Escândalo
com Vorcaro afasta eleitores de Flávio Bolsonaro
As
revelações envolvendo a relação entre o senador e pré-candidato à Presidência
Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro provocaram desgaste junto
ao eleitorado independente e comprometeram uma das principais apostas da
estratégia política do parlamentar para a corrida presidencial de 2026. É o que
apontam pesquisas qualitativas realizadas pela Genial/Quaest e obtidas com
exclusividade pelo jornal O Estado de S. Paulo.
Segundo
os levantamentos, embora o episódio não tenha alterado a dinâmica de
polarização que tende a marcar a disputa presidencial, ele afetou diretamente a
percepção de credibilidade de Flávio Bolsonaro entre eleitores que não se
identificam nem com o lulismo nem com o bolsonarismo. Esse segmento é
considerado decisivo por especialistas em opinião pública por seu potencial de
definir os rumos da eleição.
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A
pesquisa acompanhou, desde agosto do ano passado, um grupo fixo de 20 eleitores
independentes. Além disso, foram realizados cinco grupos focais em diferentes
regiões do País com participantes do mesmo perfil. Os resultados convergiram
para uma mesma conclusão: as informações sobre o financiamento do filme Dark
Horse por Daniel Vorcaro afastaram parte dos eleitores que vinham demonstrando
aproximação com Flávio Bolsonaro.
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Eleitores voltam a demonstrar indecisão
De
acordo com os estudos, alguns entrevistados que cogitavam votar no senador como
alternativa para impedir uma vitória do PT passaram a se declarar indecisos.
Outros retomaram a preferência por Luiz Inácio Lula da Silva, ainda que
mantenham críticas ao governo federal e ao próprio presidente.
Entre
os participantes dos grupos qualitativos, o conteúdo do áudio em que Flávio
Bolsonaro cobra pagamentos milionários de Vorcaro foi recebido com forte
reprovação. Para muitos, o episódio comprometeu a imagem de renovação política
que o senador buscava consolidar.
“(O
áudio) foi uma bomba para mim. Só comprova que a gente precisa pensar muito
antes de votar”, afirmou um eleitor independente da região Sudeste ouvido na
pesquisa.
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Perda da imagem de alternativa moderada
Outro
entrevistado, morador de Santa Catarina, relatou que pretendia votar em Flávio
Bolsonaro, mas reconsiderou sua posição após a divulgação do caso.
“No
Brasil, a gente se surpreende a cada dia e tem cada vez menos certeza do que
vai decidir. Quando acha que vai para um lado, surge uma notícia. A princípio
eu ia votar no Flávio, mas, depois desse áudio vazado, a gente não tem mais em
quem acreditar”, declarou.
O mesmo
participante acrescentou que considera difícil acreditar que não exista alguma
motivação adicional por trás da relação entre o senador e o banqueiro. “Não tem
como defender (o Flávio)”, afirmou.
Segundo
a análise da Quaest, o episódio atingiu atributos considerados fundamentais
para a construção da imagem eleitoral do parlamentar, especialmente entre os
independentes. A percepção de que Flávio representaria uma alternativa
moderada, renovadora e antissistema perdeu força após a divulgação das
informações.
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Desconfiança sobre explicações dadas pelo senador
Os
participantes dos grupos focais também demonstraram incômodo com a forma como o
senador reagiu ao caso. Muitos citaram o fato de ele ter negado inicialmente
sua relação com Daniel Vorcaro.
“Por
que não falou logo sobre a relação com o Vorcaro? Então estava mentindo...”,
questionou um dos entrevistados.
Uma
eleitora do Paraná afirmou que o episódio prejudicou a imagem do parlamentar.
“Ele já sabia que isso podia acontecer. Sabia que não estava imune.”
A
visita feita por Flávio Bolsonaro ao banqueiro durante o período de prisão
domiciliar também gerou questionamentos entre os participantes da pesquisa.
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Visita ao banqueiro gera novas críticas
“Você
não vai visitar alguém preso se não for uma pessoa próxima ou se não tiver
algum negócio sólido com ela. Impacta no meu voto, sim. É mais um motivo para
eu não votar nele”, declarou uma eleitora de Porto Alegre.
Para
Luciana Andrade, coordenadora de pesquisas qualitativas da Quaest, a frustração
foi particularmente intensa entre os eleitores que enxergavam no senador uma
possibilidade de renovação política.
“Parte
desse eleitor que depositou em Flávio uma esperança de renovação na política,
de rompimento com práticas do que eles denominam como a velha política, ficou
muito frustrada ao ouvir o áudio”, afirmou.
A
pesquisadora acrescentou que o episódio alterou a forma como esse grupo compara
os principais candidatos da disputa. “O episódio fez com que, para esse eleitor
independente, o Flávio Bolsonaro perdesse o discurso de combate à corrupção e
se igualasse a Lula nesse quesito. Com isso, o eleitor independente passou, em
vez de olhar para a corrupção como algo que diferencia, a comparar as entregas
e as propostas de cada candidato.”
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Medidas do governo ajudam Lula
A
reaproximação de parte dos independentes com Lula não ocorreu apenas em razão
do desgaste enfrentado por Flávio Bolsonaro. Segundo a pesquisa, algumas
iniciativas recentes do governo federal tiveram repercussão positiva entre esse
segmento.
Entre
elas está o programa Desenrola 2.0, visto por muitos participantes como uma
oportunidade para renegociar dívidas e recuperar o acesso ao crédito. Apesar
disso, alguns entrevistados argumentaram que a medida busca corrigir problemas
econômicos que atribuem ao próprio governo.
A
proposta de redução da jornada de trabalho com o fim da escala 6x1 também
recebeu apoio expressivo entre os participantes dos grupos focais.
“A
briga está feia sobre a redução da escala 6x1. Eu estava vendo uma entrevista
do Flávio Bolsonaro, que eu acho que ele é contra isso, falando que vai ter
desemprego. Eu acho que vai dar é mais emprego porque vai abrir mais vaga. Acho
que é porque ele nunca trabalhou de CLT, então não sabe como é a vida do
trabalhador”, afirmou um eleitor do Amazonas.
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Escala 6x1 tem forte apelo entre independentes
Outro
participante, do Rio Grande do Sul, associou diretamente o desgaste eleitoral
do senador ao caso Vorcaro e ao debate sobre a jornada de trabalho.
“Eu
acho que ele se queimou com o negócio da pauta da redução da escala 6x1 e com o
financiamento do filme. Ele estava indo bem, mas agora ele deu uma rateada e
deu liberdade para o Lula passar ele.”
Segundo
Luciana Andrade, a defesa da redução da jornada semanal tem se mostrado
especialmente atraente para eleitores independentes, influenciando inclusive
mudanças de posicionamento político observadas durante o acompanhamento do
grupo fixo realizado pela Quaest.
“O que
a gente vê é uma avaliação mais pragmática desse eleitor, que busca soluções
não apenas para o bolso, mas para a qualidade de vida. Uma participante que
pretendia votar em Flávio no segundo turno por uma questão de renovação e
mudança passou a apoiar Lula por acreditar que ele será capaz de levar adiante
a redução da jornada.”
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Eleitores mantêm críticas ao governo Lula
O
encontro entre Lula e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também
teve repercussão positiva entre parte dos entrevistados. O gesto foi
interpretado como uma demonstração de pragmatismo político e de defesa dos
interesses brasileiros na relação bilateral.
Apesar
disso, os eleitores independentes continuam demonstrando insatisfação com
diversos aspectos da atual gestão federal. A principal reclamação identificada
pela pesquisa está relacionada à percepção de que as condições de vida da
população não melhoraram de forma significativa durante o terceiro mandato de
Lula.
“Em
comparação aos dois governos anteriores, esse deixou a desejar bastante. Ele
(Lula) culpa o Bolsonaro e não faz as coisas. Ele tinha que fazer, mostrar
serviço. Me desapontei. Pode ser porque ele pegou o Brasil endividado, pode ser
que piorou um pouco as coisas, mas deixou a desejar”, afirmou um eleitor da
região Norte.
Luciana
Andrade destacou que a expectativa de retomada da ascensão social observada
durante os primeiros governos petistas não se concretizou para muitos
brasileiros. Segundo ela, a percepção predominante é de que o aumento do custo
de vida impede ganhos efetivos de bem-estar, mesmo quando há crescimento da
renda.
“Especialmente
os eleitores com mais de 35 anos lembram que, nos governos Lula 1 e 2, tiveram
ganho de poder de compra e ascensão social. Hoje, o custo do básico consome uma
parcela tão grande da renda que, mesmo quando ela aumenta, o status social não
muda. A expectativa de que o Lula 3 trouxesse uma melhora de vida não se
confirmou. Em todo os grupos sociais a promessa da picanha na mesa é citada. A
picanha virou o símbolo dessa decepção”, concluiu.
• Após Flávio Bolsonaro trair o Brasil e
colocar o Pix em risco, Lula pode vencer no primeiro turno, apontam trackings
A
campanha presidenciais já possuem novas atualizações de trackings internos que
indicam uma forte queda de Flávio Bolsonaro (PL) na corrida presidencial.
Segundo informações que circulam nos bastidores, o senador teria perdido entre
4 e 6 pontos após tentar justificar o tarifaço de 25% imposto pelo governo
Donald Trump contra produtos brasileiros, que tem como um dos motivos
principais o uso do Pix pelos brasileiros, que afeta bandeiras de cartões como
Visa e Mastercard.
De
acordo com esses levantamentos internos da própria oposição, com margem de
variação de ±1% em relação aos dados de ontem, a associação de Flávio Bolsonaro
ao ataque comercial dos Estados Unidos contra o Brasil teria se consolidado de
forma negativa. O apelido “TarifLávio” teria colado no senador, e aliados já
avaliam que não há, neste momento, uma estratégia capaz de reverter o desgaste.
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Tarifaço de Trump atinge Flávio Bolsonaro
A crise
se agravou depois que Flávio Bolsonaro tentou atribuir ao presidente Lula a
responsabilidade pela tarifa de 25% anunciada pelos Estados Unidos contra
produtos brasileiros. A declaração foi vista por setores políticos como uma
tentativa de defender o presidente Donald Trump, mesmo diante de uma medida que
afeta empresas nacionais, exportadores e empregos no Brasil.
A
situação ficou ainda mais sensível porque, entre as justificativas apresentadas
pelo USTR, o Representante Comercial dos Estados Unidos, aparece o papel do
Banco Central do Brasil como regulador e operador do Pix. O órgão estadunidense
classificou essa função como possível conflito de interesse, colocando o
sistema de pagamentos brasileiro no centro da ofensiva comercial dos Estados
Unidos.
A
leitura nos bastidores é que Flávio Bolsonaro passou a ser associado não apenas
ao tarifaço de Trump, mas também a uma ameaça externa contra o Pix, uma das
ferramentas financeiras mais populares do país. A combinação entre ataque
comercial, prejuízo potencial às empresas brasileiras e risco ao Pix teria
produzido forte reação negativa contra o senador.
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“TarifLávio” cola e preocupa a oposição
Segundo
os trackings internos, o apelido “TarifLávio” ganhou tração e passou a
sintetizar a percepção de que o senador teria ficado ao lado de Trump em uma
disputa contra interesses brasileiros. A avaliação feita por integrantes da
oposição é que a narrativa se espalhou rapidamente e dificultou qualquer
tentativa de reposicionamento.
O
desgaste atinge um ponto sensível da campanha: a imagem de Flávio Bolsonaro
como pré-candidato presidencial. Ao defender que “não são as empresas
brasileiras que estão sendo tarifadas” e que “quem está sendo tarifado é o
presidente Lula”, o senador acabou abrindo espaço para ataques de adversários,
que passaram a acusá-lo de minimizar os efeitos econômicos da medida dos
Estados Unidos.
Flávio
também afirmou que a tarifa seria resultado do que chamou de “sentimento
anti-americano” de Lula. Para críticos, a fala reforçou a percepção de
alinhamento automático com Trump, mesmo diante de uma decisão considerada
hostil aos interesses do Brasil.
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Lula cresce e pode vencer no primeiro turno
Enquanto
Flávio Bolsonaro enfrenta queda nos trackings, Lula teria registrado
crescimento entre 2 e 4 pontos, segundo as mesmas informações de bastidores. Os
novos números indicariam um cenário de vitória do presidente já no primeiro
turno, caso a tendência se confirme nas próximas rodadas de pesquisas.
A
melhora de Lula estaria ligada à reação do governo brasileiro ao tarifaço e à
defesa da soberania nacional diante da pressão dos Estados Unidos. Nesta
terça-feira, o presidente afirmou que está “esperando um telefonema de Trump”
para tratar diretamente do tema.
“Você
me deve uma reunião e eu devo uma pra você. Porque demos 30 dias para nossos
ministros negociarem. Então, eu to esperando um telefonema seu para me explicar
o que aconteceu na sua ausência e na minha ausência”, afirmou Lula.
A fala
reforçou a estratégia do Planalto de apresentar o presidente como líder
disposto a negociar, mas sem aceitar imposições externas que prejudiquem o
Brasil.
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Pix vira centro da disputa política
O
envolvimento do Pix nas justificativas dos Estados Unidos adicionou um novo
componente à crise. O sistema, utilizado diariamente por milhões de
brasileiros, tornou-se símbolo de soberania tecnológica e inclusão financeira.
A simples possibilidade de o Pix ser questionado por autoridades estadunidenses
provocou reação política imediata.
Para
aliados de Lula, Flávio Bolsonaro acabou se colocando em uma posição
politicamente vulnerável ao tentar justificar a ofensiva de Trump. A avaliação
é que qualquer ataque externo ao Pix tende a ser interpretado pela população
como uma ameaça direta ao cotidiano econômico dos brasileiros.
Nos
bastidores da oposição, o temor é que a crise deixe de ser apenas uma disputa
diplomática ou comercial e passe a ser percebida como uma escolha entre
defender o Brasil ou defender Trump. Nesse cenário, o apelido “TarifLávio”
funciona como síntese do problema enfrentado pelo senador.
Fonte:
Brasil 247

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