Homens
respondem por metade dos casos de infertilidade
A
dificuldade para engravidar ainda costuma ser associada, de forma equivocada,
exclusivamente à mulher. No entanto, os homens participam de aproximadamente
metade dos casos de infertilidade entre casais. Neste Mês Mundial da
Conscientização sobre a Infertilidade, especialistas alertam para a importância
do diagnóstico precoce e da busca por tratamento adequado, especialmente porque
muitas das causas da infertilidade masculina podem ser tratadas.
Dados
da Organização Mundial da Saúde (OMS) revelam que cerca de 17,5% da população
adulta mundial — aproximadamente uma em cada seis pessoas — enfrentará
infertilidade em algum momento da vida. No Brasil, estudos apontam que os
fatores masculinos são responsáveis isoladamente por cerca de 20% a 30% dos
casos e contribuem para outros 20% a 30%, totalizando participação em
aproximadamente metade das situações de infertilidade conjugal.
Para o
urologista Felipe Pinho, especialista em infertilidade masculina e coordenador
do Núcleo de Infertilidade Masculina do Hospital Mater Dei Salvador, ainda
existe uma resistência cultural que atrasa a investigação masculina. “Durante
muito tempo, a infertilidade foi vista como uma questão feminina. Isso fez com
que muitos homens deixassem de procurar avaliação médica, atrasando
diagnósticos e tratamentos que poderiam aumentar significativamente as chances
de gravidez. Hoje sabemos que o homem deve ser investigado desde o início,
juntamente com a parceira”, afirma.
<><>
Principais causas
- A
infertilidade é definida como a ausência de gravidez após 12 meses de relações
sexuais regulares sem uso de contraceptivos. Entre as principais causas
masculinas está a varicocele, caracterizada pela dilatação das veias dos
testículos e considerada a principal causa tratável de infertilidade masculina.
A condição pode prejudicar a produção e a qualidade dos espermatozoides ao
alterar o ambiente testicular. “A varicocele é uma das alterações mais
frequentes que encontramos. Quando bem indicada, a cirurgia pode melhorar os
parâmetros seminais e aumentar as chances de gravidez”, explica Felipe Pinho.
Outras
causas incluem alterações hormonais, fatores genéticos, infecções, obstruções
dos canais seminais, uso de anabolizantes, obesidade, tabagismo, consumo
excessivo de álcool e exposição a substâncias químicas. “Muitos desses fatores
estão relacionados ao estilo de vida e podem ser modificados. Por isso, além
dos tratamentos médicos e cirúrgicos, a adoção de hábitos saudáveis desempenha
um papel importante na preservação da fertilidade masculina e na melhora da
qualidade dos espermatozoides”, destaca o especialista.
<><>
Diagnóstico e tratamento
- A
investigação começa com avaliação clínica e exame físico. O principal exame é o
espermograma, que analisa quantidade, mobilidade e morfologia dos
espermatozoides. Dependendo do caso, podem ser solicitados exames hormonais,
ultrassonografia e testes genéticos. “O ideal é que homem e mulher sejam
avaliados simultaneamente. Isso reduz o tempo até o diagnóstico e permite
definir mais rapidamente a melhor estratégia para o casal”, ressalta o
especialista.
O
tratamento depende da causa identificada. Além da cirurgia para correção da
varicocele e de tratamentos medicamentosos para alterações hormonais, os
avanços da reprodução assistida ampliaram as possibilidades para os casais.
Técnicas como inseminação intrauterina e fertilização in vitro (FIV) permitem
alcançar a gravidez mesmo em situações mais complexas.
<><>
Alerta na Bahia
-
Embora não existam estatísticas específicas para a Bahia, especialistas
observam aumento da procura por atendimento relacionado à infertilidade
masculina, impulsionado pelo adiamento da paternidade e pela maior
conscientização sobre saúde reprodutiva.
Segundo
Felipe Pinho, a principal mensagem da campanha de junho é que infertilidade não
significa impossibilidade de ter filhos. “Para a maioria dos casos existe
tratamento. E mesmo quando a gestação natural não é possível, a medicina
reprodutiva oferece alternativas seguras e eficazes. O mais importante é
procurar ajuda especializada precocemente.”
A
orientação dos especialistas é clara: diante da dificuldade para engravidar, o
homem também deve ser investigado. Quanto mais cedo a causa é identificada,
maiores são as chances de sucesso no tratamento e de realização do projeto de
paternidade.
Fonte:
Carla Santana - assessora de imprensa

Nenhum comentário:
Postar um comentário