terça-feira, 9 de maio de 2023

Na arte da estupidez, Bolsonaro é exemplo de como um político pode causar danos

No meio da agonia pandêmica, em 2020, apareceu um bálsamo nas livrarias — a primeira edição brasileira do livro “As Leis Fundamentais da Estupidez Humana”. Num ensaio enxuto e divertido, o historiador medievalista italiano Carlo Cipolla tateia um dos mistérios mais antigos e insondáveis da política: como e por que pessoas estúpidas conseguem alcançar posições de poder e relevância.

“Não é difícil”, escreveu Cipolla, “entender como o poder social, político e institucional aumenta o potencial que uma pessoa estúpida tem de causar danos. Mas ainda é preciso explicar e entender o que, essencialmente, torna uma pessoa estúpida perigosa para outras pessoas — ou seja, no que constitui o poder da estupidez. Pessoas essencialmente estúpidas são perigosas e prejudiciais porque pessoas racionais acham difícil imaginar e compreender o comportamento irracional.”

E DISSE MAIS

“O fato de a atividade e os movimentos de uma criatura estúpida serem absolutamente instáveis e irracionais não apenas tornam a defesa problemática, mas também fazem com que qualquer contra-ataque seja extremamente difícil — como tentar atirar em um objeto capaz dos movimentos mais improváveis e inimagináveis”, acrescentou o historiador.

A sensação de impotência diante da mortandade espalhou angústia e produziu uma expectativa planetária sobre a produção de uma vacina contra o coronavírus. No Brasil, poucas coisas mataram tanto quanto as campanhas de desinformação sobre a Covid-19 disseminadas nas redes sociais. Com frequência diária, parte das informações ruins, notícias falsas e fake news foi promovida por Jair Bolsonaro.

Muita gente perdeu tempo na tentativa de entender por que ele fazia o que fazia na Presidência da República. Repudiava a ciência como premissa da política de saúde pública. Disseminava informações fraudadas e gastava dinheiro público com “pílulas milagrosas” de cloroquina e de ivermectina para alegria dos fabricantes, cujos lucros subiram até 730%.

ATOS ESTÚPIDOS

Quando a vacina ficou disponível, passou a adiar a compra com argumentos insólitos: “A pressa não se justifica, porque você mexe com a vida das pessoas”.

Efeito notável desse desgoverno foi a desconexão com a sociedade. Ironicamente, ampla maioria do eleitorado (60%) passou a dizer nas pesquisas que não confiava naquilo que dizia o presidente, candidato à reeleição, recusando-se a segui-lo na emergência sanitária.

Aconteceu, então, um raro caso de inépcia política passada em cartório. O Supremo Tribunal Federal certificou a incompetência do governo Bolsonaro em cumprir o dever constitucional de defender a segurança sanitária da população e liberou os governos estaduais para aquisição de imunizantes e vacinação descentralizada.

ANÁLISE CIENTÍFICA

No ensaio sobre a estupidez, Cipolla diz acreditar que ela é um privilégio indiscriminado de todos os grupos humanos e distribuída de maneira uniforme de acordo com uma proporção constante.

“De modo científico”, ele fundamenta: “A probabilidade de determinada pessoa ser estúpida independe de qualquer outra característica dessa pessoa”.

Os fatos costumam ser mais expressivos do que palavras. Foi assim com a expansão dos cemitérios brasileiros durante a etapa pandêmica de negacionismo da ciência. Repete-se na história dos atestados de vacinação fraudados que Bolsonaro usou para trapacear o governo dos Estados Unidos, driblando leis e normas de proteção sanitária da população americana.

AUMENTA A CONFUSÃO

O potencial de estupidez na política sempre supera expectativas. No Congresso, por exemplo, aumentou a confusão entre deputados sobre o que as empresas donas de plataformas de redes sociais dizem ser verdade ou mentira no projeto de lei para repressão das usinas de fraudes, informações falsas, fake news.

Na agonia pandêmica de 2020 o Senado aprovou o texto original com trinta artigos. A Câmara adicionou outros trinta em dois anos e meio de discussões. No dia da votação recebeu setenta novas emendas — seis por hora no expediente da terça-feira 2.

Os deputados querem garantir a própria impunidade e a de outros 50000 agentes políticos sobre tudo que publicam nas redes sociais. Desenham um cercadinho VIP para a casta política no mundo virtual, isolando-a da vida real dos brasileiros. Assim, tem-se novo caso de estudo à luz das “leis fundamentais” de Cipolla.

 

Ø  PGR tentou impedir ação da PF contra Bolsonaro

 

A campanha de Augusto Aras para ser reconduzido como procurador-geral da República passou por um forte obstáculo na última semana, avaliam aliados.

A vice-PGR, Lindôra Araújo, opinou contra busca e apreensão, na residência de Jair Bolsonaro e Michelle, no caso da carteira de vacinação, argumentando abertamente que o ex-presidente não necessariamente sabia da fraude cometida em seu nome.

Aras tem apoio de Arthur Lira, presidente da Câmara dos Deputados, em sua campanha para ser reconduzido, entre outros cabos eleitorais. Mas até pessoas próximas reconhecem que não há lobby em prol de seu nome que supere episódios como esse.

Manter Lindôra no cargo foi um erro de Aras, segundo seu círculo próximo — especialmente em um momento em que, a julgar pelas sinalizações que dá sobre o Supremo Tribunal Federal (STF), Lula espera fidelidade de seus indicados em momentos de crise.

 

Ø  Ex-colega de Bolsonaro no Exército, pai de Mauro Cid está "muito irritado" com abandono do filho

 

O general Mauro Cesar Cid, pai do tenente-coronel Mauro Cid Barbosa - o ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL) - está "muito irritado" com o abandono de seu filho pelo ex-presidente e seu entorno, informa o colunista Lauro Jardim no jornal O Globo. 

Mauro Cesar Cid foi colega de turma de Bolsonaro na Escola de formação de oficiais do Exército. A interlocutores, ele teria dito que não admitirá que seu filho seja deixado para trás e, inclusive, chegou a ir ao QG do Exército em Brasília, na semana passada, para conversar sobre a situação do filho.

Os colegas de Exército do general afirmam que seu estado de espírito é de "irritação, muita irritação." 

Mauro Cid Barbosa foi preso preventivamente no âmbito da Operação Venire, deflagrada na quarta-feira (3) pela Polícia Federal (PF), que teve Jair Bolsonaro como um dos alvos centrais. No entanto, a defesa de Bolsonaro quer que o tenente-coronel assuma sozinho a culpa pelo crime de ter adulterado certificados de imunização e desvincule o ex-presidente do episódio.

 

Ø  Se não for delatado, Bolsonaro não será preso; se não for preso, não será delatado. Por Alex Solnik

 

É curioso o que está acontecendo no Brasil. O ministro do STF, Alexandre de Moraes, o ministro da Justiça, Flávio Dino, os brasileiros sãos e lúcidos estão cansados de saber que tanto o ex-ministro da Justiça, Anderson Torres, quanto o ex-ajudante de ordens, tenente coronel Mauro Cid só estão presos porque cumpriram ordens ilegais de seu chefe.

Até as paredes do Palácio do Planalto sabem que a minuta do golpe, o resgate das joias milionárias, a falsificação das certidões de vacina, a dúvida sobre as urnas eletrônicas interessavam ao ex-presidente e não a eles.

Estão presos, portanto,  por causa de atos e palavras de Bolsonaro.

No entanto, está ficando evidente que Bolsonaro só terá o mesmo destino que eles, a curto prazo, se um deles disser: foi Bolsonaro quem mandou fazer. 

Tanto é verdade que o que o país mais espera é uma delação de um dos ou dos dois ex-braços direitos.

Só que, enquanto Bolsonaro estiver livre, leve e solto, eles não estarão confortáveis para delatar por temer retaliação do delatado. 

Enquanto está em liberdade ele pode retaliar a traição de vários modos, seja por meio de setores da Justiça que ainda controla, seja por meio de suas ligações com o submundo do crime.

Somente se o chefe estiver preso e, portanto, enfraquecido e despojado de qualquer poder, alijado do convívio social, Anderson Torres e Mauro Cid terão condições de optar entre assumir sozinhos a culpa por crimes que cometeram em parceria com ele ou contar a verdade.  

Se não for delatado, Bolsonaro não será preso. Se não for preso, não será delatado.

 

Ø  Mídia tenta humanizar Bolsonaro, diz Lalo Leal após ‘choro’ do ex-presidente

 

O professor Laurindo Lalo Leal denunciou, em entrevista à TV 247, que a grande imprensa corporativa ameniza a situação para o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), investigado em diversos inquéritos, ao contrário do que realizava contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), na época que este estava sendo perseguido pela Lava Jato.

Em entrevista ao “Pânico”, na Jovem Pan, o Bolsonaro chorou ao falar sobre a operação de busca e apreensão da Polícia Federal na sua casa. Segundo Lalo, foi “mais uma cena” do ex-presidente, “tendo a acreditar que aquilo não é real, mas um ato de falsidade, uma interpretação dramática”. De acordo com ele, diante das investigações contra o ex-presidente, “resta a Bolsonaro a tentativa de sensibilizar amplos setores da sociedade que medem essas questões não através da razão, mas da emoção. Acho que é uma última tentativa de se manter vivo e aceito e apoiado por setores da sociedade; apelando para a questão emocional”.

“É lamentável que algumas emissoras jornalísticas abram espaço para esse tipo de performance; para essa tentativa de tornar essa figura muito agressiva menos agressiva, mostrando que ele também é um ser humano”, apontou. 

Lalo lembrou que o tratamento da imprensa foi muito diferente do que ocorreu quando Lula estava sendo perseguido pela Lava Jato. O professor aponta que a grande mídia queria “colocá-lo no ostracismo definitivo. O Lula foi, contra a lei, proibido de dar entrevistas”. “Havia um complô entre setores do Judiciário e a mídia para apagar a persona do Lula da história; com Bolsonaro, o tratamento é diferente”, argumentou.

 

Fonte: Veja/Brasil 247/Metrópoles

 

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