terça-feira, 9 de maio de 2023

Bolsonaristas visitam Torres para evitar delação

Os cinco senadores que visitaram ontem o ex-ministro da Justiça Anderson Torres no 4º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, onde está preso, relataram que ele está com aparência muito debilitada pelo tempo de detenção e emocionalmente abalado por estar desde o início de janeiro sem ver as duas filhas. Falando a Eduardo Gomes, Rogério Marinho, Magno Malta e Jorge Seif, do PL, e Márcio Bittar, do União Brasil, Torres se defendeu da acusação de ter-se ausentado do Brasil, onde atuava como secretário de Segurança Pública do DF, para facilitar o ataque dos golpistas às sedes dos Três Poderes, no dia 8 de janeiro.

“No caso de Brasília, a Segurança Pública tem protocolos multilaterais, são várias forças que atuam nessa área, cada uma com uma função”, explicou ele aos parlamentares, para sustentar que aquele trabalho não dependia somente dele.

Abatido e bem mais magro do que quando apareceu em público pela última vez, Torres chorou muito no encontro com os parlamentares. Não parecia, porém, adoentado ou com dificuldade de se comunicar. Para os senadores, a aparência de Torres é decorrência de seu estado emocional. O ex-ministro negou que tivesse saído do país poucos dias antes do ataque dos golpistas para facilitar a ação dos vândalos. Explicou que foi para os Estados Unidos porque era a primeira vez que sua mulher fazia uma viagem internacional e queria dar a ela esse presente. À coluna, o senador Eduardo Gomes explicou que não discute se ele é culpado ou inocente, mas defende o mesmo ponto de vista emitido pela Procuradoria-Geral da República, de que Torres pode responder ao processo sem ficar preso. Também ontem, os pais do ex-ministro foram à prisão visitá-lo. Hoje, outros cinco senadores vão visitar Torres. Ele tem depoimento na Polícia Federal marcado para amanhã.

  • Após visita na prisão, senador diz que Anderson Torres está “detonado”

O senador Jorge Seif (PL-SC) comentou, em uma live nas suas redes sociais, o estado emocional do ex-ministro da Justiça Anderson Torres após visitá-lo no 4º Batalhão de Polícia Militar, com outros quatro senadores, neste sábado (6).

Seif afirmou que o ex-ministro está magro, barbudo e abatido. “O cara está na lama, detonado”, disse o senador.

Neste sábado, Torres recebeu a visita do líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), Eduardo Gomes (PL-TO), Magno Malta (PL-ES) e Márcio Bittar (União-AC), além de Seif.

Torres está preso no 4º Batalhão da Polícia Militar desde o início de janeiro.

Neste domingo (7), outros 10 parlamentares devem encontrar o ex-ministro, como o senador Izalci Lucas (PSDB-DF).

A visita dos senadores ocorreu depois de aprovação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. A autorização refere-se apenas a 38 senadores e não pode ser estendida a terceiros.

As visitas devem ocorrer em grupos de até cinco senadores, aos sábados e domingos, desde que previamente agendadas com o comando do batalhão.Moraes autorizou a visita dos seguintes senadores:

Rogério Marinho, Styvenson Valentim, Oriovisto Guimarães, Tereza Cristina, Luiz Carlos Heinze, Zequinha Marinho, Izalci Lucas, Rodrigo Cunha, Jaime Bagattoli, Carlos Viana, Cleitinho, Laércio Oliveira, Ciro Nogueira, Esperidião Amin, Eduardo Gomes, Carlos Portinho, Plínio Valério, Chico Rodrigues, Jayme Campos, Magno Malta, Damares Alves, Hamilton Mourão, Efraim Filho, Eduardo Girão, Alan Rick, Professora Dorinha Seabra, Wellington Fagundes, Astronauta Marcos Pontes, Jorge Seif, Mecias De Jesus, Hiran Gonçalve, Vanderlan Cardoso, Lucas Barreto, Wilder Morais, Márcio Bittar, Sérgio Moro, Dr. Samuel Araújo e Irajá.

Moraes vetou a visita dos senadores Marcos do Val e Flávio Bolsonaro, “tendo em vista a conexão dos fatos apurados no presente Inquérito com investigações das quais ambos fazem parte”.

  • Torres não está sendo “tratado com o processo legal”, diz senador após visita na prisão

O senador Izalci Lucas (PSDB-DF) disse neste domingo (7) que o ex-ministro Anderson Torres “não está sendo tratado com o processo legal”, ao criticar o tempo em que ele está preso.

“O que a gente percebe claramente é que ele não está sendo tratado com o processo legal. Ninguém fica mais do que 90 dias [preso] se não tiver provas contundentes. Ele não oferece risco nenhum e continua preso”, declarou.

Conforme o senador, Torres está há quase quatro meses sem ver seus filhos e seu estado emocional é “muito grave”.

A fala foi feita em frente ao batalhão da Polícia Militar, onde Torres está preso desde janeiro. Além de Izalci, o ex-ministro recebeu na manhã deste domingo a visita dos senadores Jaime Bagattoli (PL-RO) e Eduardo Girão (Novo-CE). Sua esposa, Flávia Sampaio Torres, também foi visitá-lo.

Foi a segunda leva de congressistas autorizados a encontrar o ex-ministro na prisão.

Anderson Torres está preso desde 14 de janeiro no 4º Batalhão da Polícia Militar no Guará, região administrativa do Distrito Federal, por suposta omissão nos atos de 8 de janeiro.

Na época, ele era secretário de Segurança Pública do Distrito Federal. A prisão foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O magistrado é relator na Corte das investigações sobre os ataques.

A visita dos senadores ocorreu após aprovação de Moraes. A autorização refere-se apenas a 38 senadores e não pode ser estendida a terceiros.

Na segunda-feira (8), Torres tem marcado um novo depoimento à Polícia Federal, no inquérito que apura operações da Polícia Rodoviária Federal (PRF) durante o segundo turno das eleições de 2022. Ele falará na condição de declarante, porque não é formalmente investigado pelo caso.

A defesa de Torres tenta revogar a prisão preventiva. Argumenta, principalmente, que ele não oferece risco para as investigações e que seu estado de saúde mental tem se deteriorado. A Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestou a favor da revogação, e pela monitoração por tornozeleira eletrônica.

 

Ø  Torres se dedicava ao golpe e Cid cumpria tarefas ‘pontuais’, como joias, caixa 2, vacinas…Por Eliane Catanhêde

 

O ex-presidente Jair Bolsonaro tem não só mais um escândalo, mas também mais um homem-bomba contra ele: o tenente-coronel da ativa Mauro Cid, preso desde a quarta-feira, que se une ao delegado federal Anderson Torres, preso desde janeiro. Os dois sabem de tudo e participaram de tudo que hoje ameaça levar Bolsonaro a lhes fazer companhia na prisão.

Torres se dedicava ao golpe, mapeando onde o agora presidente Lula venceu no primeiro turno, orientando a PRF contra eleitores petistas e guardando uma minuta para implodir o TSE e anular as eleições. Saiu da Justiça direto para a Secretaria de Segurança do DF, onde deixou tudo pronto, ou nada pronto, para o 8 de janeiro e se mandou para os EUA.

Já Mauro Cid tinha tarefas mais pontuais, usar avião da FAB para “recuperar” os tesouros da Arábia Saudita que jamais seriam de Bolsonaro, até providenciar atestados fraudulentos de vacina da covid para Bolsonaro e a filha, ser o “caixa 2″ da família presidencial. Coisa feia. E mais: criminosa.

DESVIO DE FUNÇÃO 

Nada disso é função de ajudantes de ordens de presidentes, como deve saber o comandante do Exército, general Tomás Paiva, que ocupou a função exemplarmente em dois governos, de Itamar Franco e de Fernando Henrique, com quem conversa há anos sobre o Brasil e o mundo.

Bolsonaro envolveu militares na guerra contra vacinas, urnas eletrônicas e instituições, e em operações porcas como as das joias e dos atestados de vacinação.

Dos seis presos pela PF, cinco são ou foram militares. E Cid e Torres foram tragados para o fundo do poço, com os generais Braga Netto, Augusto Heleno e Luiz Eduardo Ramos, na lista da CPI do golpe, mais Paulo Sérgio, com a imagem arranhada, e Eduardo Pazuello, que dispensa comentários.

COINCIDÊNCIAS 

A queda e os vídeos da inércia do general G. Dias no 8/1 foram divulgados no Dia do Exército, após confraternização de Lula com a cúpula militar. E quis o destino (será?) que a prisão do coronel Cid fosse no dia do primeiro almoço de Lula com o Alto-Comando do Exército.

Há incômodo entre colegas de farda com a sabujice de Pazuellos, Paulos Sérgios e Mauros Cids diante de Bolsonaro, com o consenso de que não dá para passar pano. Mas, de outro lado, há desconforto com a prisão do tenente-coronel, considerada “desnecessária”.

Lula, o comandante Tomás e o ministro da Defesa, José Múcio, têm a mesma posição pública: isso é problema da Justiça. Mas é também uma questão política, que mobiliza os bolsonaristas e empurra os mais radicais contra as Forças Armadas nas redes sociais, o que pode dificultar a pacificação entre os militares e Lula. Tomara que não.

  • Acredite se quiser! Torres esteve na Bahia para acompanhar obras da PF, não para atrapalhar eleições, dizem aliados

O ex-ministro da Justiça Anderson Torres irá dizer à Polícia Federal que não esteve na Bahia, às vésperas do segundo turno das eleições, para organizar operação da Polícia Rodoviária Federal com intuito de atrapalha a votação.

Com depoimento marcado na na PF nesta segunda-feira (8), ele tem dito que vai responder todas perguntas, afirmam interlocutores com quem a CNN conversou.

A aliados, que estiveram com ele neste fim de semana, Torres contou que teria se deslocado até o estado para acompanhar obras da superintendência da PF. Uma foto em que aparece o ex-ministro e integrantes da polícia, com capacetes de obra, na data da visita, deve ser apresentada pela defesa como prova de que a viagem era oficial.

A Bahia foi um dos principais celeiros de votos para o presidente Lula, nas eleições de 2022. A PF investiga se a ida de Torres ao estado no dia 24 de outubro teria razão eleitoral.

No dia das eleições, diversos apoiadores de Lula publicaram nas redes sociais informações de que bloqueios da PRF nas estradas teriam atrasado e atrapalhado ida aos pontos de votação.

Na ocasião, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Alexandre de Moraes, cobrou explicações do então diretor-geral da corporação Silvinei Vasques, que se dirigiu pessoalmente até o prédio do TSE para negar o intuito eleitoreiro das operações. De acordo com a PRF, a ação foi para coibir a compra de votos.

O ministro Alexandre de Moraes afirmou em entrevista no TSE no dia que as operações não atrapalharam as eleições porque os ônibus não regressaram ao ponto de partida e seguiram até o destino: os locais de votação.

Apesar disso, a Justiça Eleitoral afirmou que os relatos de suposta arbitrariedade da PRF seriam apurados mais detalhadamente pela Polícia Federal.

 

Ø  Documentos comprovam viagem de Torres à Bahia, em voo da FAB, e diagnóstico sobre eleições

 

Documentos obtidos com exclusividade pela CNN comprovam que o então ministro da Justiça Anderson Torres viajou à Bahia em uma aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB), seis dias antes do segundo turno das eleições presidenciais, para tratar das operações da Polícia Rodoviária Federal (PRF).

O primeiro documento mostra que Torres pegou o voo da FAB no aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, no dia 24 de outubro, às 17h30, e chegou a Salvador duas horas depois.

A relação nominal mostra que Torres foi acompanhado do secretário-executivo do Ministério da Justiça, Antônio Lorenzo, do diretor-geral da Polícia Federal, Márcio Nunes, de um assessor especial do gabinete e dois agentes da PF.

Torres estava no Rio de Janeiro por conta do episódio em que Roberto Jefferson foi preso e atirou contra policiais federais.

Outro documento obtido pela CNN mostra a reunião de Anderson Torres com o superintendente da PF na Bahia, o delegado Leandro Almada. O encontro ocorreu no dia 25 de outubro, uma terça-feira da semana pré-eleição. A agenda foi solicitada na tarde do dia anterior, conforme despacho de uma assessora.

Participaram da reunião, de 11h às 12h, além de Torres e Almada, o secretário-executivo do MJ, o diretor-geral da Polícia Federal, e os delegados da PF na Bahia Marcelo Werner e Flávio Marcio Albergaria Silva.

Conforme apurou a CNN, nessa reunião Torres teria pedido apoio da PF nos bloqueios que a Polícia Rodoviária Federal faria no segundo turno das eleições presidenciais.

A conversa foi confirmada à reportagem por fontes ligadas à PF e à PRF. A PF na Bahia, no entanto, não participou da ação.

Torres e comitiva voltaram para Brasília logo após o encontro, às 16h30, conforme a agenda. Os documentos foram obtidos via Lei de Acesso à Informação (LAI).

A viagem do então ministro da Justiça de Jair Bolsonaro (PL) ocorreu depois de ele ter obtido um documento, elaborado pela Diretoria de Inteligência do MJ, mostrando em quais municípios Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teve mais votos no primeiro turno.

A Bahia tem 11.291.528 milhões de eleitores, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e o candidato petista conquistou 69,49% dos votos válidos do estado no primeiro turno.

Para os investigadores da PF, que apuram essa viagem de Torres e suas consequências, o documento elaborado pela delegada Marília Alencar, então diretora de inteligência, serviu para que o ex-ministro colocasse em prática o plano para atrapalhar a votação e autorizou a operação da PRF.

Em 30 de outubro, eleitores de municípios do Nordeste — onde Lula teve mais votos do que Bolsonaro — usaram as redes sociais para denunciar ações da PRF, nas estradas da região, para retardar o trânsito rumo às zonas de votação.

Em depoimento à PF, Marília admitiu que fez o mapa a pedido de Torres, mas que não sabia como seria usado. Como resultado da operação, foram fiscalizados 2.185 ônibus no Nordeste, no dia 30 de outubro do ano passado, contra 632 na Região Sul, onde o candidato do PL venceu no primeiro turno.

Nesta segunda-feira (8), às 14h30, Anderson Torres prestará depoimento à Polícia Federal em Brasília sobre essa viagem e as operações da PRF no Nordeste.

A CNN procurou a defesa de Torres e aguarda manifestação. O ex-diretor da PF não respondeu aos questionamentos, bem como Marília Alencar.

 

Ø  PF pode cortar salário de R$ 30 mil de Anderson Torres e depois exonerá-lo

 

O ex-ministro e ex-secretário de Segurança Pública Anderson Torres — preso há quase cinco meses no Distrito Federal como parte da investigação dos atos antidemocráticos de 8 de janeiro — pode perder o salário da Polícia Federal de R$ 30 mil. A informação foi revelada pelo colunista do jornal O Globo, Lauro Jardim.

A PF abriu um inquérito administrativo para apurar a situação do ex-ministro do governo Bolsonaro e isso poderá afetar diretamente o salário que ele recebia, segundo informou a coluna. Mesmo preso, Torres ainda recebe o beneficio da corporação.

Essa ação da PF pode resultar ainda na expulsão dele da corporação eventualmente.

•        Investigado pelos atos de 8 de janeiro

Preso desde o dia 14 de janeiro, Anderson Torres, é acusado de ter sabotado o comando da Segurança Pública do Distrito Federal durante os ataques terroristas de domingo (8/1) na Esplanada dos Ministérios e em sedes do governo.

O ex-ministro já prestou depoimentos algumas vezes e pediu para habeas corpus em alguns momentos. O mais recente pedido foi negado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, na sexta-feira (5/5). Moraes decidiu que Torres ficará preso no 4° Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF), no Guará.

Também foi autorizada a visita de 38 senadores à Torres, contudo, Moraes estabeleceu condições que considerou de caráter “estritamente pessoal, não extensivo, sob nenhum pretexto ou condição, a terceiros acompanhantes, a visitação” ao ex-secretário.

Dentro da sala onde o ex-secretário está preso, poderão entrar cinco senadores por vez — um pedido da defesa de Torres. A visita só ocorrerá aos sábados e domingos, com agendamentos prévios junto a PMDF.

 

Fonte: Veja/CNN Brasil/Correio Braziliense/Estadão

 

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