Direito Creditório (FIDC) Gold Style, administrado pela Reag
Trust e investigado por receber R$ 1 bilhão de empresas ligadas ao esquema de
lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC), também realizou
transações de R$ 20 milhões com a Entre Investimentos e Participações, empresa
que foi utilizada por Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, para repassar
recursos à produção do filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Os
dados constam em relatórios de inteligência financeira do Coaf enviados à CPI
do Crime Organizado no Senado e foram apurados com base em comunicados
bancários que apontam operações com “camadas complexas” para ocultar
beneficiários e dificultar o rastreamento dos recursos. As informações foram
divulgadas nesta sexta-feira (11) por Vinicius Sassine e Thaísa Oliveira na
Folha de S.Paulo.
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O Fundo Gold Style e suas conexões suspeitas
O FIDC
Gold Style foi constituído em abril de 2020 com um aporte inicial de R$ 480,1
milhões. Em maio de 2024, seu patrimônio líquido havia saltado para R$ 1,84
bilhão, conforme informações públicas da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
O fundo é administrado, gerido, custodiado e distribuído integralmente pela
Reag Trust, gestora que concentra todas as funções operacionais do veículo. Não
é possível identificar quem são os donos e beneficiários finais do fundo,
lacuna que, segundo investigadores, foi amplamente explorada pela Reag e pelo
Banco Master para fraudes e expansão artificial de ativos.
Os
comunicados bancários enviados ao Coaf apontam que o Gold Style recebeu R$ 1
bilhão de empresas identificadas pela Polícia Federal como integrantes do
esquema de lavagem de dinheiro do PCC. Entre elas estão a Aster Petróleo, com
repasses de R$ 759,5 milhões; a BK Bank, com R$ 158 milhões; e a Inovanti
Instituição de Pagamento, com R$ 175 milhões. Todas são investigadas na
Operação Carbono Oculto. As transações cobrem o período entre 2023 e 2025 e
foram compartilhadas com a CPI do Crime Organizado no Senado.
O mesmo
fundo que recebeu esses recursos também registrou transações de R$ 20 milhões
com a Entre Investimentos e Participações, empresa apontada como intermediária
no financiamento do filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Relatórios do Coaf descrevem que as operações ligadas ao Gold Style serviram
para “ocultar beneficiários, dificultar a identificação de pessoas envolvidas e
atrapalhar o rastreamento”, com o uso de “camadas complexas”. A Reag, quando
procurada pela reportagem da Folha de S.Paulo, disse que não comentaria o
assunto.
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A teia do PCC: lavagem de dinheiro e o sistema financeiro
A Aster
Petróleo é apontada como peça central em um esquema de fraudes e sonegação no
setor de combustíveis que operou em oito estados brasileiros. A distribuidora
era usada como engrenagem de lavagem de dinheiro e evasão fiscal em larga
escala, com o Banco do Brasil comunicando ao Coaf, em agosto de 2024, os
repasses de R$ 759,5 milhões da empresa ao Gold Style, antes mesmo da
deflagração da Operação Carbono Oculto.
A BK
Bank, fintech que repassou R$ 158 milhões ao fundo, é uma das principais
investigadas na operação. De acordo com apurações da Polícia Federal, da
Receita Federal e do Ministério Público de São Paulo, a instituição atuou para
a facção criminosa por meio de contas-bolsão em bancos que concentravam
depósitos de clientes diversos, dificultando o rastreamento das transações. A
estrutura oferecia às empresas de fachada controladas pelo grupo a aparência de
operações financeiras regulares. A Inovanti Instituição de Pagamento, por sua
vez, movimentou mais de R$ 778 milhões de pessoas físicas e jurídicas
investigadas pela Operação Carbono Oculto, segundo comunicados bancários ao
Coaf .
Como a
Fórum já noticiou, a Operação Carbono Oculto investiga justamente a infiltração
do PCC no mercado financeiro, com o uso do sistema para dar aparência lícita a
recursos de origem ilegal. Investigadores suspeitam que a facção utilizou a
estrutura de fundos da Reag, incluindo o Gold Style, para lavar dinheiro por
meio de um mecanismo com único cotista, artifício que dificulta ainda mais a
identificação dos beneficiários finais e torna o rastreamento dos recursos
praticamente inviável sem acesso a documentos sigilosos.
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O filme Dark Horse e os repasses sob investigação
A
conexão entre o Gold Style e o universo político bolsonarista passa pela Entre
Investimentos e Participações. A empresa, que transacionou R$ 20 milhões com o
fundo, teria sido utilizada por Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, para
repassar dinheiro à produção de Dark Horse, documentário sobre o ex-presidente
Jair Bolsonaro. O filme conta com a participação direta do ex-deputado federal
Eduardo Bolsonaro e do senador Flávio Bolsonaro, que cobrou Vorcaro para
garantir repasses ao filme no valor de R$ 134 milhões.
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O papel da Reag e o escândalo do Banco Master
A Reag
Trust não é uma coadjuvante nas investigações: é o centro operacional de toda a
estrutura do Gold Style e figura em duas operações policiais de grande porte. A
gestora foi alvo da Operação Compliance Zero, a mesma que apura fraudes no
âmbito do Banco Master e que levou Daniel Vorcaro de volta à prisão em 4 de
março. A suspeita dos investigadores é que a Reag atuou na estruturação e
administração de uma “ciranda” de fundos suspeitos de movimentar recursos de
forma atípica, inflar resultados e ocultar riscos, com indícios de fraude e
lavagem de dinheiro. O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da
Reag Investimentos em janeiro, dois meses após solvência do Banco Master.
A Reag
também foi alvo da Operação Carbono Oculto, que investiga o esquema bilionário
de fraudes e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis atribuído a
integrantes do PCC. A dupla exposição da gestora, em operações que investigam
tanto fraudes no mercado de capitais quanto lavagem de dinheiro do crime
organizado, coloca a Reag no centro de uma teia que conecta o sistema
financeiro regulado a práticas ilícitas de grande escala. O fundo Gold Style,
com ativo de R$ 2 bilhões segundo dados da CVM, permanecia “em funcionamento
normal” conforme os registros públicos mais recentes.
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Implicações e desdobramentos das investigações
As
revelações sobre o Gold Style aprofundam um quadro que a Fórum tem acompanhado:
a relação entre a Faria Lima e o crime organizado, agravada pelo escândalo do
Banco Master. A complexidade das estruturas de fundos como o Gold Style, com
beneficiários ocultos e camadas sucessivas de transações, levanta questões
concretas sobre a eficácia da fiscalização exercida pelo Banco Central e pela
CVM. O mecanismo do fundo com único cotista, em especial, é um ponto cego
regulatório que as investigações em curso colocam em evidência.
A CPI
do Crime Organizado no Senado já recebeu os dados do Coaf sobre as
movimentações do Gold Style, o que indica que as apurações parlamentares devem
avançar sobre essas conexões. A chegada desse material à comissão abre espaço
para convocações, requerimentos de documentos e eventuais encaminhamentos ao
Ministério Público Federal, ampliando o alcance político e judicial do caso.
A
convergência entre lavagem de dinheiro do PCC e o financiamento de um filme com
participação direta de filhos do ex-presidente Bolsonaro, mediada por um fundo
administrado por uma gestora já liquidada pelo Banco Central, é um nó que as
investigações ainda estão desatando. A liquidação da Reag e do Banco Master,
somada às duas operações policiais em curso, sinaliza que o período de maior
escrutínio sobre fundos de investimento e gestoras no Brasil está apenas
começando. O que os documentos do Coaf já mostram é suficiente para colocar em
xeque a narrativa de que essas estruturas operam à margem do crime organizado
por mero descuido regulatório.
Fonte:
Fórum

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